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OCA TERRAVILA GLOCAL - Ocupação Cocriativa ArtFloresta

Sitio Bom Jesus - Rua Quilombo LT 56 - PA Quilombo - Lago do Manso - Chapada dos Guimarães-MT Brasil
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Categorias
Associação, Centro Cultural, DAO
Actividades
Acomodação, Agrofloresta, Aromáticas, Compostagem, Cozinha, Frutas, Grãos, Horta, Leguminosas, Medicinais, Mudas, Orgânico, PANCs, Permacultura, Pesquisa, Preservação, Reciclagem, Sementes Crioulas, Verduras, Voluntariado
Fone: +5569999556403
Facebook: brazdyvinnuh
Twitter: @Brazdv
Sobre
OCA - Terravila Glocal             "Alegria, fruto da Liberdade c/ Confiança!" OCUPAÇÃO COCRIATIVA ARTFLORESTA >>Manter um Polo Produtivo utilizando o conceito Agroecológico e da permacultura. Horta c/ alimentos convencionais; cultivo de ervas aromáticas, medicinais, fitoterápicas e PANCs-(Plantas Alimentícias não Convencionais); meliponicultura; manejo extrativista; canteiro de mudas de espécies nativas e/ou  ornamentais para reflorestamento local; Artfloresta (Arte como ferramenta pedagógica); turismo rural; resgate cultural; artesanato e artes em geral. >>Criar um ambiente de convivência e experimentação laboral que dialogue com liberdade a respeito de planejamento consciente e inteligente de geração de riquezas para a sustentação do Polo, com vistas para a regeneração do homem, a fim de dar visibilidade à regeneração do ambiente integral; onde o bem comum (terra, água, ar, fauna e flora) esteja além da geração de conteúdos que estimule a troca de saberes. >>TEATRO CIRCULAR REGENERATIVISTA URUCUMACUÃ - será uma edificação para marcar a presença da OCA OCUPAÇÃO COCRIATIVA ARTFLORESTA neste ambiente como inspiração ao Grande Público (Local e visitante). >>Longe do estereótipo de ações com viés de “cuidados ambientais”, o projeto recebe colaboradores para alavancar esse processo imediato, onde é oferecida hospedagem e alimentação para participação no projeto pelo período acordado entre o interessado e o projeto. O candidato oferece 4(quaro) horas de mão-de-obra diárias por semana, com dois dias de folga.  O tempo restante os colaboradores são incentivados a produzirem para conquista de seus retornos fiduciários. >>Esse sistema de “Terravila” Glocal é um conceito que vem dando certo, por oferecer aos experimentadores a liberdade de produzir o seu próprio sustento. Sem ter um mandatário centralizador. Os modelos comuns existentes, deixam um hiato que não pode ser preenchido. A proposta apresentada é de acesso e não de posse. Os colaboradores podem ser transitórios , temporários e "permanentes" pois é fato a transitoriedade da vida.  Com o processo em andamento para os trabalhos, vem ficando mais clara a proposta de uma “rede de ocupação produtiva e não de um grupo. >>A proposta “Terravila” Glocal existe em três dimensões, LOCAL, com os  colaboradores que a partir do pertencimento, se tornam moradores, por sua vez, locais; VIVENCIAIS são os colaboradores que fazem uma imersão local, por um período de tempo; GLOCAIS são os colaboradores que conhecem a proposta e participam de qualquer lugar do mundo, inclusive localmente. >>Nesta “Terravila” Glocal OCA os trabalhos de infraestrutura estão sendo inicializados. Os colaboradores dessa primeira fase terão a oportunidade de  conhecer de perto o mecanismo de se criar recursos para gerir uma ocupação que vai além da moradia e da propriedade para o plantio, onde se busca a regeneração do ser humano para que ele compreenda e se torne regenerador de sua própria natureza. Em uma rede que vem se espalhando pelo mundo, agregando pessoas que se identificam, principalmente deixando clara a importância da Alegria, Liberdade e da Confiança. Juntos somos mais fortes sem perdermos nossa pessoalidade.  *Basicamente, o projeto revisita o lugar comum, com outro olhar, o da arte para esse universo, tantas vezes ignorado pelo meio urbano. **O Projeto OCA Terravila Glocal vem a partir da organização definindo suas atividades prioritárias. Em virtude da dependência de maquinário, tão logo seja disponibilizado o trator, começaremos o plantio. ***O próximo passo do Projeto OCA TERRAVILA GLOCAL é limpar a Praça das Gueirobas - para facilitar a visitação do WEBvaral. ****Trabalho começado, aguardando o momento de mexer com as mudas. *****Nem todos os membros do Projeto OCA TERRAVILA GLOCAL estão na EKONAVI. Em breve serão agregados, no momento sem tempo para acessar. 6 - Com a estiagem fica mais fácil para gradear, mesmo com as condições climáticas do cerrado. O trabalho é lento, mas haverá de ter êxito. 7 - O grupo de pessoas envolvidas com a nossa proposta, é inicialmente composto por: Brazzdyvinnuh( Braz Divino), Joaquim Ferreira, Sergio Lima Sampaio, Cezar Simão, Heloiza Helena, Luciano Conceição, Vinicius Braz, Vânia Trindade, Mair Pinto. Colaboradores locais - Amorim Edimar, Lucinete Joaquim, Julio Leal, Deuza Leal. 8 - Colaboradores: Paula Leão - Contagem-MG, Joaquim Ferreira - Sto. Antônio do Leverger-MT 9 - No tempo máximo de uma(1) semana devemos estar recebendo as mudas de Vetiver para dar início ao projeto de Plantas Aromáticas e Medicinais. (18/06) *HOJE AO FIM DO DIA COMEÇA O PLANTIO DAS MUDAS DE VETIVER* Nos dias 29 e 30 conclui o plantio. Escala da irrigação manhã, meio-dia e fim de tarde/noite por 60 dias ... Estou apostando no Capim Vetiver, pela sua versatilidade e as suas inúmeras aplicações no dia a dia. Por isso nos próximos dois meses estarei me dedicando "exclusivamente" aos cuidados que ele exige, por conta da temperatura aqui no cerrado mato-grossense. Foi afinidade a primeira vista. Mudanças por vir! Mais um espaço para o plantio de Citronela, que será seguido por Capim Cidreira.
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VOLTANDO A MEMÓRIA Os olhos do Senhor Frutuoso brilharam de alegria e se encheram de comovidas lágrimas, quando a guarda real se apresentou para escoltá-lo até sua antiga propriedade, abandonada e nunca mais pisada por ele, desde o fatídico sinistro. Confiante de que teria, finalmente, a oportunidade de se lembrar com clareza do que acontecera. Montou um garboso corcel, ricamente arreado, cedido pela generosidade do Rei Médium, com a intenção de proporcionar momentos de emocionantes lembranças. Muitos dos participantes do torneio da coleta de frutos e frutas não sabiam ainda o que sucedera ao Senhor Frutuoso. Ignoravam completamente que ele portava um valioso anel de brilhante, deixado entre as frutas de seu comércio que, de tão bem guardado, ficou esquecido por ele mesmo entre os seus pertences. Naquele dia, porque o Rei Médium e o Senhor Regente contaram cada um a parte que conheciam sobre o episódio do misterioso anel, cujo dono até aquela data não se apresentara, a maioria dos convidados ficou sabendo. O Imperador há tempos suspeitava de que o Conde Rasku tivesse participado daquele crime, mas como ninguém conseguira provar e o Mago Natu não revelara quem seriam e de onde vieram os seis malfeitores, o caso permanecia em sigilo. O assunto do anel misterioso ganhou destaque em todos os salões e corredores do Palácio Fortaleza. Versões diferentes se ouviam e falavam, algumas dando conta de que o anel sem dono era uma invenção do Senhor Frutuoso para angariar a simpatia e chamar a atenção do Imperador. Os que não tinham motivos para duvidar do segredo que o chacareiro confiara ao rei, cogitavam quão surpreendentes são alguns acontecimentos que escapam à vã compreensão das pessoas comuns, atribuindo a propriedade de tão preciosa joia a ninguém menos que o Grande Rei que, provavelmente, o deixara de propósito na caixa de frutas. Momentos antes de permitir que o Senhor Frutuoso voltasse a sua chácara, Mago Natu o interpelou: — Meu bom amigo, fui à baía, onde deixei meu anel? Surpreso com a indagação, porque aquela era a parte da senha que ele mesmo deveria interpelar ao verdadeiro pretendente do anel, respondeu: — Essa pergunta eu mesmo teria que vos fazer!? — Então, eu mesmo lhe darei a resposta: “deixei com as cascas das frutas na caixa de pregos!”. Vá e encontrareis o anel. Poucas horas mais tarde, o Senhor Frutuoso retornou ao Palácio, escoltado pela guarda real, exibindo muita alegria e felicidade, sentimentos que não o visitavam desde o dia do sinistro. Pediu para se avistar com o Rei Médium. Ao entrar na Sala Real, numa reverência humilde e respeitosa, anunciou: — Senhor Imperador, meu amado rei, trago-vos a melhor notícia que poderia me felicitar. Regressei à chácara e, revolvendo entre os escombros, encontrei o anel no meio dos pregos e das ferramentas que o incêndio não destruiu. Ei-lo, intacto. Quero devolvê-lo ao legítimo dono. — Legítimo dono? Então encontrastes também o verdadeiro proprietário? — Sim, Senhor Imperador! Trata-se de ninguém menos que o Mago Natu. Afinal, ele tanto disse a minha parte da senha, quanto a dele próprio! — Humm, Mago Natu e suas surpreendentes lições. Precisastes perder tudo quanto tinhas para reencontrar teu verdadeiro tesouro. Vamos entregá-lo ao Senhor do Anel, então! Mago Natu, de posse do anel, examinou, olhando-o fixamente. À medida que o fitava, a joia irradiava um brilho fulgurante, transcendente, jamais produzido noutro objeto semelhante. Cada vez mais o anel jorrava um esplendor coruscante, iluminando o rosto do mago até que ele, num processo presenciado somente pelo rei e pelo Senhor Frutuoso, pronunciou três palavras compassadas e incompreensíveis. O anel retomou seu estado anterior, emitindo apenas seu brilho normal. Entregando-o ao Rei Médium, pediu que passasse o misterioso anel como prêmio ao vencedor do evento programado para a abertura da quarta caixa de cobre, na manhã seguinte. Rei Médium aceitou a oferta, tomou para si o anel e, como galardão à honestidade e fidelidade do Senhor Frutuoso, recompensou-o com uma grande quantidade de ouro, equivalente ao valor do brilhante do anel, para que pudesse novamente restaurar sua chácara, retornando ao seu especial comércio de frutas. Mago Natu explicou também: — Este anel, de agora em diante, dará ao seu portador o dom da imortalidade, tão logo o coloque no dedo, desde que pronuncie as palavras necessárias que ouvirá de mim, na hora certa.
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O Projeto OCA Terravila Glocal em parceria com a APAQ - Associação do PA Quilombo, começo a receber o material para a construção do Teatro Urucumacuã - O primeiro material a chegar o foi um caminhão de pneus que estão depositados no galpão da APAQ. Espaço cedido para armazenar o material ao abrigo das intempéries, evitando assim a proliferação de mosquitos e outros insetos.
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Tenho me empenhado na lida diária da organização. Aos poucos a coisa vai tomando forma. Estou aproveitando o curral para o plantio dos capins: Vetiver, Capim Limão e Citronela.
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O SENHOR DO ANEL SEM LEMBRANÇA Terminadas as movimentações das festas do casamento, logo depois que os convidados do Rei Médium e da Rainha Gônia regressaram, deixando o reinado mergulhar em sua rotina de quietude e paz, o Imperador recebeu a primeira visita de um súdito em palácio: o Senhor Frutuoso. Embora aparentasse semblante tranquilo e alegre, não passou despercebido ao rei que algo o inquietava. — O que o aflige, Senhor Frutuoso? — Senhor Imperador, encontrei um precioso objeto entre as caixas de frutas do meu comércio. — Do que se trata? — Ei-lo. Não sei avaliar o exato valor, mas acredito que se trata de objeto muito precioso. É provável que pertença a algum dos nobres que estiveram por aqui, durante o vosso casamento e passaram pela minha frutaria. Algum deles reclamou convosco a perda de algo? — Não que me dissessem, Senhor Frutuoso. O que pretendeis fazer? — Quero entregar-vos este anel, pois quem o perdeu, certamente virá reclamá-lo convosco! — Senhor Frutuoso, Rainha Gônia e eu estamos nos preparando para uma longa viagem. Passaremos uma temporada no Reino da Madeira, e o reinado do Elo Dourado ficará sob a responsabilidade do Senhor Regente. Não convém que outros saibam que esta joia tão preciosa está com o Senhor Regente à espera do dono. Poderão surgir interesseiros e oportunistas capazes de tudo para consegui-la. Portanto, sois vós a pessoa que deverá ficar com ela, até que o legítimo dono a procure. Evite falar a qualquer que seja sobre a posse deste objeto. Eu mesmo farei discretamente algumas investigações. Se descobrir quem é o verdadeiro dono, mandarei buscá-lo consigo, que o entregarás mediante uma senha. — Já podeis me revelar qual a senha? — Sim, perguntareis a quem se apresentar reclamando a posse do anel: “Fui à baía, onde deixei meu anel?”. — O que a pessoa deverá me responder? — Deixei com as cascas, na caixa de pregos! — Humm, parece uma boa senha: “Deixei com as cascas na caixa de pregos!”. Algumas luas se passaram e ninguém veio à casa do Senhor Frutuoso reclamar a posse do valioso anel de brilhante. Temendo deixá-lo em local muito fácil de encontrar, cuidou de guardá-lo no sótão de sua casa, no falso fundo de uma caixa de pregos e ferramentas. Passado algum tempo, o Senhor Frutuoso, ocupado com o cultivo de suas fruteiras e hortaliças, absorvido totalmente pelas atividades de seu bem frequentado comércio, esqueceu-se completamente do precioso objeto que mantinha sob sua guarda. Passara-se mais de ano que Rei Médium e Rainha Gônia viajaram para o Reino da Madeira. Chegaram notícias recentes trazidas pelos mensageiros reais, dando conta de que o preceptor da Imperatriz quando jovem rainha do Madeira, o Senhor Gaio, havia se encantado numa ave faladora de plumagem verde brilhante, o que deveria prolongar ainda mais a estadia do casal real na sede daquele reinado. Só voltariam quando encontrassem outro regente para gerir finanças, manter a ordem e estabelecer a justiça no reinado, nos moldes de como era feito no Elo Dourado. No Elo Dourado, o período era de paz e progresso. Um competente conselheiro regente administrava os negócios na ausência do casal imperial, até que uma notícia desagradável chegou ao palácio, trazida por um camponês vizinho de propriedade do Senhor Frutuoso. Muito assustado e aflito, veio em visita ao conselheiro real com a novidade terrível: — Senhor, a chácara do Senhor Frutuoso foi invadida ontem à noite por malfeitores. Atearam fogo à residência dele. Nós vimos o clarão e a fumaceira. Meu filho e eu saímos para prestar socorro. Encontramos o Senhor Frutuoso desmaiado, muito ferido, amarrado ao tronco de uma grande fruteira! — Oh, céus, que barbárie, já sabem quem foram os malfeitores? – indagou o conselheiro real. — Não fazemos ideia. – ressaltou o camponês. — Como está o Senhor Frutuoso? — Nós o trouxemos e internamos na Casa da Saúde. Ele estava ainda em estado de choque, mas aos poucos vem recobrando os sentidos. Logo, logo esperamos que se recorde do que aconteceu. Queimaram-se todos os seus bens. Da casa só restaram escombros. — Hoje ainda irei visitá-lo. Assim que o Rei Médium e a Rainha Gônia chegarem tomaremos as providências que o caso requer. Até lá, depois que estiver sarado, o Senhor Frutuoso poderá morar na ala dos hóspedes deste palácio. — Fico imensamente grato por ele, Senhor Regente! — Cumpro apenas meu dever, amigo. A propósito, tem ideia, ou o Senhor Frutuoso falou algo que possa nos dar pistas para descobrir quem foi ou quem foram os malfeitores? — Sim, Senhor Regente. Disse-nos que eram seis elementos. Dois o seguraram e amarraram à árvore, dois o açoitaram e dois atearam fogo à propriedade. Depois, fugiram montados em cavalos negros e alazões. — Humm, menos-mal. Não são súditos deste reinado. Devem ser forasteiros, desordeiros vindos de Avilhanas, Trindade, ou de outros reinados onde se criam cavalos negros e alazões. Nenhum deles foi reconhecido? — Usavam túnicas idênticas e estavam encapuzados, Senhor Regente! — Aguardemos o Senhor Frutuoso lembrar detalhes para começar investigações. De qualquer forma, designarei sentinelas a vigiarem os portais deste reinado. — No que puder, podeis contar comigo. Já andei olhando pela cidade e vi cavaleiros desconhecidos montando zainos, baios e alazões. Não tenho certeza, mas dentre eles, identifiquei o Conde Rasku. — Conde Rasku? Humm, precisamos investigar... Não sabia que Rasku estava no Elo Dourado. Por que não anunciou sua vinda, nem veio ao Palácio se hospedar? Preciso me informar sobre o que está acontecendo. As exatas razões do atentado, o Senhor Frutuoso levou tempo para recordar. Ainda que precisasse se lembrar de tudo para auxiliar no deslinde do caso, sua memória não trazia elementos que acrescentassem informações relevantes. Reforçava, quando indagado sobre o sinistro, que não possuía desafetos, nunca tivera inimigos, nem credores, nem devedores, o que ninguém contradizia. Sempre fora um homem honrado e honesto. Exemplo de bom súdito e cidadão. Por essas e outras razões, mereceu o direito de residir na ala de hóspedes do Palácio Fortaleza, vivendo às expensas do tesouro real. ocaterravilaglocal
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VIDA, VIDA, VIDA... Mãe de tudo e de todos Mãe fiel ao Deus maior Nos ensina que a vida Mãe da mãe e mãe do pai Mãe do rico e do pobre Força que pode gerar Pelo amor se entrega Sem tréguas pode ensinar Aprende com a dor Da partida lá de dentro de seu rebento a rebentar Do teu colo, do teu ventre Para o forte frio do vento Ventania a carregar Para o amadurecimento Sua cria para amar. Antes ou depois do sofrimento Retornar ao sentimento Do momento da partida Se todo barco tem liberdade Para ir e vir da lida Como não teria Para ficar por toda vida? Terra, Água, Fogo e Ar Como não comemorar? @brazzdyvinnuh [email protected] Chapada dos Guimarães–MT PA Quilombo -Lago do Manso - Brasil
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Só satisfação. URUCUM - Plantei poucos pés para tirar sementes, e aumentar o plantio.
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TEMPO AO TEMPO. Só assim para se aprimorar e então aprimorar seus feitos. Está feito e não é feitiço. Feito isso, é hora de perceber que tudo segue um fluxo natural. Por mais que se insista em apressar as coisas, o senhor tempo permanece inatingível. Senhor absoluto de tudo que no tempo existe. Se a vida rural é novidade para quem chega da cidade, imagine lidar com aquilo que parecia improvável? Essa experiência com o Vetiver está sendo uma aposta. Além do plantio para subsistência. EVOÉ!!!
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Após longa expectativa por experimentar, aplicar, o Vetiver no cerrado, finalmente, ontem e hoje pude fazer o plantio das mudas que chegaram da DEFLOR. A perda foi mínima, apesar da distância e do tempo ficado (sufocadas) no baú. Ainda não dá para ver com riqueza de detalhes, mas foi registrado.
