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Feijão 🫛🫛🫛
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Em setembro saíram os canteiros com feijão milho e aipim. No meio de dezembro saiu o feijão, daqui uns 15 dias o milho, e o aipim em maio. Mas este ano estou tentando uma coisa nova: fazer a safrinha de feijão ainda embaixo do milho que não foi colhido. A ideia é que a sombra do milharal ajuda a proteger do sol forte de verão o feijão enquanto está bem pequeno. Vamos ver se dá certo!
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAPITULO 80
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VISITANDO O VALE DO APERTADO Mago Natu, Rei Médium, Rainha Gônia, Rainha Alzira e Rei Naldo confabulavam os cinco numa sala secreta do Palácio das Esmeraldas, lembrando acontecimentos que há alguns anos causaram grandes mudanças em todos os doze reinados daquela imensa região, dos mais longínquos aos vizinhos. Rainha Alzira iniciou o assunto, bem-humorada, provocando Mago Natu: — Mago Natu, por que não devolves meu pote de esmeraldas? — Quem vos garante que estão comigo? — Dou-vos a metade delas, se me entregares... — Rainha Alzira, sabeis que comigo elas estão seguras... e tua própria vida a salvo. Se teu filho Rasku ao menos desconfiar de que aquele tesouro está contigo, certamente arrumará meios de subtraí-lo, atentando contra tua vida, se necessário. É melhor que fiquem onde estão. — Posso ao menos saber onde estão? — Sim, sabereis. Inclusive, sabereis de onde as retirei, sigilosamente, desde a visita que fiz quando seu neto Gesu Aldo nasceu. Que tal irmos amanhã, bem no raiar do dia, ao lugar onde vosso marido, Rei Albe, o Rico se enforcou? — Posso convidar Alimpa? – Rei Naldo perguntou, como se devesse satisfação de seus sentimentos e atos aos seus súditos. Todos concordaram que a futura rainha de Avilhanas também conhecesse o cenário onde se originou a história da Mula Sem Cabeça, e algum tempo depois o atemorizante lobisomem. Pessoalmente, não agradava à Rainha Alzira voltar àquele local, especialmente com plateia. Muitas recordações que preferia esquecer viriam à tona e algum desconforto seria inevitável. No entanto, diante da curiosidade dos amigos em conhecer a grande árvore de figueira-do-inferno... cadafalso onde Rei Albe, o Rico, enforcara-se pelo pé. Mesmo cemitério em que foram sepultados e incinerados os corpos dos protagonistas daquela sangrenta e misteriosa saga. Esforçando-se para não deixar transparecer que aquelas memórias ainda estavam muito vivas e amiúde a incomodavam, Rainha Alzira pedia em pensamento que Mago Natu mantivesse a necessária discrição, sem jamais revelar o segredo guardado por ela e ele: a verdadeira paternidade do Conde Rasku. Outros episódios e detalhes de somenos importância se quisesse revelar, não se importaria. Já fazia algum tempo que o fantasma da Mula Sem Cabeça descansava em tréguas com o Reinado de Avilhanas! Desde a visita ao Reino do Elo Dourado, quando o Grande Rei determinou que Mago Natu localizasse e desenterrasse o fabuloso pote de esmeraldas que o Rei Albe, o Rico, ocultara, transportando-o secretamente para o seu Santuário no Elo Dourado, ensinando-o a fórmula mágica para afugentar a fantasmagórica visagem da Mula Sem Cabeça, o sentimento geral de medo que assolava a população também arrefecera. Entretanto, a calmaria não permanecera longo tempo. Não muito depois, voltara o antigo pânico a tomar conta das populações e a andar pelas noites enluaradas. O espectro da Mula Sem Cabeça cedera lugar às aparições do não menos aterrorizante lobisomem. Assunto tabu, igualmente interditado 326 H. H. Entringer Pereira aos visitantes e forasteiros, circulava, no entanto, em formato de rumores. Não havia tantas testemunhas fidedignas, merecedoras de crédito para certificar a real existência da assombrosa criatura. Porém, alguns notívagos que vez por outra atravessavam as ruas da cidade madrugada afora relatavam encontros apavorantes com o avejão. Devido a boatos recorrentes, a cada vinte e oito dias, na casa das moças que pintam e bordam, em noites de lua cheia nas sextas-feiras, portas e janelas eram preventivamente