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O rural na capital
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Olá pessoal! Chegando por aqui para compartilhar nossas experiências, aventuras e desventuras de escolhermos ser agroecológicos em Porto Alegre ;) Desde 2019 cultivamos de forma orgânica, testando modelos de permacultura, sintropia e agrofloresta. Entre secas e enchentes, já conseguimos colher muito feijão, algum milho (muitas caturritas/ maritacas), hortaliças e plantas condimentares e medicinais. Daí que nosso foco atualmente é em ervas e temperos, com uma agroindústria formalizada. Este é o básico, vamos nos falando! :)) Bem vindas e Bem Vindos!
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URUCUMACUÃ By H.H.Entringer Pereira - Livro 3 - Cap. 63
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DEPOIS DO CASAMENTO DO REI Professora Plínia prosseguia suas narrativas, aguçando a curiosidade do Príncipe Urucumacuã, que se mostrava cada vez mais interessado que ela contasse logo, não deixando para depois, o que havia acontecido nos dias da festa de seu nascimento e de seu irmão, Príncipe Kurokuru. Com muito tato e paciência, ela explicara que todas aquelas narrativas, ainda que paralelas aos acontecimentos durante e depois do casamento do Imperador, Rei Médium, com a Imperatriz Rainha Gônia, eram importantes. Precisava conhecer não só o que se passara no reinado de seu pai, como também nos reinados vizinhos. — Um dia, haverás de exercer também teu direito ao Trono e à Coroa deste fabuloso império. Príncipe Urucumacuã ouviu quieto, mas de vez em quando interrompia as narrativas, perguntando sobre alguns personagens que já conhecia e por outros cujas histórias despertavam-lhe especial interesse. Queria saber tudo sobre Rainha Alzira, Rei Naldo, Conde Rasku e, principalmente, Rei Mor e Bruxo Neno. — Calma, Urucum. Temos muita coisa para lhe revelar. Vou primeiro, falar tudo sobre o que aconteceu antes que tu nascentes... porque sobre o que aconteceu nos primeiros tempos de teu nascimento, saberás mesmo, quando regressares do Santuário do Mago Natu, após as quatro estações de tua iniciação. — Quanto tempo terei de ficar com o Mago Natu? — Exatamente quatro estações: um outono, um inverno, uma primavera e um verão. — Por que meu irmão não irá comigo? — Por que vossos caminhos são diferentes. Um andará pelo Caminho do Fogo e o outro pelo Caminho da Água. Ainda sem entender o que aquela profecia significava, o Príncipe Urucumacuã pediu à Professora Plínia: — Podes me contar a história do encantamento da Marquesa de Sonça na Onça Pintada? — Primeiramente, vamos concluir alguns acontecimentos de quando nasceu o Príncipe Gesu Aldo, este que deverá se casar com a tua irmã, esta que nasceu na semana passada; depois saberás do casamento do Bruxo Neno com a serva do Rei Mor, a bela Murmur e vamos concluir então com o que estás me pedindo. A história do teu nascimento contarei quando voltares do Santuário do Mago. No Palácio das Esmeraldas, a Rainha Alzira aguardava, ansiosa, a chegada do filho Calico e da nora, Rainha Araci, para se inteirar das novidades registradas no casamento do Rei Médium com Rainha Gônia, agora Imperador e Imperatriz. Um sonho na noite anterior muito a inquietara. Acordou chorando, porque vira participando de uma outra festa de casamento seu outro filho, o Conde Rasku, e sua odiosa rival, a viúva Pan Thera, Marquesa de Sonça, vizinha das terras do Condado de Rasku, dançando numa frenética orgia ritual, celebrada por sua arqui-inimiga, a Feiticeira das Sombras. A viúva Pan Thera, subitamente, por artes de encantamentos que a Rainha Alzira sabia como funcionavam, transformava-se numa fera ao mesmo tempo terrível e 252H. H. Entringer Pereira encantadora, ameaçando devorá-la. As imagens muito vívidas daquele sonho deixaram Rainha Alzira apreensiva, já que detestava a Marquesa de Sonça com todas as forças do seu coração, porque em épocas passadas, durante uma festa no solar da marquesa, esta lhe servira intragável bebida que lhe causou grande mal-estar e quase a matara. Julgou que fora vítima de tentativa de envenenamento porque a marquesa não disfarçava sua desmedida cobiça pelas famosas e perfeitas esmeraldas que lhe pertenciam. Muito mais lhe odiava ainda porque soube pelo honrado Intendente das Finanças e Justiça, o Marquês de Contagem, que o pai fora aprisionado porque se escusara de obedecer ordem do Rei Albe, o Rico, para levar um mimo à marquesa, Senhorita Pan Thera, consistente numa caixa de prata cheia de esmeraldas, tão logo Rainha Alzira se ausentara numa demorada viagem em visita a sua já falecida prima, a Rainha Olinda, mãe do Rei Médium. Rainha Alzira também sabia que, antes de a Feiticeira Zuzu, a Sacerdotisa das Sombras, se mudar para o Reinado de Trindade, negociara por alto preço com a Marquesa de Sonça o maldito bridão encantado, que ela mesma ordenara entregar à feiticeira, logo depois da tragédia que culminou no enforcamento de seu marido, o Rei Albe, o Rico. Conde Rasku, desde a época do casamento e da coroação do irmão Calico como Rei de Avilhanas, mudou-se para as terras que ganhara de sua mãe, a Rainha Alzira, num jogo de dados, denominando-as de Condado de Rasku, e não mais a visitara. Quase três anos se passaram sem que o Conde Rasku viesse ao Palácio das Esmeraldas. Rainha Alzira sabia notícias esparsas de seu filho porque, além de ser o homem mais belo entre todos os nobres que circulavam por aquelas regiões, tinha fama inigualável de perverso, cruel e sedutor incorrigível. As notícias do filho, geralmente ligadas a acontecimentos pouco edificantes e honrosos, traziam mais desgosto do que alegria à rainha. Para distrair-se e espairecer suas angústias, Rainha Alzira subiu à galeria onde pintava seus quadros — as calic’aturas. Ficou olhando e apreciando-os, admirada de como sua coleção aumentara: havia acrescido algumas outras, além de seus antepassados: o Louco, o Mago Natu, o Imperador Médium, a Imperatriz Gônia e o rei enforcado. Do sonho que tivera, sentindo-se saudosa e aflita pelo filho desnaturado, que não via desde o casamento de Calico, pôs-se a pintá-lo, retratando-o como sonhara: vacilante entre a pretensa noiva e ela própria, sua mãe, alvo certeiro da flechada do implacável Cupido. Deu ao quadro o nome O Enamorado. Nas derradeiras pinceladas em recente obra de arte, ouviu o troar da trombeta do Arauto Real. Pelo tropel da Guarda palaciana, deduziu que a comitiva do Rei Naldo chegara. Guardou rapidamente todo o material espalhado sobre mesas e cavaletes, descendo as escadarias com o coração mais tranquilo. Para sua surpresa, não só a carruagem do Rei Naldo com a Rainha Araci adentrava o pátio do Palácio das Esmeraldas como também o garboso alazão negro do filho temperamental e intratável, mas impressionantemente belo, o Conde Rasku. O primeiro a abraçá-la, desculpando-se pelo longo tempo de ausência, Conde Rasku, de coruscantes olhos azuis, barba crescida e cabeleira selvagemente desalinhada, podia não ser o melhor dos filhos, de caráter dócil e amável igual ao irmão, mas 253H. H. Entringer Pereira inegavelmente era o homem mais belo que já existira, o mais bonito de todos os outros príncipes daquela época. Esquecendo-se das amarguras e sofrimentos que o belo filho, ao longo da infância até a juventude lhe proporcionara, em razão de seus comportamentos cruéis com os animais, temperamentos irascíveis com os serviçais e atitudes odiosas para com seu único irmão, Rainha Alzira o abraçou ternamente, emocionou-se ao ouvir-lhe as batidas do coração e, num relâmpago de lembranças, o pensamento lhe trouxe à memória o mágico momento e a dramática situação em que ele havia sido concebido. Rasku percebeu a fragilidade emocional de sua mãe, fitando-lhe friamente o rosto já sulcado pelo tempo, mas ainda belo, indagando-lhe: — Já sabes que estou noivo e pretendo me casar? — Como saberia, se a notícia ainda não chegou por aqui? – respondeu-lhe a mãe, acrescentando – Mas não me custa adivinhar com quem... — Ah, duvido que acertarias – interrompeu-a. — Antes que me possas revelar, asseguro-te que não faço gosto, tampouco teu irmão aprovará – disse, com firmeza, Rainha Alzira. – Conversaremos depois. Preciso abraçar Calico e Araci. Vamos, entre! À hora do jantar, sob a luz bruxuleante dos archotes e dos castiçais sobre a mesa, o lugar costumeiro da Rainha Araci permaneceu vazio. Rei Naldo justificara a ausência dela alegando excessivo cansaço pela longa e penosa viagem, agravado pela adiantada