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TERCEIRA CAIXA – DIA DE ABASTECER A proficiência da Professora Plínia resultara na completa organização de todos os detalhes e cautelas para garantir êxito aos participantes do grande convescote em busca de frutos silvestres. Cercadas de cuidados e recomendações, cada uma das equipes lideradas pelos reis tomaria direções opostas para coletar a maior quantidade possível de frutos. Quem apresentasse melhor desempenho trazendo, além de maiores quantidades, algum fruto ainda desconhecido, ganharia o troféu esculpido por Rei Kornio, em pedra jade e magnetizado pelo Mago Natu — a Kornio-cópia —, para que sempre gozasse vida de fartura e abundância. No entardecer, o alvoroço dos cães sinalizava o retorno dos colhedores de frutos. Búfalos, treinados na lida do transporte de cargas, vinham dispostos em juntas, vagarosos, mas ritmados sob o comando dos berrantes, lotados de cestos com cupuaçu, gabiroba, araticum, bocaiuva, araçás, grumixamas e bacuris. No final da comitiva, Rei Abas e Rainha Teci estavam em escancarada euforia: além da enorme quantidade de frutos que haviam coletado sozinhos, encontraram também uma espécie da casca verde, carnuda, com um grande caroço redondo, nem doce nem suculenta, de aroma discreto e macia, sem nome que a identificasse. Na hora da conferência, Rei Abas e Rainha Teci venceram dois quesitos da campanha – tanto coletaram a maior quantidade de frutos, quanto apresentaram uma variedade ainda desconhecida. Explicando ao Imperador o local onde haviam colhido aquela espécie incomum, Rei Abas revelou os detalhes de sua colheita abundante: — Rei Médium, separei-me do grupo, mais ou menos na direção da chácara onde residiu o Senhor Frutuoso. Fui ao mesmo local onde, no ano passado, um bando de malfeitores ateou fogo à casa e à propriedade. Tudo lá se encontra abandonado. Lembrei-me de que na época do vosso casamento foram presenteadas ao Senhor Frutuoso algumas sementes e caroços de espécies que ainda não havia nesta região, trazidas pelo Grande Rei, lá das distantes terras do Oriente. Encontrei, então, estes frutos, e minha mulher me pediu: “Abas, cate todas”. Assim, enchi todos estes cestos. Enquanto isso, minha mulher colheu outras frutas noutras árvores. Perguntei-lhe o que eram, ela me respondeu: “Parecem com os Goi, Abas!”. Assim, conseguimos esta grande quantidade de frutas. Feliz com o desempenho da tarefa do terceiro dia, Rei Médium anunciou o nome do vencedor do certame, declarando ainda que as frutas trazidas pelo rei Abas e sua mulher, Rainha Teci, seriam denominadas Abascate e Goiabas! Ao entregar ao Rei Abas o troféu de jade deixado de lembrança pelo Rei Kornio, o Imperador relembrou dos desventurados amigos, que àquela hora navegavam rumo às terras do outro lado do grande mar, para além das bandas onde alguns de seus antepassados, em tempos remotos, refugiaram-se, tão logo foram avisados da enorme catástrofe que submergiria a ilha em que habitavam. Ao receber a Kornio-cópia de jade, Rei Abas e Rainha Teci pediram ao Rei Médium que chamasse o Senhor Frutuoso e entregasse a ele aquele troféu, justificando: — Senhor Imperador, nós apenas tivemos a ideia de ir ao pomar onde o senhor Frutuoso residia, porque soubemos de seu infortúnio. Desde que a casa foi incendiada, ninguém mais voltou ao local, por isso tivemos a sorte de encontrar tantas frutas. Na verdade, ele é o legítimo merecedor deste troféu. — Bem lembrado, Rei Abas. Tragam aqui o Senhor Frutuoso. Feliz com a honraria, o Senhor Frutuoso, assim que recebeu o prêmio, pediu ao Imperador que o autorizasse a voltar a sua antiga chácara. Queria relembrar os tempos em que cultivara seu belo pomar. O Imperador autorizou e ainda ordenou que alguns guardas o acompanhassem, para garantir que não passasse por nenhum outro dissabor. Justificou o cuidado com seu súdito alegando que era questão de honra zelar pela integridade do Senhor Frutuoso, que sofrera um atentado há dois anos, quando uma quadrilha de malfeitores incendiou a propriedade, queimando sua moradia. Por pouco não o assassinaram para que entregasse uma preciosa e rara joia que havia encontrado dentro de uma caixa de frutas no seu comércio. Rei Abas e Rainha Teci não sabiam daquele episódio. Pediram ao Senhor Frutuoso que, se quisesse, contasse o que acontecera. Muito emocionado, começou a relatar o ocorrido a partir do dia em que encontrou um magnífico e incomparável anel de brilhantes.
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Quando migrei da sociedade urbana para a rural, não sabia que, possivelmente, faria isso para o resto da vida. Ou para toda a vida. Nem fazia a ideia de que o pandemônio da pandemia, daquele momento, pudesse ser positivo... Pandemia + mudança de governo. Liberdade vigiada para ousar. Se eu soubesse naque momento que minha ida para o mato era para não voltar novamente para a cidade, talvez eu tivesse desistido... Quem sabe até mesmo sido entubado por falta de bom senso. Escolhi viver da melhor maneira possível, em um lugar que me seduziu à primeira visita. Os desafios foram me fortalecendo e hoje os tenho como ponto de impulso para atingir os objetivos mais solidários que venho tendo. Tudo numa intensidade que não é para muitos. O artista e seus conflitos. A solitude prevalece. Terra, fogo, água, ar, eter...nidade. Acolher tudo que pode ser transformado em resultado. Trabalhar, viver a terra e plantar. Nutrir-se bem do que vem do chão que não é sujeira, mas pão. O Projeto OCA costura as várias vertentes do pensamento humano para se ter a possibilidade de ver um resultado que abraça sem restrições. Fazer arte sem receio, mas com cuidado. O projeto OCA acolhe aos entediados, incompreendidos, solitários, pensantes sem travas. Sem nada que constrange. O Projeto OCA hoje, lida com a diversidade cultural e ambiental de modo empático. Começar uma atividade e dar continuidade. Uma rede de ações pela regeneração.
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O terreno está pronto para receber, as mudas de vetiver que chegaram em Chapada dos Guimarães-MT sob o resplendor da lua!
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Se perspectiva é avenida, em russo - sugere longa visão até o ponto fixo - Balé, música, arquitetura, a arte é quando vista de dentro para fora, essa cura do olhar. O ser passa a enxergar a natureza se relacionando com tudo. A Vida é isso. O ponto é bom. Acrescenta bônus. Mas não é tudo. E isso faz toda diferença. Esse ambiente virtual é prova disso. Por meio de um veículo de comunicação mais democrático, podemos nos aproximar de todos que buscam uma perspectiva que admite a vida como ponto principal. A Arte cabe em qualquer parte. Por isso que a Vida, essa dinâmica de sobreviver aos solavancos da carruagem, se torna mais suportável. Não fosse a arte, eu e a soberana Natureza com toda sua diversidade e "adversidades" não estaríamos tão íntimos. Aqui no interior do cerrado mato-grossense, reverenciando essa oportunidade que poucos têm. Mesmo sem a necessidade de posse de um título definitivo. Porque somos transitórios e muitas das vezes intransigentes em algumas instâncias do dia a dia. Quero parabenizar cada pessoa que além de estar nesta nave, é mais um ponto de ligação desse pensamento menos convencional. Que independente de qualquer coisa estamos buscando um presente mais consciente, para que viver tenha mais sentido.
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Nota: Na semana anterior foi "republicado, equivocadamente" o capítulo 7. Seria normalmente publicado na sexta-feira, provavelmente mudarei para sábado, devido conflito de atividades. Gratidão pela compreensão. A DESPEDIDA DE KORNIO E ÁLIA Rainha Gônia recebeu o marido e o Mago Natu alegremente, mas aflita. Queria saber por que Rei Kornio e Rainha Ália passaram pelo seu aposento para se despedir, dizendo que partiriam para muito distante, naquela madrugada, antes mesmo da celebração do ritual de apresentação e consagração dos gêmeos, contrariando a tradição do resguardo da Boa Esperança. A rainha quis saber: — O que está acontecendo com a Rainha Tranha? Por que foi isolada nos aposentos ao lado e não posso vê-la? A Senhora Natividade da Luz, desde a meia-noite estava cuidando de uma criatura parida pela Rainha Tranha. Não permitiu que a Imperatriz visse o rebento nem explicou como ela dera à luz sem ter ficado grávida os nove meses. Confidenciou com a Imperatriz que o menino nascido era diferente dos outros. Genuinamente uma criatura ex-Tranha! Mago Natu e o Imperador se olharam, sem respostas. Rei Médium temia contar a verdade à Rainha Gônia e lhe alterar a saúde, naquele delicado período. O mago, entretanto, não poderia omitir a verdade, ainda mais sabendo que a criatura ex-Tranha não ficaria oculta por muito tempo. Fazendo uma preleção tática, acalmou a Rainha Gônia e levou ao colo um dos gêmeos, admirando as diferenças de fisionomia: — Nascidos da mesma mãe, filhos do mesmo pai! Um, com os cabelos vermelhos como o fogo e olhos verdes como esmeraldas. Este é Urucumacuã. O outro, de olhos pretos como a noite e moreno como a terra. Este é Kurokuru! Rei Médium também não fazia ideia do que havia acontecido à Rainha Tranha, desde que foi levada como bela adormecida para aquele isolamento, ficando sob os cuidados da Senhora Natividade da Luz. Andava excessivamente ocupado com os convidados e pensativo quanto aos extraordinários acontecimentos registrados desde o Dia da Caça, quando abrira a caixa de estanho. Mago Natu convidou Rei Médium e Rainha Gônia a acompanhá-lo pelo corredor interno dos aposentos até onde se encontrava Rainha Tranha. Abrindo a porta devagar, a avistaram no leito, inerte e desacordada. Com a fisionomia aparentemente tranquila, a rainha parecia uma bela estátua de cera. Ao seu lado, na mesma jaula de ouro que fora usada pelos caçadores, quando saíram para aprisionar a Sonça Pintada, um menino com características diferentes estava trancado. Ligeiramente assustado ao vê-los, arregalou ainda mais os grandes olhos negros, eriçou os cabelos vermelhos qual porco-espinho, arrepiando a grosseira pele esverdeada, sapateando com os dois pés de calcanhares voltados para frente e dedos para trás, emitindo guinchos iguais aos de animais silvestres. Rei Médium e Rainha Gônia surpreenderam-se com a despropositada visão: — Que menino é este? — De onde o trouxeram? – perguntaram ao Mago Natu. — Acalmai-vos. Explicarei agora. Esta é a criatura gerada em Tranha. Criatura ex-Tranha: é Kurupirá, filho de Kaiporã, aquele ser gerado e reproduzido pela força mágica no dia em que o Bruxo Neno se deitou com a Senhora Pan Thera, a Marquesa de Sonça, momentos antes de ela se transformar na gata Pintada! — Inacreditável! – admirou-se Rainha Gônia. – Como pode já estar deste tamanho? — Parece-me que ele ainda está crescendo – observou o Rei Médium. O menino, de aparência horrenda, olhava-os ternamente, apesar de arisco e amedrontado. Virando as costas aos observadores, forçava o corpo por entre as grades da jaula, aparentando força descomunal. Rainha Gônia, assustada com a demonstração do menino, não tinha palavras para expressar admiração e espanto. Rei Médium jamais vira criatura parecida, mas conhecia os porquês de sua origem, contada pelo Mago Natu. — Que faremos com ele? Deve ser perigoso. Vamos mantê-lo aprisionado, Mago Natu? — Não. Ele é um menino gerado por efeitos de encantamento. Deveremos libertá-lo, para que cumpra sua função e vá viver como guardião das florestas, em companhia do pai Kaiporã e de Sonça Pintada. — E a Rainha Tranha, vai continuar desacordada? O que faremos para que ela volte ao normal? — Meu amigo, precisamos trazer o Rei Manso até aqui e contar-lhe toda a verdade. Só então poderei tirar a Rainha Tranha deste transe e libertar Kurupirá para cumprir seu destino. — Mago Natu, o senhor acha que ele suportará saber que a mulher, possuída por um horripilante ser encantado, em três dias gestou esta criatura em total estado de inconsciência? E que, depois de algumas horas de nascido, Kurupirá, já crescido como um menino, deverá voltar para a floresta, porque não pode viver conosco? — Sim, meu nobre amigo, o Rei Manso precisa saber de tudo. Rainha Tranha jamais se lembrará do ocorrido; também não lhe contaremos. Quando ela acordar, será como se nada houvesse acontecido! Rainha Gônia, ouvindo o diálogo do marido com Mago Natu, conseguiu se manifestar: — Peço-vos, Mago Natu, não mostreis a criatura ex-Tranha ao Rei Manso. Antes, levem Kurupirá para a floresta. Se Rei Manso souber da verdade, rejeitará a mulher por algo que ela não é culpada. É melhor que ele continue pensando que sua mulher sofreu o ataque de algum ente sobrenatural e, com o susto, perdeu a memória — Amada Rainha, nada me custaria vos atender, mas a única pessoa que poderá levar o Kurupirá à floresta é o próprio Rei Manso! Nenhum outro. Qualquer um que quiser acompanhá-lo será ferozmente atacado pela Sonça Pintada ou morto pelo próprio Kaiporã, o legítimo pai de Kurupirá. — Neste caso, Mago Natu, ordeno que o Rei Manso saiba de tudo e conduza o menino Kurupirá o mais rápido possível ao seu verdadeiro pai. Depois, organizaremos a excursão aos campos e campinas para coleta de frutos silvestres. — Faça isso, nobre amigo. Aproveitai para incumbir Professora Plínia das providências para o convescote de hoje. Rainha Gônia chegou mais perto da jaula onde estava Kurupirá. Com a voz muito meiga, disse à criatura ex-Tranha: — Olá, Kurupirá. Tu me ouves, me compreendes? O menino olhou-a interrogativamente, emitiu um guincho estridente, virou-lhe as costas e sinalizou em direção à porta do corredor, forçando ainda mais o corpo de encontro às grades da jaula de ouro. Na tentativa de consolar Rainha Gônia para que compreendesse o que era preciso ser feito com o menino, Mago Natu explicou: — Rainha Gônia, Kurupirá está apontando na direção que deseja ir. Jamais aprenderá nossa linguagem, tampouco se adaptará aos nossos costumes. Assim que o Rei Manso estiver preparado para levá-lo, alcançará a liberdade necessária para cumprir seu fadário de pequeno guardião dos animais silvestres, assim como seu verdadeiro pai, Kaiporã. Em poucos minutos, Mago Natu, Rei Médium e Rei Manso encontravam-se reunidos na Câmara do GRAU. Este último sem entender ao certo porque fora conduzido até ali, porquanto naquele compartimento somente o mago e o rei entravam ritualmente. Admirado com a mobília e perplexo diante do misterioso Espelho Universal, pois não conhecera nada que se assemelhasse, permaneceu silencioso e sorumbático, remoendo tristonho as causas da desventura que culminaram no estado cataléptico em que sua mulher continuava mergulhada. Esperando que o Rei Médium e o Mago Natu acenassem a possibilidade de reversão daquele quadro enigmático, ficar calado, por enquanto, não o aborrecia. Passivo e indiferente, cumpriria de bom grado qualquer prescrição ofertada sob a promessa de tirar a companheira daquele estado lastimável. Mago Natu, dobrando cuidadoso a manta de seda púrpura que retirara de cima do espelho, discretamente convidou o Rei Manso a olhar com atenção o que se apresentaria refletido no objeto mágico. De imediato, reconheceu o local onde estivera há três dias, na caçada à Sonça Pintada. Reparou no momento preciso em que a Rainha Tranha se afastou do grupo de caçadores e se deparou com uma criatura agigantada, de feições medonhas, corpo peludo e pés virados para trás, que se aproximou sorrateiramente às costas da rainha. A visão daquele ente encantado de aspecto medonho causou tamanho estupor que não conseguiu gritar e desmaiou. Extremamente atordoado com aquela visão absolutamente real, Rei Manso colocou o rosto entre as mãos e implorou ao Mago Natu: — Por favor, Mago Natu, poupe-me de ver o restante da cena... Já entendi o que aconteceu... Tranha não tem culpa de nada! — Rei Manso, tranquilizai-vos. Preciso que vejais outra coisa. Creio que agora suportareis saber como tudo ocorreu. Venha comigo, por favor. Rei Médium, não menos perplexo, de súbito, recorreu a um expediente astucioso para tirar o amigo daquela difícil situação: — Aproveitai que estão todos envolvidos com a excursão aos campos e campinas para a coleta de frutos e levai a criatura gerada em Tranha de volta à floresta. Ninguém saberá o que aconteceu, a não ser que vós mesmo quereis contar. Rei Manso, ciente dos misteriosos acontecimentos, confortado pelo Mago Natu, ouviu todas as instruções e submeteu-se aos procedimentos rituais aplicados pelo Mago para levar Kurupirá ao florestal. Submeteu-se a uma demorada sessão de defumadura com raízes e ervas aromáticas, principalmente de folhas de tabaco e cascas de mandarina, próprias para afastar o perigo de ser abordado por outros entes maléficos encantados da floresta e, especificamente, por Kaiporã. Recebeu pintura no rosto e nos braços com tabatinga branca, flores de jenipapo e um emplastro nos cabelos, produzido com gordura de pata branca selvagem. Nada, até então, despertara a rainha do transe. Permanecia bela, adormecida, imóvel, com a pele lívida, só não estava morta porque respirava suavemente. O ligeiro rubor das faces e dos lábios eram únicos indicativos de que seu corpo se mantinha aquecido e vivo. Olhando para a mulher que muito amava, Rei Manso fez a pergunta que Mago Natu esperava: — Ela voltará ao normal? Lembrará o que aconteceu? — Certamente. Assim que retornares da floresta, ela despertará. Estará bem-disposta, sem se lembrar de nada, porém terá vaga recordação de ter saído à caça, algo parecido a um sonho, nada mais que isso. Tranquilizai-vos. Jamais lhe contareis sobre o que fizestes. Se ela por acaso descobrir, provavelmente se encantará também, fugindo para a floresta à procura do “filho” Kurupirá, e nunca mais a vereis. Portanto, guardai convosco este segredo. Vamos, tudo será consumado!
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A grande sacada desta plataforma é oportunizar, o aprendizado de forma abrangente e sem constrangimentos. Conforme lido com as ferramentas deparo com uma novidade. Só tenho a agradecer pela experiência. A bonificação (não sei se é o termo correto) dá um gás. Adquiri mudas de Vetiver com esses recursos. Em breve estarei postando aqui.
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Para facilitar a produção local de produtos agrícolas, e do extrativismo, em parceria com a Associação do PA Quilombo, no Lago do Manso, estamos começando a movimentar para a reforma de um galpão para a instalação de uma micro Agro-industria para empacotamento a vácuo de produtos da região, como mandioca, milho e verduras, além de pequi, mangava e palmitos.