fechadas antes do cair da noite. Atrás de cada uma das portas, reluzentes punhais de prata, pendurados um sobre o outro em formato de “X”, garantiam a tranquilidade das moças que juravam ouvir, a partir da meia-noite, uivos e rosnados aterradores de um animal coberto de pelos, com corpo de homem e cabeça de lobo, que rondava insistentemente a casa até a hora em que cantava o primeiro galo da madrugada! Ainda usando archotes e lamparinas, pois a alvorada parecia não estar com a mesma pressa que os compartes da combinada aventura, pelas quatro horas da manhã estavam todos de pé. A família de Rei Naldo, a família do Rei Médium, Mago Natu, Professora Plínia, o jovem Mulato e o Louco, esse último o primeiro a chegar ao pátio de onde a caravana partiria. Era sempre ele, quando convidado, a animar rodas de conversa, salões de dança, piqueniques e festas populares. Na maioria das vezes, tinha uma novidade para surpreender a plateia. Vestia-se com espalhafato, muitas cores e abandonara, a pedido da Rainha Alzira, suas ceroulas puídas e rasgadas nas nádegas. Todavia, seu figurino estava longe de ser convencional. Em poucos minutos, reuniram-se todos para iniciar a jornada rumo ao local mais evitado e ao mesmo tempo mais curioso de Avilhanas. A tropa que levaria suprimentos e as carruagens estavam prontas desde a véspera, aguardando seus ocupantes. O jovem Mulato deixara tudo muito bem-arrumado no dia anterior, comandando com maestria os animais cargueiros e os demais cocheiros. Alguns coches, mais confortáveis que os outros, faziam a distinção dos ocupantes pela idade: os mais velhos nos mais estofados e os mais novos nos mais despojados. Mago Natu ainda não decidira quem escolheria como parceiro de viagem. Do Palácio das Esmeraldas, na cidade de Avilhanas, até o Vale do Apertado levariam seguramente duas horas de viagem. Ao final, todas as parcerias estavam feitas e restavam um coche e dois passageiros para embarcar: o Louco e o Mago Natu. Os dois se olharam e, apontando-se mutuamente, com uma risada estridente, o Louco perguntou ao Mago Natu: — Não te importas de ir comigo? — Por que me importaria? — Porque somos muito diferentes... — Enganas-te. Somos tão iguais que se usasses minhas roupas e eu as tuas, nem eu nem tu saberíamos onde começa o Louco e termina o Mago, nem onde começa o Mago e termina o Louco. — Gostei da ideia! – disse o Louco, sorrindo, dando uma cambalhota no ar, seguida de uma pirueta que terminou por acomodá-lo no assento ao lado esquerdo do coche. — Veja bem, isso nos faz diferentes! Sou incapaz de tais acrobacias. — Enganas-te. Se usasses as minhas roupas certamente farias o mesmo. 327 H. H. Entringer Pereira — Quem sabe? — Vamos experimentar... Aproveitando-se de que o cortejo já se pusera a caminho, ficando os dois por derradeiro, combinaram de trocar suas vestes no intuito de chacotear com os amigos, dando-lhes a oportunidade de se divertir. Queriam saber qual dentre eles seria capaz de perceber a troca de vestimentas, antes que eles mesmos revelassem a brincadeira. Assumindo um a personalidade do outro, imitando também seus comportamentos, acomodaram-se na condução, e o Mago Natu, vestido como o Louco, solicitou que o deixasse conduzir a caleça, ao que o outro, vestido como o mago, sentado com ares enigmáticos, sequer objetou. Antes de chegarem ao Bosque do Iludido, já no Vale do Apertado, o comboio parou para se refrescar. Havia ali uma Gameleira Branca, árvore gigantesca muito parecida com a Figueira-do-Inferno sob a qual o Rei Albe, o Rico, havia enterrado seu tesouro e se enforcado, pendurado pelo pé. Um regato de águas cristalinas serpenteava sob a frondosa árvore, transformando o lugar num aprazível ponto de descanso, recreio e restauração de energia. Rainha Alzira foi a primeira a descer de seu cabriolé. Como se o tempo não tivesse passado, veio-lhe à memória cena por cena do dia em que passara por ali, bem ao entardecer, dera de beber ao seu fogoso alazão e, com o coração em sobressalto, acompanhou seu ajudante de ordens, Senhor Dugo, cujo nome verdadeiro desconhecia, até o Claro da Gemedeira, cenário da mais inusitada história que testemunhara