gravidez. Conde Rasku, sentado à frente de sua mãe, desdenhou da forma como Calico expressara suas desculpas pela ausência da Rainha Araci e provocou: — Diga a tua maravilhosa e barriguda rainha que não precisa mais ter medo de mim. Agora sou um homem comprometido. Além do mais, as unhas da marquesa são bem mais afiadas que as dela. — Rasku, por favor – interrompeu Rainha Alzira – respeite a mulher do seu irmão e não se esqueça de que estás diante do Rei de Avilhanas! O menino Mulato, filho que Calico teve na sua adolescência com a moça Alba, também se sentava à mesa, ao lado de Rainha Alzira. Ainda que não falasse, Mulato sentia pela expressão do rosto que o conde não lhe dirigia olhares de simpatia, porém, na qualidade de mudo que era, apenas observava o clima de animosidade transparente entre os dois irmãos. Fitando Mulato com severidade e desprezo, Rasku prosseguiu em tom provocativo: — Mudemos de assunto. Rei Naldo, como permitis que o bastardinho mudo coma a tua mesa? Não seria o estábulo o lugar mais adequado a ele? Antes que Rei Naldo abrisse a boca para responder ao insulto, Rainha Alzira adiantou-se e, no rompante, posicionou-se em defesa do neto, a quem muito amava: — Conde Rasku, um bastardo a mais ou a menos nesta mesa, não fará diferença ... Também tu poderias ser tratado como tal, não fosse a benevolência do teu irmão Calico. Houve silêncio. O Senhor Louco, que resolvera morar definitivamente no Palácio das Esmeraldas a convite da Rainha Alzira, desde os tempos da tragédia do enforcamento do Rei Albe, o Rico, distante da cabeceira da mesa onde Rei Naldo e Conde Rasku estavam, até então não prestara atenção no que conversavam porque não 254H. H. Entringer Pereira ouvia os diálogos, dada a extensão da mesa e a conversa animada dos outros cortesãos. Percebendo que o clima entre eles modificara e a descontração inicial daquele jantar não era a mesma, adiantou-se, levantando-se como de costume, e iniciou um número na tentativa de distrai-los até a hora da sobremesa. Usando um jogo de palavras que lembrava uma brincadeira de crianças, o Louco cumpriu sua tarefa, começando pelo nobre visitante Conde Rasku: — Meu nobre, o que és? És conde? Onde escondes? Escondes o Conde? Ou és Conde que esconde? Se escondes, não és Conde! Então, nobre Conde, escondes... Se és Conde, não escondes! A maioria dos comensais se divertia. Conde Rasku apenas esboçou um sorriso pouco à vontade, tentando disfarçar o estranho sentimento que brotara pelas palavras de sua mãe. Rainha Alzira pouco se importou com a falta de educação e o sarcasmo do filho, gargalhando com a engenhosidade e a malícia interpretada nos trocadilhos do Louco. — Amigos – dirigiu-se a Rainha Alzira aos cortesãos – poucos dentre vós sabeis o que o Conde Rasku tem para anunciar. Diga, formoso Conde, qual é a novidade que nos trazes? Aparentemente desconcertado com a brincadeira do Louco e pensativo sobre o que ouvira de sua própria mãe, para não perder a pose, Conde Rasku manifestou-se arrogantemente: — Senhoras, senhores, bem sabeis que também tenho um coração, ainda que minha fama de desalmado percorra o mundo. Quero anunciar-vos que pretendo me casar com a Marquesa de Sonça, aqui mesmo, no Palácio das Esmeraldas, ou no Solar da Marquesa. Daqui a sete luas cheias, irei ao casamento do Bruxo Neno, no Palácio de Trindade, e quando voltar, direi a todos qual a data marcada para as minhas bodas. Aguardem, portanto, meu regresso e preparem-se para a maior e melhor festa de casamento de todos os tempos. — És tu, então, nobre Rasku, quem usará o bridão encantado? – perguntou o Louco, em tom de zombaria. — Já passas de insolente, amigo Louco. Vou me casar porque estou apaixonado. – justificou-se. — Contenha-se, Rasku. Ele está apenas brincando. No mais, a história daquele bridão já causou sofrimento bastante a todos nós – ponderou Rainha Alzira. – A mim, custa admitir que alguém tenha interesse na posse de um objeto que serviu de instrumento à morte do próprio pai. O clima do jantar não se apresentara propriamente festivo pela chegada do Rei Naldo e da Rainha Araci, pois o contraponto do aparecimento do Conde Rasku inquietara a todos, principalmente aos pais das donzelas de Avilhanas. A beleza sedutora de Rasku era perigosamente temperada por suas práticas pervertidas e comportamentos abertamente depravados. Ainda que estivesse comprometido a se casar, era pouco confiável e ardiloso por excelência para seduzir e desonrar mulheres jovens ou matronas, casadas, solteiras ou viúvas. 255H. H. Entringer Pereira Causara surpresa o anúncio do casamento do Conde Rasku com a Marquesa de Sonsa porque, embora apetrechada de grande beleza e sensualidade, era o dobro da idade mais velha do que o noivo, e circulavam rumores de que o primeiro marido da marquesa teria morrido com menos de um ano de casado, por esgotamento físico, face às incontroláveis exigências e ao insaciável apetite de alcova da mulher. Nas conversas entre servos e plebeus, o comportamento indomável da Marquesa de Sonça era assunto pontual. Dizia-se que entre suas predileções sexuais, além de homens jovens e bonitos, também se incluíam algumas belas jovens, e não eram incomuns reuniões em que as orgias duravam dias seguidos, quando a marquesa achava por bem festejar suas datas de aniversário. O próprio Conde Rasku frequentara vez por outra o mal afamado Solar da Marquesa e se jactava de já ter passado por lá semanas na esbórnia, entre efebos e belezuras que se davam aos prazeres sensuais, sem limites e sem censuras. Rainha Alzira sabia de alguns dos desregramentos do filho, mas cultivou por algum tempo a esperança de que Conde Rasku viesse a se casar com uma nobre dama, de fino trato, pudica e prendada para compensar e equilibrar-lhe o temperamento cruel e libertino. Ainda que seu caráter se lhe afigurasse, às vezes, tão sórdido, a beleza do rosto e do corpo eram predicativos que, certamente, serviriam como recompensa ao resgate de alguma nobre virtude que nele ainda estaria incógnita – o que uma mulher verdadeiramente amorosa, virtuosa, fiel e paciente poderia tornar à superfície. De outra parte, Rainha Alzira reconhecia no caráter do filho o temperamento sagaz e impetuoso, concordando que fosse ele o marido ideal, talhado sob medida, para impingir toda sorte de sofrimentos e provações à despudorada, astuta, ambiciosa e depravada, mas certamente apaixonada Marquesa de Sonça. Haveriam de formar um belo par. Ele, belo, sórdido e cruel. Ela, linda, sensual e pervertida. A despeito das insanáveis destemperanças de ambos, ele era o que de melhor poderia ocorrer para transformar a vida da marquesa num inimaginável e prolongado martírio. E ela, astuta e libertina o suficiente para fazê-lo viver um constante inferno. Algo, no entanto, ocupava mais o pensamento da mãe do que as vicissitudes pessoais do filho e da Marquesa de Sonça naquele momento. Chegara a hora de revelar o segredo ao Conde Rasku de sua misteriosa paternidade. Somente a Rainha Alzira e o Mago Natu compartilhavam tal segredo a todos ocultado: o menino Rasku não era filho legítimo do Rei Albe, o Rico. Era filho de Adul Thero, conhecido por toda a Corte pelo apelido de Senhor Dugo — o dileto e fiel feitor da Rainha Alzira, assassinado pelo Rei Albe, o Rico, sem motivos aparentes, dadas às circunstâncias misteriosas em que foi encontrado, na mesma noite em que o rei também se suicidara. A dessemelhança entre o Conde Rasku e seu meio-irmão, Rei Naldo, dizia mais respeito ao temperamento do que ao porte físico. Ambos eram notáveis cavaleiros, belos e saudáveis. Rei Naldo, mais introspectivo e sério, pouco conversava, mas, amiúde, dava provas de sua bondade, nobreza e equidade. A beleza do Conde Rasku, todavia, se notabilizava, pois além dos coruscantes olhos azuis e dos anelados cabelos castanho-dourado, seu sorriso perfeito, seduzia e, ao mesmo tempo, ocultava o que possuía de pior no seu caráter: era malicioso e cruel, além de pérfido e egoísta. 