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OCA TERRAVILA GLOCAL - Ocupação Cocriativa ArtFloresta

Sitio Bom Jesus - Rua Quilombo LT 56 - PA Quilombo - Lago do Manso - Chapada dos Guimarães-MT Brasil
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Categorias
Associação, Centro Cultural, DAO
Actividades
Acomodação, Agrofloresta, Aromáticas, Compostagem, Frutas, Grãos, Medicinais, Mudas, Orgânico, PANCs, Permacultura, Pesquisa, Preservação, Reciclagem, Sementes Crioulas, Voluntariado
Fone: +5569999556403
Facebook: brazdyvinnuh
Twitter: @Brazdv
Sobre
OCA - Terravila Glocal             "Alegria, fruto da Liberdade c/ Confiança!" OCUPAÇÃO COCRIATIVA ARTFLORESTA >>Manter um Polo Produtivo utilizando o conceito Agroecológico e da permacultura. Horta c/ alimentos convencionais; cultivo de ervas aromáticas, medicinais, fitoterápicas e PANCs-(Plantas Alimentícias não Convencionais); meliponicultura; manejo extrativista; canteiro de mudas de espécies nativas e/ou  ornamentais para reflorestamento local; Artfloresta (Arte como ferramenta pedagógica); turismo rural; resgate cultural; artesanato e artes em geral. >>Criar um ambiente de convivência e experimentação laboral que dialogue com liberdade a respeito de planejamento consciente e inteligente de geração de riquezas para a sustentação do Polo, com vistas para a regeneração do homem, a fim de dar visibilidade à regeneração do ambiente integral; onde o bem comum (terra, água, ar, fauna e flora) esteja além da geração de conteúdos que estimule a troca de saberes. >>TEATRO CIRCULAR REGENERATIVISTA URUCUMACUÃ - será uma edificação para marcar a presença da OCA OCUPAÇÃO COCRIATIVA ARTFLORESTA neste ambiente como inspiração ao Grande Público (Local e visitante). >>Longe do estereótipo de ações com viés de “cuidados ambientais”, o projeto recebe colaboradores para alavancar esse processo imediato, onde é oferecida hospedagem e alimentação para participação no projeto pelo período acordado entre o interessado e o projeto. O candidato oferece 4(quaro) horas de mão-de-obra diárias por semana, com dois dias de folga.  O tempo restante os colaboradores são incentivados a produzirem para conquista de seus retornos fiduciários. >>Esse sistema de “Terravila” Glocal é um conceito que vem dando certo, por oferecer aos experimentadores a liberdade de produzir o seu próprio sustento. Sem ter um mandatário centralizador. Os modelos comuns existentes, deixam um hiato que não pode ser preenchido. A proposta apresentada é de acesso e não de posse. Os colaboradores podem ser transitórios , temporários e "permanentes" pois é fato a transitoriedade da vida.  Com o processo em andamento para os trabalhos, vem ficando mais clara a proposta de uma “rede de ocupação produtiva e não de um grupo. >>A proposta “Terravila” Glocal existe em três dimensões, LOCAL, com os  colaboradores que a partir do pertencimento, se tornam moradores, por sua vez, locais; VIVENCIAIS são os colaboradores que fazem uma imersão local, por um período de tempo; GLOCAIS são os colaboradores que conhecem a proposta e participam de qualquer lugar do mundo, inclusive localmente. >>Nesta “Terravila” Glocal OCA os trabalhos de infraestrutura estão sendo inicializados. Os colaboradores dessa primeira fase terão a oportunidade de  conhecer de perto o mecanismo de se criar recursos para gerir uma ocupação que vai além da moradia e da propriedade para o plantio, onde se busca a regeneração do ser humano para que ele compreenda e se torne regenerador de sua própria natureza. Em uma rede que vem se espalhando pelo mundo, agregando pessoas que se identificam, principalmente deixando clara a importância da Alegria, Liberdade e da Confiança. Juntos somos mais fortes sem perdermos nossa pessoalidade.  § - O Projeto OCA terravila Glocal - Ocupação Cocriativa Artfloresta está sendo reconfigurado quanto ao formato das atividades locais, para deixar fluir com mais vigor tudo que vier para fortalecer nossa Ocupação. NOVA FASE. <<O que faria a equipe do Projeto OCA TERRAVILA GLOCAL, estar na plataforma?>> època de chuva - Forestando <<<A PRÓXIMA ETAPA É VIABILIZAR RECURSOS PARA FAZER CAPTAÇÃO DE ÁGUA POR GRAVIDADE PARA IRRIGAÇÃO DE BERÇÁRIO DE PLANTAS>>> <<<A OUTRA AÇÃO PARA MELHORIAS É A IMPANTAÇÃO DO BERÇÁRIO DE PLANTAS +++ PARA ATENDER AO VIVEIRO DE MUDAS>>> Confirmada a proposta de multiplicação do VETIVER para substituição do capim Brachiara, em toda pastagem do sitio Marcada a iniciação da poda do VETIVER - na próxima 4a feira dia 29 de janeiro de 2025 O Projeto OCA Terravila Glocal, firma parceria com a Associação do PA Quilombo, no Lago do Manso para desenvolvimento de novas propostas. Tendência a se tornar o carro chefe das ações da OCA para suprir o campo. ***210 mudas de vetiver replantadas e o Campo de Vetiver Regenerativo começa a crescer. Será dada continuidade ao projeto do Campo em junho, quando as matrizes completam um(1) ano. Hoje 245 mudas de vetiver. O Campo terá inicialmente 10 linhas com 100 mudas. Trabalho prazeroso. Em breve nova demanda será apresentada para o deleite de todos que defendem a regeneração. O planejamento para breve é de 500 mudas de Vetiver, até o final do ano. No máximo inicio do ano que vêm. Terra pronta para começar a Agroflorest(inh)a. Importante registrar que está florestando a OCA LAB 2 - Exatamente onde surgiu a presente Ocupação. Brevemente mais notícias. Viva! A OCA - Ocupação CoCriativa artFLORESTA tem um tempo, que está parceira da Associação do PA Quilombo, no Lago do Manso - Chapada dos Guimarães-MT, mas só agora me ocorreu de tornar isso público. Vacilei, mas vamos aos poucos corrigindo esses lapsos. Como o planejado, estou trabalhando, para dedicar meu tempo ao cultivo de espécies menos comuns. Como forma de incentivar a agricultura familiar a ter uma diversidade maior de cultivares.