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O ARDIL PARA NÃO DESFAZER O FEITIÇO Rei Kornio, incumbido de liderar as equipes, fez pessoalmente a distribuição dos petrechos para capturar os peixes encantados. Confiou a sua esposa, Rainha Bisca, providenciar quitutes e petiscos para a alimentação dos pescadores. Hábil na preparação das guloseimas, rapidamente Rainha Bisca apresentou algumas novidades para se alimentarem, enquanto durasse a excursão pelo rio Aguaporé. Pela ligeireza com que foram feitas, as doces guloseimas à base de fécula de mandioca ganharam o nome de brevidades. Uma hora após zarparem do porto do Elo Dourado, os pescadores chegaram ao local onde estrategicamente armariam redes para capturar os encantados príncipes-peixes, Pintado, Surubim e Kaxara; e as rainhas-peixes, a Pirarara, Rainha Zomba, e a Enguia, Rainha Trapa. Cumprindo algumas recomendações diretas do Mago Natu e do Imperador, Rei Médium, os participantes dividiram-se em quatro grupos de seis elementos, liderados pelos reis Mende, Kornio, Boio e Buriti. Cada grupo recebeu uma grande rede tecida especialmente pelo Senhor Frutuoso, o proprietário da Frutaria Real, que passava seu tempo a cardar lã com fibras vegetais para tecer redes de pesca, as mais resistentes produzidas no Elo Dourado. Rainha Bisca não foi escolhida integrante de nenhuma das quatro equipes. Rei Kornio, o cuidadoso marido, para não a deixar sozinha às margens do caudaloso rio, iniciou a construção de um abrigo coberto de folhas gigantes, sob uma frondosa árvore de angico, recomendando que não se afastasse em hipótese alguma dali, até que ele retornasse com a missão cumprida. Corajosa, a rainha aceitou as advertências do marido, aguardando silenciosamente a oportunidade de entregar secretamente ao Rei Boio o talismã enfeitiçado que guardava consigo. Rainha Bisca acreditava que o Bruxo Neno confiara aqueles objetos encantados sob recomendação explícita de que não permitisse a nenhum outro participante da pescaria vê-los ou saber que os possuía, para que fosse assegurado completo êxito na empreitada. Solidário à desdita dos amigos – Rei Kornio e Rainha Bisca, que também tiveram o filho Príncipe Surubim encantado num peixe –, Rei Boio ofereceu-se de muito bom grado para concluir a feitura do abrigo onde a rainha deveria esperá-los à margem do rio Aguaporé, com as brevidades e as outras guloseimas que comeriam tão logo voltassem. Completamente envolvidos com os estratagemas da pescaria, nenhum dos participantes se prontificara a colaborar com o Rei Boio na conclusão do abrigo. Três das embarcações com suas equipes já haviam zarpado, afastando-se para os locais onde armariam as redes, enquanto os cinco componentes da equipe do Rei Boio esperavam por ele já embarcados, mas ainda atracados no porto. A sós, Rainha Bisca e Rei Boio conversavam sobre a excursão, até que ela mostrou o objeto encantado ao rei e ingenuamente lhe entregou: — Este é vosso. Colocai-o no pescoço. Bruxo Neno me garantiu que terei de novo meu filho Ur, em forma de gente, e que o vosso filho e os outros voltarão a ser como eram... príncipes, reis e rainhas! Rei Boio, solícito e obediente à Rainha Bisca, mulher de seu dileto amigo Rei Kornio, passou o colar com o mágico talismã pela cabeça ao mesmo tempo que a Rainha Bisca. No imediato contato com o objeto enfeitiçado os dois sentiram um forte arrepio e, tomados por uma força misteriosa, voltaram-se um ao outro, abraçando-se fortemente. Sem se aperceberem, um libidinoso frenesi os envolveu e, por sentirem incontido desejo, despiram-se, entregando-se totalmente ao império dos sentidos, num arrebatamento amoroso semelhante a uma primeira vez. Quanto mais se envolviam, mais ardiam de desejo e, assim, completamente entregues ao feitiço erótico do talismã, abandonaram-se, perdendo a noção do tempo. Os cinco elementos da equipe que aguardava o Rei Boio voltar, impacientes com sua demora, concordavam que já se passara tempo suficiente para que ele retornasse. Dois deles, com o consentimento dos outros três, desembarcaram e escalaram a barranca da margem do rio, em direção ao local onde a Rainha Bisca deveria estar. Procurando pelo Rei Boio, antes de avistá-lo, preocuparam-se diante da possibilidade de o encontrar ferido ou atacado por algum animal feroz. Ao avistarem a pequena cabana de palhas habilidosamente construída para abrigar a Rainha Bisca, achegaram-se devagar. À medida que se aproximaram, ouviram gemidos e sussurros idênticos aos arrulhos das juritis e dos pombos envolvidos em ritual de acasalamento. Curiosos, logo flagraram a cena que imaginavam: o rei e a rainha nus, completamente entregues ao delírio amoroso, deleitando-se no chão sobre suas vestes, alheios a tudo quanto se passava em redor. Perplexos e escandalizados com a inusitada cena, gritaram com os dois: — Rei Boio, Rainha Bisca, que desonra é esta? Terão coragem de ver Gônia, depois disso? Despertados e interrompidos como se tivessem levado um choque, os dois se levantaram, deixaram seus trajes no mesmo lugar e correram juntos em direção à barranca do rio. As duas testemunhas do episódio tentaram contê-los, mas não conseguiram. Os dois se jogaram abraçados, atirando-se nas águas profundas e calmas do rio Aguaporé... num desatinado desvario, pois nenhum dos dois sabia nadar. Sem reação, os dois interceptores do colóquio amoroso se sentaram, olhando para a onda d’água que se propagava, crescentemente formada a partir do ponto em que os amantes se precipitaram. Um deles disse ao companheiro: — Os dois co-pularam... e vão morrer, os coitados não sabem nadar. — Infelizmente, não podemos fazê-los nadar. Interrompendo o companheiro antes que concluísse sua frase, o outro mostrou, apontando o local em que se formava a onda em que se atiraram, dois corpos cinzentos e roliços vindo à tona. Surpresos, assim que avistaram aqueles corpos semelhantes a animais aquáticos, que em nada lembravam pessoas, totalmente diferentes dos amantes que caíram n’água, desconhecidos de todos os outros animais e peixes que povoavam o rio Aguaporé, logo concluíram que eram os corpos do rei e da rainha, agora dois animais aquáticos miraculosamente transformados em exímios nadadores. Muito admirado, um deles constatou: — Olha ali, Rei Boio e Rainha Bisca também viraram peixes! Tenho certeza de que um peixe é Boio e o outro peixe-mulher! Peixe Boio e Peixe-Mulher! Disfarçando seu medo em assombro, o outro sugeriu: — Voltemos para o nosso barco. Também precisamos pescar. — Vamos avisar aos companheiros que temos mais dois peixes encantados para capturar. — Você tem coragem de contar ao Rei Kornio o que aconteceu? — Nós dois temos de contar. — Será que ele vai nos acusar de assassinos ou que inventamos esta história só para termos um álibi? — Não, as roupas dos dois estão aqui, não tem nenhuma marca de sangue, nem sinais de terem sido tiradas à força. — Então, vamos logo, porque o peixe Boio e o peixe-mulher estão nadando em direção ao barco. — Veja, olhe aquilo... são milhares de peixinhos em volta deles. – Incrível! Parecem aumentar de tamanho, sem parar. — Vamos, precisamos avisar aos nossos companheiros... Temos uma boa história de pescador para contar. Hehehe! Pegaram as roupas do Rei Boio e da Rainha Bisca e levaram consigo. Margeando o rio em direção ao local onde estavam aportadas as outras duas embarcações. Observaram que os peixes encantados também os seguiam, e com eles o recém-surgido cardume de peixinhos que crescia rapidamente, aumentando de tamanho diante de seus olhos. Próximo dos barcos aportados, gritaram aos companheiros: — Vejam isto, estes dois peixes diferentes e este cardume de peixinhos que não para de crescer... — Sim, estamos percebendo – confirmaram. — Nós dois vimos como tudo aconteceu. – Contaram, com pormenores, tudo que haviam presenciado. Diante da incredulidade dos companheiros, lançaram a primeira rede para começarem a captura do peixe Boio e do peixe-mulher. Assim que a rede os cercou, o enorme cardume que cresceu rapidamente, já medindo dois palmos de tamanho, atacou em direção à rede e devorou num instante as malhas, com uma voracidade nunca vista. Os pescadores, cheios de espanto, recolheram logo o que sobrou delas, acreditando no relato que os dois amigos haviam testemunhado. Só não conseguiam entender por que e de onde havia surgido aquele cardume tão voraz e como os peixinhos cresceram tão depressa, acompanhando o peixe Boio e o peixe-mulher. — Pra isso não tem explicação, pode acreditar que tem o dedo ou a mão toda do Bruxo Neno nessa história... E esse cardume só pode ter se formado das sementes que o Rei Boio ejaculou na água. Como ele traíra a Rainha Ália e a Rainha Bisca traíra o Rei Kornio, são peixes-traíras, sem dúvida. Sem condições de continuar a pescaria, o grupo desceu o rio para se encontrar com os outros pescadores e, principalmente, com o Rei Kornio, para informá-los do inusitado acontecimento. O enorme cardume de traíras seguiu junto. Ao avistarem os amigos pescadores, que pareciam pelejar para recolher as pesadas redes, sinalizaram para que as tirassem o mais rápido que pudessem da água. Antes que conseguissem, sofreram um devastador ataque das traíras, que também devoraram todas as outras armadilhas, deixando-as impróprias e sem condições de capturar os peixes encantados que já se encontravam aprisionados. Não demorou para que os pescadores, cansados e desanimados, aportassem às margens do rio, enquanto o Rei Mende se dispunha, com muito otimismo, a consertar as tralhas danificadas, e assim prosseguir com a pesca, até que o Rei Kornio, ciente de tudo, resolveu desistir. Desesperado e, mais ainda, desmotivado, Rei Kornio não parava de lastimar a desonra e a traição de sua mulher com seu melhor amigo, também agora castigados e transformados em peixes e, pior ainda, causadores do aparecimento das perigosas e vorazes traíras, que infestavam as águas límpidas e tranquilas do rio Aguaporé. Visivelmente entibiado e deprimido, convidou seu grupo a bater em retirada. — Ficai, se quiserem. Para mim, está tudo acabado. Não tenho mais desejo de desencantar o que quer que seja. Por mim, continuarão encantados per omnia saeculorum. Jogou todas as suas tralhas de pesca n’água. Chamou seus lacaios. Silentes e compreensivos à dor de seu rei, remaram sua chalana entoando melancólicas cantigas rio acima. O Rei Mende, compartilhando da dor do amigo, achou melhor voltar com eles. Porém garantiu que, quando chegassem ao Palácio Fortaleza, consertaria todas as redes danificadas, e assim estaria criada a Liga da Confraria do Peixe, para os que desejassem voltar no dia seguinte, a fim de cumprir a missão que lhes foi proposta. Não queria desistir da tentativa de amenizar o sofrimento causado a todos pelo encantamento dos amigos em peixes, além de desfazer a vingança maligna que Bruxo Neno perpetrara dessa vez contra o Rei Boio e o Rei Kornio. A tarde já findava, quando os pescadores aportaram no bucólico cais do Palácio Fortaleza. Dois dos sete serviçais que os recepcionavam, percebendo que algo diferente acontecera, não visualizando entre eles o Rei Boio, a Rainha Bisca nem os príncipes-peixes encantados, discretamente retrocederam, saindo à procura de Mago Natu. O silêncio dos pescadores, o rosto triste e cabisbaixo do Rei Kornio, seus olhos turvados de lágrimas e seu estado emocional aparentemente humilhado eram indícios incontestes de que outra desgraça pairara sobre eles, semelhante talvez àquela dos caçadores da encantada Pan Thera, a Sonça Pintada, no dia anterior. Quando o Rei Kornio saiu da embarcação e pisou o portaló, levantando os olhos, encontrou-se com o Mago Natu: — Preciso ver Neno – disse-lhe o Rei Kornio. — Antes estaremos com o Rei Médium. Depois, é melhor ver Gônia do que ver Neno! — disse, laconicamente, Mago Natu, abraçando-o e confortando, conduzindo-o diretamente aos aposentos do Rei Médium, na Câmara do GRAU. Rei Médium, observando o estado lastimável do amigo, perguntou-lhe se desejava que buscassem os dois pescadores da equipe do Rei Boio para relatar o que presenciaram. Com a voz roufenha, fazendo grande esforço para se expressar, disse que não, mas solicitou ao Mago Natu que trouxesse também à presença deles a Rainha Ália, mulher do Rei Boio, para que compartilhassem sua má sorte e infortúnio. Sem demora, Rainha Ália chegou diante dos três. Mago Natu esclareceu o que se passava. Contou com detalhes, poupando a rainha do constrangimento de ouvir diante dos dois reis a minuciosa descrição das intimidades em que os amantes traíras se envolveram. Como se já estivesse esperando, preparada para ouvir tudo aquilo, Rainha Ália, mantendo-se passiva e tranquila, apontou uma solução. Queria evitar que o amigo fosse alvo dos escarnecedores, livrando-o das humilhações e constrangimentos que o caso ensejava. — Senhor Imperador, também me sinto atingida pelo mesmo vendaval de infortúnio. Não me resta motivo para voltar ao meu reinado, pois meu único filho, o Príncipe Pintado, foi condenado a viver como ente das águas. Igual sorte aconteceu a vós, Rei Kornio. Proponho-vos, então, que somemos nossas desventuras e nos mudemos para bem longe daqui. Noutras terras distantes, que existem a Norte e Leste d’além-mar, e assim reconstruiremos nossos reinados. E vós, Imperador, podereis encampar meu reinado com todos os meus súditos, desde que me forneça provisões suficientes para a grande travessia. — Estais me propondo casamento, Rainha Ália? — Sim, meu amigo, a menos que não queiras. — Quanto a vossa filha, Princesa Ti? Irá conosco? — Melhor que fique por aqui. Querendo, poderá se casar, voltando para o reinado de Boio, refazendo nossa linhagem. — Assim seja, então. Mago Natu esboçou um sorriso. Rei Médium também dissimulou seus sentimentos porque, apesar daquela tragédia, considerou a solução apresentada pela Rainha Ália prática e decisiva pelo desapego. — Então, Rei Kornio, que dizeis? Se estiverdes de acordo, agora mesmo ordenarei aos meus lacaios que providenciem os meios necessários para vossa mudança e viagem – propôs o Imperador. — Eu aceito, senhor Imperador. Preciso da minha “aliada”! Mago Natu, naquele momento, abriu um armário esculpido num bloco de alabastro e retirou dali a última espada fabricada pelo ferreiro e joalheiro real, Kalibur, falecido há pouco tempo. Na semana em que morrera, Kalibur entregara ao Rei Médium sua última encomenda: as espadas dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru, cujo nascimento se aproximava. O exímio artesão também deixara com o Imperador uma outra espada. Aquela se destinava ao seu próprio filho, cujo nascimento era esperado em breve. Dias depois, Kalibur foi encontrado dormindo para sempre entre as ferramentas e forjas de sua oficina. A última espada fabricada por ele permaneceu sob a guarda do Imperador. Retirando o precioso e raro objeto do armário, Mago Natu reverentemente olhou para o Rei Médium e, num aceno consensual, obteve dele a permissão para selar o compromisso entre o Rei Kornio e a Rainha Ália, entregando-lhes a consagrada espada mágica, para que pudessem recomeçar suas vidas, fundando um novo reino, em terras pra lá de distantes. Prostrados diante do Rei Médium e do Mago Natu, juraram fidelidade mútua, amparo na adversidade e preservação dos conhecimentos rituais e dos segredos da magia e dos antigos mistérios das Ciências Ocultas, nos quais eram iniciados. Mago Natu celebrou a cerimônia, concluindo: — Eis a última espada de Kalibur! Uma autêntica Ex-Kalibur! Fincai-a sobre a grande rocha negra em que havereis de edificar um novo reino. Aquele que conseguir arrancá-la, herdará para sempre o reino encantado de Kornio e Ália. Na madrugada do dia seguinte, duas suntuosas embarcações trirremes zarparam do cais do Elo Dourado, silenciosa e discretamente, com destino às desconhecidas terras nórdicas de além-mar. Rei Kornio levava consigo, além de considerável carregamento de ouro e pedras preciosas, um casal de sua criação de unicórnios acompanhado do mais recente rebento; e a Rainha Ália, além de seus majestosos pertences, grande estoque de paninhos para secar as mãos, bordados caprichosamente: as toalhas. Entristecido com a partida dos amigos, Rei Médium convidou Mago Natu para irem à Câmara do GRAU. Precisava abrir a terceira caixa, a caixa de ferro. Cauteloso e apreensivo, perguntou ao amigo: — Qual será a surpresa de hoje? Mago Natu olhou-o compassivamente, deu-lhe um tapinha nas costas, incentivando-o: — Não vos atormenteis, meu amigo. O que tiver de ser, será. Abra a caixa de ferro. Depois visitaremos a Imperatriz Gônia e a Rainha Tranha, porque ainda não sabeis das outras surpresas que vos aguardam. — Surpresas? Outras? – Manifestou-se perplexo o Imperador. Não fora informado ainda do que sucedera no decorrer da noite, enquanto providenciava o necessário para a grande viagem do Rei Kornio e da Rainha Ália. Depois de abrir a terceira caixa – a de ferro –, nada havia de diferente dentro dela, além da quarta caixa – a de cobre –, que abririam no dia seguinte. Sem tecer nenhum comentário, o Imperador olhou para Mago Natu, replicando o mesmo gesto que fizera nas vezes anteriores e, em seguida, dirigiu-se ao Espelho Universal. Pela imagem refletida, entendeu que, naquele terceiro dia, deveria organizar uma grande excursão aos campos e campinas, para que fossem coletadas frutas e frutos silvestres. O participante que conseguisse apanhar a maior quantidade e variedade de frutos seria agraciado com um objeto no formato de um enorme chifre, esculpido em pedra jade, deixado de presente pelo Rei Kornio: uma espécie de réplica do original que recebera do Grande Rei, na celebração das bodas do Rei Médium e da Rainha Gônia. O condão daquele objeto mágico era proporcionar fartura e prosperidade a quem o recebesse. Rei Kornio não estaria presente para entregá-lo pessoalmente, mas o Rei Médium solicitara ao Mago Natu que o fizesse no lugar dele. Quem desempenhasse melhor a tarefa do terceiro dia mereceria, assim, a cópia do grande talismã do Rei Kornio — a Kornio-cópia. Decidido quanto a quem entregar a Kornio-cópia, o Imperador convocou Mago Natu: — Vamos, preciso ver agora a minha rainha! Desde que a Imperatriz dera à luz, ainda não recebera visitas. Mantinha-se recolhida, isolada em seus aposentos, alheia a quaisquer acontecimentos exteriores ao seu espaçoso e confortável quarto, conforme rezava a antiga tradição e o costume dos ancestrais, aguardando até que se passassem sete dias e ocorresse mudança na fase lunar. No sétimo dia, já passado o puerpério, a Imperatriz vestir-se-ia de branco, mostrando-se com seus dois rebentos, numa cerimônia para todos, convidados e súditos, para a purificação e consagração dos recém-nascidos aos elementos Fogo e Ar, Terra e Água. Seria também coroada mãe com a mesma joia que deveria ter usado no ritual lunar do seu casamento, se o precioso diadema de camafeus e rubis – a joia da Tia Ara – não tivesse sido roubado pelo Príncipe “Y” e depois enfeitiçado pelo Bruxo Neno. Ainda que Mago Natu tivesse recuperado a cobiçada joia naquela oportunidade, decidiu por destruí-la, utilizando-se de outro encantamento. Rei Médium, dias depois do casamento, encomendou ao joalheiro da Corte, Kalibur, outra peça de igual beleza para que a rainha pudesse se apresentar naquele ritual da purificação. O Imperador, Mago Natu, Professora Plínia e Senhora Natividade da Luz, além das camareiras, eram a únicas pessoas que entravam e saíam livremente dos aposentos da parturiente antes de celebrada a consagração dos rebentos e purificação da mãe. Davam àquele período de resguardo o nome de Boa Esperança, cujo término marcava-se com as comemorações festivas do Dia da Conferência, ou Celebração dos Sete Dias. A tradição ritual do resguardo, no entanto, foi quebrada pela Rainha Ália e pelo Rei Boio naquela oportunidade. Ambos solicitaram ao Mago Natu e ao Imperador que lhes autorizassem despedir-se da Imperatriz, porque partiriam sem previsão de retornar àquele reinado. Pressentiam que jamais voltariam e, talvez, fosse aquela a última oportunidade de ver a Imperatriz e conhecer seus bebês. Não houve obstáculos da parte do Imperador a que o casal de amigos visitasse a Rainha Gônia e os pequeninos príncipes. Mago Natu, no entanto, advertiu-os de que tivessem cuidados durante a visita, explicando-lhes: — Sabeis que os recém-nascidos ainda não foram consagrados aos elementos que os protegerão dos infortúnios, mas também não vos impedirei de ver Gônia. Lembrai-vos: não deveis revelar vossa desdita à Imperatriz, tampouco direis a outrem o que vereis nos aposentos da rainha. Guardai convosco aquele segredo!