256H. H. Entringer Pereira Não havia mais razões, porém, para postergar a revelação de sua origem ao Conde Rasku. O Reinado de Avilhanas já tinha seu rei e prosperava em paz. E o anunciado casamento conferia ao conde o direito de conhecer toda sua estirpe, para que pudesse construir a própria árvore genealógica, inaugurando por conseguinte nova linhagem. Face à maneira sempre correta com que se conduzira e sua devotada fidelidade à memória do marido falecido, Rainha Alzira não dava margem às especulações nem aos mexericos a respeito de sua última gravidez. Pela contagem do tempo, desde que Rei Albe, o Rico, fora encontrado enforcado até o nascimento do menino Rasku, passaram-se exatamente as nove luas cheias: para todos os efeitos, a última coisa que Rei Albe, o Rico, teria feito por derradeiro na sua vida, antes do suicídio, fora um filho. E este filho era Rasku. Disposta a enfrentar o gênio indômito, arrebatado e irascível de Conde Rasku, procurou apoio no filho Calico, o Rei Naldo, de ânimo mais generoso e pacífico, solicitando-lhe o conselho que até então evitara pedir por lhe faltar coragem de compartilhar com ele sua própria infâmia e ignomínia. Não havia alternativas. Chegara a hora, afinal. A sós com Rei Naldo, Rainha Alzira abriu o coração: — Calico, meu filho, não imaginas quanto me custa confessar-te, neste momento, o segredo mais bem guardado de toda a minha vida. — Se vais me contar que Rasku não é meu irmão por parte de pai, não te aflijas. Desde que nos disseste sobre o feitiço da besteira e da aparição da Mula Sem Cabeça, já o imaginava. — E teu irmão, também desconfia? – indagou-lhe preocupada. — Não que eu saiba. Afinal, somos fisicamente muito parecidos. Nossas principais diferenças residem tão somente no caráter. — Tanto melhor. Achas que Rasku já pode saber que não é filho do teu pai? — Minha mãe, ainda que estejas confirmando que Rasku é meio-irmão meu, não revelastes quem é seu pai verdadeiro. Permite-me o atrevimento? — Evidente. Queres que eu mesma diga ou preferes me dizer? — Se eu não acertar, confias em me dizer? — Sim. Quem tu achas que pode ser o pai de Rasku? — O Senhor Dugo, certamente. E, talvez por isso, meu pai o tenha assassinado. Rainha Alzira começou a chorar. Abraçou-se ao filho, balbuciando, entre soluços, a pergunta cuja resposta precisava ouvir do Rei de Avilhanas: — Tu me perdoas? — Ora, minha mãe. Quem sou eu para vos repreender? Nada sinto contra vós e bem compreendo os motivos que vos levaram a tão grave despautério, àquela asneira desmedida. — Quanto a Rasku, não posso mais ocultar-lhe a verdade, mesmo temendo sua odiosa fúria... Pelo que o conheço, será capaz de matar-me ou me odiar, desejando vingar-se pelo resto dos meus dias. — Poupe-se, então. Melhor que não saiba. Nem a Araci vou revelar o que a mim confiastes. Guardarei vosso segredo. 257H. H. Entringer Pereira — Seria mais confortável... Mas não conseguirei ocultar de Rasku a realidade, porque no dia de seu casamento terei de lhe entregar a arma paterna, o sabre de Adul Thero. — Nesse caso, todos ficarão sabendo quem é o pai do Conde Rasku – contrapôs o Rei Naldo. — Ele vai me odiar. Tenho receio de sua impetuosidade. Conheço suas inclinações para a vingança – conjeturou Rainha Alzira. – Achas que Rasku seria capaz de odiar ao ponto de querer me matar? — Que ele vos odiará, não duvido. Mas não vos mataria antes que descobrisse onde estão os vossos 144 quilos das esmeraldas que meu pai ocultou, enterrando em algum lugar. É melhor que não procureis, nem mesmo encontreis este tesouro... se quereis viver depois de contar a Rasku quem é seu pai – falou Rei Naldo, em tom de brincadeira. — Estou pensando: Rasku jamais conhecerá seu pai, tampouco a Adul Thero foi dado o direito de conhecer o filho... Estranhas armadilhas do destino. Sinceramente, ainda não decidi. Pensando melhor, já nem sei se devo revelar... Se Mago Natu estivesse aqui, pediria a ele para que contasse. — Mãe, vós me pedistes um conselho. Na cerimônia, quando Rasku se casar, entregue-lhe o sabre do Senhor Dugo, sem alardes, nem muito palavreado. Simplesmente como tributo póstumo e devida homenagem à memória daquele que foi seu fiel servo. Assim como o Rei Albe, o Rico, morreu levando consigo o segredo de onde enterrou vosso grande e precioso tesouro, assim também morreu com o Senhor Dugo o segredo de Adul Thero, pai do Conde Rasku. — Faremos então um pacto: quando eu descobrir onde estão minhas esmeraldas, direi ao Conde Rasku de quem ele é filho. Rainha Alzira saiu do Salão do Trono e, ao abrir a porta, deparou-se com Conde Rasku. Surpresa com a presença do filho naquela hora, passou-lhe pela cabeça a possibilidade de que já estivesse ali há alguns minutos, ouvindo certamente seu diálogo com o Rei Naldo, atrás da porta. Todavia, não percebeu mudanças no seu semblante, e pela forma com que a abraçou, saudando-a, certificou-se de que ele havia chegado naquele momento. — Salve, salve, Mãe Rainha. Viestes confabular com Calico sobre o meu casamento? — Não exatamente, meu filho! Conversávamos sobre as minhas esmeraldas que o Rei Albe escondeu... Tens algum palpite a respeito? — Por que não mandas cavar no local onde ele se enforcou? — Já o fiz. No exato lugar onde havia sinais de terra revolvida, acharam enterradas as cabeças do Senhor Dugo e da Mula Tá. Ah, e antes de encontrarem as duas cabeças, retiraram da cova um sabre com o nome de Adul Thero gravado na lâmina. Queres portar aquela arma no dia do teu casamento e com ela permanecer, como homenagem ao mais fiel de todos os servos reais? — É da forja de Kalibur? — Certamente. Pela têmpera e beleza, não poderia ter sido de outro artífice. — Então considere-a minha. E do meu pai, o que dar-me-ás? 258H. H. Entringer Pereira — A porção de terras que pertenceu ao Senhor Dugo, contíguas às do teu Condado, para que acrescenteis ainda mais às tuas posses algo do teu pai. Conde Rasku não compreendeu que a porção de terras a que sua mãe se referia, que acrescentaria àquelas que já possuía, era, de fato, a herdade de seu legítimo pai. Naturalmente satisfeito pelo quinhão prometido, imaginou que talvez pudesse estar escondido naquelas plagas do reinado o tão cobiçado e precioso tesouro da Rainha Alzira: as maravilhosas e valiosíssimas pedras verdes. Adentrando sem cerimônia o Salão do Trono, Conde Rasku negou-se observar o protocolo para falar com o Rei de Avilhanas. Enquanto Rei Naldo anotava em finas lâminas de ouro mensagens para convidar os reis vizinhos, seus filhos e outros amigos nobres para festejarem o nascimento de seu primogênito, o príncipe herdeiro, prestes a acontecer, o irmão o interceptou com uma saudação que usavam desde os tempos de adolescentes. Levantando os olhos das folhas de ouro, sem interromper seu trabalho, respondeu à saudação do irmão, perguntando: — O que desejas, Conde Rasku? – voltando os olhos ao que fazia, continuando a tarefa. — Vim saudá-lo, primeiramente, majestoso Rei Naldo, Senhor de Avilhanas. Na qualidade de vosso irmão, penso que agradaria muito à nossa mãe que tivéssemos um relacionamento mais cordial e amigável. — Nunca fui teu inimigo, em princípio... — Mas ainda não me perdoastes pela infelicidade do flagrante na cama com Alba. — Coisas passadas, meu caro irmão... O amor do meu filho Mulato, hoje me recompensa da vergonha que me fizestes sofrer; e pela verdadeira paixão de Alba por mim. Não fosse o trágico final que resultou no sutil encantamento dela naquele pássaro, a Albatroz, teria me casado com ela e não com Araci, arcando com o castigo de perder o direito ao trono deste Reinado. — Neste caso, seria eu o rei de Avilhanas? — Serias. O que farias, fosses tu rei de Avilhanas? Porventura encontrarias o tesouro escondido pelo Rei Albe, o Rico? — Certamente. Não dormiria até descobri-lo. Onde achas que estão as misteriosas pedras verdes? Não tens gana de possuí-las? — Conde Rasku... como és ingênuo, apesar da tua insidiosa malícia... — Por que assim me julgas, Rei Naldo? Achas incorreto alguém pretender o que lhe é de direito? — Nem tanto. Parece-me incorreto, meu nobre irmão, pleitear o que por direito não lhe é pertinente. — Reputa-me indigno do meu quinhão? — Em absoluto. Discordo da irrefletida ânsia e desta aflição desvelada por te assenhorear daquele tesouro, cismando em fazer-te rico. Não te esqueças de que antes de nós dois, as preciosas pedras verdes pertencem de fato à nossa mãe, cabendo a ela querer ou não as encontrar. 