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Fazendo o caldeirão de mistura para ajudar no desenvolvimento das plantas. Utilizamos esterco, madeira podre, resíduos orgânicos, borra de café.
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Dando continuidade nas atividades de assessoria técnica social (ATHIS), agora com a pintura da entrada da rua, com essas duas grandes artistas do grafiti, Ana e Mariana. A pintura retrata a natureza da cidade e a importância da reciclagem. É claro que as crianças estão sempre junto do processo, com o estímulo ao pertencimento e valorização do espaço público.
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URUCUMACUÃ By H.H.Entringer P. Livro 3 Cap. 86
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NA TORRE DO TESOURO No percurso compreendido entre o Salão do Trono e a Torre do Tesouro, o Imperador recebeu orientação do Mago Natu para que subisse aos seus aposentos e trocasse de vestimentas. Era protocolo no reinado, diante das comunicações de morte e de outras calamidades, o rei se apresentar aos súditos com indumentária preta, a fim de prepará-los antecipadamente para receber notícias pouco alvissareiras, evitando assim as surpresas negativas. Poucas vezes, depois que recebera o trono do Elo Dourado, Rei Médium tivera que usar roupa preta. Rainha Gônia também já se vestira de preto outras vezes, e nesta acrescentara ao figurino um solidéu colocado sobre a cabeça, cravejado de pedras ônix e bordado com fios de prata e pérolas negras. Embora seu rosto irradiasse tristeza e intenso sofrimento, sua graciosa beleza aumentara, realçada pelo brilho contrastante das pedras e a cor de suas vestes. De igual forma, estava vestida a Princesa Hévea, que ainda não compreendera exatamente tudo o que estava se passando. Príncipe Kurokuru, alheio aos pormenores do episódio, mas solidário à consternação de seus familiares, apenas cobrira a cabeça com um turbante de linho preto, adornado de cordões de pérolas e bordado com fios de ouro. O Grande Rei escusou-se de acompanhar os familiares do Rei Médium à visita ao Príncipe Urucumacuã, conforme explicara ao Mago Natu: melhor que permanecesse na Câmara do GRAU, absorto e contemplativo, vibrando em energia positiva para neutralizar, trazendo conformação a todos pelas aflições que cruzavam.514 A chegada súbita do tristonho cortejo à entrada secreta da Torre do Tesouro não pegaria o Príncipe Urucumacuã de surpresa. Desde que iniciara a construção daquele é difícil, sob a orientação do Grande Rei e a supervisão permanente do Mago Natu, sabia que cada um dos nove pavimentos, dispostos em espiral na direção do interior da terra, corresponderiam à efetiva prática das nove virtudes, em diferentes fases de sua vida, a partir de então. Intuitivamente, o Príncipe saíra naquela manhã do mais profundo e oculto dos compartimentos, onde se encontrava, recluso há algum tempo, estudando a Pedra de Filosofar e se energizando com os fluidos emanados pela pirâmide de cristal, cujo vértice superior fora instalado voltado ao Interiorem Terrae. Subiu à superfície com o objetivo de abrir o portal mágico, com a senha numérica e a palavra secreta que havia recebido do Grande Rei: Arrematel-20304. Assim que o portal se abriu, Mago Natu entrou primeiro e, um por um, pegou nas mãos dos componentes da família real e os conduziu para dentro, transpondo o portão de jade. Admirado, Rei Médium, o primeiro a entrar, perguntou ao Mago a razão daquele procedimento: — Este lugar está completamente magnetizado com forças telúricas de destruição e criação. Se o Príncipe Urucumacuã vos tocar diretamente, causará extensas e dolorosas queimaduras ou até mesmo poderá matar-vos, não por intenção, mas por condição. Portanto, evitai vos encostar às paredes; tampouco tocai diretamente no príncipe, até que ele saia deste local, após cumprir o pentecostes, transpondo o portal de 357 H. H. Entringer Pereira jade, para descarregar no solo a energia assimilada, enquanto durou o procedimento de construção à conclusão desta Grande Obra. — Quando poderá transpor o Portal e voltar ao nosso convívio, Mago Natu? – perguntou a Rainha Gônia. — Três dias depois que souber do conteúdo desta mensagem. Por gentileza, Rei Médium, entregue-lhe a