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Coletividade busca recursos para o PA QUILOMBO
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O projeto OCA TERRAVILA GLOCAL, se sente beneficiado com as parcerias que vem estabelecendo com a Associação PA QUILOMBO, no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Desde 2022 o Projeto OCA, acompanha os desafios mais diversos da comunidade. Um deles é falta de manutenção das estradas, que termina deixando a população insatisfeita e até mesmo, com pré-disposição para deixar a localidade e procurar outros assentamentos para empreender em agricultura familiar. Juntamente com a Associação do PA Quilombo, por meio de reivindicação a municipalidade vem conseguindo fazer um total de 23 km de melhorias na estrada para que o transporte de modo geral seja feito a contento. Importante registrar esse feito, para restaurar a autoestima da população que desacreditava capacidade da gestão atual, de concretizar esse interesse comum, visando não só a agricultura, mas também o turismo rural para essa região do cerrado. Essas vias atendem ao ônibus escolar de segunda a sexta-feira
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Nota: (não foi possível postar ontem. O fazendo hoje, conforme me comprometi). O ARDIL PARA NÃO DESFAZER O FEITIÇO Rei Kornio, incumbido de liderar as equipes, fez pessoalmente a distribuição dos petrechos para capturar os peixes encantados. Confiou a sua esposa, Rainha Bisca, providenciar quitutes e petiscos para a alimentação dos pescadores. Hábil na preparação das guloseimas, rapidamente Rainha Bisca apresentou algumas novidades para se alimentarem, enquanto durasse a excursão pelo rio Aguaporé. Pela ligeireza com que foram feitas, as doces guloseimas à base de fécula de mandioca ganharam o nome de brevidades. Uma hora após zarparem do porto do Elo Dourado, os pescadores chegaram ao local onde estrategicamente armariam redes para capturar os encantados príncipes-peixes, Pintado, Surubim e Kaxara; e as rainhas-peixes, a Pirarara, Rainha Zomba, e a Enguia, Rainha Trapa. Cumprindo algumas recomendações diretas do Mago Natu e do Imperador, Rei Médium, os participantes dividiram-se em quatro grupos de seis elementos, liderados pelos reis Mende, Kornio, Boio e Buriti. Cada grupo recebeu uma grande rede tecida especialmente pelo Senhor Frutuoso, o proprietário da Frutaria Real, que passava seu tempo a cardar lã com fibras vegetais para tecer redes de pesca, as mais resistentes produzidas no Elo Dourado. Rainha Bisca não foi escolhida integrante de nenhuma das quatro equipes. Rei Kornio, o cuidadoso marido, para não a deixar sozinha às margens do caudaloso rio, iniciou a construção de um abrigo coberto de folhas gigantes, sob uma frondosa árvore de angico, recomendando que não se afastasse em hipótese alguma dali, até que ele retornasse com a missão cumprida. Corajosa, a rainha aceitou as advertências do marido, aguardando silenciosamente a oportunidade de entregar secretamente ao Rei Boio o talismã enfeitiçado que guardava consigo. Rainha Bisca acreditava que o Bruxo Neno confiara aqueles objetos encantados sob recomendação explícita de que não permitisse a nenhum outro participante da pescaria vê-los ou saber que os possuía, para que fosse assegurado completo êxito na empreitada. Solidário à desdita dos amigos – Rei Kornio e Rainha Bisca, que também tiveram o filho Príncipe Surubim encantado num peixe –, Rei Boio ofereceu-se de muito bom grado para concluir a feitura do abrigo onde a rainha deveria esperá-los à margem do rio Aguaporé, com as brevidades e as outras guloseimas que comeriam tão logo voltassem. Completamente envolvidos com os estratagemas da pescaria, nenhum dos participantes se prontificara a colaborar com o Rei Boio na conclusão do abrigo. Três das embarcações com suas equipes já haviam zarpado, afastando-se para os locais onde armariam as redes, enquanto os cinco componentes da equipe do Rei Boio esperavam por ele já embarcados, mas ainda atracados no porto. A sós, Rainha Bisca e Rei Boio conversavam sobre a excursão, até que ela mostrou o objeto encantado ao rei e ingenuamente lhe entregou: — Este é vosso. Colocai-o no pescoço. Bruxo Neno me garantiu que terei de novo meu filho Ur, em forma de gente, e que o vosso filho e os outros voltarão a ser como eram... príncipes, reis e rainhas! Rei Boio, solícito e obediente à Rainha Bisca, mulher de seu dileto amigo Rei Kornio, passou o colar com o mágico talismã pela cabeça ao mesmo tempo que a Rainha Bisca. No imediato contato com o objeto enfeitiçado os dois sentiram um forte arrepio e, tomados por uma força misteriosa, voltaram-se um ao outro, abraçando-se fortemente. Sem se aperceberem, um libidinoso frenesi os envolveu e, por sentirem incontido desejo, despiram-se, entregando-se totalmente ao império dos sentidos, num arrebatamento amoroso semelhante a uma primeira vez. Quanto mais se envolviam, mais ardiam de desejo e, assim, completamente entregues ao feitiço erótico do talismã, abandonaram-se, perdendo a noção do tempo. Os cinco elementos da equipe que aguardava o Rei Boio voltar, impacientes com sua demora, concordavam que já se passara tempo suficiente para que ele retornasse. Dois deles, com o consentimento dos outros três, desembarcaram e escalaram a barranca da margem do rio, em direção ao local onde a Rainha Bisca deveria estar. Procurando pelo Rei Boio, antes de avistá-lo, preocuparam-se diante da possibilidade de o encontrar ferido ou atacado por algum animal feroz. Ao avistarem a pequena cabana de palhas habilidosamente construída para abrigar a Rainha Bisca, achegaram-se devagar. À medida que se aproximaram, ouviram gemidos e sussurros idênticos aos arrulhos das juritis e dos pombos envolvidos em ritual de acasalamento. Curiosos, logo flagraram a cena que imaginavam: o rei e a rainha nus, completamente entregues ao delírio amoroso, deleitando-se no chão sobre suas vestes, alheios a tudo quanto se passava em redor. Perplexos e escandalizados com a inusitada cena, gritaram com os dois: — Rei Boio, Rainha Bisca, que desonra é esta? Terão coragem de ver Gônia, depois disso? Despertados e interrompidos como se tivessem levado um choque, os dois se levantaram, deixaram seus trajes no mesmo lugar e correram juntos em direção à barranca do rio. As duas testemunhas do episódio tentaram contê-los, mas não conseguiram. Os dois se jogaram abraçados, atirando-se nas águas profundas e calmas do rio Aguaporé... num desatinado desvario, pois nenhum dos dois sabia nadar. Sem reação, os dois interceptores do colóquio amoroso se sentaram, olhando para a onda d’água que se propagava, crescentemente formada a partir do ponto em que os amantes se precipitaram. Um deles disse ao companheiro: — Os dois co-pularam... e vão morrer, os coitados não sabem nadar. — Infelizmente, não podemos fazê-los nadar. Interrompendo o companheiro antes que concluísse sua frase, o outro mostrou, apontando o local em que se formava a onda em que se atiraram, dois corpos cinzentos e roliços vindo à tona. Surpresos, assim que avistaram aqueles corpos semelhantes a animais aquáticos, que em nada lembravam pessoas, totalmente diferentes dos amantes que caíram n’água, desconhecidos de todos os outros animais e peixes que povoavam o rio Aguaporé, logo concluíram que eram os corpos do rei e da rainha, agora dois animais aquáticos miraculosamente transformados em exímios nadadores. Muito admirado, um deles constatou: — Olha ali, Rei Boio e Rainha Bisca também viraram peixes! Tenho certeza de que um peixe é Boio e o outro peixe-mulher! Peixe Boio e Peixe-Mulher! Disfarçando seu medo em assombro, o outro sugeriu: — Voltemos para o nosso barco. Também precisamos pescar. — Vamos avisar aos companheiros que temos mais dois peixes encantados para capturar. — Você tem coragem de contar ao Rei Kornio o que aconteceu? — Nós dois temos de contar. — Será que ele vai nos acusar de assassinos ou que inventamos esta história só para termos um álibi? — Não, as roupas dos dois estão aqui, não tem nenhuma marca de sangue, nem sinais de terem sido tiradas à força. — Então, vamos logo, porque o peixe Boio e o peixe-mulher estão nadando em direção ao barco. — Veja, olhe aquilo... são milhares de peixinhos em volta deles. – Incrível! Parecem aumentar de tamanho, sem parar. — Vamos, precisamos avisar aos nossos companheiros... Temos uma boa história de pescador para contar. Hehehe! Pegaram as roupas do Rei Boio e da Rainha Bisca e levaram consigo. Margeando o rio em direção ao local onde estavam aportadas as outras duas embarcações. Observaram que os peixes encantados também os seguiam, e com eles o recém-surgido cardume de peixinhos que crescia rapidamente, aumentando de tamanho diante de seus olhos. Próximo dos barcos aportados, gritaram aos companheiros: — Vejam isto, estes dois peixes diferentes e este cardume de peixinhos que não para de crescer... — Sim, estamos percebendo – confirmaram. — Nós dois vimos como tudo aconteceu. – Contaram, com pormenores, tudo que haviam presenciado. Diante da incredulidade dos companheiros, lançaram a primeira rede para começarem a captura do peixe Boio e do peixe-mulher. Assim que a rede os cercou, o enorme cardume que cresceu rapidamente, já medindo dois palmos de tamanho, atacou em direção à rede e devorou num instante as malhas, com uma voracidade nunca vista. Os pescadores, cheios de espanto, recolheram logo o que sobrou delas, acreditando no relato que os dois amigos haviam testemunhado. Só não conseguiam entender por que e de onde havia surgido aquele cardume tão voraz e como os peixinhos cresceram tão depressa, acompanhando o peixe Boio e o peixe-mulher. — Pra isso não tem explicação, pode acreditar que tem o dedo ou a mão toda do Bruxo Neno nessa história... E esse cardume só pode ter se formado das sementes que o Rei Boio ejaculou na água. Como ele traíra a Rainha Ália e a Rainha Bisca traíra o Rei Kornio, são peixes-traíras, sem dúvida. Sem condições de continuar a pescaria, o grupo desceu o rio para se encontrar com os outros pescadores e, principalmente, com o Rei Kornio, para informá-los do inusitado acontecimento. O enorme cardume de traíras seguiu junto. Ao avistarem os amigos pescadores, que pareciam pelejar para recolher as pesadas redes, sinalizaram para que as tirassem o mais rápido que pudessem da água. Antes que conseguissem, sofreram um devastador ataque das traíras, que também devoraram todas as outras armadilhas, deixando-as impróprias e sem condições de capturar os peixes encantados que já se encontravam aprisionados. Não demorou para que os pescadores, cansados e desanimados, aportassem às margens do rio, enquanto o Rei Mende se dispunha, com muito otimismo, a consertar as tralhas danificadas, e assim prosseguir com a pesca, até que o Rei Kornio, ciente de tudo, resolveu desistir. Desesperado e, mais ainda, desmotivado, Rei Kornio não parava de lastimar a desonra e a traição de sua mulher com seu melhor amigo, também agora castigados e transformados em peixes e, pior ainda, causadores do aparecimento das perigosas e vorazes traíras, que infestavam as águas límpidas e tranquilas do rio Aguaporé. Visivelmente entibiado e deprimido, convidou seu grupo a bater em retirada. — Ficai, se quiserem. Para mim, está tudo acabado. Não tenho mais desejo de desencantar o que quer que seja. Por mim, continuarão encantados per omnia saeculorum. Jogou todas as suas tralhas de pesca n’água. Chamou seus lacaios. Silentes e compreensivos à dor de seu rei, remaram sua chalana entoando melancólicas cantigas rio acima. O Rei Mende, compartilhando da dor do amigo, achou melhor voltar com eles. Porém garantiu que, quando chegassem ao Palácio Fortaleza, consertaria todas as redes danificadas, e assim estaria criada a Liga da Confraria do Peixe, para os que desejassem voltar no dia seguinte, a fim de cumprir a missão que lhes foi proposta. Não queria desistir da tentativa de amenizar o sofrimento causado a todos pelo encantamento dos amigos em peixes, além de desfazer a vingança maligna que Bruxo Neno perpetrara dessa vez contra o Rei Boio e o Rei Kornio. A tarde já findava, quando os pescadores aportaram no bucólico cais do Palácio Fortaleza. Dois dos sete serviçais que os recepcionavam, percebendo que algo diferente acontecera, não visualizando entre eles o Rei Boio, a Rainha Bisca nem os príncipes-peixes encantados, discretamente retrocederam, saindo à procura de Mago Natu. O silêncio dos pescadores, o rosto triste e cabisbaixo do Rei Kornio, seus olhos turvados de lágrimas e seu estado emocional aparentemente humilhado eram indícios incontestes de que outra desgraça pairara sobre eles, semelhante talvez àquela dos caçadores da encantada Pan Thera, a Sonça Pintada, no dia anterior. Quando o Rei Kornio saiu da embarcação e pisou o portaló, levantando os olhos, encontrou-se com o Mago Natu: — Preciso ver Neno – disse-lhe o Rei Kornio. — Antes estaremos com o Rei Médium. Depois, é melhor ver Gônia do que ver Neno! — disse, laconicamente, Mago Natu, abraçando-o e confortando, conduzindo-o diretamente aos aposentos do Rei Médium, na Câmara do GRAU. Rei Médium, observando o estado lastimável do amigo, perguntou-lhe se desejava que buscassem os dois pescadores da equipe do Rei Boio para relatar o que presenciaram. Com a voz roufenha, fazendo grande esforço para se expressar, disse que não, mas solicitou ao Mago Natu que trouxesse também à presença deles a Rainha Ália, mulher do Rei Boio, para que compartilhassem sua má sorte e infortúnio. Sem demora, Rainha Ália chegou diante dos três. Mago Natu esclareceu o que se passava. Contou com detalhes, poupando a rainha do constrangimento de ouvir diante dos dois reis a minuciosa descrição das intimidades em que os amantes traíras se envolveram. Como se já estivesse esperando, preparada para ouvir tudo aquilo, Rainha Ália, mantendo-se passiva e tranquila, apontou uma solução. Queria evitar que o amigo fosse alvo dos escarnecedores, livrando-o das humilhações e constrangimentos que o caso ensejava. — Senhor Imperador, também me sinto atingida pelo mesmo vendaval de infortúnio. Não me resta motivo para voltar ao meu reinado, pois meu único filho, o Príncipe Pintado, foi condenado a viver como ente das águas. Igual sorte aconteceu a vós, Rei Kornio. Proponho-vos, então, que somemos nossas desventuras e nos mudemos para bem longe daqui. Noutras terras distantes, que existem a Norte e Leste d’além-mar, e assim reconstruiremos nossos reinados. E vós, Imperador, podereis encampar meu reinado com todos os meus súditos, desde que me forneça provisões suficientes para a grande travessia. — Estais me propondo casamento, Rainha Ália? — Sim, meu amigo, a menos que não queiras. — Quanto a vossa filha, Princesa Ti? Irá conosco? — Melhor que fique por aqui. Querendo, poderá se casar, voltando para o reinado de Boio, refazendo nossa linhagem. — Assim seja, então. Mago Natu esboçou um sorriso. Rei Médium também dissimulou seus sentimentos porque, apesar daquela tragédia, considerou a solução apresentada pela Rainha Ália prática e decisiva pelo desapego. — Então, Rei Kornio, que dizeis? Se estiverdes de acordo, agora mesmo ordenarei aos meus lacaios que providenciem os meios necessários para vossa mudança e viagem – propôs o Imperador. — Eu aceito, senhor Imperador. Preciso da minha “aliada”! Mago Natu, naquele momento, abriu um armário esculpido num bloco de alabastro e retirou dali a última espada fabricada pelo ferreiro e joalheiro real, Kalibur, falecido há pouco tempo. Na semana em que morrera, Kalibur entregara ao Rei Médium sua última encomenda: as espadas dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru, cujo nascimento se aproximava. O exímio artesão também deixara com o Imperador uma outra espada. Aquela se destinava ao seu próprio filho, cujo nascimento era esperado em breve. Dias depois, Kalibur foi encontrado dormindo para sempre entre as ferramentas e forjas de sua oficina. A última espada fabricada por ele permaneceu sob a guarda do Imperador. Retirando o precioso e raro objeto do armário, Mago Natu reverentemente olhou para o Rei Médium e, num aceno consensual, obteve dele a permissão para selar o compromisso entre o Rei Kornio e a Rainha Ália, entregando-lhes a consagrada espada mágica, para que pudessem recomeçar suas vidas, fundando um novo reino, em terras pra lá de distantes. Prostrados diante do Rei Médium e do Mago Natu, juraram fidelidade mútua, amparo na adversidade e preservação dos conhecimentos rituais e dos segredos da magia e dos antigos mistérios das Ciências Ocultas, nos quais eram iniciados. Mago Natu celebrou a cerimônia, concluindo: — Eis a última espada de Kalibur! Uma autêntica Ex-Kalibur! Fincai-a sobre a grande rocha negra em que havereis de edificar um novo reino. Aquele que conseguir arrancá-la, herdará para sempre o reino encantado de Kornio e Ália. Na madrugada do dia seguinte, duas suntuosas embarcações trirremes zarparam do cais do Elo Dourado, silenciosa e discretamente, com destino às desconhecidas terras nórdicas de além-mar. Rei Kornio levava consigo, além de considerável carregamento de ouro e pedras preciosas, um casal de sua criação de unicórnios acompanhado do mais recente rebento; e a Rainha Ália, além de seus majestosos pertences, grande estoque de paninhos para secar as mãos, bordados caprichosamente: as toalhas. Entristecido com a partida dos amigos, Rei Médium convidou Mago Natu para irem à Câmara do GRAU. Precisava abrir a terceira caixa, a caixa de ferro. Cauteloso e apreensivo, perguntou ao amigo: — Qual será a surpresa de hoje? Mago Natu olhou-o compassivamente, deu-lhe um tapinha nas costas, incentivando-o: — Não vos atormenteis, meu amigo. O que tiver de ser, será. Abra a caixa de ferro. Depois visitaremos a Imperatriz Gônia e a Rainha Tranha, porque ainda não sabeis das outras surpresas que vos aguardam. — Surpresas? Outras? – Manifestou-se perplexo o Imperador. Não fora informado ainda do que sucedera no decorrer da noite, enquanto providenciava o necessário para a grande viagem do Rei Kornio e da Rainha Ália. Depois de abrir a terceira caixa – a de ferro –, nada havia de diferente dentro dela, além da quarta caixa – a de cobre –, que abririam no dia seguinte. Sem tecer nenhum comentário, o Imperador olhou para Mago Natu, replicando o mesmo gesto que fizera nas vezes anteriores e, em seguida, dirigiu-se ao Espelho Universal. Pela imagem refletida, entendeu que, naquele terceiro dia, deveria organizar uma grande excursão aos campos e campinas, para que fossem coletadas frutas e frutos silvestres. O participante que conseguisse apanhar a maior quantidade e variedade de frutos seria agraciado com um objeto no formato de um enorme chifre, esculpido em pedra jade, deixado de presente pelo Rei Kornio: uma espécie de réplica do original que recebera do Grande Rei, na celebração das bodas do Rei Médium e da Rainha Gônia. O condão daquele objeto mágico era proporcionar fartura e prosperidade a quem o recebesse. Rei Kornio não estaria presente para entregá-lo pessoalmente, mas o Rei Médium solicitara ao Mago Natu que o fizesse no lugar dele. Quem desempenhasse melhor a tarefa do terceiro dia mereceria, assim, a cópia do grande talismã do Rei Kornio — a Kornio-cópia. Decidido quanto a quem entregar a Kornio-cópia, o Imperador convocou Mago Natu: — Vamos, preciso ver agora a minha rainha! Desde que a Imperatriz dera à luz, ainda não recebera visitas. Mantinha-se recolhida, isolada em seus aposentos, alheia a quaisquer acontecimentos exteriores ao seu espaçoso e confortável quarto, conforme rezava a antiga tradição e o costume dos ancestrais, aguardando até que se passassem sete dias e ocorresse mudança na fase lunar. No sétimo dia, já passado o puerpério, a Imperatriz vestir-se-ia de branco, mostrando-se com seus dois rebentos, numa cerimônia para todos, convidados e súditos, para a purificação e consagração dos recém-nascidos aos elementos Fogo e Ar, Terra e Água. Seria também coroada mãe com a mesma joia que deveria ter usado no ritual lunar do seu casamento, se o precioso diadema de camafeus e rubis – a joia da Tia Ara – não tivesse sido roubado pelo Príncipe “Y” e depois enfeitiçado pelo Bruxo Neno. Ainda que Mago Natu tivesse recuperado a cobiçada joia naquela oportunidade, decidiu por destruí-la, utilizando-se de outro encantamento. Rei Médium, dias depois do casamento, encomendou ao joalheiro da Corte, Kalibur, outra peça de igual beleza para que a rainha pudesse se apresentar naquele ritual da purificação. O Imperador, Mago Natu, Professora Plínia e Senhora Natividade da Luz, além das camareiras, eram a únicas pessoas que entravam e saíam livremente dos aposentos da parturiente antes de celebrada a consagração dos rebentos e purificação da mãe. Davam àquele período de resguardo o nome de Boa Esperança, cujo término marcava-se com as comemorações festivas do Dia da Conferência, ou Celebração dos Sete Dias. A tradição ritual do resguardo, no entanto, foi quebrada pela Rainha Ália e pelo Rei Boio naquela oportunidade. Ambos solicitaram ao Mago Natu e ao Imperador que lhes autorizassem despedir-se da Imperatriz, porque partiriam sem previsão de retornar àquele reinado. Pressentiam que jamais voltariam e, talvez, fosse aquela a última oportunidade de ver a Imperatriz e conhecer seus bebês. Não houve obstáculos da parte do Imperador a que o casal de amigos visitasse a Rainha Gônia e os pequeninos príncipes. Mago Natu, no entanto, advertiu-os de que tivessem cuidados durante a visita, explicando-lhes: — Sabeis que os recém-nascidos ainda não foram consagrados aos elementos que os protegerão dos infortúnios, mas também não vos impedirei de ver Gônia. Lembrai-vos: não deveis revelar vossa desdita à Imperatriz, tampouco direis a outrem o que vereis nos aposentos da rainha. Guardai convosco aquele segredo!
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Alguém da rede conhece essa espécie? Tenho algumas mudas no projeto, não é comestível. Disseram que suas sementes são utilizadas para fazer sabão. Os fruto são do tamatamanho uma azeitona de coloração de pêssego.
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Me parece muito uma PANC
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Tudo depende de mão-de-obra. Força física. Os recursos humanos nem sempre são compatíveis. É preciso habilidade para realizar qualquer ação.