259H. H. Entringer Pereira — Calico, nossa mãe já desistiu de seus sonhos. Mesmo porque nada lhe interessa mais, nem se ocupa atualmente de outra coisa que não pintar quadros de mau gosto e tocar cavaquinho. — Rasku, Rainha Alzira é a mulher mais inteligente que conheço. Lutou e continua pelejando com forças potencialmente misteriosas, sem temer nem se dominar pelo medo. Desafia poderes ocultos inferiores, não por abuso, mas por sua superioridade, benevolência e equidade. Nossa mãe fez por merecer seu cognome de soberana RARA, tanto por mérito quanto por honradez. — Vejo que meu irmão é um ardoroso defensor dos afetos filiais... com justa razão. Afinal, da Rainha Alzira recebeste o glorioso trono de um reinado rico e pujante apenas por seres primogênito e beijar-lhe as mãos, submisso e dócil... Quanto a mim, não me aquinhoou o destino com tanta candura e sujeição. Não me deu a natureza ânimo de afetada humildade e servil rebaixamento. — Conde Rasku, insinuas que recebi o trono de Avilhanas de mão beijada? Ofende-me tua insolência e irreconhecida ingratidão. Não somente és ingrato à Rainha Alzira, que te aquinhoou com as belas terras do teu Condado, como o sois à figura da nossa venerada mãe, que desacatais na minha pessoa. — Desculpe-me, Senhor Rei Naldo, se vos ofendo. Apenas manifesto com sinceridade meu sentimento de que na balança do coração da Rainha Alzira um prato é teu, o outro da Rainha Araci. Sinto que me excluem e que me ocultam alguma verdade inconveniente. — E tu também nos oculta algo que teu coração sonega? Por acaso pretendes casar-vos com uma mulher tão mais velha, ainda que bonita, só por amor? A pergunta deixou Conde Rasku encabulado. Era preciso sair do assunto, sem transparecer que havia algo oculto no interesse repentino do Conde Rasku pela Marquesa de Sonça, a Senhora Pan Thera. — Rei Naldo, Senhor de Avilhanas, ocupo-me agora exclusivamente do meu casamento. Vou preveni-lo de que, até antes de casar-me, escavarei por todos os locais que suspeito ocultar o tesouro do Rei Albe, o Rico, quer dizer... da Rainha Alzira, a Soberana RARA. Até mais vê-lo. Salve, salve. — Escave à vontade, Conde Rasku. Dentro dos limites do teu território. Se o fizerdes onde não vos pertence, tenho autoridade o bastante para mandar matar-vos. Dando de ombros, como se não tivesse ouvido a advertência do Rei Naldo, deixando o Salão do Trono, o belo Conde Rasku, antes de bater a porta atrás de si, ainda falou a ele: — Estou me preparando para viajar ao Reinado de Trindade. Vou ao casamento do Bruxo Neno. Não irás? — Estou aguardando o nascimento do meu filho. Aproveite e leve à Corte do Rei Mor o convite para a festa do nascimento de Gesu Aldo. Creio que as datas vão coincidir: a da festa de nascimento com a data do casamento. Apresente minhas desculpas. Conde Rasku bateu a porta meio irritado, enquanto o rei prosseguiu gravando suas placas de ouro, formulando o restante dos convites para a festa da natividade do esperado Príncipe Gesu Aldo. 260H. H. Entringer Pereira Pensando sobre o comportamento astucioso de seu meio-irmão, o rei de Avilhanas concluiu que, por direito, era também honesto revelar a Rasku sua filiação, porém não era prudente intentá-lo naquele momento. A vingança e o ódio de Rasku seriam implacáveis. Não obstante o provável revide, não descartava a possibilidade de ele, por vingança e revolta, tramar a morte não só da rainha-mãe como de sua mulher, Rainha Araci, ou dos filhos que porventura viessem ter. Que Rasku era perigoso e pérfido não havia dúvidas. Era preciso vigiar-lhe os passos, mantê-lo sob controle e, na medida do possível, evitar contrariá-lo. O arauto real anunciou com sua trombeta a chegada de um visitante. Rainha Alzira abriu a janela de seus confortáveis aposentos e viu a caravana se aproximando. Além dos fornecedores de provisões para o Palácio das Esmeraldas, junto dos mercadores, uma mulher com suas damas de companhia e servos desceram das carruagens. Facilmente identificou a primeira delas: era Professora Plínia. Em meio a uma festiva algazarra, viu também descarregar dos animais uma canastra de cobre e madeira marchetada, com o desenho de um pássaro, trazendo ao bico um bebê: era a bagagem da Senhora Natividade da Luz, a parteira das rainhas. O coração da Rainha Alzira acelerou-se e ela, por breves instantes, lembrou-se das duas últimas vezes em que a parteira veio ao palácio: por ocasião do nascimento do menino Mulato e, anteriormente, no nascimento de seu filho Rasku. Lembranças que lhe traziam secretos sofrimentos, pois evocavam recordações que Rainha Alzira preferia não trazer ao presente. Arrumou-se, penteou sua longa cabeleira já agrisalhada, desceu as escadarias e veio ao pórtico principal receber suas nobres e queridas visitantes. Rainha Araci também estava na recepção, segurando carinhosamente sua barriga com muita expectativa, feliz por saber que teria a assistência da competente profissional, Senhora Natividade da Luz, além da assessoria impecável da Professora Plínia, que entendia como ninguém de todas as arrumações necessárias para uma grande e inesquecível comemoração. Rei Naldo não economizou gentilezas, providenciando as melhores acomodações, os mais saborosos acepipes, engalanando o Palácio das Esmeraldas com os adornos e emblemas próprios daquela Casa Real, exibidos pela derradeira vez na festa de sua coroação como Soberano de Avilhanas e casamento com a Rainha AraciH. H. Entringer Pereira encantadora, ameaçando devorá-la. As imagens muito vívidas daquele sonho deixaram Rainha Alzira apreensiva, já que detestava a Marquesa de Sonça com todas as forças do seu coração, porque em épocas passadas, durante uma festa no solar da marquesa, esta lhe servira intragável bebida que lhe causou grande mal-estar e quase a matara. Julgou que fora vítima de tentativa de envenenamento porque a marquesa não disfarçava sua desmedida cobiça pelas famosas e perfeitas esmeraldas que lhe pertenciam. Muito mais lhe odiava ainda porque soube pelo honrado Intendente das Finanças e Justiça, o Marquês de Contagem, que o pai fora aprisionado porque se escusara de obedecer ordem do Rei Albe, o Rico, para levar um mimo à marquesa, Senhorita Pan Thera, consistente numa caixa de prata cheia de esmeraldas, tão logo Rainha Alzira se ausentara numa demorada viagem em visita a sua já falecida prima, a Rainha Olinda, mãe do Rei Médium. Rainha Alzira também sabia que, antes de a Feiticeira Zuzu, a Sacerdotisa das Sombras, se mudar para o Reinado de Trindade, negociara por alto preço com a Marquesa de Sonça o maldito bridão encantado, que ela mesma ordenara entregar à feiticeira, logo depois da tragédia que culminou no enforcamento de seu marido, o Rei Albe, o Rico. Conde Rasku, desde a época do casamento e da coroação do irmão Calico como Rei de Avilhanas, mudou-se para as terras que ganhara de sua mãe, a Rainha Alzira, num jogo de dados, denominando-as de Condado de Rasku, e não mais a visitara. Quase três anos se passaram sem que o Conde Rasku viesse ao Palácio das Esmeraldas. Rainha Alzira sabia notícias esparsas de seu filho porque, além de ser o homem mais belo entre todos os nobres que circulavam por aquelas regiões, tinha fama inigualável de perverso, cruel e sedutor incorrigível. As notícias do filho, geralmente ligadas a acontecimentos pouco edificantes e honrosos, traziam mais desgosto do que alegria à rainha. Para distrair-se e espairecer suas angústias, Rainha Alzira subiu à galeria onde pintava seus quadros — as calic’aturas. Ficou olhando e apreciando-os, admirada de como sua coleção aumentara: havia acrescido algumas outras, além de seus antepassados: o Louco, o Mago Natu, o Imperador Médium, a Imperatriz Gônia e o rei enforcado. Do sonho que tivera, sentindo-se saudosa e aflita pelo filho desnaturado, que não via desde o casamento de Calico, pôs-se a pintá-lo, retratando-o como sonhara: vacilante entre a pretensa noiva e ela própria, sua mãe, alvo certeiro da flechada do implacável Cupido. Deu ao quadro o nome O Enamorado. Nas derradeiras pinceladas em recente obra de arte, ouviu o troar da trombeta do Arauto Real. Pelo tropel da Guarda palaciana, deduziu que a comitiva do Rei Naldo chegara. Guardou rapidamente todo o material espalhado sobre mesas e cavaletes, descendo as escadarias com o coração mais tranquilo. Para sua surpresa, não só a carruagem do Rei Naldo com a Rainha Araci adentrava o pátio do Palácio das Esmeraldas como também o garboso alazão negro do filho temperamental e intratável, mas impressionantemente belo, o Conde Rasku. O primeiro a abraçá-la, desculpando-se pelo longo tempo de ausência, Conde Rasku, de coruscantes olhos azuis, barba crescida e cabeleira selvagemente desalinhada, podia não ser o melhor dos filhos, de caráter dócil e amável igual ao irmão, mas 253H. H. Entringer Pereira inegavelmente era o homem mais belo que já existira, o mais bonito de todos os outros príncipes daquela época. Esquecendo-se das amarguras e sofrimentos que o belo filho, ao longo da infância até a juventude lhe proporcionara, em razão de seus comportamentos cruéis com os animais, temperamentos irascíveis com os serviçais e atitudes odiosas para com