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URUCUMACUÃ BY H.H.Entringer Pereira LIVRO 3 Cap. 81
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O FOGO NA CASA DAS MOÇAS Quanto mais se aproximava o dia do casamento, mais Rainha Alimpa se sentia ansiosa. Menos pela saudade de seu reino, pois deixara tudo sob a administração de competentes ministros e bons conselheiros, mas por algo que sua intuição lhe anunciava sob forma de pressentimento de tragédia. Sentia calafrios sem motivos aparentes, como se fossem avisos de imprevistos no percurso. Casar-se uma segunda vez, entretanto, não estava fora dos planos, nem a incomodava tornar-se rainha de outro reinado. Sentia que não se tratava de algo ligado ao seu estado emocional, nem material, mas sombras de preocupação a acompanhavam quando trazia à lembrança o assassinato do irreverente e divertido Louco, providencialmente confundido com o sábio e circunspecto Mago. Interpretava aquele acontecimento criminoso como um aviso agourento de que corriam perigo, mercê que estavam da sanha assassina de algum malfeitor vingativo e odioso. Apenas os participantes do passeio ao Vale do Apertado notaram que, depois do assassinato do Louco, Mago Natu modificara seu estilo de trajar-se. Deixou as túnicas e as vestes brancas sob o avental bordado com o enigma M.N.O.P.Q.R.S., fazendo uso das indumentárias extravagantes do amigo, comportando-se publicamente com a excentricidade peculiar ao falecido personagem. Avizinhando-se a data de seu casamento e impelida pela curiosidade, Rainha Alimpa criou coragem para interpelá-lo: — Mago Natu, por que não tens usado tuas próprias roupas, desde que as trocou pelas do Louco? — Porque minha vida está garantida assim. É mais seguro que o assassino pense que matou o Mago e não o Louco. — Usarás a roupa do Louco até para celebrar meu casamento? — Não, no teu casamento, o Mago ressurgirá. Importa que saibam, neste dia, que quem morreu foi o Louco. — Mas, então, correrás perigo depois... — Enganas-te! Depois outros acontecimentos farão com que me esqueçam... — Podeis me dizer que acontecimentos serão? — Minha cara amiga, se eu vos disser, a história não será a mesma. Deixa o rio seguir seu curso natural. Faltando dois dias, às vésperas das bodas, o Palácio das Esmeraldas já estava ornamentado. Não havia um só detalhe esquecido ou desapercebido pela laboriosa organização da Professora Plínia. A movimentação dos hóspedes era intensa. O clima de alegria imperante só contrastava levemente com resquícios da nostalgia devido à sentida ausência da Rainha Araci e ao desaparecimento inexplicado do Louco, pois o episódio de seu assassinato não mereceu divulgação, atendendo razões de estratégia e segurança aconselhadas pelo Mago Natu, bem compreendidas pelos membros tanto da corte do Rei Médium do Elo Dourado quanto do Rei Naldo de Avilhanas. Todos os convidados haviam comparecido, inclusive o Rei Mor, do Reinado de Trindade. Desde o casamento do Rei Médium com a Rainha Gônia, no Elo Dourado, ele não mais comparecera a festa alguma. Justificava sua ausência designando o Bruxo Neno com outros membros da sua corte para representá-lo. Naquela oportunidade, todavia, viera ele mesmo com a Rainha Sissu e sua única filha, Princesa Anaconda. Foi 330H. H. Entringer Pereira a última comitiva a chegar e todos os aposentos da ala oeste do palácio estavam reservados para acomodá-los. Rainha Alzira e Rainha Gônia não se sentiam inteiramente à vontade com a presença da corte de Trindade, mas em nome das boas relações e da diplomacia entre os soberanos vizinhos, deram-lhes as boas-vindas no estilo protocolar de Avilhanas. Rei Naldo sabia que a visita do Rei Mor a Avilhanas não se prendia apenas à celebração de seu casamento com a também viúva e jovem Rainha Alimpa. Era notório e evidente que Rei Mor andava à procura de um fidalgo para desposar sua filha, a horrorosa e desprezível Princesa Anaconda. O único filho homem do Rei Naldo, Príncipe Gesu Aldo, quase tão belo quanto seu tio, Conde Rasku, era sabido de todos, tinha compromisso de noivado firmado com a Princesa Hévea, irmã dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru, filhos do Rei Médium, e deveria se casar tão logo o Príncipe Urucum voltasse de sua longa viagem para desposar a Princesa Irina, sua irmã. O único príncipe solteiro, que ainda não tinha compromisso de noivado, era o Príncipe Kurokuru e, por conseguinte, estava disponível, se quisesse, para consignar um contrato nupcial. Havia ainda solteiro o inveterado sedutor, famoso pelas suas incursões amorosas descomprometidas, o Conde Rasku. O perfil do Conde Rasku, no entanto, não se adequava ao desejado pelo Rei Mor para ser admitido na realeza de Trindade. Era bonito demais, mas tinha caráter de menos. A fama de cruel desabonava suas credenciais. Rei Médium pediu ao Rei Naldo que aproveitassem o ensejo para resolver, de uma vez por todas, as questões ainda pendentes sobre as posses das terras do finado Barão de Corumbi. Era mais que oportuno se reunirem, os três soberanos, pois as terras que Corumbi ara confrontavam com os três reinados. O Elo Dourado ainda não havia conseguido consenso quanto à partilha de cada um. Rei Naldo também precisava ter a última palavra de Rei Mor quanto ao acordo que propôs na derradeira vez em que se encontraram para tratar do assunto. Ele só não desejava que Rei Mor usasse mais uma vez de sua astúcia para atrelar a cessão das terras do Barão de Corumbi contíguas ao reino de Trindade e Avilhanas ao casamento de sua filha com o Príncipe Gesu Aldo. Aquele assunto já estava resolvido. Sem mencionar o nome do Bruxo Neno, Rei Mor, Rei Naldo e Rei Médium conversaram longamente, a respeito de interesses de seus próprios reinados. Conforme suspeitavam, a repartição das terras de Corumbi foi o que motivou Rei Mor a aceitar o convite de vir a Avilhanas para o casamento do viúvo Rei Naldo. Não se supunha, entretanto, que o plano final do Rei Mor era arrumar um casamento para sua filha, Anaconda, com o Príncipe Urucumacuã e não com os príncipes Kurokuru e Gesu Aldo ou o Conde Rasku. Depois de muitos rodeios e indiretas, Rei Mor finalmente se declarou: — Rei Médium, reconheço vossa preeminência como o mais poderoso soberano de um imenso império. Além das vastidões e das riquezas de vossas terras, tendes ainda o mais rico e encantador reinado. Sois dono de grande tesouro e uma nesga de terra a mais ou a menos não fará diferença na vossa fortuna. 