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CAP. 6 - URUCUMACUÃ - H.H.Entringer Pereira
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(Tive problemas técnicos para postar na sexta-feira) O FEITIÇO DAS TRANSFORMAÇÕES Minutos após o Imperador Médium, a Imperatriz Gônia e o Mago Natu voltarem ao Grande Salão de Diversões do Palácio Fortaleza, Rainha Bisca iniciou o relato contando que o Grande Rei jogava uma animada partida de gamão com a Rainha Alimpa, sobre aquele estojo-tabuleiro, ornamentado de madrepérola e jade, quando ouvimos um grande burburinho no pátio externo. Rainha Alimpa se distraiu e o Grande Rei, num lance de dados magistral, retirou todas as suas pedras restantes das casas do tabuleiro. Inconformada com as constantes derrotas no gamão para o seu mais poderoso adversário, levantou-se, voltou as costas ao tabuleiro e, um tanto desconcertada, disse: — Revoltante! Como este jogo conspira contra quem está com sorte?! O Grande Rei sorriu de seu amadorismo e emendou: — Não é o jogo que conspira contra quem está com sorte, é a sorte que conspira contra quem não estava jogando! Colocando todas as peças de volta no estojo, Rainha Alimpa sorriu, dobrou o tabuleiro, fechou e o devolveu ao Rei Médium. O ruído do grande tumulto instantaneamente formado no pátio do Palácio Fortaleza, pela aglomeração repentina dos convidados ao casamento, fez com que o Grande Rei, Mago Natu, o Imperador, a Imperatriz e a Rainha Alimpa — também chamada de Sacerdotisa Alimpa — viessem ao pátio saber do que se tratava. Não lhes causou admiração porque imaginavam ser o burburinho e a aparente desordem remanescentes das comemorações pela vitória dos príncipes Niko, Surubim e Pintado, na corrida de Numpessó. Porém, a alegria barulhenta de alguns reis e rainhas contrastava com o pranto desesperado de outros, no meio do alarido. O arauto real se apressou e, adiantando-se, abriu caminho entre a aglomeração e o tumulto formado, chegando até onde estava o Imperador, anunciou, ofegante e aflito: — Senhor Imperador, uma inusitada desgraça aconteceu! Peço-vos que convoque Rei Kornio e Rainha Bisca, o Rei Mende e a Rainha Trapa, Rei Boio e Rainha Ália, o Rei Negro Norato e a Rainha Zomba para que relatem pessoalmente o ocorrido! — Assim farei. Fiquem tranquilos – disse o Imperador. Dirigindo-se ao Mago Natu e ao Grande Rei, solicitou que fossem até a Sala da Rainha e lá o aguardassem. — Por gentileza, nobres senhores... senhores, se acalmem... – E, mencionando os nomes que o Arauto Real lhe dissera, os conclamou: — Por favor, senhores reis, senhoras rainhas, sigam-me. Vamos ao Salão da Imperatriz. Precisamos ver Gônia! No Salão da Imperatriz Gônia, as quatro rainhas e os quatro reis, emudecidos, pareciam desnorteados, em estado de choque. O Imperador e a Imperatriz iniciaram um inquisitório, assistidos pelo Grande Rei e pelo Mago Natu, que se mantinham calmos, observando quietos, antevendo todo o desenrolar do episódio. — Senhores, senhoras, pela ordem. Quem quer falar primeiro? – perguntou o Imperador Médium. — Eu – disse o Rei Kórnio. — O que aconteceu? Explique-se de uma vez – solicitou a Imperatriz. — Meu filho, Príncipe Surubim, o Ur, virou um peixe liso e gosmento. — Um peixe? Como assim? – surpreendeu-se a Imperatriz. — E o meu filho, o Príncipe Pintado, idem – disse Rei Boio. — E a minha filha, a Princesa Kaxara, também – lamentou-se, banhada em lágrimas, a Rainha Zomba, não mais conseguindo sorrir, enquanto o Rei Negro Norato, inconformado e enfurecido, acusava o Príncipe Andy Suruba, o “Y”, e sua mãe, a Rainha Trapa, por todo aquele infortúnio. — Tudo por causa da maldita joia da tua Tia Ara, roubada e enfeitiçada pelo Bruxo Neno! — E também por causa desses terríveis sabonetes — vociferou o Rei Negro. Ao ouvir falar as palavras “tiara roubada”, Rei Médium aguçou os sentidos. A Imperatriz Rainha Gônia interessou-se amiúde e autorizou o Rei Negro Norato a prosseguir relatando o que sabia. — Depois que os vencedores da Corrida Numpessó receberam a premiação — Rei Negro Norato relatava o episódio aflito, suando frio, espumando pelo canto da boca, enquanto os outros ouviam calados —, o Príncipe Surubim, o Ur, e o Príncipe Pintado chamaram minha filha Kaxara para irem se banhar no Poço dos Desejos e das Transformações, usar os sabonetes, as Barra Alimpa, que ganharam da Rainha de Sabom. Princesa Kaxara foi sem autorização, burlando a vigilância, sem nossa permissão. Quando chegaram ao Poço dos Desejos, mergulharam. Molhados, saíram da água para esfregar as Barra Alimpa, os tais sabonetes inebriantes, uns nos outros. Começaram por gostar da brincadeira. Resolveram, inocentemente, tirar a roupa pra esfregar-se melhor pelo corpo inteiro. Entraram no mato porque ficaram temerosos de serem vistos nus, se ensaboando... Nisso, o Príncipe Surubim, o Ur, avistou o Príncipe Andy Suruba, filho do Rei Mende e da Rainha Trapa, o tal “Y”, escondido no mato, cavando e desenterrando um objeto da areia. — Era uma joia de camafeus? – interrompeu o Imperador. – “Prossiga.” — Era — continuou o Rei Negro Norato —, mas ele tentou escondê-la dos três. Quando os três se aproximaram, não teve como disfarçar e lhes propôs uma brincadeira que chamou a brincadeira do Suruba. Pegou a peça, a tal joia da Tia Ara, colocando-a sobre a cabeça um a um dos três, passando-lhes sabonete no corpo e esfregando-os. Falou umas palavras de magia, como se estivesse celebrando um outro ritual, ordenando que rolassem pela areia até dentro d’água, enquanto ele dizia: — Esta é a magia do Suruba. Quem a “tiara” usou, caiu n’água, sendo peixe, gente virou; sendo gente, peixe virou! — Assim que os três tocaram n’água, se transformaram imediatamente em peixes. Um, o Príncipe Pintado, ficou cheio de manchas pequenas e pretas por conta das pedrinhas redondas que colaram no corpo, enquanto ele rolava na areia; o outro, Príncipe Surubim, o Ur, ficou com as manchas dos gravetos secos que grudaram na pele ensaboada; e a outra, minha filha Kaxara, ficou com as marcas das folhas secas agarradas à pele, também ensaboada. Os que ouviam o relato, perplexos, nada compreendiam. Muito sério, o Grande Rei e o Mago Natu acompanhavam atentos o relatório, sem se manifestar. O Imperador quebrou o silêncio, interrogando: — Como sabes se foi mesmo desta forma que os encantamentos ocorreram? — Porque o Rei Mende e a Rainha Trapa testemunharam, quando saíram à procura do filho, Príncipe Andy Suruba, o “Y”, que havia desparecido, antes de começar a Corrida Numpessó, juntamente a Bruxo Neno, Rei Mor e Rainha Sissu. Quando eles o encontraram nas imediações do Poço dos Desejos, lá na Fonte da Lua de Mel, chegaram bem no momento de presenciar o desfecho do caso, e o próprio “Y” contou a parte que eles não viram. — Ficamos ao longe observando, quando avistamos a princesa e os príncipes nus, ensaboados, e o Príncipe “Y” de posse da joia de camafeus da Tia Ara, pronunciando palavras esquisitas, semelhantes àquelas que a Bruxa Bizarra dizia. – confirmou o Rei Mende. Rainha Zomba, em desespero, pediu ao Mago Natu: — Mago Natu, eles foram enfeitiçados. Por misericórdia, faça algo para que minha filha, Kaxara, o Príncipe Pintado e o Príncipe Ur voltem a ser gente! As outras rainhas, mães do Príncipe Surubim e do Príncipe Pintado, igualmente exigiam que o encantamento fosse desfeito, enquanto a Rainha Trapa, mãe do Príncipe “Y”, arrependida, confessou todo o seu plano: além de mandar o filho furtar a tiara de camafeus da Imperatriz Gônia, ela mesma também havia tirado um garfo, uma faca e uma taça, enquanto ceava, atendendo uma solicitação do Bruxo Neno. Desejava que ele fizesse um feitiço para sua irmã, Rainha Sissu, poder engravidar, e que o filho, Príncipe “Y”, pegara escondido a joia da Tia Ara antes da cerimônia lunar do casamento, atendendo a sua própria ordem: — Eu pedi ao Andy Suruba que levasse a joia de camafeus da noiva para que o Bruxo Neno a enfeitiçasse. Iria entregá-la à minha irmã, Rainha Sissu, que a usaria por pouco tempo, secretamente, porque ela precisava engravidar. Assim que a Rainha Sissu engravidasse, realizando seu maior desejo e do marido, Rei Mor, juro que daria um jeito de devolver a maldita joia da Tia Ara! O Grande Rei permaneceu calado, mas o Mago Natu se pronunciou: — Rainha Gônia, a tiara está mesmo enfeitiçada! Não a queira de volta. Quanto ao encantamento feito pelo Príncipe Andy Suruba, só ele poderá desfazê-lo. Ou não. Chamem o Príncipe “Y” aqui. O Rei Mende, temendo pelas consequências do pesadelo provocado inadvertidamente pelo filho, antecipou-se e sugeriu: — “Y” não sabe o que fez. Se sabe, não sente! “Y” não sente... – Sem muitas explicações, parecendo não se importar com o desespero das mães e o inconveniente causado pelo Bruxo Neno, Mago Natu pediu licença e se ausentou do salão, falando consigo: “Essa brincadeira vai longe...”
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Limpeza para plantio de capim Vetiver
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Se tratando de um ambiente múltiplo, penso que devemos utilizar os espaços da melhor maneira. Estou preparando o terreno para fazer um berçário para mudas de Vetiveria zizanioide (L) Nashville, reclassificado como Chrysopogon zizanioide (L) Roberto. Por conta do trabalho com aromáticas e medicinais. A intenção é ir substituindo o Colonião e Brachiara por Vetiver.
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Talvez não seja necessária uma resenha.
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Entre um corte com a foice, um olhar para ter certeza, que não existe uma casa de marimbondo e um gole de água, cabe "Um poema para o Rosa. E uma prosa para Pessoa".
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Às vezes por fora No que deflora A beleza da face A nobreza delgada Da farsa/ da flora O destino da história/ Mundo afora… Como uma gota No deserto deságua/ Evapora/ só ficando A lembrança daquilo Que em cada um mora O que vale a pena Não se acumula Ao longo do Tempo Na vida o que importa É o tempo presente O agora sou eu - a porta Aberta - NINGUÉM fecha Quem melhora sou EU - sou - eu a qualquer hora. Brazzdyvinnuh Monte das Oliveiras Santana do Taquaral
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O Projeto OCA Ocupação Cocriativa Artfloresta - Terravila Glocal, é uma iniciativa Quase que solitária, entre tantas outras espalhadas pelo mundo. Não é nova nem velha. Pouco observada. O objetivo principal é manter uma OCUPAÇÃO(com moradores locais e/ou em trânsito) que seja COCRIATIVA(a partir de uma ideia anteriormente posta em prática, que corrobora com o propósito da sustentabilidade regenerativa). Por ser artista, com essa visão agroecológica, permacultural e "agroflorestal", sem conhecimento científico em agronomia e similar, coloquei meus dotes artísticos a disposição das atividades agrícolas - nominei de ARTFLORESTA - Logo, "artfloresteiros" e entusiastas, descartam a ideia da necessidade de POSSE para executar um trabalho regenerativo de determinado ambiente. Uma Ocupação Cocriativa Artfloresta tão somente necessita de ACESSO a determinado ambiente, rural ou urbano(seja o acesso a quaisquer bens imobiliários ou não) para implementar uma atividade coletiva ou não. A fim de criar riquezas, contribuir com os bens comuns(água, terra, ar, fauna e flora) gerar trabalho e renda sem se submeter a um chefe. Algo que combina muito bem com os artistas, rebeldes, libertários, pensadores, sem excluir as pessoas "comuns" que adorariam uma vida assim, fora do consumo desenfreado e das convenções ordinárias. Ainda que com responsabilidade e comprometimento com a causa regenerativista. A ARTE prevalecendo como fio condutor de qualquer gerência proposta por pessoas interessadas em experienciar esse tipo de convivência. Sustentar-se da própria mão de obra. *A arte à frente de todas as atividades agrícolas e rurais -
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SEGUNDA CAIXA – DIA DA PESCA Ainda temeroso pelo resultado do dia anterior, o DIA DA CAÇA, o Imperador convocou a Professora Plínia para que, com o apoio do seu infalível amigo, Mago Natu, tomasse todas as providências e precauções no sentido de evitar aborrecimentos ou surpresas parecidas com o sucedido à Rainha Tranha. Mesmo desejando saber o que seria da jovem rainha, Rei Médium evitara perguntar sobre seu estado ao Mago Natu, temendo que a única resposta possível o desapontasse ainda mais e entristecesse toda a Corte do Elo Dourado. Sempre se adiantando ao que o Imperador apenas pensara, Mago Natu manifestou-se: — Prezado amigo, Rainha Tranha continua em transe. A Senhora Natividade da Luz foi devidamente orientada quanto aos procedimentos e cuidados com ela. Vou dizer, mas mantenha o que ouvireis em sigilo, porque o Rei Manso ainda não está preparado para aceitar as consequências do episódio de ontem. — Diga-me de uma vez – pediu o Imperador – , ela sobreviverá? — Certamente. Mas, amanhã ao anoitecer, irá parir uma criatura, cujo pai é o Kaiporã, o Homem do Mato! Rei Médium tomou um susto, seguido de um pressentimento incômodo. Não resistiu e prosseguiu, perguntando: — Como assim? Ela está grávida daquela criatura encantada que dizem ser o filho do Bruxo Neno com a Marquesa de Sonça, parido depois que a traidora Pan Thera se encantou na Sonça Pintada? — Exatamente. Venho, neste momento, dos aposentos da Imperatriz. Conversei com a Senhora Natividade da Luz. Não estive com a rainha pessoalmente, mas a Senhora Natividade me confirmou que, de ontem para hoje, Rainha Tranha apresentou uma barriga demasiadamente crescida, semelhante à de uma grávida de sete meses. Amanhã, antes que surja a lua cheia, certamente nascerá dela um rebento que ficará conhecido com o nome de Kurupirá, a Criatura ex-Tranha. — E daí, o que sucederá, Mago Natu? – indagou o Imperador. — Veremos, veremos. Ocupemo-nos agora dos pescadores. Preciso organizar o necessário para as atividades de hoje. Um leve toc-toc-toc à porta e Professora Plínia apresentou-se, disposta a cumprir o que lhe fosse determinado. — Professora Plínia, organize uma grande pescaria hoje. Explique aos pescadores, principalmente ao Rei Boio e ao Rei Kornio, que deverão capturar os peixes que eram seus filhos, os príncipes Pintado e Surubim e também a Princesa Kaxara, encantados pelo Príncipe Andy Suruba, depois que Bruxo Neno enfeitiçou a joia da Tia Ara. Além destes, também deverão trazer fora d’água Rainha Zomba, encantada na Pirarara, e Rainha Trapa, encantada na Enguia, tomando o máximo cuidado para não tocar diretamente nesta última. Mago Natu também fez à irmã uma recomendação: — Professora Plínia, se alguma mulher, principalmente as rainhas, quiserem participar da pescaria, não as impeça, deixe-as ir. Pouco mais de um quarto de hora e os aficionados por pescaria estavam reunidos no Salão de Esportes do Palácio Fortaleza fazendo as inscrições. Receberam excelentes materiais e equipamentos adequados, assim que aceitaram os regulamentos do campeonato, comprometendo-se a capturar as rainhas e príncipes-peixes sem feri-los ou maltratá-los. Rei Kornio estava especialmente animado, esperançoso de ver novamente o filho, Príncipe Surubim, o Ur, virado gente, ainda que isso lhe custasse ou exigisse algum sacrifício. Rei Boio, pouco menos entusiasmado com a pescaria, mas desejoso de se aproximar da Rainha Bisca, mulher do amigo Rei Kornio, aproveitou a oportunidade e investiu: — Rainha Bisca, veja como vosso marido está feliz com esta oportunidade de ver o Príncipe Ur virar gente. Anime-se também e vamos à pescaria. Rainha Ália ouviu o convite do marido à mulher do amigo e, enciumada, admoestou: — Boio, preste atenção! Isto não é adequado para nós, mulheres. Eu mesma não irei. Cuide-se, porque tu não sabes nadar! O Bruxo Neno observava meio escondido, de longe, sem opinar. Tampouco se prontificaria a participar das ações cuja finalidade era desfazer os feitiços e encantamentos provocados por ele nos dias em que festejaram as bodas do Rei Médium com a Rainha Gônia, três anos passados. Decidido a não colaborar para que desfizessem seus próprios encantamentos porque perderia fama e poder, além de comprometer sua reputação de bruxo, viu na Rainha Ália um trunfo precioso. Precisava desencorajá-la de acompanhar o marido, tornando-a aliada antes que ela percebesse ou desconfiasse de suas intenções. Ao mesmo tempo, precisava incentivar Rainha Bisca ao inverso. Gesticulando para a Rainha Bisca, chamou-a discretamente, instruindo: — Rainha Bisca, admiro vossa coragem e determinação, o que não vejo em vossa amiga, Rainha Ália. Porém, para que tenhas êxito no que ireis fazer, levarás contigo este talismã. Este outro entregareis secretamente ao Rei Boio, cuidando para que ninguém mais veja. Dê um jeito de distrair a atenção das pessoas, afastando-vos disfarçadamente. Depois de colocar vosso talismã no pescoço, ponha este outro no pescoço do Rei Boio e verás que resultado maravilhoso! — Por que terei de colocar o talismã no Rei Boio? Por que não no meu marido? Não ficará ele zangado comigo? – indagou Rainha Bisca. Precisando rapidamente de uma resposta, Bruxo Neno falou a primeira coisa que lhe veio ao pensamento: — Basta que somente um de cada casal use o talismã. Já tens o teu e, como a Rainha Ália preferiu não ir, entregue tu mesma ao Rei Boio o outro talismã. — Por que não entregas diretamente a ele? — Porque Rei Boio me odeia. Eu também não simpatizo com ele. Só estou fazendo isso por dó da Rainha Ália. Além do mais, Boio nunca vai acreditar que minha intenção é simplesmente colaborar. Só eu, somente eu mais eu, está entendendo, pode desfazer o feitiço que encantou os príncipes e as rainhas em peixes. — Por que não entregas também um talismã igual ao Rei Mende? Parece que ele está esperançoso de ter a Rainha Trapa de volta. — Não entendes de feitiço, minha cara. Nesses casos, só dois talismãs podem ser usados. Se quiseres, dê o seu ao Rei Boio e o outro ao Rei Mende. — E terei meu filho de volta, sem o talismã? — Não posso garantir nada, neste caso. — Prefiro meu filho, Ur gente... Se fizer do jeito que me dizes, garantes o resultado? — Garantido que sim. Palavra do Bruxo Neno. Depois me conte! Rainha Bisca foi a única mulher que se inscreveu para a pescaria. Ocultando os dois talismãs de pedra preta, no formato de dois peixinhos amarrados por uma cordinha fina, entre as dobras de suas vestes, já imaginava o momento em que colocaria um dos objetos encantados em si mesma e o outro no pescoço do Rei Boio... Pensamentos extravagantes começaram a assaltá-la. Querendo desviar o foco das tentações esquisitas que começara a ter, Rainha Bisca aproximou-se do Rei Manso, notando sua tristeza: — Por que não queres ir à pescaria? Não pretendes te divertir? Rei Manso olhou-a sem muito interesse e, cabisbaixo, respondeu: — Uma coisa ruim está em Tranha. Algo terrível terá de sair dela. Quero ficar por aqui mesmo. Além de tudo, não tenho filho algum virado peixe... Prefiro ficar aqui, por enquanto! Rainha Bisca, não entendendo o que Rei Manso dizia, mudou o assunto e perguntou se ele se lembrava dos acontecimentos de três anos passados, na festa do casamento do Imperador com a Imperatriz, produzidos pelas artes malignas do Bruxo Neno, depois da inesquecível corrida Numpessó. Príncipe Niko venceu aquela prova e o Príncipe Andy Suruba, o “Y”, filho do Rei Mende e da Rainha Trapa, aproveitando-se do grande alvoroço estabelecido entre os hóspedes do palácio pela vitória do Príncipe Niko, furtou disfarçadamente o diadema de camafeus e rubis da Rainha Gônia, a pedido do Bruxo Neno, levando-o para que ele o enfeitiçasse. Antes de entregar a valiosa joia a sua tia, Rainha Sissu, mulher do Rei Mor, cujo propósito era engravidar, se conseguisse ficar com a peça sobre a cabeça algumas horas, desconhecendo o poder mágico que o bruxo produzira naquele diadema, concorreu para o encantamento de dois príncipes e uma princesa em peixes e, no final do caso, sua própria mãe, a Rainha Trapa, se transformaria no peixe-elétrico, a Enguia, por também cobiçar a joia de camafeus de marfim e rubis enfeitiçada. — Não recordo exatamente como tudo aconteceu – lamentou-se Rei Manso –, só sei que o Príncipe Surubim, Príncipe Pintado e a Princesa Kaxara estão até hoje nadando pelas águas do rio Aguaporé. Meus filhos não estavam com eles naquela comemoração... Como é mesmo que se deu o encantamento? Detendo-se nos acontecimentos que fariam o Rei Manso se lembrar da confusão vivida naquele dia, Rainha Bisca discorreu sobre o acontecido.