seu único irmão, Rainha Alzira o abraçou ternamente, emocionou-se ao ouvir-lhe as batidas do coração e, num relâmpago de lembranças, o pensamento lhe trouxe à memória o mágico momento e a dramática situação em que ele havia sido concebido. Rasku percebeu a fragilidade emocional de sua mãe, fitando-lhe friamente o rosto já sulcado pelo tempo, mas ainda belo, indagando-lhe: — Já sabes que estou noivo e pretendo me casar? — Como saberia, se a notícia ainda não chegou por aqui? – respondeu-lhe a mãe, acrescentando – Mas não me custa adivinhar com quem... — Ah, duvido que acertarias – interrompeu-a. — Antes que me possas revelar, asseguro-te que não faço gosto, tampouco teu irmão aprovará – disse, com firmeza, Rainha Alzira. – Conversaremos depois. Preciso abraçar Calico e Araci. Vamos, entre! À hora do jantar, sob a luz bruxuleante dos archotes e dos castiçais sobre a mesa, o lugar costumeiro da Rainha Araci permaneceu vazio. Rei Naldo justificara a ausência dela alegando excessivo cansaço pela longa e penosa viagem, agravado pela adiantada gravidez. Conde Rasku, sentado à frente de sua mãe, desdenhou da forma como Calico expressara suas desculpas pela ausência da Rainha Araci e provocou: — Diga a tua maravilhosa e barriguda rainha que não precisa mais ter medo de mim. Agora sou um homem comprometido. Além do mais, as unhas da marquesa são bem mais afiadas que as dela. — Rasku, por favor – interrompeu Rainha Alzira – respeite a mulher do seu irmão e não se esqueça de que estás diante do Rei de Avilhanas! O menino Mulato, filho que Calico teve na sua adolescência com a moça Alba, também se sentava à mesa, ao lado de Rainha Alzira. Ainda que não falasse, Mulato sentia pela expressão do rosto que o conde não lhe dirigia olhares de simpatia, porém, na qualidade de mudo que era, apenas observava o clima de animosidade transparente entre os dois irmãos. Fitando Mulato com severidade e desprezo, Rasku prosseguiu em tom provocativo: — Mudemos de assunto. Rei Naldo, como permitis que o bastardinho mudo coma a tua mesa? Não seria o estábulo o lugar mais adequado a ele? Antes que Rei Naldo abrisse a boca para responder ao insulto, Rainha Alzira adiantou-se e, no rompante, posicionou-se em defesa do neto, a quem muito amava: — Conde Rasku, um bastardo a mais ou a menos nesta mesa, não fará diferença ... Também tu poderias ser tratado como tal, não fosse a benevolência do teu irmão Calico. Houve silêncio. O Senhor Louco, que resolvera morar definitivamente no Palácio das Esmeraldas a convite da Rainha Alzira, desde os tempos da tragédia do enforcamento do Rei Albe, o Rico, distante da cabeceira da mesa onde Rei Naldo e Conde Rasku estavam, até então não prestara atenção no que conversavam porque não 254H. H. Entringer Pereira ouvia os diálogos, dada a extensão da mesa e a conversa animada dos outros cortesãos. Percebendo que o clima entre eles modificara e a descontração inicial daquele jantar não era a mesma, adiantou-se, levantando-se como de costume, e iniciou um número na tentativa de distrai-los até a hora da sobremesa. Usando um jogo de palavras que lembrava uma brincadeira de crianças, o Louco cumpriu sua tarefa, começando pelo nobre visitante Conde Rasku: — Meu nobre, o que és? És conde? Onde escondes? Escondes o Conde? Ou és Conde que esconde? Se escondes, não és Conde! Então, nobre Conde, escondes... Se és Conde, não escondes! A maioria dos comensais se divertia. Conde Rasku apenas esboçou um sorriso pouco à vontade, tentando disfarçar o estranho sentimento que brotara pelas palavras de sua mãe. Rainha Alzira pouco se importou com a falta de educação e o sarcasmo do filho, gargalhando com a engenhosidade e a malícia interpretada nos trocadilhos do Louco. — Amigos – dirigiu-se a Rainha Alzira aos cortesãos – poucos dentre vós sabeis o que o Conde Rasku tem para anunciar. Diga, formoso Conde, qual é a novidade que nos trazes? Aparentemente desconcertado com a brincadeira do Louco e pensativo sobre o que ouvira de sua própria mãe, para não perder a pose, Conde Rasku manifestou-se arrogantemente: — Senhoras, senhores, bem sabeis que também tenho um coração, ainda que minha fama de desalmado percorra o mundo. Quero anunciar-vos que pretendo me casar com a Marquesa de Sonça, aqui mesmo, no Palácio das Esmeraldas, ou no Solar da Marquesa. Daqui a sete luas cheias, irei ao casamento do Bruxo Neno, no Palácio de Trindade, e quando voltar, direi a todos qual a data marcada para as minhas bodas. Aguardem, portanto, meu regresso e preparem-se para a maior e melhor festa de casamento de todos os tempos. — És tu, então, nobre Rasku, quem usará o bridão encantado? – perguntou o Louco, em tom de zombaria. — Já passas de insolente, amigo Louco. Vou me casar porque estou apaixonado. – justificou-se. — Contenha-se, Rasku. Ele está apenas brincando. No mais, a história daquele bridão já causou sofrimento bastante a todos nós – ponderou Rainha Alzira. – A mim, custa admitir que alguém tenha interesse na posse de um objeto que serviu de instrumento à morte do próprio pai. O clima do jantar não se apresentara propriamente festivo pela chegada do Rei Naldo e da Rainha Araci, pois o contraponto do aparecimento do Conde Rasku inquietara a todos, principalmente aos pais das donzelas de Avilhanas. A beleza sedutora de Rasku era perigosamente temperada por suas práticas pervertidas e comportamentos abertamente depravados. Ainda que estivesse comprometido a se casar, era pouco confiável e ardiloso por excelência para seduzir e desonrar mulheres jovens ou matronas, casadas, solteiras ou viúvas. 255H. H. Entringer Pereira Causara surpresa o anúncio do casamento do Conde Rasku com a Marquesa de Sonsa porque, embora apetrechada de grande beleza e sensualidade, era o dobro da idade mais velha do que o noivo, e circulavam rumores de que o primeiro marido da marquesa teria morrido com menos de um ano de casado, por esgotamento físico, face às incontroláveis exigências e ao insaciável apetite de alcova da mulher. Nas conversas entre servos e plebeus, o comportamento indomável da Marquesa de Sonça era assunto pontual. Dizia-se que entre suas predileções sexuais, além de homens jovens e bonitos, também se incluíam algumas belas jovens, e não eram incomuns reuniões em que as orgias duravam dias seguidos, quando a marquesa achava por bem festejar suas datas de aniversário. O próprio Conde Rasku frequentara vez por outra o mal afamado Solar da Marquesa e se jactava de já ter passado por lá semanas na esbórnia, entre efebos e belezuras que se davam aos prazeres sensuais, sem limites e sem censuras. Rainha Alzira sabia de alguns dos desregramentos do filho, mas cultivou por algum tempo a esperança de que Conde Rasku viesse a se casar com uma nobre dama, de fino trato, pudica e prendada para compensar e equilibrar-lhe o temperamento cruel e libertino. Ainda que seu caráter se lhe afigurasse, às vezes, tão sórdido, a beleza do rosto e do corpo eram predicativos que, certamente, serviriam como recompensa ao resgate de alguma nobre virtude que nele ainda estaria incógnita – o que uma mulher verdadeiramente amorosa, virtuosa, fiel e paciente poderia tornar à superfície. De outra parte, Rainha Alzira reconhecia no caráter do filho o temperamento sagaz e impetuoso, concordando que fosse ele o marido ideal, talhado sob medida, para impingir toda sorte de sofrimentos e provações à despudorada, astuta, ambiciosa e depravada, mas certamente apaixonada Marquesa de Sonça. Haveriam de formar um belo par. Ele, belo, sórdido e cruel. Ela, linda, sensual e pervertida. A despeito das insanáveis destemperanças de ambos, ele era o que de melhor poderia ocorrer para transformar a vida da marquesa num inimaginável e prolongado martírio. E ela, astuta e libertina o suficiente para fazê-lo viver um constante inferno. Algo, no entanto, ocupava mais o pensamento da mãe do que as vicissitudes pessoais do filho e da Marquesa de Sonça naquele momento. Chegara a hora de revelar o segredo ao Conde Rasku de sua misteriosa paternidade. Somente a Rainha Alzira e o Mago Natu compartilhavam tal segredo a todos ocultado: o menino Rasku não era filho legítimo do Rei Albe, o Rico. Era filho de Adul Thero, conhecido por toda a Corte pelo apelido de Senhor Dugo — o dileto e fiel feitor da Rainha Alzira, assassinado pelo Rei Albe, o Rico, sem motivos aparentes, dadas às circunstâncias misteriosas em que foi encontrado, na mesma noite em que o rei também se suicidara. A dessemelhança entre o Conde Rasku e seu meio-irmão, Rei Naldo, dizia mais respeito ao temperamento do que ao porte físico. Ambos eram notáveis cavaleiros, belos e saudáveis. Rei Naldo, mais introspectivo e sério, pouco conversava, mas, amiúde, dava provas de sua bondade, nobreza e equidade. A beleza do Conde Rasku, todavia, se notabilizava, pois além dos coruscantes olhos azuis e dos anelados cabelos castanho-dourado, seu sorriso perfeito, seduzia e, ao mesmo tempo, ocultava o que possuía de pior no seu caráter: era malicioso e cruel, além de pérfido e egoísta. 