e palco de suas desilusões, próximo dali vinte minutos. Refazendo-se ainda do choque das lembranças, arrumou suas vestes, suspendeu a saia para não arrastar no chão meio úmido e gritou para o Mago Natu e o Louco que vinham mais atrás: — Ei, parem! Vamos comer alguma coisa e dar água à tropa! Estamos chegando, não precisamos pressa! No momento em que o Mago parou a carruagem sob a árvore, num ponto distanciado dos outros, lateral às bordas da vegetação alta e cerrada, ouviu-se o som de algo cortando os ares, veloz como um pássaro flechando em voo. No mesmo instante, o ruído de um corpo caindo e o baque seco de algo no chão. Outros dois dardos seguidos cortaram o ar a esmo, sem destinatário escolhido. Enorme pavor tomou conta da caravana. Todos correram assustados ao encontro do corpo que ainda se debatia no chão. Rainha Alimpa foi a que primeiro denunciou desesperada: — Binah! Chokmah! Flecharam Mago Natu! – exclamou Rainha Alimpa, unindo fervor e pânico. Percebendo que nenhum deles ainda se dera conta de que o corpo com as vestes do mago era, na verdade, do Louco, Mago Natu, usando da serenidade que o momento exigia, na busca de acalmar os ânimos para que ninguém entrasse em desespero, levantou o rosto da Rainha Alimpa, direcionando o olhar dela para ele, dizendo firme, mas compassivo: — Rainha Alimpa, Mago Natu sou eu. Mataram o Louco, em vez do mago! — Oh, Céus! – suspirou, aliviada. — Por Zeus, o que fazes com estas roupas? – observou Rainha Alzira. — Por que trocaram de vestes? – atalhou Rainha Gônia. 328 H. H. Entringer Pereira — Explicai o que está acontecendo, Mago Natu – interferiu Rei Médium. — Tudo tem dois polos; e cada um, seu par de opostos. Somos idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Todos os paradoxos tendem a se reconciliar. Nos períodos de avanço, às vezes, é preciso retroceder. Todo movimento é como pêndulo, ora para a direita, ora para a esquerda e a compensação é o ritmo. Rei Naldo, Rainha Alzira, é prudente que voltemos daqui. Sepultemos o Louco sob a Gameleira Branca e ela lhe servirá de morada e abrigo eternamente. — Mago Natu, quem nos emboscou? – quis saber Príncipe Gesu Aldo. — Por que preferiu atingir o Louco e não a mim? – Rei Naldo queria ouvir a resposta às suas indagações tanto quanto o Rei Médium. — Amigo Calico. Não era o Louco o alvo do assassino, na verdade. Era o Mago. Por não conhecer e saber diferenciar um do outro, a não ser por suas vestes e aparência, atingiu o Louco pensando acertar o Mago. Não importa quem matou. Importa quem morreu. Se matares quem matou, não trarás à vida quem morreu. A conversa entre Rei Naldo, Mago Natu e Rei Médium prosseguia com muitas considerações filosóficas e iniciáticas, até que Rainha Alzira os interrompeu: — Amigos, tudo me parece lógico: suponho saber quem nos acompanhou e esperou a oportunidade de matar o Louco, pensando que fosse o Mago! É claro que o assassino conhecia o percurso que faríamos. Também sabia que o Mago Natu iria nos conduzir ao local onde estava enterrado o tesouro do Rei Albe, o Rico. Parece lógico que... Mago Natu não deixou Rainha Alzira concluir o raciocínio. Terminou a frase, ele mesmo: — Ele não desejava que fosse revelado para tanta gente, menos para ele, evidente, onde Rei Albe, o Rico, enterrou as esmeraldas e se suicidou pendurado pelo pé, de cabeça para baixo, simplesmente para morrer olhando o local exato onde deixava seu tesouro escondido. — Ah, que salafrário! – exclamou Rainha Alzira, meio alterada. — Calma, amiga, teu pote de esmeraldas está em lugar seguro, e ao tempo certo o Príncipe Urucumacuã haverá de entregá-lo a ti. Feitas as cerimônias fúnebres que antecipavam o sepultamento propriamente, Mago Natu pronunciou a sentença: — Amigo Louco, voltastes finalmente à estaca zero! Que esta Gameleira Branca te sirva de eterno símbolo e morada. Adeus. As roupas do Louco ficaram com o Mago Natu, que preferiu não as destrocar naquele momento. Sepultado o Louco com suas vestes, Mago Natu gracejou: — Bem-aventurado é aquele que tem um Louco a dar a vida por ele! O cortejo entristecido, dali mesmo, retornou silencioso e consternado ao Palácio das Esmeraldas.