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Gradeei 1ha para limpeza e plantio. Por intermédio da Associação do PA Quilombo. Estamos na fase de conscientização da importância da coletividade para somar forças. Só assim se consegue melhorias para uma comunidade. Luta árdua. Chegaremos lá!
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Annona crassiflora O araticum-do-cerrado (Annona crassiflora), da família Annonaceae, é uma fruta nativa do cerrado brasileiro, popularmente chamada de marolo, cabeça-de-negro ou bruto. Outros frutos que pertencem à família Annonaceae têm forma parecida com o araticum-do-cerrado, como a ata, também conhecida como pinha ou fruta-do-conde.
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Capacitação de Brigadistas Voluntários
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Concluiu ontem dia 15 a capacitação de Voluntários Brigadistas. Nos dias 14 e 15 de maio de 2024 - na sede da Associação do PA Quilombo - Lago do Manso em Chapada dos Guimarães-MT - A capacitação é oferecida pela ong S.O.S Pantanal. Iniciativa que reduziu em mais de 80% as queimadas em nosso Assentamento de 2020 para 2024 Ontem ao final do dia terminou a capacitação oferecida pela SOS Pantanal. A Brigada de Voluntários de Combate e prevenção aos incêndios florestais, tem mais cinco novos voluntários, a partir da capacitação.
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PRIMEIRA CAIXA – DIA DA CAÇA (4) Boquiaberto com a longa narrativa do Mago Natu, o Imperador Rei Médium tinha vontade de fazer perguntas e perguntas. No entanto, precisava de instruções para que pudesse convocar a Professora Plínia e delegar providências para a organização da caçada à Sonça Pintada. Uma pergunta, todavia, não saía do seu pensamento. Antes que a formulasse, Mago Natu lhe respondeu: — Queres saber se Conde Rasku ainda vira lobo nas noites de lua cheia e se ele irá se inscrever para participar da caçada? — Exatamente, Mago Natu. — Pois bem, um dia aquela maldição será desfeita, não por mim, mas pelo Príncipe Urucumacuã. Porém deixemos que as coisas sigam seu curso natural, sem interrupções. Se ele quiser ir à caçada, que ninguém o impeça. Professora Plínia, sempre eficiente, já anotava num rolo de papiro os nomes dos nobres valentes e corajosos plebeus que se dispunham sair à caça da misteriosa fera pintada. Cada inscrito ouvia instruções, uma lista cheia de normas de procedimentos e cuidados específicos para que o aprisionamento do fantástico animal não lhes causasse danos. Quando o grupo de doze caçadores, seis reis e seis vassalos, já se dispersava para iniciar a empreitada, ouviu-se uma voz feminina se erguer dentre o burburinho: — Também vou. Quero fazer minha inscrição! A ousadia foi de pronto identificada. Era a Rainha Tranha, mulher do Rei Manso, o líder dos caçadores. Ela era notável pelas participações em afamadas temporadas de caça que ocorriam todos anos em seu reinado. Exímia caçadora, Rainha Tranha também queria acompanhar o marido junto dos outros caçadores. Em vão tentaram demovê-la da ideia de se arriscar em tão perigosa e inusitada empreitada. Irredutível, vestindo um gibão elegante e empunhando, com galhardia, arco e flecha, conseguiu autorização do anfitrião e do Mago Natu para seguir com a comitiva. Deveriam, independentemente do resultado, retornar ao Palácio Fortaleza impreterivelmente antes de anoitecer. Ao soar das buzinas, nobres e destemidos caçadores, segurando pelas coleiras cães especialmente adestrados, saíram cavalgando suas garbosas montarias. Logo despareceriam florestal adentro. Quase anoitecendo, quando os serviçais do Palácio Fortaleza iniciavam o ritual de acender os archotes do pátio interno, ouviu-se o soar da buzina dos caçadores seguido do toque inconfundível do trombeteiro real. Com grande alarido, aglomeraram-se no pátio de serviços os que queriam recepcionar a corajosa comitiva, todos ansiosos por novidades, desejosos de conhecer finalmente, ao vivo, a fera encantada para certificar-se de que realmente tratava-se de uma enorme gata de pelo dourado, com pintas negras espalhadas por todo o corpo, portando um diadema de brilhantes na cabeça e um grosso colar de ouro no pescoço, objetos que testificavam ser a fera encantada a mesma Marquesa de Sonça ou Senhora Pan Thera. Os caçadores chegaram sem alardes, cabisbaixos, e logo se dispersaram, puxando pelo cabresto em direção às baias um cavalo arreado, sem cavaleiro. Constatou-se que a jaula onde deveria estar aprisionada a fera encantada voltou com algo em seu interior, semelhante a uma pessoa deitada, encoberta por um manto real. Abrindo espaço entre os nobres e a turba que se aglomerava querendo saber se a fera encantada já havia se convertido novamente em pessoa, Rei Manso, visivelmente transtornado e aflito, desceu da montaria calado, passou à frente de todos e solicitou, em voz baixa, aos auxiliares de ordens do Palácio Fortaleza que retirassem o corpo estendido de dentro da jaula de ouro e o levassem imediatamente à presença do Mago Natu e do Imperador. Os espectadores e recepcionistas da comitiva, quase explodindo de curiosidade, indagavam: — Cadê a fera encantada? — Quem morreu na caçada? Os mais observadores notaram que a montaria que voltou sem cavaleiro era da Rainha Tranha, a única mulher a participar da empreitada e que, certamente, seria a mesma pessoa de dentro da jaula embrulhada no manto do Rei Manso e retirada como morta. — Rainha Tranha... só pode ser! Assim que o burburinho se desfez, os cavaleiros deixaram o pátio, levando as montarias para as baias e a matilha de caça aos canis, sem comentar ou responder às perguntas dos serviçais do palácio. Circunspecto, Rei Manso não disfarçava seu desatino. Foi ter com o Imperador e o Mago Natu, que de pronto vieram ao seu encontro, conduzindo-o à Sala do Rei, onde lhes confidenciou, privativamente, longa narrativa. Ambos ouviram em silêncio. Mago Natu, porque já adivinhara tudo; e o Imperador, porque não desconfiara de nada. — Senhor Imperador, reverendo Mago Natu, alcançai a dor profunda que me constrange – disse-lhes como a implorar solução, ao mesmo tempo em que buscava consolo para o que narraria confidencialmente. — Não nos poupe detalhes, Rei Manso, por gentileza – pediu o Imperador. — Não se aflija. Tudo o que aconteceu teve um propósito, uma razão de ser. Conte-nos o que viu – Mago Natu reforçou o pedido. Respirando fundo, Rei Manso, com a voz trêmula e ainda muito assustado, revelou aos dois amigos: — Por favor, ela está como morta! Digam-me que ela não morreu! — Acalme-se, ela não morreu. Está em transe, mas seja forte, pois ficará nesse estado de torpor por três dias. Depois que expulsar aquilo que está em Tranha, voltará a viver, porém de nada se recordará. — Vamos ao ocorrido, Rei Manso. Fale, por favor – pediu Rei Médium, também ansioso para conhecer a verdade. — Chegamos ao local onde nos foi instruído iniciar a caçada à encantada Pan Thera e de lá nos dispersamos. Cada um de nós tomou uma direção. Combinamos que a Rainha Tranha ficaria ali, naquele ponto central, na qualidade de guardiã da jaula de ouro. Evidente que, se a Sonça Pintada circulasse pelos arredores, Rainha Tranha estava devidamente instruída e preparada para capturá-la. Já tínhamos ouvido falar do filho que a fera encantada havia parido na floresta, mas duvidávamos da veracidade daquela história. — Então, não vos alertaram quanto aos perigos de encontrar a criatura parida pela Sonça Pintada, o temível Caipora, o morador do mato? – Rei Médium interrompeu. — Achávamos que era apenas conto de caçadores. — Pois bem, prossiga – pediu o Imperador, enquanto Mago Natu apenas ouvia. — Vê bem, Rei Médium, passado o tempo que combinamos de nos reencontrar, chegamos todos de volta ao ponto de onde nos dispersamos. Surpreendentemente vimos uma criatura diferente, nua, de corpo peludo, cabeça grande, pés redondos, montado num enorme porco-do-mato que desapareceu tão depressa, deixando um cheiro horrível, antes que pudéssemos cercá-lo com os cachorros e tentar aprisioná-lo. Foi então que avistamos a cena mais constrangedora que já vi. Dentro da jaula, completamente despida, ao lado de suas vestes destruídas, a Rainha Tranha desmaiada, com o corpo todo melado de um visgo esbranquiçado... Oh, que vergonha, Senhor Imperador! Será que ela foi possuída por aquela criatura horrorosa? — Ouviram gritos? Pedidos de Socorro? Tem marcas de violência ou luta pelo corpo? – interrogou o Imperador. — Não, absolutamente, ela só estava desmaiada. Deve ter sido de susto! Reverendo Mago Natu, diga-me, o que faremos? O que será da minha rainha agora? — Levem seu corpo para os mesmos aposentos onde a Imperatriz, Rainha Gônia, deu à luz aos príncipes Urucumacuã e Kurokuru. Deixem-na sob os cuidados da Senhora Natividade da Luz e não permitam que seja visitada. Dentro de três dias, tudo se resolverá. Não comentem nenhures nem alhures — recomendou Mago Natu. O Imperador, no entanto, queria também ouvir o relato da caçada à Sonça Pintada, mas julgou inconveniente prosseguir o interrogatório ao Rei Manso, dado seu estado emocional abalado e constrangido. O próprio Rei Manso, porém, concluiu o relatório: — Senhor Imperador, todos nós, os doze caçadores, sentimos que a fera encantada estava rondando, nos arrodeando; os cães ladravam e até nos posicionamos em círculo, fechando em rota convergente, mas sequer a avistamos. Sentimos até o cheiro dela, ouvimos seus esturros langorosos, mas ninguém a localizava. Parecia mais de uma, multiplicada, em todos os lugares ao mesmo tempo. Ficamos horas andando em círculo, sem êxito na empreitada, até desistirmos. Convencemo-nos de que é mesmo uma fera encantada e admitimos nosso total fracasso nesta primeira tarefa. — Não se preocupem, teremos ainda outras seis caixas para abrir. Veremos as outras surpresas que nos trarão. Continuemos nossa festa. Creio que devemos nos encontrar no Salão de Jantar, dentro de alguns momentos. — Até breve, senhores! – despediu-se o Mago Natu e foi providenciar a acomodação da Rainha Tranha nos aposentos da Imperatriz. No clarear do dia seguinte, Mago Natu se encontrou com o Rei Médium, na Câmara do GRAU. A despeito da apreensão que o Imperador sentia quando descobriu o Espelho Universal (EU), retirando a manta púrpura, o mago o encorajou, dizendo-lhe: — Não temas. O que tiver de ser, será. Cada dia é único. Ontem já se foi, amanhã não nos pertence... vamos, abra a segunda caixa. Com a chave de chumbo à mão, temeroso pela surpresa que os aguardava, o Imperador girou-a cuidadosamente e ouviu o clique destravando a fechadura. Abriu a caixa, constatando que, semelhante à primeira caixa, ela continha apenas outra caixa, a de ferro, que seria aberta no terceiro dia. Olhou para o Mago Natu e, antes que lhe perguntasse algo, recebeu a ordem: — Olhe para o EU. Consegue ver o que deverá fazer hoje? Ao direcionar os olhos ao Espelho Universal, Rei Médium imediatamente foi transportado no tempo, e viu se refletirem cenas repetidas de acontecimentos registrados durante os festejos do seu casamento com a Rainha Gônia, há três anos. — Entendes o que estás vendo? – inquiriu o Mago. — Perfeitamente. Lembro-me de quando os príncipes Surubim e Pintado e a Princesa Kaxara foram transformados em três peixes, pelas artimanhas do Bruxo Neno, enfeitiçando a joia de camafeus de rubis da Tia Ara. E depois, também, quando a Rainha Zomba se transformou no peixe Pirarara, e o Rei Negro Norato, na Cobra Grande... — Sim, exatamente. Aquelas duas, Rainha Zomba mais a filha, Princesa Kaxara, por não terem derramado sangue durante o encantamento, ainda têm possibilidades de voltarem ao que eram antes. Também assim, a Rainha Trapa, porque transformou-se na Enguia, o peixe-elétrico, num episódio diferente dos outros – lembrou o Mago –, porém o Rei Negro Norato talvez fique para sempre encantado na Cobra Grande, pelos golpes da adaga com que foi ferido. — O que deveremos fazer? Chegou a hora de desencantá-los, é isso? — Bem, é... e não é! Se conseguirmos pescá-los, tirando-os da água, capturando-os em redes... Rei Médium não esperou que o Mago Natu concluísse sua fala: — Como conseguiremos? — Organizando uma grande pescaria. Será essa a tarefa do segundo dia, determinada pela abertura da segunda caixa, a de chumbo. Todos que quiserem, independentemente de quantidade, poderão ir, especialmente o Rei Mende, porque sua mulher, a Rainha Trapa, continua encantada em peixe-elétrico, a Enguia. Os pais do Príncipe Ur, o Surubim, Rei Kórnio e Rainha Bisca, além dos pais do Príncipe Pintado, Rei Boio e Rainha Ália, também deverão ir, caso queiram.
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Pequizeiro Mangueira Gravioleira As três árvores que não pretendo fazer nenhuma intervenção com podas.
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Aberta II Edição do webVARAL.oca São 20 vagas abertas para webVARAL.XXIV. Sem custos. Contato [email protected]. Em breve dados completos por aqui. As inscrições se encerram ao completar um total de 20 textos. Os poemas ou micro-textos. Textos Curtos com tema regenerativista impressos em qualquer peça de roupa, assinados, enviados por E-mail para WEBVARAL.SEGUNDAEDIÇÃOXXIV - e-mail:[email protected] - O poeta abre mão dos direitos para exposição que permanece exposta até a instalação da 3a. edição. O webVARAL não devolverá nenhum material enviado, nem a OCA não fará uso indevido do material exposto, em seu benefício, o objetivo é expandir o hábito de ler e escrever, por meio de uma experiência colaborativa. Na tentativa de oferecer luz aos olhos das pessoas que passam pelo Sítio Bom Jesus, onde o projeto OCA TERRAVILA GLOCAL está instalado. O webVARAL não devolverá nenhum material enviado - As inscrições serão encerradas ao completar 20(vinte) textos encaminhados primeiramente por e-mail. Os inscritos serão avisados por E-mail para o envio das peças. Qualquer dúvida WhatsApp 65-98170-9882 - Brazzdyvinnuh
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Hoje foi dia dar início a duas frentes de trabalho - No Gueirobal e nas proximidades do plantio de Erva Cidreira. (Faltaram fotos, bateria do celular descarregou) Brazzooca, [email protected]
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Reflexão. Diante das dúvidas, quanto aos eventos de catástrofes "naturais" (visto que sabemos ter influência humana nesse processo) por toda a terra de forma globalizada, é no ambiente local, que se pode observar a dimensão da interferência humana para transformar um ambiente, negativa ou positivamente. Ainda acredito que a educação seja um ponto determinante na impulsão de um comportamento e que a reeducação deva caminhar paralelamente a esse processo de aprender e reaprender as coisas. Valorizar a vida por exemplo. E como chegar a isso. (discorreria sobre o tema, mas não é esse o objetivo.) Nas fotos deste texto veremos o antes e o depois. Aprimeira quando da chegada em um ambiente sem um mínimo de atenção e nas outras duas imagens, o resultado de como vem ficando o ambiente. Para um velho de hábitos urbanos perceber alterações tão visíveis, e permitir-se a esse desmoronamento de conceitos obsoletos, já é um ganho imensurável. Tudo depende da entrega. O meu poema é "a mãe terra."
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O CASTIGO DO CONDE RASKU Recebido com honrarias de rei, Conde Rasku chegou a Trindade pouco antes do sol se pôr. Rei Mor preparou uma recepção digna, pomposa, repleta de agrados e mesuras. As doze jovens cortesãs, chamadas pelo Rei Mor de “Minhas Doze Garças”, em dupla fila, compunham uma ala ao longo de um extenso tapete de peles e penas vermelhas, exibindo seus mais atraentes dotes físicos, em decotes que mostravam não só o vão dos seios, além das costas e umbigos, numa procissão de sensualidade despudorada, bem do agrado àquele que encarnava a supremacia da beleza masculina aliada à preeminência de ardoroso amante. Aparentemente lisonjeado, galante e sedutor, o novo rei passeava os olhos por todas, deliciado, procurando debalde, entre elas, a verdadeira Bela de Trindade, porque sabia, de ouvir dizer, que nenhuma mulher até então se igualava em formosura à recatada e tímida serva Angelin, a filha do Bruxo Neno. Não vendo a encantadora moça exposta entre as jovens, disfarçando o irresistível desejo de conhecê-la, já tencionando seduzi-la, perguntou ao Rei Mor, que o acompanhava apresentando as beldades, dizendo seus números, posto que não tinham nomes, e seus principais atributos: — Esta é minha Garça número um. Ela sabe como ninguém lhe arrancar suspiros de puro prazer! Esta é minha Garça número dois... Esta, a número três... conhecem todos os segredos das palavras amorosas... Esta, a número quatro... – e assim por diante, até concluir a apresentação das doze. Insatisfeito, mas usando de astúcia, Conde Rasku investigou: — Amigo, não vejo as duas mulheres mais belas deste reinado! Onde estão a Princesa Anaconda e a tua criada Angelin? Rei Mor, surpreendido pela pergunta, buscou uma resposta rápida, desculpando-se do desleixo: — Amigo, à filha do rei não convém expor-se entre cortesãs; tampouco é conveniente às criadas se avultarem em formosura e donaire, entre as damas às quais servem por obrigação e dever desde o nascimento... — Releve-me a impertinência, Senhor Rei, mas justifico meu afã: proponho casar-me com vossa filha e, desde já, quero pedi-la em noivado. Portanto, interessa-me, também, conhecer qual das criadas lhe deve lealdade, continuando a seu dispor. As feições do Rei Mor instantaneamente se transformaram. Um largo sorriso brotou de seus lábios, acendendo nos olhos um brilho de êxtase. Por pouco não se ajoelhou aos pés do Conde Rasku, beijando-lhe as mãos, em agradecimento comovido pelo gesto de coragem e audácia, implícito no pedido que há muito esperava viesse especialmente da parte de algum nobre ousado. Sonhara, planejara e até conspirara, utilizando de todos os meios, para casar a filha com o príncipe dos príncipes, o herdeiro do Elo Dourado, Príncipe Urucumacuã; mas o rei de Avilhanas, Conde Rasku, a despeito de algumas histórias tenebrosas que pairavam sobre ele, ainda era o mais belo homem de todas as cortes. E beleza para o Rei Mor era fundamental. Refazendo-se do abalo provocado pela emoção da proposta surpresa, Rei Mor pigarreou, arrumou-se dentro de suas excêntricas e luxuosas vestes, ajeitou a coroa de cem brilhantes e rubis sobre a cabeça, emitindo seu consentimento: — Fico honrado e agradecido, e adianto-vos: por dote, recebereis todas as terras que de Corumbi eram na divisa do meu reinado. Sem prejuízo de herdares os objetos mais preciosos de que disponho: as sete misteriosas caixas de metal que, todas as vezes que preciso, abro alguma delas e se realizam meus pedidos. Conde Rasku encheu-se de interesse: — Quem vos entregou essas caixas? — Negociei-as por um bom preço com o Bruxo Neno... valem bem mais do que paguei. Pertenciam ao Mago Natu que, certo dia, presenteou-as ao Rei Médium. Ao ouvir o nome do bruxo, o novo rei de Avilhanas desconfortou-se. Por algum tempo, havia se esquecido de que Bruxo Neno também habitava em Trindade. Nem se atinara para o fato de que a jovem mais bela de todos os reinados era precisamente sua “filha”— a doce e meiga Angelin. Ligeiramente atordoado, mas extremamente argucioso e vingativo, viu se apresentar a oportunidade de conquistar, de uma só vez, os dotes do Rei Mor, tirando-lhe do poder as sete caixas mágicas. Mais ainda, consumaria seu perverso desagravo contra o bruxo, desonrando sua “filha”. Caso fosse preciso, assassinando-a também. Dissimulando sua perfídia, Conde Rasku ensaiou o sorriso mais irresistível e sedutor, indagando ao Rei Mor: — Quando poderei conhecer sua encantadora filha, para entregar-lhe o anel de noivado?