331H. H. Entringer Pereira — Tendes razão, Rei Mor. Porém, desde que o Barão de Corumbi começou a plantar os algo dão, tivemos uma parceria de muita prosperidade. Toda sua produção era vendida a mim. — Mas os trabalhadores do barão eram servos cedidos por mim... — Entendo que tendes também interesse em continuar o cultivo das ementes do algo dão. — Não exatamente. Vou ser bem claro: proponho-lhe casar minha filha Anaconda com o seu filho Urucumacuã e, como dote, dou-lhe toda a parte de terras que a mim certamente faz jus, para incorporar aos vossos domínios. Rei Naldo, que até então apenas ouvira, sem se manifestar a favor de um ou de outro, esboçou um sorriso irônico e interveio: — Rei Mor, Príncipe Urucumacuã está noivo de minha filha, faz mais de um ano. Tão logo volte de sua grande viagem, casar-se-á com Irina. Podeis negociar de outra maneira as terras que Corumbi ara. Rei Mor franziu o cenho, enrubesceu e, por breves instantes, não conseguiu falar... Apercebendo-lhe o desagrado, Rei Médium, com serenidade e paciência, deu novo rumo à conversa: — Faça-me outra proposta, Rei Mor! Podemos também repartir as terras em proporções às nossas divisas. Traçamos uma linha na metade do terreno. Ficas com a parte esquerda ao Rio da Dúvida e a mim basta a porção contígua às minhas terras, na margem direita. — Adianto-vos que não é uma justa partilha. Ficarei no prejuízo, porque a maior parte da área já pertence ao reino de Avilhanas. Não posso ficar prejudicado. — Então, o que me propões? — Que mande seu filho Urucumacuã a Trindade, antes que se case, logo que voltar da viagem, para que façamos um acordo... se não... — Se não...? — Usarei meus próprios meios para promover a partilha! — Concordo mandar Urucumacuã ao vosso reinado, tão logo volte de sua grande viagem. Haveremos de nos entender. A Lua estava tão clara que parecia um archote entre as nuvens espessas. A noite, porém, não se apresentava completamente iluminada, porque o céu só permitia o vazamento da claridade entre uma e outra nuvem. Ainda assim, um foco de luz prateada projetou-se sobre a Rainha Alimpa. Como se sentisse o peso do clarão sobre seu corpo, acordou, ficando insone por alguns momentos. Aproveitando o silêncio repousante dos seus confortáveis aposentos no Palácio das Esmeraldas, começou a prestar atenção no ruído das aves noturnas que cruzavam o céu refletindo o brilho do luar, no movimento rápido das asas e no quase imperceptível barulho dos pequenos animais roedores que circulavam sorrateiros pelos pátios, entre as fontes de água e os jardins do suntuoso palácio. De repente, um pensamento de medo lhe ocorreu e começou a se lembrar das inúmeras versões que já tivera oportunidade de ouvir sobre o aparecimento do fantasma da Mula Sem Cabeça. Assustou-se com a possibilidade de ouvir os relinchos aterradores da assombração, mas algo mais aterrorizante fez com que se levantasse e viesse até a 332H. H. Entringer Pereira janela ver o que se passava. Um uivo lôbrego e retumbante ecoou na direção dos fundos do palácio, bem próximo da ala onde ela se hospedava, juntamente aos familiares do Rei Médium. Rainha Alimpa tinha certeza de que o apavorante lamento, semelhante ao rosnado de um lobo, deveria ter acordado, se não todos, a maioria dos hóspedes e moradores da casa. Amedrontada, mas confiante de que logo teria outras companhias às janelas, abriu as cortinas e olhou para baixo, no local onde lhe parecera ter se originado o bramido. Passados alguns minutos, ninguém mais chegou às janelas; nem a guarda palaciana tocou os sinos para comunicar qualquer imprevisto. Mais amedrontada ainda se sentiu. Agora desconfiava de que somente ela teria acordado com aquele uivo terrível. Para se certificar de que não estivera sonhando simplesmente, escancarou a pesada janela e se debruçou, inclinando-se ligeiramente sobre o parapeito para melhor observar o que porventura pudesse estar encostado nas paredes de pedras, debaixo uns dez metros de seu quarto. Uma grande sombra escura projetada na parede pelo clarão da lua a fez estremecer. Ao direcionar o foco de sua visão pouco mais adiante, seus olhos se encontraram com os olhos faiscantes de um ser diferente, enorme, equilibrado sobre as pernas, ereto, à semelhança de um homem. O corpo escuro parecia coberto por uma espessa pelagem e, nas extremidades, os dedos terminavam em unhas pontiagudas. O olhar coruscante do monstrengo cruzou com a visão amedrontada da rainha. Com o coração acelerado de medo e curiosidade, direcionou seu olhar sobre a criatura e viu quando ela, erguendo a cabeça, também a olhou. Assustou-se ainda mais porque a cabeça do monstrengo tinha as feições do Conde Rasku. A cara do animal era o rosto de Rasku, com sua beleza cínica, estonteante, sedutora e única. Ao se reconhecerem, o monstro desviou o olhar de imediato, abaixou a cabeça e colocou-se de quatro pés. O encontro dos olhares, todavia, fez com que a aparência de monstro começasse a desvanecer, imediatamente. Como estátua de cera derretendo ao calor do sol, seus pelos desapareceram, formatando-se em feitio humano novamente. Em menos de um minuto, era exatamente o Conde Rasku que estava ali, ainda mais belo do que lhe parecera antes. A certeza de que anteriormente o temível animal a amedrontara, apavorando-a, fê-la recuar, como se evitasse deixar o coração sentir a paixão que a dominara por uns tempos. Afastando-se do raio de observação daquele belo homem, que também, ao perdê-la de vista, emitiu ainda um último rosnado apavorante, percebeu quando se afastou. Bem longe de sua janela, acompanhou-o com o olhar, quando caminhou rapidamente e despareceu nas sombras do bosque. Rainha Alimpa não teve dúvida: aquele bicho esquisito com corpo de lobo e cabeça humana era mesmo o Conde Rasku, o assustador lobisomem encantado de que tanto comentavam. O grotesco animal, percebendo que Rainha Alimpa o identificara, no momento em que se abaixou, colocando-se de quatro pés, rosnando baixo, transmutou-se diante de seus olhos para desaparecer nas sombras do bosque próximo ao palácio. Aterrorizada e estupefata, mas com o pensamento perturbado pela beleza do rosto que enxergara, trancou bem a janela e teve vontade de ir ao quarto da Rainha Alzira, acordá-la para contar o que havia presenciado. Ou, quem sabe, de bater à porta do quarto do noivo, Rei 333H. H. Entringer Pereira Naldo, para compartilhar a visão espantosa do animal com a cara do Conde Rasku. Temendo, em contrapartida, que pudesse ser tida como louca ou desvairada, Rainha Alimpa respirou fundo, tentando se controlar. Logo depois, sentiu-se um pouco melhor. Acalmou-se por completo quando viu a lua enorme, bem no alto do zênite, mostrar-se inteira. Achou prudente recolher-se à cama. Precisava repousar bem. Afinal, já passava da meia-noite e, naquela manhã, começariam as cerimônias de suas bodas com Rei Naldo. Queria estar descansada e bela. E na medida do possível, esquecer tudo o que vira e sentira. Cobriu-se dos pés à