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Conta pra gente o que você quer cultivar agora?👀
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Novo ciclo, novas sementes 🌱 O que você quer cultivar neste início? Conta pra gente aqui nos comentários o que você anda construindo e bora fazer crescer juntos!
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Para os que vierem ao mundo depois de nós! 💦🌊⛲🚰🏞️🌅🚣🏻‍♀️
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Bora compartilhar dicas de fertilizantes naturais? 🌱
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Conta aqui nos comentários o que você usa na sua terra 👇 A troca fortalece o solo e a gente aprende junto 💚 Alguns que indicamos: 🍌 Casca de banana → rica em potássio, ajuda na floração e nos frutos ☕ Borra de café → fonte de matéria orgânica (melhor usar compostada) 🥚 Casca de ovo → cálcio pro solo (secar e triturar antes) 🌿 Leguminosas (feijão, crotalária, guandu) → fixam nitrogênio no solo 🍂 Cobertura morta → mantém umidade, protege o solo e alimenta fungos e microrganismos
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Neve e colheita de inverno
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Feliz ano novo! Tínhamos faz uns a sorte dum pouco de neve (muito menos que os anos anteriores, pelo calentamento da ecossistema local). De qualquer jeito, estamos no inverno - a maior parte da horta fica "dormindo", mas coletamos algumas cenouras, batata e muito alho-poró - combinação perfeita para a sopa. Daqui pouco plantaremos os sementes para uma colheita abundante na primavera (Abril-Maio)!
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO III CAPÍTULO 79
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O CASAMENTO E A TRAGÉDIA O dia estava apenas começando quando Rainha Alimpa pediu à Princesa Irina que a acompanhasse até a casa das moças que pintam e bordam. Precisava encomendar algumas peças bordadas para forro de camas e toalhas de banquete com suas iniciais e as de Rei Naldo. Apesar de a princesa ter se afeiçoado bastante à rainha alquimista e gostado também de que seu pai se casasse novamente para não sofrer viuvez prolongada, não lhe aprazia voltar naquele momento àquele lugar, reacendendo lembranças de quando estivera com a mãe para encomendar enxovais de bebê e dela própria: — Alimpa, vá com a vó Alzira. Ninguém melhor que ela para te acompanhar... — Preocupa-me deixar-te sozinha. — Não ficarei só. Tenho Boneca para me fazer companhia. Além das minhas amigas, a prima Hévea e Rainha Gônia... — Estava pensando em convidá-las para nos acompanharem também. — Neste caso, irei, então! Conde Rasku ainda estava à mesa quando um lacaio do Rei Naldo chegou ao Solar da Marquesa em boa montaria, acompanhado de alguns cães de caça galgos, para entregar a correspondência que lhe fora remetida. Vestido bem à vontade, o conde, concluindo sua refeição, ordenou ao visitante que colocasse o pacote sobre a mesa. Sem muitas explicações, o lacaio comentou sucintamente: — Senhor Conde Rasku, desculpe-me importuná-lo. Mas recebi ordens para aguardar resposta pessoal ao convite que trouxe. — Convite? Acaso morreu alguém mais de ontem para hoje no palácio de Calico? — Não, senhor Conde. Estão todos com muita boa saúde, felizmente. Não sei do que trata o conteúdo do convite. Apenas aguardo vossa resposta. — Pois, dê-me aqui o pacote. Assim que concluiu a leitura, o semblante do conde modificou-se. Seus belos olhos azuis injetaram-se de sangue, envermelhando-se, suas faces enrubesceram e a respiração entrou em descompasso. Percebendo que o conteúdo do convite mexera com os brios do irascível e genioso irmão do Rei Naldo, o lacaio apressou-se em perguntar: — Então, Senhor, que respostas me dás? Olhando-o com expressão de odiosidade explícita, num tom de voz pouco cordial, respondeu: — Diga a Calico que os assados do banquete serão meu presente! Eu mesmo providenciarei e assarei as carnes da festa! Esta é minha resposta. Rei Naldo recebeu com surpresa a resposta do irmão. Não esperava qualquer gesto de amabilidade vinda de Conde Rasku. Até mesmo a confirmação de sua simples presença ao casamento seria motivo de bastante de admiração. Conhecia Conde Rasku o suficiente para acreditar na incapacidade permanente de demonstrar generosidade. Vindo de Rasku, causava espanto não só que ele confirmasse a participação como também que se prestasse a providenciar iguarias para o banquete das bodas. 