caixa de ouro. Antes que o Imperador passasse o objeto às mãos do filho, Mago Natu o pegou e o envolveu numa toalha branca de linho, que trouxera dobrada sobre os ombros. Príncipe Urucumacuã serenamente recebeu a caixa, desdobrou a manta de linho, devolveu-a e esperou a ordem do Mago: — Soberano Príncipe da Beira do Rio, Alteza e Sereno Cavaleiro da Misteriosa Ordem do Pássaro de Fogo, descei às profundezas desta bastilha e, no trajeto, abre esta caixa e conhece cada uma das nove partes de seu conteúdo. Não sairás deste confinamento até que venha o pôr do sol no terceiro dia de vossa dor; até que encontreis o verdadeiro mistério de vossa epifania! Até que sintas o súbito entendimento e a compreensão da essência do divino que habita em Tu. Até que sintas a realização de uma parte do vosso sonho de criança. Até que encontreis finalmente a última peça deste enigma e consigas ver tua imagem completa. Até que se ilumine vosso pensamento, inspirado no divino e único dom de tua essência sobrenatural. Nada direis, nem comentareis com os profanos sobre o que vos sucedeu, no entanto! Rainha Gônia passou às mãos do Mago a cesta que trouxera consigo, contendo frutas da estação, pães sem fermento, manteiga, mel, chocolate e leite de búfala. Mago Natu também a envolveu na mesma toalha de linho branco, procedendo a entrega da cesta e ordenando: — Podereis comer de tudo. Todavia, neste primeiro dia, só bebereis o leite. No segundo dia, comereis frutas, pães e manteiga. No terceiro dia, podereis saborear o chocolate e o mel! Antes que o sol se ponha, ao terceiro dia, colocareis todas as lágrimas derramadas dentro desta caixa. Ao anoitecer, lacrai o portal de jade com a senha que recebestes e saía da Torre do Tesouro, fechando a porta exterior com a chave que somente vós sabeis onde se oculta. Terminada vossa missão, depois de passado um tempo, só tornarás à Torre do Tesouro quando as sete caixas e as sete partes quebradas do Espelho Universal, reunindo vossos cinco sentidos, V.oltarem ao I.nterior da T.orre R.evelando o O.culto L.ugar! Rei Médium, Rainha Gônia, Príncipe Kurokuru e Princesa Hévea não compreenderam totalmente a explicação ordenada pelo Mago Natu, mas sabiamente preferiram não fazer perguntas. Despediram-se do príncipe, deixando-o a sós no maravilhoso e fantástico edifício da Torre do Tesouro. No silêncio de seu recolhimento, Príncipe Urucumacuã bebeu três cálices do leite de búfala, depositando a cesta com o restante dos víveres sobre um aparador insculpido na parede revestida de cobre, no primeiro pavimento. Pegou em seguida a caixa de ouro retangular, cuja tampa reluzia e ressaltava a incrustação das três letras R.N.A. em pedras preciosas verdes, abriu-a, retirou o rolo de pergaminho escrito com caracteres pretos e iniciou a descida em espiral, lendo em cada um dos pavimentos, uma 358 H. H. Entringer Pereira das partes correspondente ao número em que a mensagem estava seccionada. A cada patamar descido e a cada parte da missiva lida, o príncipe se consternava e se entristecia mais e mais. No oitavo pavimento, uma dor profunda o arrebatava. Na passagem do oitavo para o nono e último pavimento, completamente tomado por um sofrimento inaudito, o príncipe prostrou-se sobre o último patamar, próximo ao trono que se erguia sobre a pirâmide de cristal. Angustiado, no estertor da aflição que o arrebatava, não conteve a amargura, enquanto lágrimas copiosas saltavam involuntariamente de seus olhos verdes. Sentindo-se no auge da angústia e não conseguindo dominar a tristeza, gritou a plenos pulmões, numa incontrolável explosão de desespero: — Grande Rei, Grande Rei, por que me abandonastes? Sua voz ecoou por longo tempo entre as paredes circulares dos nove compartimentos da Torre do Tesouro e, restabelecido o profundo silêncio imperante no mágico edifício, uma claridade portentosa se instalou, impedindo que o príncipe abrisse seus olhos, ainda que suas lágrimas jorrassem sem parar. Antes que forçasse abrir os olhos, ouviu uma voz nítida e firme, mas calma e pacífica, vinda da direção do lugar onde ficava um trono sobre a pirâmide de cristal: — Por que te angustias tanto, filho meu, se sabes que jamais te abandonarei? Acaso te esquecestes disso? Sem abrir os olhos ainda, o príncipe