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Impossível ficar alheio ao progresso que vem germinando de uma forma poética. Enxadas, facões, roçadeira, plantio, colheita, arte, pensamento, criação, vivências por demais enriquecedoras. Momento único. Ainda solitário, pelo momento exigir isso. Em breve recebendo visitantes.
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Amanhã teremos mais trabalho! Parte 2
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No sitio a gente além de perder a noção do tempo, não vivemos em função de dias úteis. à espera de um final de semana pra tirar aquela descansada... nem tant também. Um dia após o outro e vamos levando a vida nessa troca de energia e produzindo. Um dia de cada vez, vamos indo. Nem tão índios, por causa dos insetos, melhor trabalhar vestido. Botina, caneleira, luvas, ... EPIs - Tenho que estar firme forte para amanhã continuar....
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Nessa experiência de cuidar da terra, fazer o manejo de cada atividade, para deixar o ambiente minimamente organizado, a fim que se possa observar o que está sendo preparado, desenvolvido, dá uma mão-de-obra e tanto. Para uma pessoa urbana que resolve fazer uma imersão profunda, em um universo totalmente adverso ao vivido anteriormente, não é fácil. Para muitos, nem imaginável, para outros impossível... mas existem aqueles que apesar de tudo parecer contra, eles vão na contra-mão fazendo o que podem. Futuramente essas pessoas, quem sabe possam deixar uma história diferente, de adesão A vida mais natural possível, ainda que fora das convenções? Paralelamente ao aprendizado que adquire-se, deveria registrar os processos pelos quais as pessoas são obrigadas a enfrentar, superando obstáculo, vencendo os desafios sem perder o encanto pela poesia impressa na vida cotidiana.
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URUCUMACUÃ* – Pássaro de Fogo. Uma história Real, de um Brasil que o Brasil desconhece! “As verdades, por mais que se tente ocultá-las – por séculos e séculos – um dia virão à tona, ainda que contrariando a nossa ignorância travestida de inteligência!” Manteve-se oculta do conhecimento humano por séculos, a história de uma personagem real, mitificada, hoje tida como lendária, no inconsciente coletivo de poucas pessoas, interessadas em assuntos dessa natureza. Urucumacuã – Pássaro de Fogo, em idioma próximo a Língua Geral provavelmente. Urucumacuã carece de ser estudado com mais profundidade. As informações existentes nos são apresentadas comumente como poéticas. Particularmente, minha intenção é aproximar o público dessa obra tão importante como literatura, mas indispensável à universalidade das coisas, principalmente à regeneração histórica da humanidade no mundo em que habita. Percebo a EKONAVI com essa transversalidade ao absorver e reverberar informações holisticamente. Não é por acaso que venho disponibilizar nesta plataforma em minha página, essa história que para muitos não passa de folclore, mito, lenda... em pequenas cápsulas, poções mágicas, fertilizante "frequencial" para fortalecer nossas raízes cósmicas. *H.H.Entriger Pereira - Autora desta saga contada em mais de 400 páginas - 2a. edição Editora Viseu. [Quero abrir aqui espaço para compartilhar oportunamente às sextas-feiras essa história que nos evidenciam...] NOTA DA AUTORA No final de 2012, numa manhã de primavera, recebi em minha casa a visita do amigo, escritor, poeta, ator e diretor teatral, Braz Divino. Veio para o café da manhã, o que me acrescentava uma alegria a mais, e trazia-me uma proposta visivelmente tendenciosa: pediu-me que escrevesse umas poucas linhas, coisa de uma ou duas páginas, para uma revista que intentava editar. A propósito, a revista em tela seria “Rumores”, o número zero de um projeto que futuramente seria rebatizado como “Urucumacuã”. Começamos a prosa entre um copo e outro de açaí. Fazia tempo que eu não produzia texto algum e me sentia desmotivada a empreender uma tarefa daquele calibre. Indaguei a respeito do assunto que gostaria que escrevesse. Quando me revelou, no primeiro momento, pensei em descartar o plano da minha colaboração, pois o tema proposto me pareceu absolutamente insólito. O que poderia eu escrever a respeito de um personagem que residia no mundo dos mitos e cuja transitoriedade era tão efêmera quanto improvável? Ah, tudo bem, teria deixado um legado incógnito, um fabuloso tesouro e uma obscura biografia, que somente acrescentava aos seus dados a hipotética existência de um irmão gêmeo. Era tudo o que eu sabia, até então, a respeito do Príncipe Urucumacuã – O Pássaro de Fogo – sobre quem teria de escrever pelo menos duas páginas de revista. Que desafio! Propus-lhe que escreveria, então, no formato de cordel, um jeito mais simples e poético de transmitir o que minha imaginação ditasse. Braz Divino passou-me a bola, conversamos trivialidades e nos despedimos. Ele, com a esperança de que eu entregaria o texto pronto em no máximo uma semana; eu, com a certeza de que teria que inventar, imaginar, criar, dar vida ao meu Pássaro de Fogo, pois já havia me apropriado e facilmente estabelecera laços de amor com o misterioso personagem. Inventei Urucumacuã ao meu gosto e sabor. Uma culinária que não me parecia mais difícil do que elaborar um bom prato, com sabores tropicais, regado a tucupi e folhas de jambu. Qual o quê... em poucos versos e algumas estrofes, esgotei-me. Não conseguia avançar, por absoluta ausência de inspiração. Passaram-se dias, nem um verso, nem uma estrofe. Urucumacuã permanecia inerte, a bordo de uma embarcação que singrava os mares em busca do Oriente... Natal de 2012, precisamente noite de 26 para 27 de dezembro. Numa rara ocorrência de insônia, reiniciei a contar para mim mesma o que já havia escrito do Príncipe dos cabelos de fogo e olhos de esmeralda. De repente, um milagre: abre-se um portal mágico. Mergulho profundo numa época em que passado e presente se abraçam. Vem à tona uma personagem de boa memória. Encontrei Rainha Alzira, a quem devo todas as lembranças da história de Urucumacuã e de todas as outras histórias tributárias dessa maravilhosa saga... Nós já nos conhecemos faz tempo. Liguei para Braz Divino e solicitei que me visitasse. De pronto, recebi sua bem-vinda visita. Expliquei-lhe que não escreveria mais uma ou duas páginas de sua pretensa revista. Meu amigo olhou-me entre pasmado e aflito, indagando: “E agora, o que vamos fazer?”. Sem muita explicação, acrescentei por resposta: “Vou escrever um livro. Duas páginas de uma revista são insuficientes para contar toda a história do Príncipe Urucumacuã”. Ele me compreendeu, brindamos à ideia com uma taça de açaí caprichada, alinhamos alguns pensamentos e prometi que um dia haveria de publicar a história completa. Assim se fez. Gratidão a Braz Divino. H. H. Entringer Pereira Vilhena/RO –Outono de 2018. APRESENTAÇÃO Pessoa não fosse. Nem tivesse sido. Agora, haveria de sê-lo. Se (não) em sonho, fantasia, pelo menos. Ilusão não seria. Quimera. Mera, quem sabe metamorfosear-me-ia em “Pássaro de Fogo”(.) Urucumacuã, em língua ancestral, por encantamento e de repente merecimento ter: o de ser escrito por Helô Pereira. Pessoa traduz meu paladar literário, principalmente no Livro do Desassossego, em que ele fala o que eu diria. Caso ele não tivesse escrito, “Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pela qual é senhora e rainha”(F. P). Helô Pereira tem esse cuidado despretensioso para facilitar a imersão do leitor, nesse momento tão importante, na leitura. Exatamente um mergulho em suas caixas mágicas da imaginação. Em busca do objetivo. Urucumacuã. Penso que, ainda que eu relesse a obra de Helô Pereira, por mais 33 dúzias de vezes, não atingiria a essência esculpida, palavra por palavra, em linguagem apetecível aos olhos e ao intelecto. Pessoa, o Fernando, no Livro do Desassossego, texto 259, disse: “Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar. As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sexualidades incorporadas. Talvez porque a sensualidade real não tem para mim interesse de nenhuma espécie — nem sequer mental ou de sonho —, transmudou-se-me o desejo para aquilo que em mim cria ritmos verbais, ou os escuta de outros. Estremeço se dizem bem.” Ai de mim, se esforço não tivesse feito, para atirar-me de corpo e alma em universo que acesso só pode ter de fato, depois de degustar Urucumacuã, livro inaugural da literatura equilibrada de Helô Pereira. Até então, não passava de uma utopia. Era tudo então, nada mais nada menos que uma miração. Um mito do inconsciente coletivo, há muito, quase arquivado na memória. Acompanhei de perto o surgimento dessa obra líteroiniciática, por assim dizer, que resgata, não um mero mito ou lenda, mas um personagem humanamente real. Distante do conhecimento da humanidade atual. Que nos primórdios da alquimia, da magia, do magnetismo e todas as ciências metafísicas, quânticas e espirituais, ele foi um dos exemplos mais próximos a inspirar magos, bruxos e templários distantes da essencial verdade conferida ao Príncipe, com seus verdes olhos incrustados em uma face cor de canela, de beleza impecavelmente ímpar. Sem contar suas madeixas vermelhas da cor de fogo. Urucumacuã definitivamente está longe de ser uma invenção histórica, como se vê grafado nos livros de história que discorrem sobre o tema. Temos hoje o conhecimento das Minas que trazem seu nome — uma lenda que povoa o imaginário coletivo antes do período da colonização espanhola na Amazônia. Porque até onde se sabe essas “minas” seriam as mesmas do “Rei Salomão”. Inclusive, o nosso desbravador Marechal Rondon não teria vindo simplesmente para estender uma linha telegráfica de Porto Velho a Cuiabá com a finalidade de estabelecer comunicação entre índios “selvagens” e uma população a caminho do desenvolvimento. Existindo tempo de plantar e de colher, logo estamos na era da colheita de uma época que não se repetirá. Ficaremos tão somente com uma das artes mais elegantes de todos os tempos, a literatura — capaz de revelar muito mais do que aquilo que se vê com assustadora propriedade. Helô magistralmente desmistifica, em Urucumacuã, um momento único da humanidade, em que se consegue ver as causas das transformações, do ser puro em objeto de disputa. A autora aproxima o passado do presente, com o aparecimento das coisas, dos seres, dos objetos, das palavras, das pessoas — revela a origem de uma civilização ainda por ser descoberta. A leitura subliminar da obra nos leva por labirintos até o universo místico, mágico e sublime da “eterealidade” que cada indivíduo vem investigando. O momento é ideal para testarmos a nossa capacidade de discernir entre o real e o fictício agora. Conferindo a realidade com os encantamentos de uma trama de milhares e milhares de anos, em meio às florestas mais densas que se soube existir um dia. Sentimos ainda, em nosso íntimo, a imperiosa necessidade de compreendê-la como a nós mesmos. Urge que se tome conhecimento dessa obra única, antes que tentem reinventá-la de acordo com o interesse pernóstico dos desbravadores atuais da literatura. Ao coração sensível. Bem me faria ser Pessoa para falar em Urucumacuã. Ou ser Urucumacuã e ser escrito por Heloiza Pereira. Braz Divino Ferreira da Silva Poeta plástico, Artista ambiental, artfloresteiro PREFÁCIO Sabendo que ao ler UrUcUmacUã iria adentrar em um mundo imaginário, repleto de tramas, feitiços, encantamentos, vesti-me como se fora enfrentar aventuras perigosas e ao mesmo tempos fantásticas, com armadura de ferro, alando meus pés para voar baixo e observar de bem perto, sem na terra encostar, os intrincados caminhos do inatingível, tornando-o palpável. Um tapete escarlate então se abriu a minha frente, como se fora um enunciado dramático de tudo o que iria encontrar — entrega, fascínio, tragédia, amor, lascívia, transformação e dor. E me camuflei em uma figura invisível para, sobretudo, não me machucar com tantas estripulias extraordinárias, criadas pela Autora que, de uma maneira exuberante, fascinante, criativa, nominou tudo e todos de um modo em que alia a fauna, a flora, a natureza, enfim, toda a vivência. E me enredei em cada passo, em cada compasso da trama, e me senti na corte, observando tudo e perquirindo — aonde ela (a Autora) quer chegar? Senti-me qual um Avatar, uma personificação de Deus, com a finalidade divina de aceitar e explicar o poder do imaginário que escorre por entre os dedos da Autora que, tenho certeza, escreveu tudo isso sorrindo, de suas próprias ideias, de suas figuras de linguagem, fazendo-me sorrir também. E a maneira descritiva dos ambientes internos e externos, dos adornos, das indumentárias leva-nos até a sentir a fragrância das flores, ver o nascer do sol, ouvir as águas dos rios e os pássaros cantarem, além de apreciar o décor e até notar o farfalhar dos tecidos e admirar suas cores. E continuei no encalço do Príncipe Urucumacuã, atrás de seu mistério, mergulhando fundo nas alquimias, profecias, bruxarias, encantos que permeiam o Império do Elo Dourado e outros reinos vizinhos, trançando meus passos com reis, príncipes, magos, duques, condes, marqueses, bruxos, vassalos e plebeus, mergulhando nos encantamentos fantásticos de sagas que foram misturadas com lendas urbanas, amazônicas e folclóricas. E eis que um Pássaro de Fogo, encarnação do príncipe de cabelos vermelhos e olhos verdes, voou para longe, trincando o meu coração, após desvendar seu segredo. Ave, Urucumacuã! Leitura estimulante que tem o condão de nos levar até o epílogo, para descarregar toda a nossa emoção de uma só vez, no final. Valeu, Helô Pereira! Agora só resta ler, se encantar, rir e chorar... Júlia Trindade –Poeta e escritora LIVRO I A CÂMARA DO GRAU O dia amanhecera radiante, inundando de luz dourada o grande pátio do Palácio Fortaleza. O Imperador, Rei Médium, levantara-se mais cedo, cuidando em não fazer barulho para que a Imperatriz, Rainha Gônia, continuasse repousando tranquila. Em silêncio, foi até o vestíbulo, compôs-se como de costume, subindo em seguida as escadarias secretas que ligavam seus aposentos à Câmara do Grande Reflexo Auto Unificado (GRAU), abstraindo-se em profunda e demorada meditação. Aquele era o dia em que, conforme profetizara o Mago Natu, durante a celebração lunar de seu casamento, há exatamente três anos, nasceriam os filhos gêmeos: Príncipe Urucumacuã e Príncipe Kurokuru. Consultando apontamentos e anotações astrológicas num rolo de pergaminho, constatou ser aquela data o solstício de verão, quando o Sol entraria na Casa Astral de Gêmeos, exatamente como Mago Natu anunciara. Sobre um aparador de madeira entalhada e marfim incrustado de ouro, estava a grande caixa preta, ao lado do molho de sete chaves de metal que recebera de presente do Mago Natu, assim que concluíra aquela predição. Ao mesmo tempo em que, pensativo, fitava o Espelho Universal (EU), prestava atenção àquele misterioso objeto, querendo desvendar quais segredos ali se continham, lembrando-se de que Mago Natu dissera que “aquela caixa estava trancada por dentro e só seria aberta pelo próprio Tempo, na hora em que os príncipes gêmeos nascessem”. Um raio de sol incidiu diretamente sobre a caixa, realçando as inscrições em letras douradas sobre a tampa, chamando ainda mais a atenção do Rei Médium. Pelo espelho, enxergou cada uma das letras, como se fossem partes vivas de uma composição, pronunciando-as em voz alta: M.N.O.P.Q.R.S. – I.N.R.I. Ao dizê-las, olhou instintivamente na direção do espelho e viu quando os ideogramas dourados, um a um, deslocavam-se da caixa para o espelho, projetando-se no reflexo, alinhando e recompondo-se na mesma ordem em que formavam a inscrição sobre a tampa da misteriosa caixa. Por alguns instantes, Rei Médium ficou absorto, admirado com a fantástica miragem. Ainda quieto, concentrado, viu também quando a imagem da caixa preta igualmente se projetou no fundo do espelho, solta, como se flutuasse, independente do móvel onde estava pousada. Buscando compreender o significado daquilo, lembrou-se de que sua mulher, a Rainha Gônia, deveria dar à luz dentro de algumas horas. O Palácio Fortaleza já estava preparado para a grande festividade do nascimento dos dois príncipes, com todas as suas acomodações repletas de visitantes — quase todos que compareceram à festa do casamento do Rei Médium com a Rainha Gônia, à exceção do casal, primo Rei Naldo e Rainha Araci, do Reinado de Avilhanas, porque também a Rainha Araci aguardava o nascimento de sua segunda filha, a Princesa Irina. Desejando a presença do Mago Natu ali, naquele instante, para que pudesse mostrar ao amigo a miraculosa projeção que ainda se conservava no Espelho Universal, Rei Médium fechou os olhos, buscando-o pelo pensamento. Um súbito destrancar da porta o empalideceu. Mirou novamente o espelho e lá estava refletida a imagem do próprio mago, que o cumprimentava sorridente e cordial. Logo o reflexo se desvaneceu. Mago Natu apresentou-se, então, diante dele, usando a roupa costumeira sob o avental branco que continha duas fileiras de letras repetidas, bordadas em fios de ouro: M.N.O.P.Q.R.S. — Chamastes? – Perguntou o mago, saudando-o. — Sim, Mago Natu. Preciso que me expliques algo. — Quereis saber os segredos e o mistério da caixa preta, correto? — Exatamente. Sei que hoje, à hora em que os príncipes nascerem, ela irá se destrancar. Recordo-me de que no dia do meu casamento, quando me entregastes a caixa de madeira preta e o molho das sete chaves de metal à Rainha Gônia, dissestes a ela que cada uma das chaves abriria a caixa de metal correspondente à chave... — Sim. É isto. — Pois bem — asseverou o Rei Médium —, disseste-me ainda que só poderia abrir uma caixa a cada dia, a partir do dia do nascimento e que, quando abrisse, saberia o que fazer... — Perfeitamente. As instruções estão contidas dentro de cada uma delas — repetiu sorrindo o Mago. — Entendi. Então, hoje, a primeira das caixas de metal será aberta? — Não. Hoje apenas a caixa preta irá se destrancar. A primeira caixa de metal, a de ferro, deverá ser aberta amanhã, ao alvorecer, porque o primeiro menino nascerá nesta manhã, mas o segundo só ao cair da noite! — O que farei agora? Esperarei até a grande caixa preta se abrir, ou descerei até o salão onde meus convidados aguardam notícia do nascimento dos gêmeos? — Vá para os vossos aposentos. Rainha Gônia já se levantou, e a Senhora Natividade da Luz está cuidando do quarto, preparando-o para os nascimentos. — E meus convidados? Deverei atendê-los pessoalmente? — Fique ao lado de sua rainha até o primeiro filho nascer, porque o segundo só virá no cair da noite. Não se preocupe, a Professora Plínia cuidará das recepções e da hospedagem dos vossos convidados. Afinal, nossa cerimonialista é competente e primorosa. Estarei com ela para auxiliar nas tarefas. Até breve. Rei Médium tranquilizou-se. Outras perguntas ainda o inquietavam: “Por que os filhos gêmeos haveriam de nascer em horários tão diferentes? Como o Mago Natu sabia que eram dois meninos?”