323 H. H. Entringer Pereira A movimentação no Palácio das Esmeraldas estava frenética! Não havia tempo a esperdiçar com lamentações e choradeiras. Os súditos sofriam contidos à ausência da Rainha Araci. Em todos os pátios e salões havia lembranças e homenagens à falecida, mas, em contrapartida, todos se alegravam diante da decisão do Rei Naldo e da Rainha Alimpa de cumprir o último desejo manifestado no leito de morte por Araci. Rapidamente, a notícia se espalhou com aprovação quase unânime em todos os reinados, dos confins de Avilhanas ao interior de Trindade. Somente Conde Rasku não conversava sobre o assunto, afastado de Calico, evitando qualquer tipo de contato com os moradores do Palácio das Esmeraldas. Rainha Alzira não recriminava a atitude arredia do filho, ainda que o desaprovasse. Conhecia-lhe muito bem os caprichos, seu gênio odioso e o comportamento vingativo e magoado. Além disso, Rainha Alimpa também lhe confidenciara que qualidade de escusas dispensara à proposição de noivado que recebera do Conde Rasku e qual conselho ousara acrescentar para que ele despertasse perante a responsabilidade de pai das dezenas de filhos, cujas mães havia sagazmente seduzido e desonrado. Rainha Alzira avisou: — Alimpa, querida, cutucastes o diabo com vara curta! Cuida-te, pois haverá revanche... O sumiço de Conde Rasku preocupava o Rei Naldo sobremaneira. Algumas vezes, à mesa, durante alguma refeição, quando o assunto vinha à tona, com ares ponderados, falava com a noiva: — Conde Rasku longe me preocupa. Perto me dá trabalho! A maioria das pessoas achava graça, sem de fato conhecer as artimanhas e crueldades que o belo conde era capaz de perpetrar. Após o furioso e legendário embate entre ele e o Bruxo Neno, à época do seu casamento com a Marquesa de Sonça, os dois se converteram em arqui-inimigos. Por feitiçarias do rival, Conde Rasku recebeu a maldição de se transformar todas as sextas-feiras de lua cheia num lobisomem ameaçador. Daquele tempo em diante, pairava sobre a população do Reinado de Avilhanas alarmante inquietação, resultado dos embates dos dois astutos malfeitores, rivais na velhacaria, mas comparsas da má-fé em vilanias de todos os calibres. A sagacidade do Conde Rasku de produzir e alimentar com êxito incontáveis iniquidades suplantava de longe a justa vaidade de Rei Naldo de encontrá-lo num flagrante ou de amealhar provas suficientemente incriminadoras para indiciá-lo pelos supostos crimes e condená-lo à morte. Duas semanas após a Cerimônia de Adeus à Rainha Araci, começaram a chegar ao Palácio das Esmeraldas os primeiros presentes de casamento para Rei Naldo e Rainha Alimpa, confirmando também presença à cerimônia do benquisto enlace. Rainha Alimpa, muito animada, granjeava a simpatia dos serviçais do palácio, seus futuros lacaios e prestadores de serviços, para que desempenhassem com boa vontade todos os pormenores listados e enumerados, visando o grande dia. Professora Plínia já entrara em ação e sua presença, além de oportuna, era mais que desejada. Muito prática, articulada com os movimentos de cerimônias e festas pomposas, era rigorosa na escolha dos cardápios, acomodações para os convidados e ornamentação dos ambientes. Quando 324 H. H. Entringer Pereira informada de que o Conde Rasku havia se comprometido a fornecer a carne assada para o banquete, um quê de insegurança a induziu a procurar o noivo pessoalmente: — Rei Naldo, que qualidade de carne vosso irmão doará? — Acredito que seja de alguma caça. Ele é um exímio caçador. E nessa época as