permaneceu deitado, sentindo-se confortado ao reconhecer a voz do Grande Rei. No entanto, não conseguia conter as lágrimas que brotavam involuntariamente, ainda que mantivesse os olhos fechados. Diante do seu silêncio, a voz o interrogou: — Onde está tua determinação? Porventura sois menos valoroso agora, diante do infortúnio, do que antes? Claro que não! És predestinado a deixar uma grande fortuna. Quereis renegar tua própria natureza? Vamos, abre os olhos! Príncipe Urucumacuã sentiu vontade de atender ao comando daquela voz acalmadoura para abrir os olhos. Mas, no íntimo, experimentava um medo incontido de ver face a face o Grande Rei naquele estado de pusilanimidade em que se deixara fraquejar. Hesitante, mas calado, optou por acatar a repreensão da voz que persistia: — Fostes escolhido dentre milhares para receber esta missão... Melhor herança não vos caberia! És filho do Pai de toda a Criação e a ti também estão reservados trono e coroa de honra e o cetro de louvor! Alegra-te, pois! Considera teu próprio destino e verás que teu espírito se ufana, porque tua glória está próxima! Enquanto ouvia a voz inconfundível do Grande Rei, Príncipe Urucumacuã entreabriu os olhos e uma luz ainda mais intensa, como o brilho do sol, inundou o ambiente. Certo de que inevitavelmente iria se deparar com a imponente figura do Grande Rei, sentado sobre a pirâmide de cristal, esforçou-se para abrir os olhos e erguer-se. Sentando-se, ouviu o barulho de incontáveis pedrinhas caindo sobre o chão. Ao levantar-se, olhou na direção dos seus pés e constatou que estavam entre preciosos diamantes do tamanho dos pingos de suas lágrimas. Em estado de êxtase, dirigiu o foco de seu olhar ao trono de cristal. Surpreendentemente, não avistou o semblante do Grande Rei. No trono sobre a pirâmide de cristal, apenas um feixe de luz azul brilhante entrava resplandecente pela claraboia central da Torre do Tesouro. 359 H. H. Entringer Pereira Inebriado com o mágico aparecimento das pedras de diamante e a miraculosa dissipação de todo o seu sofrimento e dor, recompôs-se, pronunciando em voz alta um salmo de gratidão que há exatos cinquenta dias não recitava: — Grato, grato, grato, Grande Reflexo Auto Unificado! Eu sou o Teu G.R.A.U., filho da tua Divina Natureza Absoluta! Sou essência de tua própria essência. Sou o que te acompanha, desde o princípio, e que te seguirá até o que o primeiro seja o último e o último seja o primeiro. Quero ouvir a Tua voz! Ainda que te desconheça, Tu me reconhecerás, porque És a minha espada e meu escudo! És minha armadura e meu aliado. És minha defesa e fortaleza, minha vitória no combate! Em ti confio, porque és minha esperança e minha força! Oh, Grande Poder! Oh, meu Grande Poder! Três vezes grande, três vezes sábio, três vezes admirável!518 O príncipe transfigurou-se, envolvido pela auréola de luz azul-claro brilhante espargida no recinto. Compreendendo o significado oculto do que o Mago Natu havia exortado, devolveu à caixa de ouro o pergaminho lido, recobrindo-o com milhares dos mais puros diamantes transformados dos pingos de lágrimas caídas, espalhados pelo chão. Lacrou a tampa da caixa com seu selo e, em seguida, abaixo dos monogramas R.N.A., insculpiu usando a energia ígnea que irradiava de seu dedo indicador as letras do enigma — VITRIOL. Depositou o tesouro contido naquele cibório sob o trono de cristal, fechando-o dentro da lápide, sepultando, assim, o pergaminho da trágica missiva e os milhares de preciosos diamantes oriundos de sua dolorosa paixão. Situando-se no tempo, percebeu que já haviam se passado dois dias completos, desde a visita de seus familiares. Sentiu fome. Buscou a cesta de alimentos e percebeu que havia comido as frutas e os pães com manteiga. Mas ainda estavam intactos o pote de mel e as barras de chocolate. Saboreou-os, com gratidão e alegria. Volvera finalmente a sua natureza terrena, sentindo-se fortalecido e conformado, apesar de toda a tragédia relatada por Rei Naldo de Avilhanas, notificando os cruéis assassinatos de seus filhos, Princesa Irina e Príncipe Gesu Aldo, no percurso da viagem para o Elo Dourado, e o bárbaro martírio imposto ao seu filho bastardo, Mulato, esfolado e queimado vivo, sob a acusação de ter sido o autor dos dois crimes.