cabeça, imaginou-se já na noite seguinte nos braços de Rei Naldo. Então, o temor abrandou e conseguiu adormecer serenamente. Galos cantando avisavam o começo de um novo dia. Lentamente, as janelas do palácio se abriam, cortinas se afastavam e a movimentação de serviçais cruzando os pátios, corredores e salões indicava que a rotina não era a mesma. Não demorou muito, um grupo de camponeses empunhando estandartes vermelhos e pretos batia os sinos no portão secundário, pedindo entrada no Palácio das Esmeraldas. Estavam agitados, afobados, conversando alto e ao mesmo tempo. Os estandartes rubro-negros eram um código particular usado pelos súditos do Rei Naldo, para sinalizar a ocorrência de alguma desgraça ou sinistro nos limites habitados do reinado. Imediatamente, a guarda palaciana os acolheu e conduziu seu líder mais velho até o Salão do Trono, onde Rei Naldo já se encontrava, convenientemente trajado para a primeira cerimônia da manhã. Aguardava a chegada da noiva, dos filhos, da rainha-mãe, dos convidados e do Mago Natu para oficiar as celebrações solares do ritual das bodas. Surpreendido pela entrada do líder da inesperada comitiva, inadequadamente trajado para a ocasião, conduzido pelo Mestre-Sala Kari Jó, Rei Naldo deixou os protocolos de lado, para encontrar-se no meio do salão com seu vassalo, que comunicou diretamente aos seus ouvidos: — Senhor Rei Naldo de Avilhanas, perdoe-me a inconveniência, mas algo desagradável e nada auspicioso aconteceu esta madrugada. A Casa das Moças incendiou-se, ou foi incendiada, ao que dizem os camponeses, sacrificando todas elas, juntamente aos seus filhos inocentes. Mantendo a serenidade necessária e própria dos bons soberanos, Rei Naldo interpelou: — Por que não vieram antes, enquanto havia tempo de impedir o desastre? O mais idoso, líder dos camponeses, tomou a palavra: — Perdão, Senhor Rei Naldo, a Casa das Moças fica meia légua afastada de nossas terras, um tanto distante de nossas casas. Sabíamos que nas noites de lua cheia, às sextas-feiras, as moças acendiam fogueiras para cultuar a Lua, dançando nuas ao redor. Vimos o clarão e a fumaça, mas julgamos que fosse resultado do ritual que tantas vezes repetiram. — Não se atinaram para o aumento da fumaça? — Sim, Senhor, porém nossas esposas não nos permitiram ir até lá, pois sabíamos que elas poderiam estar dançando peladas à volta da fogueira. — O que quereis que façamos agora? Alguma das moças, por acaso, era filha de algum de vós? — Sim, Senhor, uma era minha filha... — Igualmente a minha, Senhor... 334H. H. Entringer Pereira — Minha também, Senhor Rei Naldo... — Nenhum dos filhos do Conde Rasku escapou? — Pelo que sabemos, tem um, Senhor Rei. Aquele rapaz que a mãe morreu no segundo parto e os avós pegaram pra criar... o menino Órfão. — Pois bem. Senhor Mestre-Sala, traga-me o Cavaleiro da Ordem de Avilhanas. Os senhores, por gentileza, aguardem para ouvir minhas determinações. Em menos de um minuto, estava à frente do Rei Naldo um jovem homem de compleição física forte, espadaúdo e elegante, em uniforme de gala, pois a cerimônia de casamento real previa revista à Cavalaria da Ordem de Avilhanas, com pompa e fausto somente igualados à Cavalaria do Elo Dourado. Vendo o airoso traje de seu cavaleiro número um, Rei Naldo, em tom coloquial determinou: — Cavaleiro Serafim, troque de uniforme. Vista-se apropriadamente para trabalhar. Congregue-se aos outros trinta e dois e vá à Casa das Moças que Pintam e Bordam. Salvem o que for possível. Descreva-me minuciosamente o que encontrar e como encontrou. Determino também que meu mensageiro particular se dirija ao Condado de Rasku, sob o pretexto de buscar a carne de caça que ele se comprometeu em providenciar para o banquete de hoje. Informe-se discretamente sobre o que o Conde Rasku fez da noite de ontem para hoje. Discretamente... Depois, vá à casa dos avós e traga-os com o neto, Órfão, para festejar conosco. À hora do banquete, ao meio-dia, algumas das compridas mesas que acomodavam os convidados e cortesãos tinham diversos lugares desocupados. Embora circulasse por toda a cidade a notícia do incêndio na casa das moças, nem todos ainda sabiam do desastre. Rei Naldo já havia sido informado pelo Cavaleiro da Ordem, cujo relatório fora minucioso, mas não muito elucidativo, de que não se tratara de um incêndio corriqueiro, acidental. Tudo fazia crer que fosse obra premeditada de algum criminoso, possivelmente praticado sob requintada crueldade. Pelas descrições do Cavaleiro Serafim, feitas sigilosa e pesarosamente ao Rei Naldo, Rei Médium e Mago Natu, num dos compartimentos da casa, se encontravam corpos adultos amontoados e carbonizados, levando a crer que na hora do sinistro estivessem todos trancafiados, sem possibilidade de defesa ou fuga. Noutro compartimento mais adiante, os escombros ainda deixavam à vista, carbonizados, corpos menores, possivelmente de crianças, filhos e filhas das moças. Algo terrível chamou mais ainda a atenção do Cavaleiro Serafim: alguns corpos carbonizados estavam inteiros, porém, duas cabeças de criança separadas dos corpos, soltas, levavam a pensar que foram decapitadas antes do incêndio. Rei Naldo, estarrecido com a narrativa, preferiu não contar a sua mãe, Rainha Alzira, a trágica e funesta descrição do cenário encontrado pelo seu fiel e leal cavaleiro. Mago Natu reservou-se ao mais profundo e pesaroso silêncio e o Rei Médium também se fechou num sofrimento solidário, camuflado pela alegria que a maioria dos convidados aparentava, dada a festividade das bodas reais. Sem querer ocupar-se com nomes deste ou daquele suspeito que lhe vinham ao pensamento, Rei Naldo, por mais que procurasse desviar as evidências para outros possíveis criminosos, tinha a mais forte intuição apontando na direção do próprio irmão, Conde Rasku. A única pessoa que poderia se interessar pela destruição da casa e das 335H. H. Entringer Pereira moças era ele, devido ao comprometimento nunca assumido com as mães de seus prováveis filhos. Mas as informações que o Mensageiro havia trazido, de outro lado, confrontavam-se, fechando-se numa espécie de álibi perfeito. O relatório do Cavaleiro Serafim não parecia conclusivo, porque o conde saíra naquela noite a caçar, chegando ao amanhecer. Trouxera no carroção cinco corças abatidas, além de outras caças já descarnadas, prontas para a confecção dos embutidos que o próprio Conde Rasku gostava de preparar, com as carnes minusculamente picadas e temperadas com ervas aromáticas e condimentos fortes, para serem colocadas dentro das tripas limpas dos animais abatidos. Era uma especialidade gastronômica apreciadíssima pelo conde e por aqueles a quem ele dava a degustar. Durante o banquete, entre o alarido dos