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Feliz ano novo!!!⭐️
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Um novo ciclo vem aí! Muita paz para todos e todas e muito obrigado por trocarem com a gente ✨💫
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Boas festas!!!✨
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Seguimos plantando futuros vivos🤎
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAP 78
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O CONSELHO DE MAGO NATU Muitos súditos compareceram à Cerimônia de Adeus à Rainha Araci, que também levava consigo a promessa de um bebê de seis meses, misteriosamente guardado em suas entranhas. Depois dos sete dias do período purgatório, o ventre da rainha não apresentava sinal algum de gravidez. Mago Natu explicou a todos o fenômeno, confortando-os com a naturalidade de quem sabe das coisas: a rainha nunca estivera esperando um filho. Tivera, na verdade, uma enfermidade que avolumara suas entranhas, imitando gravidez nos sintomas. Doutor Sararraiva confirmou o diagnóstico, confidenciando ao Rei Naldo que não lhe falara disso antes, porque ele mesmo não obtivera êxito no tratamento e julgava inoportuno avisá-lo com antecedência do mal irremediável. Mago Natu celebrou o ritual de cremação e fez um discurso profundamente confortador aos parentes e amigos saudosos. Havia mais de três mil súditos na solenidade. O único familiar que não esboçava sentimento algum, permanecendo indiferente ao sofrimento externado pela mãe, irmão, sobrinhos, parentes e amigos da cunhada, era o Conde Rasku. Desde que recebera a resposta negativa ao seu pedido de noivado dirigido astuciosamente à Rainha Alimpa e sabiamente rejeitado por ela, juntamente às joias que lhe oferecera, mantinha-se apático às dores que fustigavam todos e não dissimulava no olhar frieza e maldade, aparentemente satisfeito e exultante com o infortúnio da família do Rei Naldo. Após a celebração da cerimônia crematória, os familiares reais pareciam mais conformados. Rei Naldo, ainda pesaroso, voltara a se vestir como de hábito. Príncipe Gesu Aldo também estancara o pranto e a Rainha Alimpa ainda não se desfizera das toalhas com que secava as lágrimas, mas já conversava e em alguns momentos fazia alguma graça para descontrair o ambiente. A única que, além de continuar chorando, calada, estava desprezando a companhia dos parentes era a jovem Princesa Irina. Abraçada ao fantoche que confeccionara imitando um bebê de pano, vestido com as roupinhas que serviriam à criança que não nasceria, segurava-o como se fosse de carne e osso, balançando Boneca nos braços e cantarolando baixinho, parodiando antigas canções de ninar que ouvira de sua mãe: — Dorme, neném... neném do coração... Papai quer que eu me case... mas mamãe não deixa, não... Preocupados com o comportamento da princesa, Mago Natu se reuniu com Rei Naldo, Rainha Alzira, Rei Médium, Rainha Gônia e Rainha Alimpa. Iniciando a conversa sem rodeios e sem hipocrisias sentimentais, aconselhou Rei Naldo de Avilhanas: — Amigo, Calico, casai-vos com Alimpa! Não há necessidade de vos guardar em luto fechado, pois devereis atender simplesmente ao último desejo de tua mulher. — Que dizeis disto? – Rainha Alzira interrogou o Mago. Pasmado, posto que ainda confuso e indeciso quanto ao seu destino, Rei Naldo pela primeira vez dirigiu um olhar de homem à Rainha Alimpa. Seus olhos se encontraram e ele percebeu o quanto era formosa e meiga, apesar de seu jeito meio alvoroçado e exótico. Enrubescido diante do conselho do Mago Natu, pouco à vontade 320 H. H. Entringer Pereira para tomar a decisão ali, na frente de todos, Rei Naldo pediu que lhe trouxessem à presença os dois filhos. Diante do pai, Príncipe Gesu Aldo, ainda sorumbático, e a Princesa Irina, deprimida e melancólica, miravam-se assustados, aguardando a próxima