. Todavia, preferiu esperar que o tempo lhe desse as respostas a mostrar-se impertinente ou inoportuno com o amigo. Confiava nele e tinha convicção de que suas predições eram exatas. Precisava um pouco mais de paciência para obter as respostas. Chegando à janela da Câmara do GRAU, sentiu uma agradável brisa a desalinhar seus cabelos. Olhou para o firmamento, admirando-se do tom azul brilhante, sem qualquer nuvem àquela hora da manhã. Dirigindo ao Grande Sol Central uma prece de gratidão, quando volveu o olhar em direção ao Espelho Universal, que refletia a fisionomia do Grande Rei. Fez uma reverência respeitosa, dobrando levemente os joelhos, dizendo para si e para o espelho: “Sei que não virás a esta comemoração, pois o dissestes aqui no meu casamento. Peço-vos, então, em nome do Grande Sol, assiste à Imperatriz Gônia, na hora de dar à luz aos filhos”. Um movimento diferente formou-se no pátio central do Palácio Fortaleza. Rei Médium não esperava retardatários, pois os convidados que confirmaram presença à grande festa de nascimento dos príncipes já haviam chegado conforme previsto. Além disso, todos se encontravam confortavelmente hospedados no palácio e nas casas nobres da cidade do Elo Dourado. Intrigado com a aglomeração repentina, fechou a janela, cobriu o espelho com a manta de seda vermelho-púrpura e desceu as escadarias rapidamente, até o pátio da entrada principal. A comissão de anfitriões do Palácio Fortaleza recepcionava um adolescente negro, de aproximadamente quinze anos e muito sorridente, cujo nome anunciado pelo arauto real não constava nas listas de convidados da Professora Plínia. Revisando suas pranchetas de anotações, convenceu-se de que não anotara mesmo aquele nome. Perguntou ao recém-chegado: — De que reino vieste? Muito simpático, o jovenzinho negro tinha uma particularidade que a todos causava admiração: só possuía uma perna. No entanto, era lépido como um coelho, bem-disposto e brincalhão. Com muita desenvoltura e sem acanhamentos, identificou-se, entregando à Professora Plínia um rolo de pergaminho vegetal — suas credenciais e identificação. — Sou Sacipe Ererê, venho com minha comitiva do distante Reino de Eirunepé. Em nome do meu honrado e mui bondoso soberano, o Rei Vel, e sua distintíssima esposa, Rainha Candelária, saúdo o grande Imperador do Elo Dourado, Rei Médium, sua virtuosa esposa, Rainha Gônia, toda a sua nobre Corte e trago-vos estes presentes! Rei Médium aproximou-se do rapaz, afastando-se da aglomeração, abriu passagem entre os cortesãos, pegou o rolo de pergaminho das mãos da Professora Plínia, olhou-o por instantes e pronunciou-se: — Bem-vindo, Sacipe Ererê e também sua comitiva. Estejam à vontade na Corte do Elo Dourado. Grato ao vosso rei pelos presentes que trouxestes. Professora Plínia, por gentileza, acomode nosso jovem hóspede e seus acompanhantes na mesma ala em que estão os corredores de Numpessó. Cuide para que nada lhes falte. A maioria das pessoas riu. Julgaram que o Imperador estivesse a troçar do recém-chegado. Rei Médium, circunspecto, esclareceu: — Sacipe Ererê vem do Reino de Eirunepé, representando o Rei Vel e a Rainha Candelária, que não puderam comparecer. Ele é um dos corredores que representará seu reinado na Corrida Numpessó. Conte-nos tua história, Sacipe Ererê. Por que só tens uma perna? — Senhor Imperador, prezados nobres, nasci assim. Quando minha mãe estava gestante de poucos meses, uma feiticeira poderosa que vivia no Reinado de Eirunepé entrou em demanda com o Rei Vel e a Rainha Candelária. Derrotada no embate, para se vingar, lançou uma maldição sobre todas as mulheres grávidas do reinado. Alguns meses depois, os bebês de Eirunepé nasceram todos desse jeito, assim que nem eu... Hehehehehehe. — Ooooh! — exclamaram em uníssono. Um dentre os ouvintes perguntou: — Quem era a feiticeira maligna? Ainda mora por lá? — Taruga Quelônia, a Tal Taruga... mas faz tempo que não ouvimos notícias dela. Dizem que se mudou, depois que se casou com um bruxo famoso deste reinado, o Bruxo Neno. Rei Médium se adiantou, explicando: — Viviam aqui, Sacipe Ererê. Bruxo Neno atualmente mora no Reinado de Trindade. É súdito do Rei Mor. Já se casou com outra mulher, a bela serva de Mor, a Murmur, desde que Taruga Quelônia, a Tal Taruga, encantou-se num réptil. — Quem fez o encantamento? — quis saber Sacipe Ererê, demonstrando aflição. — Não se aflija — tranquilizou-o Rei Médium —, a Tal Taruga encantou-se num animal totalmente inofensivo e indefeso. Desde a festa do meu casamento, há três anos passados, que ela vive a andar pelas praias do Elo Dourado, cavando e enterrando ovos na areia. Não fará mal a ninguém mais... Amigos, fiquem à vontade. Logo teremos notícia do nascimento dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru. Desfeito o burburinho com a chegada da comitiva de Sacipe Ererê, o Imperador recebeu os brindes mandados pelo Rei Vel, passou ligeiramente pelo Salão de Refeições, saudando os nobres que degustavam o desjejum e voltou aos seus aposentos. No pátio do palácio, duas criadas vindas de direções opostas se encontraram no meio do jardim. Saudando-se alegremente, olharam ao mesmo tempo para o céu. Viram quando uma enorme ave branca, de bico longo e desconhecida, desenhou um círculo no espaço, pousando elegantemente na janela dos aposentos reais. Admiradas com a acrobacia do grande pássaro, uma perguntou à outra: — O que é aquilo? — Ora, ora, então não te lembras? — Lembrar-me do quê? — Do vaticínio do Mago Natu, no dia do casamento do Rei Médium com a Rainha Gônia: “...No dia em que Sol e Lunes estiverem na Casa Gemini, um grande pássaro branco, desconhecido neste reinado, pousará na janela dos aposentos reais. Então, a rainha dará à luz filhos gêmeos: Príncipe Urucumacuã e Príncipe Kurokuru.” — Ah, já sei. É Gônia dando à luz... isso mesmo, o grande pássaro branco... deve ser Gônia dando à luz! Naquele mesmo instante, ouviu-se o choro de um recém-nascido. Na Câmara do GRAU, um forte estrondo ecoou feito trovão. Rei Médium atemorizou-se com o barulho, dirigindo-se imediatamente ao compartimento secreto. Abrindo a porta, com cautela, viu quando a manta de seda que cobria o Espelho Universal deslizou até o piso, refletindo a imagem da misteriosa caixa preta se destampando. O rei, cauteloso, aproximou-se do objeto, cuja tampa desaparecera, e sentiu uma energia fora do comum a lhe percorrer o corpo. Dentro da caixa preta, forrada de seda azul brilhante, havia uma caixa de ferro, ainda fechada. Teve ímpetos de buscar o molho de chaves pendurado num cabideiro ao lado do espelho. Algo inusitado prendeu sua atenção: a imagem do Mago Natu refletida no espelho, que o observava, advertindo: — Hoje, não! Só abrireis a primeira caixa de metal amanhã, ao raiar do dia. — Amanhã!? — surpreendeu-se o Rei Médium. — Sim, amanhã! Dentro desta caixa de estanho está a caixa de chumbo; dentro da caixa de chumbo, a de ferro; dentro da caixa de ferro está a caixa de cobre; na caixa de cobre, a caixa de bronze; na caixa de bronze, a caixa de prata; e dentro da caixa de prata, a caixa de ouro. Cada dia abrireis uma delas e, então, sabereis o que fazer em cada um dos sete dias. — Hoje, o que farei? — Aguardareis. Vosso segundo filho ainda está por nascer. — Estais convicto de que há mesmo um segundo filho? — Certamente. Príncipe Kurokuru nascerá ao cair da noite. Acreditais em mim? — Se dizeis assim, assim será, Mago Natu! A imagem refletida no espelho esvaneceu. Rei Médium cerrou as cortinas e olhou pela derradeira vez a caixa de ferro dentro da caixa preta de madeira. Em obediência às recomendações do mago, retirou com grande esforço o objeto de metal, liberando-o da caixa de madeira, admirado de seu peso, pois sabia que dentro dela continham-se outras seis caixas. Examinando o interior forrado em seda azul brilhante, viu que em nenhum dos lados, tanto fora quanto dentro, havia marcas de ferrolho ou tranqueta. Perguntou a si: “Como permaneceu trancada esse tempo todo, se não há com que trancá-la? Onde foi parar a tampa com as inscrições douradas?”. Dissuadido de compreender o enigmático presente, optou por deixar a sólida caixa de estanho sobre o aparador. Certificando-se de que o forro de seda azul nada simbolizava ou tivesse de incomum, constatou que a caixa de estanho possuía apenas uma abertura no formato da chave pela qual seria aberta. Contendo-se para não a abrir antes do momento autorizado, pousou sobre ela o molho das sete chaves e se retirou. Precisava ver e abençoar seu primogênito nascido àquela hora. Não demorou um minuto, troou pelo amplo espaço do pátio do Palácio Fortaleza o repique de um grande sino. Ouviu-se na sequência a trombeta do arauto real, solene e auspiciosa, anunciando aos quatro cantos do palácio o venturoso nascimento do Príncipe Urucumacuã. No parapeito da janela dos aposentos reais, a grande ave branca, denominada cegonha, ergueu majestoso voo e despareceu para nunca mais ser vista na imensidão daquele céu azulado. À tarde, enquanto os convidados do Rei Médium se preparavam para cear e depois se divertir com os jogos de mesa e tabuleiro preferidos pela maioria dos reis e rainhas, em alegre e efusiva movimentação, mais uma vez o arauto real tocou bem alto o sino de bronze, conclamando a atenção de todos com o troar afinado da trombeta, alardeando outro nascimento. Cumpria-se a profecia do Mago Natu, dita há exatos três anos: a Imperatriz Rainha Gônia, ao anoitecer, dera à luz seu segundo filho gêmeo, Príncipe Kurokuru. CAPÍTULO 2 ABRINDO AS SETE CAIXAS No alvorecer do dia seguinte, Rei Médium subiu à Câmara do GRAU. Quando abriu a porta, encontrou-se com o Mago Natu: — Estava a vossa espera... bom dia! — Bom dia, Mago Natu. Vim abrir a caixa de estanho. Devo? — Certamente. Só vós podereis fazê-lo. Eis a chave. Mago Natu, com o molho de sete chaves na mão, retirou com cuidado a chave de estanho presa às amarras de fitas coloridas, entregando-a solenemente ao Imperador. — Gire-a uma vez à esquerda e duas vezes à direita. Ouviram um breve clique e outros dois mais prolongados. A tampa da caixa abriu-se instantaneamente, ao tempo que um rápido clarão se refletiu no espelho. Rei Médium sondou o interior da caixa de estanho como se procurasse algo secreto. Nada havia além de outra caixa — a de chumbo. Removeu a caixa de chumbo, separando-a, colocando a caixa de estanho aberta e vazia entre a de madeira preta destampada e a de chumbo ainda lacrada. Sem entender o que se passava, perguntou ao Mago: — Que farei com isso, agora? — Olhai o espelho e compreendereis. A imagem de uma reluzente e portentosa gata pintada a espreguiçar-se projetou-se em primeiro plano, de frente ao Rei Médium. A beleza sedutora e a aparente ferocidade do animal provocaram ao mesmo tempo admiração e temor. O olhar lascivo da fera parecia magnetizar o rei. Dando um passo atrás, esquivando-se da ameaçadora e sedutora miragem, perguntou ao Mago: — É a Marquesa de Sonça, a senhora Pan Thera, aquela que o Bruxo Neno e o Conde Rasku transformaram nessa fera pintada, na noite seguinte ao casamento do conde? Mago Natu, assentindo com a cabeça, segredou ao Imperador: — Perfeitamente. Preciso vos alertar sobre cuidados que adotareis, quando vossos convidados saírem a caçá-la. — Deveremos, então, organizar uma caçada? — Sim. Todos os vossos convidados, reis e acompanhantes que desejarem, deverão sair para caçar a fera pintada. — Mas não temos tradição de caçadas no Império do Elo Dourado, desde que essa fera encantada começou a aterrorizar os caçadores. – argumentou. — Não se trata de uma caçada igual às outras. Precisamos capturá-la apenas, não a matar, para retirar-lhe uma joia que carrega presa ao pescoço e desencantá-la! Aquela descomunal fera pintada vagava livremente por todos os florestais. Encontrar-se com ela era um dos maiores riscos a que os caçadores se sujeitavam, ainda que muitos o desejassem, por curiosidade ou paixão. Embora tivesse a aparência de animal feroz, não era a ferocidade seu maior perigo. Sua magia e beleza fascinavam, deslumbravam, atraíam fatalmente homens e mulheres. Ainda que tivesse aspecto aparente de animal, exalava aromas exóticos tão sedutores que levavam os que não estavam preparados para resistir aos seus encantos à lascívia, à loucura ou à morte. Muitas histórias de caçadores iludidos, desaparecidos ou encontrados mortos, sucumbidos à atração da sensualidade da fera pintada, eram descritas por causa do desejo e da curiosidade que despertava nos que tencionavam possuí-la. — Meus convidados terão obrigatoriamente que aprisioná-la? — Exatamente. Deverão resistir, no entanto, ao magnetismo sedutor dos seus olhos agateados, não deixando que seus olhares se cruzem diretamente. A armadilha para atraí-la será de paus e cordas com isca de flores de jasmim. Após aprisioná-la, cortem-lhe as garras, trazendo-me para que possa desfazer o feitiço e transformá-la novamente na bela e sedutora senhora Pan Thera. — Mago Natu, vós mesmo desfareis o encantamento? — Sim, desde que consigam trazer-me as aparas de suas garras afiadas. — Se não conseguirem? — A marquesa continuará encantada, até que o Príncipe Urucumacuã cresça e adquira conhecimento para cumprir ele mesmo essa tarefa, desfazendo não apenas esse como tantos outros encantamentos que existirão neste reinado. — Referi-vos, inclusive, àqueles que o Bruxo Neno provocou, durante a festa do meu casamento? — Alguns deles. Nestes próximos sete dias em que se abrirem as caixas de metal, principalmente hoje, amanhã e depois de amanhã, agiremos no sentido de encontrar as criaturas que continuam encantadas sobre a Terra, no reino das águas ou no espaço celeste, para que retornem às próprias essências, aos seus elementos originais – garantiu Mago Natu. — Quanto ao Kaiporã, aquele ente que, acreditamos, ter sido parido pela fera pintada, a Pan Thera encantada, deveremos também o aprisionar, para desencantá-lo? — Não, o Kaiporã, cria parida pela Sonça Pintada, transformou-se num guardião do florestal. Cuidai para que nenhuma mulher participe dessa caçada, porque o resultado poderá vos surpreender – advertiu o mago. — Podereis me explicar melhor? — Claro. Mas cuidemos disso antes que se cumpra essa primeira das sete tarefas mágicas. Teremos muito trabalho a realizar. Depois explicarei os porquês de tudo! Rei Médium confiava na extraordinária capacidade e no conhecimento do Mago Natu a respeito das Ciências dos Mistérios e Magia. Acreditava firmemente que ele dominaria com agudeza de espírito e argúcia as forças ocultas manipuladas pelo Bruxo Neno, para sobrepô-las, desfazendo as incontáveis feitiçarias que, desde a festa de seu casamento com a Rainha Gônia, dividiram a população do Elo Dourado e avivaram intrigas, azedando o ânimo entre os reinados, tornando insuportável a vida de muitos súditos nos lugarejos de beira-rio. Entretanto, algo inexplicável desassossegava o coração do Rei Médium. Sentia que alguns dos encantamentos provocados pelo Bruxo Neno estavam irremediavelmente condenados a se perpetuar ao arbítrio do tempo. Não ousava, porém, desobedecer nem contrariar os ditames do Mago, ainda que custasse a admitir a possibilidade de que seus amigos enfeitiçados e transformados em peixes e répteis, há três anos, voltassem aos formatos naturais humanos, sem prejuízo das faculdades de ponderar ideias e raciocínios, ou, simplesmente, lembrar-se das circunstâncias vividas sob outras formas, noutras essências. Se houvesse possibilidade de qualquer sequela permanente em suas memórias assim que se desfizessem os feitiços, incluindo transtornos mentais, melhor seria que permanecessem encantados para sempre. Mago Natu perguntou ao Rei Médium se ele conhecia os pormenores e os motivos pelos quais o Bruxo Neno se apropriara do bridão de ouro encantado que pertencera ao Rei Albe, o Rico, utilizando-o para transformar a senhora Pan Thera, Marquesa de Sonça, na deslumbrante fera Pintada. Comentava-se que o bruxo, quando a encantou, tencionava apenas libertá-la da dolorosa tortura infligida pelo marido, o belo e cruel Conde Rasku, que a flagrou, em sua primeira noite de casados, em pleno ato com o bruxo e, para se vingar da mulher traidora, marcou seu corpo nu, coberto de pó de ouro, com golpes de ferro em brasa! — Ouvi rumores... tia Alzira falou algumas coisas na derradeira visita que nos fez, logo que a Imperatriz ficou grávida – assentiu o Rei. O Imperador se recordava de que, mais ou menos à época daqueles acontecimentos, sua tia-avó, Rainha Alzira, já viúva do Rei Albe, o Rico, visitou-o no Palácio Fortaleza, assim que soubera que a Rainha Gônia engravidara dos príncipes gêmeos. Naquela visita à Imperatriz, Rainha Alzira também trouxe notícias do Reinado de Avilhanas, contando detalhes do nascimento de seu primeiro neto — o Príncipe Gesu Aldo, primogênito do Rei Naldo e da Rainha Araci, já com dois anos de idade à época. Relatou também sobre os despautérios e extravagâncias do incorrigível filho Conde Rasku e seu excêntrico casamento; coisas secretas que aconteceram entre Rasku e a nora, Marquesa de Sonça, transformada e encantada numa fera pelas artes mágicas do Bruxo Neno. Justificou, no entanto, que ela mesma não poderia vir à festa de nascimento dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru, pois a Rainha Araci estava novamente grávida e daria à luz, naquela mesma época, à Princesa Irina, sua segunda neta, conforme as predições do Mago Natu. Princesa Irina fora prometida em casamento ao Príncipe Urucumacuã, antes mesmo de nascer. — Conde Rasku chegou de Avilhanas anteontem – informou o Rei Médium ao Mago Natu –, entregou-me mensagem mandada pelo primo, Rei Naldo, dando conta de que a Princesa Irina nasceu, felizmente. Por isso não pode vir a esta comemoração. Conde Rasku também se limitou a repassar os recados do irmão, respondendo sucintamente o que o Imperador perguntara. Sequer tocou no nome de sua mãe, Rainha Alzira, e de sua cunhada, Rainha Araci; tampouco relatou acerca dos acontecimentos envolvendo sua mulher, a Marquesa de Sonça, com o Bruxo Neno, depois da traiçoeira armadilha que os dois enredaram no dia seguinte às bodas. — Nem espere, nem queira ouvir do Conde Rasku sobre aquilo, meu amigo. São raras as pessoas que sabem do misterioso incidente, além de uns poucos lacaios da Marquesa de Sonça, mantidos de boca fechada sob ameaça de morte pelo próprio conde. — E quanto a vós? Como soubestes do ocorrido? – indagou o Rei Médium. — Tenho minhas fontes de informação, amigo! — E que fontes, Mago Natu, que fontes! — Garanto-vos que Conde Rasku estará entre os primeiros dos interessados a se inscrever para capturar a Sonça Pintada. Não por vontade de desencantá-la e de tê-la como mulher novamente, mas por desejar avidamente tomar-lhe a joia que está no pescoço. Ele não percebeu que o Bruxo trocou rapidamente a peça, deixando no pescoço da fera o falso bridão e ficando com aquele verdadeiro, que pertenceu ao vosso tio-avô. — Podereis contar-me sobre o acontecido, Mago Natu? — Certamente. Antes que nossos caçadores capturem a Sonça Pintada e seu falso bridão encantado, sabereis como tudo aconteceu... — Por que não utilizareis as mandrágoras que recebestes do Grande Rei para desfazer de uma só vez todos os feitiços e encantamentos provocados pelo Bruxo Neno? – Rei Médium indagou? — Não servem para isso, especificamente. Ganhei-as do Grande Rei com a recomendação de somente utilizá-las em benefício de toda a população do Elo Dourado. Cada uma das três mandrágoras possui uma utilidade específica. A primeira é só para curar epidemias; a outra para restaurar a fertilidade dos casais neste reinado e a terceira para livrar nossa população da escassez de alimentos, quando e se houver. — Haverá, então, motivos para usá-las? – interpelou o Rei. — Quem sabe, amigo, quem sabe? — Dizei-me agora, Mago Natu, quando, como e por que a Marquesa de Sonça se transformou naquela fera Pintada? — É uma longa história, prezado Rei Médium. Preciso mesmo vos contar. Voltemos no tempo, desde a época da festa do vosso casamento, há três anos, quando o Conde Rasku anunciou seu noivado com a Marquesa de Sonça e, algumas luas depois, realizou suas bodas lá em Avilhanas. Naquele tempo, exatamente, passeavas com a Rainha Gônia visitando o Reino da Madeira, e eu andava pelo Reinado da Perfeição, hospedado no Palácio do Grande Rei. Lembremos, pois...
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Capacitação para Brigadistas Voluntários no PA Quilombo em Chapada dos Guimarães-MT, Associação PA Quilombo e S.O.S Pantanal no combate aos incêndios florestais. Proteger o cerrado é um dever de todos.
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Não carece resenha.
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