convidados, a execução de boas músicas e a degustação de finos manjares com bebidas suculentas e águas aromáticas, poucos notaram diferença no comportamento do Conde Rasku. Ao contrário de outras ocasiões, quando abusava de sua arrogância e exibia sem modéstia sua galante e sedutora beleza, percorria gentil e sorridente todas as mesas, levando bandejas com as iguarias assadas que ele mesmo preparara, fazendo questão de entregá-las à apreciação dos mais exigentes paladares, esperando os elogios pela sua invenção mais recente no terreno da gastronomia. Antes de chegar à mesa em que se encontravam os familiares das duas casas reais mais proeminentes, Avilhanas e Elo Dourado, Mago Natu instruiu os comensais discretamente: — Por favor, não comam os embutidos servidos pelo Conde Rasku. Agradeçam gentilmente, deixando de lado, no prato. — Por quê, Mago Natu? – quis saber o Príncipe Gesu Aldo. — Porque aquilo lhe enguiça... lhe enguiça... por mais saboroso que aparenta... tenho certeza de que lhe enguiça... ouça meu conselho. — Enguiça como, Mago Natu? — Não vou revelar os porquês, mas todos os que comerem daquelas carnes ficarão contaminados com uma insaciável vontade de comer carne humana... por gerações e gerações... e poucos conseguirão se dominar e extinguir o desejo. — Vade retro, livrai-nos! — Então, não comam as lhe enguiças! Assim fizeram. E o ódio dissimulado do Conde Rasku pela família de Rei Naldo, só fez aumentar, fermentado pelo ciúme e inveja. 33
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAPITULO 80
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VISITANDO O VALE DO APERTADO Mago Natu, Rei Médium, Rainha Gônia, Rainha Alzira e Rei Naldo confabulavam os cinco numa sala secreta do Palácio das Esmeraldas, lembrando acontecimentos que há alguns anos causaram grandes mudanças em todos os doze reinados daquela imensa região, dos mais longínquos aos vizinhos. Rainha Alzira iniciou o assunto, bem-humorada, provocando Mago Natu: — Mago Natu, por que não devolves meu pote de esmeraldas? — Quem vos garante que estão comigo? — Dou-vos a metade delas, se me entregares... — Rainha Alzira, sabeis que comigo elas estão seguras... e tua própria vida a salvo. Se teu filho Rasku ao menos desconfiar de que aquele tesouro está contigo, certamente arrumará meios de subtraí-lo, atentando contra tua vida, se necessário. É melhor que fiquem onde estão. — Posso ao menos saber onde estão? — Sim, sabereis. Inclusive, sabereis de onde as retirei, sigilosamente, desde a visita que fiz quando seu neto Gesu Aldo nasceu. Que tal irmos amanhã, bem no raiar do dia, ao lugar onde vosso marido, Rei Albe, o Rico se enforcou? — Posso convidar Alimpa? – Rei Naldo perguntou, como se devesse satisfação de seus sentimentos e atos aos seus súditos. Todos concordaram que a futura rainha de Avilhanas também conhecesse o cenário onde se originou a história da Mula Sem Cabeça, e algum tempo depois o atemorizante lobisomem. Pessoalmente, não agradava à Rainha Alzira voltar àquele local, especialmente com plateia. Muitas recordações que preferia esquecer viriam à tona e algum desconforto seria inevitável. No entanto, diante da curiosidade dos amigos em conhecer a grande árvore de figueira-do-inferno... cadafalso onde Rei Albe, o Rico, enforcara-se pelo pé. Mesmo cemitério em que foram sepultados e incinerados os corpos dos protagonistas daquela sangrenta e misteriosa saga. Esforçando-se para não deixar transparecer que aquelas memórias ainda estavam muito vivas e amiúde a incomodavam, Rainha Alzira pedia em pensamento que Mago Natu mantivesse a necessária discrição, sem jamais revelar o segredo guardado por ela e ele: a verdadeira paternidade do Conde Rasku. Outros episódios e detalhes de somenos importância se quisesse revelar, não se importaria. Já fazia algum tempo que o fantasma da Mula Sem Cabeça descansava em tréguas com o Reinado de Avilhanas! Desde a visita ao Reino do Elo Dourado, quando o Grande Rei determinou que Mago Natu localizasse e desenterrasse o fabuloso pote de esmeraldas que o Rei Albe, o Rico, ocultara, transportando-o secretamente para o seu Santuário no Elo Dourado, ensinando-o a fórmula mágica para afugentar a fantasmagórica visagem da Mula Sem Cabeça, o sentimento geral de medo que assolava a população também arrefecera. Entretanto, a calmaria não permanecera longo tempo. Não muito depois, voltara o antigo pânico a tomar conta das populações e a andar pelas noites enluaradas. O espectro da Mula Sem Cabeça cedera lugar às aparições do não menos aterrorizante lobisomem. Assunto tabu, igualmente interditado 326 H. H. Entringer Pereira aos visitantes e forasteiros, circulava, no entanto, em formato de rumores. Não havia tantas testemunhas fidedignas, merecedoras de crédito para certificar a real existência da assombrosa criatura. Porém, alguns notívagos que vez por outra atravessavam as ruas da cidade madrugada afora relatavam encontros apavorantes com o avejão. Devido a boatos recorrentes, a cada vinte e oito dias, na casa das moças que pintam e bordam, em noites de lua cheia nas sextas-feiras, portas e janelas eram preventivamente fechadas antes do cair da noite. Atrás de cada uma das portas, reluzentes punhais de prata, pendurados um sobre o outro em formato de “X”, garantiam a tranquilidade das moças que juravam ouvir, a partir da meia-noite, uivos e rosnados aterradores de um animal coberto de pelos, com corpo de homem e cabeça de lobo, que rondava insistentemente a casa até a hora em que cantava o primeiro galo da madrugada! Ainda usando archotes e lamparinas, pois a alvorada parecia não estar com a mesma pressa que os compartes da combinada aventura, pelas quatro horas da manhã estavam todos de pé. A família de Rei Naldo, a família do Rei Médium, Mago Natu, Professora Plínia, o jovem Mulato e o Louco, esse último o primeiro a chegar ao pátio de onde a caravana partiria. Era sempre ele, quando convidado, a animar rodas de conversa, salões de dança, piqueniques e festas populares. Na maioria das vezes, tinha uma novidade para surpreender a plateia. Vestia-se com espalhafato, muitas cores e abandonara, a pedido da Rainha Alzira, suas ceroulas puídas e rasgadas nas nádegas. Todavia, seu figurino estava longe de ser convencional. Em poucos minutos, reuniram-se todos para iniciar a jornada rumo ao local mais evitado e ao mesmo tempo mais curioso de Avilhanas. A tropa que levaria suprimentos e as carruagens estavam prontas desde a véspera, aguardando seus ocupantes. O jovem Mulato deixara tudo muito bem-arrumado no dia anterior, comandando com maestria os animais cargueiros e os demais cocheiros. Alguns coches, mais confortáveis que os outros, faziam a distinção dos ocupantes pela