revelação de alguma outra fatalidade cruel. — Meus filhos, sabeis o quanto estou sofrendo pela perda de minha querida esposa, vossa adorável mãe! Sabeis também do meu devotado e profundo amor por ela. Porém, diante de tanto sofrimento, quero ouvi-los porque preciso tomar uma decisão. Antes de concretizar meu pedido, quero saber de vós: aceitareis que me case novamente? Princesa Irina esboçou um sorriso ligeiro e logo se manifestou: — Só se for para cumprir a vontade de minha mãe. Ouvi quando ela pediu pra Alimpa se casar contigo! — E tu, Gesu Aldo? Que dizeis? Instalou-se um silêncio pétreo. Todos os olhos se voltaram ao príncipe. Rainha Alimpa, cabisbaixa, pela primeira vez sentia-se um pouco envergonhada de ver devassados e adivinhados seus desejos. Achava Rei Naldo um homem maravilhoso, respeitoso. Não tinha a beleza sedutora do irmão, mas apresentava caráter bom e generoso, virtudes que o faziam mais bonito e desejável até. Nunca antes alimentara por ele sentimento algum além de amizade e respeito, porque também considerava sua mulher uma grande amiga, boa esposa e merecedora daquele marido. Príncipe Gesu Aldo se levantou, olhou serenamente para pai e disse com voz complacente: — Meu pai, minha mãe sempre foi e será eternamente a maravilhosa Rainha Araci. Ninguém poderá ocupar o lugar dela nos meus sentimentos. Mas sei que precisas de uma mulher que te cuide e te faça feliz. Sou seu amigo, além de filho, e tenho profunda admiração pela Rainha Alimpa. Ficarei feliz se aceitar sua proposta. Houve um clima de descontração total. Rainha Alimpa ficou mais enrubescida ainda. Tinha vontade de jogar-se nos braços do Rei Naldo, ao mesmo tempo que desejava não estar ali, exposta como se fosse objeto em leilão. Circunspecto, lutando para se mostrar descontraído, Rei Naldo, dirigiu-se à Rainha Alimpa: — Admirável, Rainha Alimpa, não me resta outra opção: quereis casar-vos comigo? Os olhos de Alimpa se encheram de lágrimas. Era muito mais do que ela imaginava. Sentiu que a pergunta direta, sem lirismos, sem floreios, merecia também uma resposta simples e sincera: — Bondoso, Rei Naldo, não me resta outra opção: aceito! Abraçaram-se todos, como se uma nova atmosfera de alegria e felicidade voltasse a imperar, tomando conta de todos os palacianos, à exceção do Conde Rasku, que não se sentira muito à vontade. Assim que concluíram a Cerimônia de Adeus da Rainha Araci, retirou-se sem se despedir. Mago Natu, encerrou a reunião: — Calico e Alimpa, eu vos declaro noivo e noiva! Podem marcar a data do casamento! 321 H. H. Entringer Pereira — Se não demorarem muito, já ficaremos por aqui até as núpcias – Rei Médium acrescentou, feliz. Rainha Gônia também aplaudiu. No outro dia, Rei Naldo de Avilhanas mandou expedir os convites aos reinados vizinhos, marcando o dia do casamento: quarenta dias a contar daquela data, numa sexta-feira de lua cheia. Tempo necessário para que a mensagem chegasse a todos os reinados vizinhos. Contabilizaram-se centenas de convidados, além dos cortesãos do Elo Dourado, pois o soberano do reinado mais distante de Avilhanas já estava presente com a Imperatriz Rainha Gônia, Príncipe Kurokuru e a Princesa Hévea, futura noiva do Príncipe Gesu Aldo.
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Uma estrutura simples para meu viveiro de mudas
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5 anos de Ekonavi! 🎉
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A Ekonavi está completando 5 anos de desenvolvimento 🤎. Desde 2020 muita coisa aconteceu e seguimos construindo ferramentas para ampliar a troca de conhecimentos, produtos e experiências entre projetos de campo. Nessa caminhada, conquistamos prêmios de redes blockchain e do Banco Central, como incentivos para o estabelecimento de uma economia que valorize a agricultura ecológica e o nosso planeta. Simbora pra 2026 que vem muita surpresa boa por aí!👀👀
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