256H. H. Entringer Pereira Não havia mais razões, porém, para postergar a revelação de sua origem ao Conde Rasku. O Reinado de Avilhanas já tinha seu rei e prosperava em paz. E o anunciado casamento conferia ao conde o direito de conhecer toda sua estirpe, para que pudesse construir a própria árvore genealógica, inaugurando por conseguinte nova linhagem. Face à maneira sempre correta com que se conduzira e sua devotada fidelidade à memória do marido falecido, Rainha Alzira não dava margem às especulações nem aos mexericos a respeito de sua última gravidez. Pela contagem do tempo, desde que Rei Albe, o Rico, fora encontrado enforcado até o nascimento do menino Rasku, passaram-se exatamente as nove luas cheias: para todos os efeitos, a última coisa que Rei Albe, o Rico, teria feito por derradeiro na sua vida, antes do suicídio, fora um filho. E este filho era Rasku. Disposta a enfrentar o gênio indômito, arrebatado e irascível de Conde Rasku, procurou apoio no filho Calico, o Rei Naldo, de ânimo mais generoso e pacífico, solicitando-lhe o conselho que até então evitara pedir por lhe faltar coragem de compartilhar com ele sua própria infâmia e ignomínia. Não havia alternativas. Chegara a hora, afinal. A sós com Rei Naldo, Rainha Alzira abriu o coração: — Calico, meu filho, não imaginas quanto me custa confessar-te, neste momento, o segredo mais bem guardado de toda a minha vida. — Se vais me contar que Rasku não é meu irmão por parte de pai, não te aflijas. Desde que nos disseste sobre o feitiço da besteira e da aparição da Mula Sem Cabeça, já o imaginava. — E teu irmão, também desconfia? – indagou-lhe preocupada. — Não que eu saiba. Afinal, somos fisicamente muito parecidos. Nossas principais diferenças residem tão somente no caráter. — Tanto melhor. Achas que Rasku já pode saber que não é filho do teu pai? — Minha mãe, ainda que estejas confirmando que Rasku é meio-irmão meu, não revelastes quem é seu pai verdadeiro. Permite-me o atrevimento? — Evidente. Queres que eu mesma diga ou preferes me dizer? — Se eu não acertar, confias em me dizer? — Sim. Quem tu achas que pode ser o pai de Rasku? — O Senhor Dugo, certamente. E, talvez por isso, meu pai o tenha assassinado. Rainha Alzira começou a chorar. Abraçou-se ao filho, balbuciando, entre soluços, a pergunta cuja resposta precisava ouvir do Rei de Avilhanas: — Tu me perdoas? — Ora, minha mãe. Quem sou eu para vos repreender? Nada sinto contra vós e bem compreendo os motivos que vos levaram a tão grave despautério, àquela asneira desmedida. — Quanto a Rasku, não posso mais ocultar-lhe a verdade, mesmo temendo sua odiosa fúria... Pelo que o conheço, será capaz de matar-me ou me odiar, desejando vingar-se pelo resto dos meus dias. — Poupe-se, então. Melhor que não saiba. Nem a Araci vou revelar o que a mim confiastes. Guardarei vosso segredo. 257H. H. Entringer Pereira — Seria mais confortável... Mas não conseguirei ocultar de Rasku a realidade, porque no dia de seu casamento terei de lhe entregar a arma paterna, o sabre de Adul Thero. — Nesse caso, todos ficarão sabendo quem é o pai do Conde Rasku – contrapôs o Rei Naldo. — Ele vai me odiar. Tenho receio de sua impetuosidade. Conheço suas inclinações para a vingança – conjeturou Rainha Alzira. – Achas que Rasku seria capaz de odiar ao ponto de querer me matar? — Que ele vos odiará, não duvido. Mas não vos mataria antes que descobrisse onde estão os vossos 144 quilos das esmeraldas que meu pai ocultou, enterrando em algum lugar. É melhor que não procureis, nem mesmo encontreis este tesouro... se quereis viver depois de contar a Rasku quem é seu pai – falou Rei Naldo, em tom de brincadeira. — Estou pensando: Rasku jamais conhecerá seu pai, tampouco a Adul Thero foi dado o direito de conhecer o filho... Estranhas armadilhas do destino. Sinceramente, ainda não decidi. Pensando melhor, já nem sei se devo revelar... Se Mago Natu estivesse aqui, pediria a ele para que contasse. — Mãe, vós me pedistes um conselho. Na cerimônia, quando Rasku se casar, entregue-lhe o sabre do Senhor Dugo, sem alardes, nem muito palavreado. Simplesmente como tributo póstumo e devida homenagem à memória daquele que foi seu fiel servo. Assim como o Rei Albe, o Rico, morreu levando consigo o segredo de onde enterrou vosso grande e precioso tesouro, assim também morreu com o Senhor Dugo o segredo de Adul Thero, pai do Conde Rasku. — Faremos então um pacto: quando eu descobrir onde estão minhas esmeraldas, direi ao Conde Rasku de quem ele é filho. Rainha Alzira saiu do Salão do Trono e, ao abrir a porta, deparou-se com Conde Rasku. Surpresa com a presença do filho naquela hora, passou-lhe pela cabeça a possibilidade de que já estivesse ali há alguns minutos, ouvindo certamente seu diálogo com o Rei Naldo, atrás da porta. Todavia, não percebeu mudanças no seu semblante, e pela forma com que a abraçou, saudando-a, certificou-se de que ele havia chegado naquele momento. — Salve, salve, Mãe Rainha. Viestes confabular com Calico sobre o meu casamento? — Não exatamente, meu filho! Conversávamos sobre as minhas esmeraldas que o Rei Albe escondeu... Tens algum palpite a respeito? — Por que não mandas cavar no local onde ele se enforcou? — Já o fiz. No exato lugar onde havia sinais de terra revolvida, acharam enterradas as cabeças do Senhor Dugo e da Mula Tá. Ah, e antes de encontrarem as duas cabeças, retiraram da cova um sabre com o nome de Adul Thero gravado na lâmina. Queres portar aquela arma no dia do teu casamento e com ela permanecer, como homenagem ao mais fiel de todos os servos reais? — É da forja de Kalibur? — Certamente. Pela têmpera e beleza, não poderia ter sido de outro artífice. — Então considere-a minha. E do meu pai, o que dar-me-ás? 258H. H. Entringer Pereira — A porção de terras que pertenceu ao Senhor Dugo, contíguas às do teu Condado, para que acrescenteis ainda mais às tuas posses algo do teu pai. Conde Rasku não compreendeu que a porção de terras a que sua mãe se referia, que acrescentaria àquelas que já possuía, era, de fato, a herdade de seu legítimo pai. Naturalmente satisfeito pelo quinhão prometido, imaginou que talvez pudesse estar escondido naquelas plagas do reinado o tão cobiçado e precioso tesouro da Rainha Alzira: as maravilhosas e valiosíssimas pedras verdes. Adentrando sem cerimônia o Salão do Trono, Conde Rasku negou-se observar o protocolo para falar com o Rei de Avilhanas. Enquanto Rei Naldo anotava em finas lâminas de ouro mensagens para convidar os reis vizinhos, seus filhos e outros amigos nobres para festejarem o nascimento de seu primogênito, o príncipe herdeiro, prestes a acontecer, o irmão o interceptou com uma saudação que usavam desde os tempos de adolescentes. Levantando os olhos das folhas de ouro, sem interromper seu trabalho, respondeu à saudação do irmão, perguntando: — O que desejas, Conde Rasku? – voltando os olhos ao que fazia, continuando a tarefa. — Vim saudá-lo, primeiramente, majestoso Rei Naldo, Senhor de Avilhanas. Na qualidade de vosso irmão, penso que agradaria muito à nossa mãe que tivéssemos um relacionamento mais cordial e amigável. — Nunca fui teu inimigo, em princípio... — Mas ainda não me perdoastes pela infelicidade do flagrante na cama com Alba. — Coisas passadas, meu caro irmão... O amor do meu filho Mulato, hoje me recompensa da vergonha que me fizestes sofrer; e pela verdadeira paixão de Alba por mim. Não fosse o trágico final que resultou no sutil encantamento dela naquele pássaro, a Albatroz, teria me casado com ela e não com Araci, arcando com o castigo de perder o direito ao trono deste Reinado. — Neste caso, seria eu o rei de Avilhanas? — Serias. O que farias, fosses tu rei de Avilhanas? Porventura encontrarias o tesouro escondido pelo Rei Albe, o Rico? — Certamente. Não dormiria até descobri-lo. Onde achas que estão as misteriosas pedras verdes? Não tens gana de possuí-las? — Conde Rasku... como és ingênuo, apesar da tua insidiosa malícia... — Por que assim me julgas, Rei Naldo? Achas incorreto alguém pretender o que lhe é de direito? — Nem tanto. Parece-me incorreto, meu nobre irmão, pleitear o que por direito não lhe é pertinente. — Reputa-me indigno do meu quinhão? — Em absoluto. Discordo da irrefletida ânsia e desta aflição desvelada por te assenhorear daquele tesouro, cismando em fazer-te rico. Não te esqueças de que antes de nós dois, as preciosas pedras verdes pertencem de fato à nossa mãe, cabendo a ela querer ou não as encontrar. 