idade: os mais velhos nos mais estofados e os mais novos nos mais despojados. Mago Natu ainda não decidira quem escolheria como parceiro de viagem. Do Palácio das Esmeraldas, na cidade de Avilhanas, até o Vale do Apertado levariam seguramente duas horas de viagem. Ao final, todas as parcerias estavam feitas e restavam um coche e dois passageiros para embarcar: o Louco e o Mago Natu. Os dois se olharam e, apontando-se mutuamente, com uma risada estridente, o Louco perguntou ao Mago Natu: — Não te importas de ir comigo? — Por que me importaria? — Porque somos muito diferentes... — Enganas-te. Somos tão iguais que se usasses minhas roupas e eu as tuas, nem eu nem tu saberíamos onde começa o Louco e termina o Mago, nem onde começa o Mago e termina o Louco. — Gostei da ideia! – disse o Louco, sorrindo, dando uma cambalhota no ar, seguida de uma pirueta que terminou por acomodá-lo no assento ao lado esquerdo do coche. — Veja bem, isso nos faz diferentes! Sou incapaz de tais acrobacias. — Enganas-te. Se usasses as minhas roupas certamente farias o mesmo. 327 H. H. Entringer Pereira — Quem sabe? — Vamos experimentar... Aproveitando-se de que o cortejo já se pusera a caminho, ficando os dois por derradeiro, combinaram de trocar suas vestes no intuito de chacotear com os amigos, dando-lhes a oportunidade de se divertir. Queriam saber qual dentre eles seria capaz de perceber a troca de vestimentas, antes que eles mesmos revelassem a brincadeira. Assumindo um a personalidade do outro, imitando também seus comportamentos, acomodaram-se na condução, e o Mago Natu, vestido como o Louco, solicitou que o deixasse conduzir a caleça, ao que o outro, vestido como o mago, sentado com ares enigmáticos, sequer objetou. Antes de chegarem ao Bosque do Iludido, já no Vale do Apertado, o comboio parou para se refrescar. Havia ali uma Gameleira Branca, árvore gigantesca muito parecida com a Figueira-do-Inferno sob a qual o Rei Albe, o Rico, havia enterrado seu tesouro e se enforcado, pendurado pelo pé. Um regato de águas cristalinas serpenteava sob a frondosa árvore, transformando o lugar num aprazível ponto de descanso, recreio e restauração de energia. Rainha Alzira foi a primeira a descer de seu cabriolé. Como se o tempo não tivesse passado, veio-lhe à memória cena por cena do dia em que passara por ali, bem ao entardecer, dera de beber ao seu fogoso alazão e, com o coração em sobressalto, acompanhou seu ajudante de ordens, Senhor Dugo, cujo nome verdadeiro desconhecia, até o Claro da Gemedeira, cenário da mais inusitada história que testemunhara e palco de suas desilusões, próximo dali vinte minutos. Refazendo-se ainda do choque das lembranças, arrumou suas vestes, suspendeu a saia para não arrastar no chão meio úmido e gritou para o Mago Natu e o Louco que vinham mais atrás: — Ei, parem! Vamos comer alguma coisa e dar água à tropa! Estamos chegando, não precisamos pressa! No momento em que o Mago parou a carruagem sob a árvore, num ponto distanciado dos outros, lateral às bordas da vegetação alta e cerrada, ouviu-se o som de algo cortando os ares, veloz como um pássaro flechando em voo. No mesmo instante, o ruído de um corpo caindo e o baque seco de algo no chão. Outros dois dardos seguidos cortaram o ar a esmo, sem destinatário escolhido. Enorme pavor tomou conta da caravana. Todos correram assustados ao encontro do corpo que ainda se debatia no chão. Rainha Alimpa foi a que primeiro denunciou desesperada: — Binah! Chokmah! Flecharam Mago Natu! – exclamou Rainha Alimpa, unindo fervor e pânico. Percebendo que nenhum deles ainda se dera conta de que o corpo com as vestes do mago era, na verdade, do Louco, Mago Natu, usando da serenidade que o momento exigia, na busca de acalmar os ânimos para que ninguém entrasse em desespero, levantou o rosto da Rainha Alimpa, direcionando o olhar dela para ele, dizendo firme, mas compassivo: — Rainha Alimpa, Mago Natu sou eu. Mataram o Louco, em vez do mago! — Oh, Céus! – suspirou, aliviada. — Por Zeus, o que fazes com estas roupas? – observou Rainha Alzira. — Por que trocaram de vestes? – atalhou Rainha Gônia. 328 H. H. Entringer Pereira — Explicai o que está acontecendo, Mago Natu – interferiu Rei Médium. — Tudo tem dois polos; e cada um, seu par de opostos. Somos idênticos em natureza, mas diferentes em grau. Todos os paradoxos tendem a se reconciliar. Nos períodos de avanço, às vezes, é preciso retroceder. Todo movimento é como pêndulo, ora para a direita, ora para a esquerda e a compensação é o ritmo. Rei Naldo, Rainha Alzira, é prudente que voltemos daqui. Sepultemos o Louco sob a Gameleira Branca e ela lhe servirá de morada e abrigo eternamente. — Mago Natu, quem nos emboscou? – quis saber Príncipe Gesu Aldo. — Por que preferiu atingir o Louco e não a mim? – Rei Naldo queria ouvir a resposta às suas indagações tanto quanto o Rei Médium. — Amigo Calico. Não era o Louco o alvo do assassino, na verdade. Era o Mago. Por não conhecer e saber diferenciar um do outro, a não ser por suas vestes e aparência, atingiu o Louco pensando acertar o Mago. Não importa quem matou. Importa quem morreu. Se matares quem matou, não trarás à vida quem morreu. A conversa entre Rei Naldo, Mago Natu e Rei Médium prosseguia com muitas considerações filosóficas e iniciáticas, até que Rainha Alzira os interrompeu: — Amigos, tudo me parece lógico: suponho saber quem nos acompanhou e esperou a oportunidade de matar o Louco, pensando que fosse o Mago! É claro que o assassino conhecia o percurso que faríamos. Também sabia que o Mago Natu iria nos conduzir ao local onde estava enterrado o tesouro do Rei Albe, o Rico. Parece lógico que... Mago Natu não deixou Rainha Alzira concluir o raciocínio. Terminou a frase, ele mesmo: — Ele não desejava que fosse revelado para tanta gente, menos para ele, evidente, onde Rei Albe, o Rico, enterrou as esmeraldas e se suicidou pendurado pelo pé, de cabeça para baixo, simplesmente para morrer olhando o local exato onde deixava seu tesouro escondido. — Ah, que salafrário! – exclamou Rainha Alzira, meio alterada. — Calma, amiga, teu pote de esmeraldas está em lugar seguro, e ao tempo certo o Príncipe Urucumacuã haverá de entregá-lo a ti. Feitas as cerimônias fúnebres que antecipavam o sepultamento propriamente, Mago Natu pronunciou a sentença: — Amigo Louco, voltastes finalmente à estaca zero! Que esta Gameleira Branca te sirva de eterno símbolo e morada. Adeus. As roupas do Louco ficaram com o Mago Natu, que preferiu não as destrocar naquele momento. Sepultado o Louco com suas vestes, Mago Natu gracejou: — Bem-aventurado é aquele que tem um Louco a dar a vida por ele! O cortejo entristecido, dali mesmo, retornou silencioso e consternado ao Palácio das Esmeraldas.