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URUCUMACUÃ By H.H.Entringer P. Livro 3 cap 85
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O ASSASSINATO DA PRINCESA No prazo de quarenta e cinco dias contados a partir de sua sagração, Príncipe Urucumacuã declarou concluída a construção da Torre do Tesouro, e somente os artífices construtores e seus auxiliares também iniciados no conhecimento secreto das Ciências Sagradas sabiam a exata localização e a senha secreta para adentrar a misteriosa construção. Aguardava-se com muita expectativa a chegada da Princesa Irina, de Avilhanas, a noiva, para que fosse inaugurado o monumento, ainda com a presença do Grande Rei. Da data da inauguração da Grande Obra, também conhecida por Torre da Sabedoria, até o dia do casamento do príncipe, seriam contados exatos noventa dias. O Grande Rei havia programado regressar ao seu reinado tão logo o príncipe inaugurasse a Grande Obra, concluindo, assim, o grande ciclo iniciado, desde que viajara três anos passados para as terras do Oriente, em busca de receber conhecimentos de Alquimia e das Ciências Sagradas. Rei Médium, Mago Natu e o Grande Rei encontravam-se na Câmara do GRAU em confabulação, cumprindo rotina diária antes do desjejum, quando um pássaro preto, emitindo sons agourentos, cruzou quatro vezes em frente à janela. Sem dizer palavra, os três apenas se entreolharam e compreenderam que estavam prestes a receber mensageiros com notícias desfavoráveis. Lembrando-se de que ainda estavam pendentes as negociações dos limites para a confrontação definitiva das terras do falecido Barão de Corumbi, entre os reinados de Trindade, Avilhanas e Elo Dourado, Rei Médium quebrou o silêncio e prognosticou: — Certamente, Bruxo Neno levou para Trindade notícias do Elo Dourado que desagradaram ao Rei Mor! Preparo-me para receber retaliações mais pesadas que há de exigir-me ações também mais decisivas... — Não se trata apenas disso, Rei Médium... Essa é apenas uma outra parte do problema – acrescentou Mago Natu, com relativa serenidade. — O que me dizeis, Grande Rei? – quis saber Rei Médium. — Aguardemos. Não devemos nos preocupar, antecipando acontecimentos, ainda que saibamos de antemão sobre todas as probabilidades. Aguardemos com serenidade – desconversou o Grande Rei. Mago Natu convidou, então, os dois amigos para um passeio matinal pelos bosques floridos, nas cercanias do palácio. Preferiu deixar o Príncipe Urucumacuã às voltas com suas próprias ocupações, respeitando seu período de noventena, pois já passada a quarentena, dali em diante deveria ainda permanecer noventa dias trabalhando na Torre do Tesouro, até se completar o período preparatório ao casamento. Rainha Gônia também não iria com eles, ocupada que estava com a administração dos afazeres palacianos e a atenção aos hóspedes que faziam parte das comitivas do Grande Rei e dos visitantes de alguns outros reinados próximos. Aproximadamente ao meio-dia, o salão de refeições já arrumado com pratos, copos e talheres dispostos às mesas revelava a quantidade exata dos comensais esperados para o almoço. A governanta, como de hábito, saiu a tocar o gongo pelos corredores e alas do palácio, enquanto os copeiros ordenadamente traziam aos 354 H. H. Entringer Pereira aparadores os pratos ainda fumegantes, assados e cozidos, a completar os espaços entre as saladeiras de vegetais crus e frutas da época. Em pouco mais de cinco minutos, toda a família real e a corte do Elo Dourado estavam a postos, recebendo os convidados, com as honrarias de praxe, para iniciarem a refeição. Após o almoço, enquanto aguardavam a sobremesa, os homens conversavam, alegres, sobre banalidades, e as mulheres trocavam opiniões e gostos sobre as receitas dos manjares servidos. Inesperadamente, ouviram-se ao longe as trombetas anunciando visitantes. Rei Médium levantou-se de pronto, pediu licença e saiu para se certificar do que estava acontecendo. Mago Natu o acompanhou e o Grande Rei, no mesmo instante, convidou o Príncipe Urucumacuã e a Rainha Gônia a segui-lo, conduzindo-os até a Câmara do GRAU, onde lhes diria a respeito dos episódios vindouros. Ainda que atrasados sete dias, esperava-se a chegada da comitiva real, procedente de Avilhanas, com a Princesa Irina, Príncipe Gesu Aldo e seu meio-irmão Mulato, cocheiro e pajem dos príncipes, também os tripulantes da embarcação, além dos serviçais da caravana, guardiães