259H. H. Entringer Pereira — Calico, nossa mãe já desistiu de seus sonhos. Mesmo porque nada lhe interessa mais, nem se ocupa atualmente de outra coisa que não pintar quadros de mau gosto e tocar cavaquinho. — Rasku, Rainha Alzira é a mulher mais inteligente que conheço. Lutou e continua pelejando com forças potencialmente misteriosas, sem temer nem se dominar pelo medo. Desafia poderes ocultos inferiores, não por abuso, mas por sua superioridade, benevolência e equidade. Nossa mãe fez por merecer seu cognome de soberana RARA, tanto por mérito quanto por honradez. — Vejo que meu irmão é um ardoroso defensor dos afetos filiais... com justa razão. Afinal, da Rainha Alzira recebeste o glorioso trono de um reinado rico e pujante apenas por seres primogênito e beijar-lhe as mãos, submisso e dócil... Quanto a mim, não me aquinhoou o destino com tanta candura e sujeição. Não me deu a natureza ânimo de afetada humildade e servil rebaixamento. — Conde Rasku, insinuas que recebi o trono de Avilhanas de mão beijada? Ofende-me tua insolência e irreconhecida ingratidão. Não somente és ingrato à Rainha Alzira, que te aquinhoou com as belas terras do teu Condado, como o sois à figura da nossa venerada mãe, que desacatais na minha pessoa. — Desculpe-me, Senhor Rei Naldo, se vos ofendo. Apenas manifesto com sinceridade meu sentimento de que na balança do coração da Rainha Alzira um prato é teu, o outro da Rainha Araci. Sinto que me excluem e que me ocultam alguma verdade inconveniente. — E tu também nos oculta algo que teu coração sonega? Por acaso pretendes casar-vos com uma mulher tão mais velha, ainda que bonita, só por amor? A pergunta deixou Conde Rasku encabulado. Era preciso sair do assunto, sem transparecer que havia algo oculto no interesse repentino do Conde Rasku pela Marquesa de Sonça, a Senhora Pan Thera. — Rei Naldo, Senhor de Avilhanas, ocupo-me agora exclusivamente do meu casamento. Vou preveni-lo de que, até antes de casar-me, escavarei por todos os locais que suspeito ocultar o tesouro do Rei Albe, o Rico, quer dizer... da Rainha Alzira, a Soberana RARA. Até mais vê-lo. Salve, salve. — Escave à vontade, Conde Rasku. Dentro dos limites do teu território. Se o fizerdes onde não vos pertence, tenho autoridade o bastante para mandar matar-vos. Dando de ombros, como se não tivesse ouvido a advertência do Rei Naldo, deixando o Salão do Trono, o belo Conde Rasku, antes de bater a porta atrás de si, ainda falou a ele: — Estou me preparando para viajar ao Reinado de Trindade. Vou ao casamento do Bruxo Neno. Não irás? — Estou aguardando o nascimento do meu filho. Aproveite e leve à Corte do Rei Mor o convite para a festa do nascimento de Gesu Aldo. Creio que as datas vão coincidir: a da festa de nascimento com a data do casamento. Apresente minhas desculpas. Conde Rasku bateu a porta meio irritado, enquanto o rei prosseguiu gravando suas placas de ouro, formulando o restante dos convites para a festa da natividade do esperado Príncipe Gesu Aldo. 260H. H. Entringer Pereira Pensando sobre o comportamento astucioso de seu meio-irmão, o rei de Avilhanas concluiu que, por direito, era também honesto revelar a Rasku sua filiação, porém não era prudente intentá-lo naquele momento. A vingança e o ódio de Rasku seriam implacáveis. Não obstante o provável revide, não descartava a possibilidade de ele, por vingança e revolta, tramar a morte não só da rainha-mãe como de sua mulher, Rainha Araci, ou dos filhos que porventura viessem ter. Que Rasku era perigoso e pérfido não havia dúvidas. Era preciso vigiar-lhe os passos, mantê-lo sob controle e, na medida do possível, evitar contrariá-lo. O arauto real anunciou com sua trombeta a chegada de um visitante. Rainha Alzira abriu a janela de seus confortáveis aposentos e viu a caravana se aproximando. Além dos fornecedores de provisões para o Palácio das Esmeraldas, junto dos mercadores, uma mulher com suas damas de companhia e servos desceram das carruagens. Facilmente identificou a primeira delas: era Professora Plínia. Em meio a uma festiva algazarra, viu também descarregar dos animais uma canastra de cobre e madeira marchetada, com o desenho de um pássaro, trazendo ao bico um bebê: era a bagagem da Senhora Natividade da Luz, a parteira das rainhas. O coração da Rainha Alzira acelerou-se e ela, por breves instantes, lembrou-se das duas últimas vezes em que a parteira veio ao palácio: por ocasião do nascimento do menino Mulato e, anteriormente, no nascimento de seu filho Rasku. Lembranças que lhe traziam secretos sofrimentos, pois evocavam recordações que Rainha Alzira preferia não trazer ao presente. Arrumou-se, penteou sua longa cabeleira já agrisalhada, desceu as escadarias e veio ao pórtico principal receber suas nobres e queridas visitantes. Rainha Araci também estava na recepção, segurando carinhosamente sua barriga com muita expectativa, feliz por saber que teria a assistência da competente profissional, Senhora Natividade da Luz, além da assessoria impecável da Professora Plínia, que entendia como ninguém de todas as arrumações necessárias para uma grande e inesquecível comemoração. Rei Naldo não economizou gentilezas, providenciando as melhores acomodações, os mais saborosos acepipes, engalanando o Palácio das Esmeraldas com os adornos e emblemas próprios daquela Casa Real, exibidos pela derradeira vez na festa de sua coroação como Soberano de Avilhanas e casamento com a Rainha Araci
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Semana de Experiência Comunitária
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Numa época em que a cultura ocidental moderna nos empurrou para o hiperindividualismo, muitos de nós sentimos a dor da solidão, da desconexão e um anseio por significado e simplicidade. Podemos sentir o desequilíbrio: com a natureza, uns com os outros e conosco mesmos. As mudanças climáticas e a instabilidade econômica não são mais ameaças distantes – elas estão aqui. E nos pedem para assumir um tipo diferente de liderança, enraizada na resiliência, no propósito e na comunidade. Por gerações, comunidades intencionais serviram como laboratórios vivos para um modo de vida mais conectado. São lugares para reaprender o que a cultura dominante em grande parte esqueceu: como praticar a autogovernança, navegar em conflitos sem hierarquia e construir confiança por meio da reciprocidade e do cuidado. Este é um trabalho profundamente desafiador. Exige que enfrentemos os traumas e as desigualdades que herdamos, que nos tornemos cuidadores da dor e construtores de pontes, e que transformemos conflitos em relacionamentos mais fortes e saudáveis. Viver em comunidade nos convoca de volta ao relacionamento com o mundo sobre-humano. Nos ensina a ver a natureza não como um pano de fundo, mas como uma parceira soberana em nossa existência compartilhada, honrando o salmão, as árvores, o solo e as águas como parentes. Quando nos lembramos de que somos parte, e não separados, da teia da vida, começamos a cultivar uma cultura capaz de se sustentar por gerações. A mudança não acontecerá até que um número suficiente de nós acredite que é possível e aja de acordo com essa crença. É por isso que criamos a Semana de Experiência Comunitária. Este programa imersivo oferece ferramentas práticas e experiências vividas para a construção de uma comunidade, seja iniciando uma comunidade intencional, juntando-se a uma já existente ou simplesmente aprofundando a conexão e a colaboração onde você já vive. As habilidades que você explorará se aplicam a todos os tipos de grupos, desde bairros a coletivos de voluntários. Porque, no fundo, todos precisamos uns dos outros. Podemos enfrentar os desafios que temos pela frente, mas somente se nos lembrarmos de como trabalhar juntos.
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Eles comem tudo e de tudo
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Dia 21 recebemos a visita de adolescentes de uma escola da cidade de São paulo pra uma vivência de bio construção. Momento muito importante de troca e novas descobertas. O futuro está no presente. Ensine e aprenda com as crianças..