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Se o conteúdo não traduzir o momento eu prometo um texto para isso.
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO III CAPÍTULO 79
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O CASAMENTO E A TRAGÉDIA O dia estava apenas começando quando Rainha Alimpa pediu à Princesa Irina que a acompanhasse até a casa das moças que pintam e bordam. Precisava encomendar algumas peças bordadas para forro de camas e toalhas de banquete com suas iniciais e as de Rei Naldo. Apesar de a princesa ter se afeiçoado bastante à rainha alquimista e gostado também de que seu pai se casasse novamente para não sofrer viuvez prolongada, não lhe aprazia voltar naquele momento àquele lugar, reacendendo lembranças de quando estivera com a mãe para encomendar enxovais de bebê e dela própria: — Alimpa, vá com a vó Alzira. Ninguém melhor que ela para te acompanhar... — Preocupa-me deixar-te sozinha. — Não ficarei só. Tenho Boneca para me fazer companhia. Além das minhas amigas, a prima Hévea e Rainha Gônia... — Estava pensando em convidá-las para nos acompanharem também. — Neste caso, irei, então! Conde Rasku ainda estava à mesa quando um lacaio do Rei Naldo chegou ao Solar da Marquesa em boa montaria, acompanhado de alguns cães de caça galgos, para entregar a correspondência que lhe fora remetida. Vestido bem à vontade, o conde, concluindo sua refeição, ordenou ao visitante que colocasse o pacote sobre a mesa. Sem muitas explicações, o lacaio comentou sucintamente: — Senhor Conde Rasku, desculpe-me importuná-lo. Mas recebi ordens para aguardar resposta pessoal ao convite que trouxe. — Convite? Acaso morreu alguém mais de ontem para hoje no palácio de Calico? — Não, senhor Conde. Estão todos com muita boa saúde, felizmente. Não sei do que trata o conteúdo do convite. Apenas aguardo vossa resposta. — Pois, dê-me aqui o pacote. Assim que concluiu a leitura, o semblante do conde modificou-se. Seus belos olhos azuis injetaram-se de sangue, envermelhando-se, suas faces enrubesceram e a respiração entrou em descompasso. Percebendo que o conteúdo do convite mexera com os brios do irascível e genioso irmão do Rei Naldo, o lacaio apressou-se em perguntar: — Então, Senhor, que respostas me dás? Olhando-o com expressão de odiosidade explícita, num tom de voz pouco cordial, respondeu: — Diga a Calico que os assados do banquete serão meu presente! Eu mesmo providenciarei e assarei as carnes da festa! Esta é minha resposta. Rei Naldo recebeu com surpresa a resposta do irmão. Não esperava qualquer gesto de amabilidade vinda de Conde Rasku. Até mesmo a confirmação de sua simples presença ao casamento seria motivo de bastante de admiração. Conhecia Conde Rasku o suficiente para acreditar na incapacidade permanente de demonstrar generosidade. Vindo de Rasku, causava espanto não só que ele confirmasse a participação como também que se prestasse a providenciar iguarias para o banquete das bodas. 323 H. H. Entringer Pereira A movimentação no Palácio das Esmeraldas estava frenética! Não havia tempo a esperdiçar com lamentações e choradeiras. Os súditos sofriam contidos à ausência da Rainha Araci. Em todos os pátios e salões havia lembranças e homenagens à falecida, mas, em contrapartida, todos se alegravam diante da decisão do Rei Naldo e da Rainha Alimpa de cumprir o último desejo manifestado no leito de morte por Araci. Rapidamente, a notícia se espalhou com aprovação quase unânime em todos os reinados, dos confins de Avilhanas ao interior de Trindade. Somente Conde Rasku não conversava sobre o assunto, afastado de Calico, evitando qualquer tipo de contato com os moradores do Palácio das Esmeraldas. Rainha Alzira não recriminava a atitude arredia do filho, ainda que o desaprovasse. Conhecia-lhe muito bem os caprichos, seu gênio odioso e o comportamento vingativo e magoado. Além disso, Rainha Alimpa também lhe confidenciara que qualidade de escusas dispensara à proposição de noivado que recebera do Conde Rasku e qual conselho ousara acrescentar para que ele despertasse perante a responsabilidade de pai das dezenas de filhos, cujas mães havia sagazmente seduzido e desonrado. Rainha Alzira avisou: — Alimpa, querida, cutucastes o diabo com vara curta! Cuida-te, pois haverá revanche... O sumiço de Conde Rasku preocupava o Rei Naldo sobremaneira. Algumas vezes, à mesa, durante alguma refeição, quando o assunto vinha à tona, com ares ponderados, falava com a noiva: — Conde Rasku longe me preocupa. Perto me dá trabalho! A maioria das pessoas achava graça, sem de fato conhecer as artimanhas e crueldades que o belo conde era capaz de perpetrar. Após o furioso e legendário embate entre ele e o Bruxo Neno, à época do seu casamento com a Marquesa de Sonça, os dois se converteram em arqui-inimigos. Por feitiçarias do rival, Conde Rasku recebeu a maldição de se transformar todas as sextas-feiras de lua cheia num lobisomem ameaçador. Daquele tempo em diante, pairava sobre a população do Reinado de Avilhanas alarmante inquietação, resultado dos embates dos dois astutos malfeitores, rivais na velhacaria, mas comparsas da má-fé em vilanias de todos os calibres. A sagacidade do Conde Rasku de produzir e alimentar com êxito incontáveis iniquidades suplantava de longe a justa vaidade de Rei Naldo de encontrá-lo num flagrante ou de amealhar provas suficientemente incriminadoras para indiciá-lo pelos supostos crimes e condená-lo à morte. Duas semanas após a Cerimônia de Adeus à Rainha Araci, começaram a chegar ao Palácio das Esmeraldas os primeiros presentes de casamento para Rei Naldo e Rainha Alimpa, confirmando também presença à cerimônia do benquisto enlace. Rainha Alimpa, muito animada, granjeava a simpatia dos serviçais do palácio, seus futuros lacaios e prestadores de serviços, para que desempenhassem com boa vontade todos os pormenores listados e enumerados, visando o grande dia. Professora Plínia já entrara em ação e sua presença, além de oportuna, era mais que desejada. Muito prática, articulada com os movimentos de cerimônias e festas pomposas, era rigorosa na escolha dos cardápios, acomodações para os convidados e ornamentação dos ambientes. Quando 324 H. H. Entringer Pereira informada de que o Conde Rasku havia se comprometido a fornecer a carne assada para o banquete, um quê de insegurança a induziu a procurar o noivo pessoalmente: — Rei Naldo, que qualidade de carne vosso irmão doará? — Acredito que seja de alguma caça. Ele é um exímio caçador. E nessa época as
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAP 78