e os arqueiros reais. Avistando os adventícios no desembarcadouro, Rei Médium não distinguiu entre eles os três filhos de Rei Naldo de Avilhanas e surpreendeu-se, porque a bandeira sinalizadora da categoria dos visitantes, hasteada ao lado da bandeira do reinado, era preta e não verde, como diria o costume. O primeiro homem a sair da embarcação adiantou-se aos demais, na direção do Rei Médium e do Mago Natu. Saudou-os com as reverências necessárias. Sem muitas explicações, acompanhou o anfitrião e sua assistência. Dentro do Palácio Fortaleza, no Salão do Trono, entregou ao Imperador uma pesada caixa de ouro, cravejada de esmeraldas com os monogramas R.N.A., de onde o Rei Médium tirou um pergaminho amarrado por duas fitas pretas e selado com o lacre do Rei Naldo de Avilhanas. Mago Natu, presciente das informações contidas naquele documento, percebendo o estado de ansiedade e preocupação que dominavam os presentes, sempre ao lado do Imperador, disse-lhe em voz baixa: — Rei Médium, leia com os olhos. Depois conversaremos sobre as providências que havereis de adotar. Sem imaginar que conteúdo tão reservado e grave estava contido naquele rolo, o soberano obedeceu. À medida que desenrolou o pergaminho, sua expressão agravou-se, e quanto mais avançava na leitura, mais se transfigurava. Seus olhos marejaram e, suspirando profundo, não conteve a emoção: começou a chorar. Os mensageiros do Rei Naldo, de cabeça baixa, circunspectos, evitavam dirigir o olhar diretamente ao Imperador, porque nenhum deles, até então, presenciara um rei derramar lágrimas diante de seus súditos. Sem perder a serenidade, no entanto, Rei Médium chegou à conclusão da missiva, recompondo-se. No final da mensagem, Rei Naldo de Avilhanas também solicitava ao Imperador, não obstante abusar de sua generosidade e franca hospitalidade, que acomodasse todos os componentes daquela comitiva no Palácio Fortaleza por uma curta temporada até que ele, sua esposa, Rainha Alimpa, e sua mãe, Rainha Alzira, se encontrassem ali, no prazo máximo de trinta dias, para decidir que rumos dariam aos seus destinos, depois de ouvidos os sábios conselhos do primo Imperador, do Mago Natu e do Grande Rei. 355 H. H. Entringer Pereira Fechando os olhos, suspirando profundo, Rei Médium guardou o rolo, selando-o novamente, agradeceu aos mensageiros pelo cumprimento de sua missão e determinou aos seus assistentes que os acompanhassem até suas acomodações, depois de instrui-los sobre os tratamentos de hospitalidade e costumes do Palácio Fortaleza. A sós com o Mago Natu, o Imperador fez menção de tirar novamente o pergaminho da caixa, no intuito de dar ciência ao amigo da trágica mensagem que havia recebido: — Não, não, Imperador! Podeis deixá-lo selado e guardado. Deveremos conduzi-lo à Torre do Tesouro, onde ficará depositado, depois que o Príncipe Urucumacuã tomar ciência destes acontecimentos. — Já sabeis, então, de tudo o que aconteceu? — Sim, amigo. Tive uma visão terrível, num sonho esta noite... Sei de tudo que se passou. Posso lhe assegurar, antecipadamente, que Calico cometeu o maior de todos os equívocos de sua vida: mandou torturar e queimar o filho Mulato, por um crime que ele não cometeu! — Oh, céus! E quem o punirá por isso? — O tempo, meu caro. O próprio tempo... Vem, vamos encontrar Urucum na Torre do Tesouro. Tenho certeza de que o Grande Rei, no momento, está com a Rainha Gônia, Kururu e a Princesa Hévea, na Câmara do GRAU. Já devem estar cientes ou, no mínimo, preparados para receber as notícias. Rei Médium admirou-se da tranquilidade do Mago Natu, e desta vez o ouviu referir-se aos príncipes gêmeos pelos apelidos familiares. Sem perguntar as razões, pegou a caixa de ouro com o pergaminho, fechou as janelas do salão e cobriu o majestoso trono com uma manta preta. À saída do aposento, ordenou ao guarda de honra postado à entrada que hasteasse a bandeira de luto no mastro à esquerda da bandeira do Elo Dourado e cobrisse todos os outros símbolos da realeza do império, fixados nos quatro baluartes das muralhas do palácio, com um tecido preto. Em menos de dez minutos, o Elo Dourado estava mergulhado em profundo silêncio, e o Sol encoberto de grossas nuvens. Logo depois, um vendaval assolou a cidadela, forçando os que estavam nos campos a voltarem as suas casas e os que estavam nas ruas a se abrigarem, resguardando-se do mau tempo, preparando-se para receber más notícias.