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Passarinhada 23 de agosto de 2025
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🌿🦜OBSERVAÇÃO DE AVES NA AGROFLORESTA DA FAZENDA SÃO FRANCISCO 🦜🌿 📆🌳 No dia 23 de agosto, venha viver uma experiência única de conexão com a natureza! 👉🏼 O que te espera? 🔎 Observação de pássaros guiados por Silvio (Bigo), especialista em aves e guia da natureza. 🍃 Imersão na biodiversidade da Fazenda São Francisco - Serra Grande, em meio à exuberante Mata Atlântica. ☕️ Encerramento especial com um café da manhã agroflorestal: ✅ Degustação de açaí puríssimo local 🫐 ✅ Nosso chocolate agroflorestal 🍫 ✅ Água de coco geladinha 🥥 ⏰ Das 5h30 às 10h 📣 Vagas limitadas! Garanta já a sua! 📲 Inscrições e informações: +55 73 9 9814-3918 🦜🌿🦜🌿🦜🌿🦜🌿🦜🌿🦜🌿🦜🌿🦜🌿 A passarinhada na Fazenda São Francisco é muito mais do que um simples passeio: é uma experiência de conexão profunda com a natureza. Caminhando pela cabruca e pelos sistemas agroflorestais, os participantes têm a chance de observar uma diversidade incrível de aves que encontram abrigo e alimento nesse ambiente regeneretivo. A cabruca, sistema tradicional de cultivo de cacau sob a sombra da Mata Atlântica, desempenha um papel essencial na preservação da biodiversidade, mantendo árvores nativas que servem de refúgio e fonte de alimento para inúmeras espécies. Já a agrofloresta, com sua diversidade de plantas, cria um ecossistema equilibrado, onde frutas, sementes e insetos garantem a sobrevivência das aves e demais animais silvestres. Essa relação harmoniosa entre produção agrícola e restauração e preservação da natureza faz da Fazenda São Francisco um verdadeiro santuário para a fauna. Participar da passarinhada é testemunhar esse equilíbrio e compreender como a agrofloresta e a cabruca podem ser ferramentas poderosas para a regeneração ambiental. 🌳 Não perca essa linda e rica oportunidade! #Passarinhada #Birdwatching #ObservaçãoDeAves #AvesDoBrasil #NaturezaViva #Agrofloresta #Cabruca #Regeneração #Sintropia #mataatlantica #Sustentabilidade #Biodiversidade #CacauCabruca #ChocolateArtesanal #Açaí #alimentoqueregerera #serragrande #uruçuca #ilheus #itacare #taboquinhas #marau #bahia #brasil
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Oficina de Compostagem
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🚨🌻 Chamada Local - Ekonavi! 🌻🚨 Tá na hora de colocar a mão na terra e transformar resíduo em VIDA! 🌱♻️ No dia 30/08 (sábado), das 08h às 12h, vai rolar a nossa Oficina de Compostagem com o mestre Marcos Ramirez na Horta Maria do São Gabriel (BH - MG). 📍 Pertinho da estação de metrô São Gabriel (só 6 min andando 🚶🏾‍♂️). Vai ser aprendizado, troca e muita energia boa em meio à horta! 🌿✨ 👉 Bora chegar junto? Traga sua curiosidade, disposição e amor pela natureza 💚🌍 💛 Porque compostar é transformar!
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAPITULO 62
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A GAIOLA Chegar com sua nova corte ao Reinado da Madeira foi umas das grandes alegrias que a Imperatriz Gônia compartilhou com o Imperador Médium, ainda que o motivo principal da viagem também lhes causasse mais preocupações que simplesmente deleite. O Palácio da Madeira, uma portentosa construção de pedras e madeira, rústico, mas luxuosamente confortável, não tinha o mesmo esplendor que o Palácio Fortaleza, no entanto seus bem cuidados jardins, artisticamente projetados, só rivalizavam com os do Palácio das Esmeraldas, cultivados com muito zelo pela própria soberana Rara, Rainha Alzira. Bem em frente ao palácio, um canteiro de rosadas flores exóticas, muito exuberantes, parecendo de porcelana, chamou atenção do Imperador Médium, que ainda não as conhecia. Encantado com sua beleza, perguntou à Imperatriz Gônia: — Que maravilhosas. Como se chamam? — Não têm nome ainda. Nasceram aqui desde que sepultamos o meu pavão cor-de-rosa e branco neste local. Para mim vão sempre lembrar meu pavão encantado. Dê-lhes o nome que quiser... — De agora em diante, serão conhecidas como Bastão do Imperador (Etlingera elater ), em minha homenagem! – disse, gracejando. A Imperatriz sorriu e concordou: — Assim seja! Reencontrando nobres amigos, vassalos e serviçais do Palácio da Madeira, atualizaram-se das notícias com os minuciosos relatórios sobre os acontecimentos desde a viagem da Rainha Gônia para o Reinado do Elo Dourado quando da celebração de suas núpcias. A Imperatriz e o Imperador, recebidos com honrarias e festas, sentiram a ausência do Arauto Real, o Senhor Gaio, que não veio saudá-los em cumprimento ao protocolo da recepção do casal imperial. Cumpridas as formalidades da chegada, logo a Imperatriz perguntou onde se encontrava o Senhor Gaio, considerado por ela seu segundo pai, a quem carinhosamente tratava de Papai Gaio, um nobre e honrado cortesão, arauto real do Palácio da Madeira desde tempos imemoriais. Senhor Gaio desfrutava de grande notoriedade. Informado e bem-falante, era quem se incumbia de levar à Rainha Gônia todas as novidades do reinado, além de dedicar-lhe especial apreço e paternal afeição, merecendo dela, em contrapartida, consideração e devotamento de filha. — Como está o meu Papai Gaio? – perguntou a sua afetuosa ama, Senhora Grã Dona. — Em situação bem delicada, Senhora. Assim que a Imperatriz viajou, entristeceu-se, calou-se e parece descontente de viver... — Preciso vê-lo agora mesmo. Pelo janelão dos aposentos do Senhor Gaio, entrava a luz da tarde. A brisa que vinha do rio da Madeira arejava todo o espaçoso cômodo. Ao anúncio da chegada da Imperatriz Gônia com o marido, o Imperador Médium, o Senhor Gaio postou-se de pé 250H. H. Entringer Pereira com dificuldade e, fraquejando, veio ao seu encontro, abraçando-os saudoso. O coração da Imperatriz encheu-se de tristeza, seus olhos marejaram lágrimas. Diferençava bastante no semblante de quando o vira pela derradeira vez, antes de viajar. Reunindo suas derradeiras forças, o Senhor Gaio correspondeu aos abraços da Imperatriz e balbuciou trêmulo, com a voz rouca e grave: — Minha filhinha querida, minha amada rainha... Gônia, minha rainha... Minha... rai... min... E prostrou-se, desmaiando aos pés da Imperatriz que, na tentativa de ampará-lo sustentou-o por debaixo dos braços, e subitamente desapareceu o peso do Senhor Gaio, desfez-se o formato de seu corpo e, ao olhar para suas mãos, a Imperatriz segurava um maravilhoso pássaro de penas verdes brilhantes, bico encurvado, lembrando o nariz adunco do Papai Gaio. Transformara-se numa ave diferente de todas as que ela conhecia. O Senhor Gaio havia se encantado. Surpresa e enternecida, murmurou: — Meu Papai Gaio, meu Papá Gaio, fique sempre comigo! A ave subiu-lhe aos ombros e continuou falando: — Gônia, oh Gônia!... Sou eu... seu papai Gaio... Sou seu papá, seu papagaio! Apenas o Imperador e a Imperatriz presenciaram o momento daquele encantamento. Dali por diante, a todos os lugares que se dirigiam, o Papagaio os acompanhava, despertando admiração pelo seu inusitado jeito de falar, cantando e alegrando o casal imperial, como se continuasse exercendo sua honrosa e vitalícia função de arauto real. A Imperatriz tratou de reservar como vivenda para sua encantadora e estimada ave verde uma grande jaula de ouro, residência antiga de uma outra ave que muito estimara: um raro pavão cor-de-rosa, cuja morte, há alguns anos, deixou-a entristecida e consternada. A jaula ornamentada de belas flores de prata, cravejadas de pedras preciosas, com poleiro de marfim, seria então a pousada noturna a sua encantadora e falante ave verde. Todos os dias, ao cair da noite, entregava a ave falante nas mãos do Imperador Médium, solicitando: — Por favor, leve meu Papai Gaio lá para dormir! Ao anoitecer, era o Imperador Médium quem carinhosamente cumpria aquele ritual, pegando a ave encantada de plumagem verde brilhante pelos pés, conduzindo-a dos arbustos e arvoredos dos jardins do Palácio, onde passava todo o dia, até a maravilhosa jaula, atendendo ao pedido da Imperatriz. Já habituada àquela rotina, a ave falante divertia o Imperador, conversando com ele durante o percurso do jardim até sua pousada, imitando a ordem da Imperatriz: — Médium, Médium, leve o papai Gaio lá... leve o papagaio lá! O hábito de levar o Papai Gaio lá, fez com que o Imperador denominasse aquela clausura de GAIO LÁ, Gaiola.
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Nossas conquistas
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Semana agitada com a entrega do nosso container, deu muito trabalho mas no final deu tudo certo . Trabalhamos mais um espaço para o canteiro de medicinais.
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Status da Torre
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Últimos trabalhos, resultados e próximas ações da Torre da Serra
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Luminária Indígena
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Hoje mais uma vez trabalho com luminária indígena finalizado, pronto para entrega✅️🙏
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Seguimos nos projetos agora ampliando o galinheiro rumo a autônomia.
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