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Talvez nem caiba texto. Porque tudo se lê. Todos lêem um pouco ou muito de tudo. Quem sabe o que pode acontecer entre um piscar de olhos. O vento atinge a visão e o propósito impera às margens do Lago do Manso_Chapada dos Guimarães MT.
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Uma declaração global de princípios criada por milhares de pessoas de todas as culturas do mundo, com um propósito simples e imenso: construir cidades e sociedades que sejam ao mesmo tempo justas, sustentáveis e pacíficas. Trabalhando com projetos urbanos sustentáveis, às vezes fico tão imerso no operacional nos dados, nos projetos, nas entregas que esqueço de olhar para o horizonte mais amplo. A Carta da Terra me devolveu esse horizonte. Ela lembra que não existe cidade sustentável sem justiça social. Que não existe projeto urbano de impacto real sem respeito à diversidade cultural e às comunidades que já vivem nesses espaços. Que o ambiente e as pessoas não são variáveis separadas são a mesma equação. Uma frase do documento me acompanha desde ontem: 💬 "Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes." É exatamente isso que tento fazer no meu trabalho. E saber que existe um movimento global que compartilha essa visão me dá mais força para continuar. Se você atua com impacto urbano, ambiental ou social, recomendo muito conhecer a Carta da Terra 👉 https://lnkd.in/dTGye2wm O que te inspira a continuar quando o caminho parece longo? 👇 #CartaDaTerra #ProjetosUrbanos #SustentabilidadeUrbana #EmpreendedorSocial #ImpactoSocial #CidadesSustentáveis #MeioAmbiente #FumDao
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Pensando em transmitir nossos conhecimentos e práticas, aliados com muito estudo, a todas e todos que querem cuidar da própria saúde, apresentamos este roteiro de oficinas. 🪻🌻🍀🪷 Serão quatro módulos ao longo do ano, sempre entregando aprendizados completos desde o plantio até o preparo de plantas aromáticas, condimentares e medicinais para o uso caseiro. Em cada encontro teremos um elemento principal e cinco plantas para nos aprofundarmos. Todos os módulos serão presenciais, na Quinta das Tarumãs, zona rural de Porto Alegre, para que possamos ter total presença e atenção. O valor de troca, por módulo, por participante é R$180,00 e, para quem adquirir os quatro módulos a vista o investimento será R$640,00. A cada dez inscrições pagantes teremos uma bolsa integral especialmente para não deixar ninguém de fora! Para saber mais e fazer a inscrição, chama a Rô no 51 993706300🙌🏽☺️ #plantasquecuram #fitoterapia #ayurvedaparatodos #autocuidadonatural #saudeintegrativa
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Hoje aos 54 anos, fico pensando a cada árvore frutífera que planto: E se o governo ensinasse nas escolas a importância de plantar. Nem todos serão agricultores, mas ninguém passará fome e ainda pode- se recolher imposto ou comprar a produção das famílias, etc
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Fala galera!💚 Curtiram as dicas?✨ Conta pra gente como você sabe quais plantas combinam no seu projeto? 👀
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