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O CONSELHO DE MAGO NATU Muitos súditos compareceram à Cerimônia de Adeus à Rainha Araci, que também levava consigo a promessa de um bebê de seis meses, misteriosamente guardado em suas entranhas. Depois dos sete dias do período purgatório, o ventre da rainha não apresentava sinal algum de gravidez. Mago Natu explicou a todos o fenômeno, confortando-os com a naturalidade de quem sabe das coisas: a rainha nunca estivera esperando um filho. Tivera, na verdade, uma enfermidade que avolumara suas entranhas, imitando gravidez nos sintomas. Doutor Sararraiva confirmou o diagnóstico, confidenciando ao Rei Naldo que não lhe falara disso antes, porque ele mesmo não obtivera êxito no tratamento e julgava inoportuno avisá-lo com antecedência do mal irremediável. Mago Natu celebrou o ritual de cremação e fez um discurso profundamente confortador aos parentes e amigos saudosos. Havia mais de três mil súditos na solenidade. O único familiar que não esboçava sentimento algum, permanecendo indiferente ao sofrimento externado pela mãe, irmão, sobrinhos, parentes e amigos da cunhada, era o Conde Rasku. Desde que recebera a resposta negativa ao seu pedido de noivado dirigido astuciosamente à Rainha Alimpa e sabiamente rejeitado por ela, juntamente às joias que lhe oferecera, mantinha-se apático às dores que fustigavam todos e não dissimulava no olhar frieza e maldade, aparentemente satisfeito e exultante com o infortúnio da família do Rei Naldo. Após a celebração da cerimônia crematória, os familiares reais pareciam mais conformados. Rei Naldo, ainda pesaroso, voltara a se vestir como de hábito. Príncipe Gesu Aldo também estancara o pranto e a Rainha Alimpa ainda não se desfizera das toalhas com que secava as lágrimas, mas já conversava e em alguns momentos fazia alguma graça para descontrair o ambiente. A única que, além de continuar chorando, calada, estava desprezando a companhia dos parentes era a jovem Princesa Irina. Abraçada ao fantoche que confeccionara imitando um bebê de pano, vestido com as roupinhas que serviriam à criança que não nasceria, segurava-o como se fosse de carne e osso, balançando Boneca nos braços e cantarolando baixinho, parodiando antigas canções de ninar que ouvira de sua mãe: — Dorme, neném... neném do coração... Papai quer que eu me case... mas mamãe não deixa, não... Preocupados com o comportamento da princesa, Mago Natu se reuniu com Rei Naldo, Rainha Alzira, Rei Médium, Rainha Gônia e Rainha Alimpa. Iniciando a conversa sem rodeios e sem hipocrisias sentimentais, aconselhou Rei Naldo de Avilhanas: — Amigo, Calico, casai-vos com Alimpa! Não há necessidade de vos guardar em luto fechado, pois devereis atender simplesmente ao último desejo de tua mulher. — Que dizeis disto? – Rainha Alzira interrogou o Mago. Pasmado, posto que ainda confuso e indeciso quanto ao seu destino, Rei Naldo pela primeira vez dirigiu um olhar de homem à Rainha Alimpa. Seus olhos se encontraram e ele percebeu o quanto era formosa e meiga, apesar de seu jeito meio alvoroçado e exótico. Enrubescido diante do conselho do Mago Natu, pouco à vontade 320 H. H. Entringer Pereira para tomar a decisão ali, na frente de todos, Rei Naldo pediu que lhe trouxessem à presença os dois filhos. Diante do pai, Príncipe Gesu Aldo, ainda sorumbático, e a Princesa Irina, deprimida e melancólica, miravam-se assustados, aguardando a próxima revelação de alguma outra fatalidade cruel. — Meus filhos, sabeis o quanto estou sofrendo pela perda de minha querida esposa, vossa adorável mãe! Sabeis também do meu devotado e profundo amor por ela. Porém, diante de tanto sofrimento, quero ouvi-los porque preciso tomar uma decisão. Antes de concretizar meu pedido, quero saber de vós: aceitareis que me case novamente? Princesa Irina esboçou um sorriso ligeiro e logo se manifestou: — Só se for para cumprir a vontade de minha mãe. Ouvi quando ela pediu pra Alimpa se casar contigo! — E tu, Gesu Aldo? Que dizeis? Instalou-se um silêncio pétreo. Todos os olhos se voltaram ao príncipe. Rainha Alimpa, cabisbaixa, pela primeira vez sentia-se um pouco envergonhada de ver devassados e adivinhados seus desejos. Achava Rei Naldo um homem maravilhoso, respeitoso. Não tinha a beleza sedutora do irmão, mas apresentava caráter bom e generoso, virtudes que o faziam mais bonito e desejável até. Nunca antes alimentara por ele sentimento algum além de amizade e respeito, porque também considerava sua mulher uma grande amiga, boa esposa e merecedora daquele marido. Príncipe Gesu Aldo se levantou, olhou serenamente para pai e disse com voz complacente: — Meu pai, minha mãe sempre foi e será eternamente a maravilhosa Rainha Araci. Ninguém poderá ocupar o lugar dela nos meus sentimentos. Mas sei que precisas de uma mulher que te cuide e te faça feliz. Sou seu amigo, além de filho, e tenho profunda admiração pela Rainha Alimpa. Ficarei feliz se aceitar sua proposta. Houve um clima de descontração total. Rainha Alimpa ficou mais enrubescida ainda. Tinha vontade de jogar-se nos braços do Rei Naldo, ao mesmo tempo que desejava não estar ali, exposta como se fosse objeto em leilão. Circunspecto, lutando para se mostrar descontraído, Rei Naldo, dirigiu-se à Rainha Alimpa: — Admirável, Rainha Alimpa, não me resta outra opção: quereis casar-vos comigo? Os olhos de Alimpa se encheram de lágrimas. Era muito mais do que ela imaginava. Sentiu que a pergunta direta, sem lirismos, sem floreios, merecia também uma resposta simples e sincera: — Bondoso, Rei Naldo, não me resta outra opção: aceito! Abraçaram-se todos, como se uma nova atmosfera de alegria e felicidade voltasse a imperar, tomando conta de todos os palacianos, à exceção do Conde Rasku, que não se sentira muito à vontade. Assim que concluíram a Cerimônia de Adeus da Rainha Araci, retirou-se sem se despedir. Mago Natu, encerrou a reunião: — Calico e Alimpa, eu vos declaro noivo e noiva! Podem marcar a data do casamento! 321 H. H. Entringer Pereira — Se não demorarem muito, já ficaremos por aqui até as núpcias – Rei Médium acrescentou, feliz. Rainha Gônia também aplaudiu. No outro dia, Rei Naldo de Avilhanas mandou expedir os convites aos reinados vizinhos, marcando o dia do casamento: quarenta dias a contar daquela data, numa sexta-feira de lua cheia. Tempo necessário para que a mensagem chegasse a todos os reinados vizinhos. Contabilizaram-se centenas de convidados, além dos cortesãos do Elo Dourado, pois o soberano do reinado mais distante de Avilhanas já estava presente com a Imperatriz Rainha Gônia, Príncipe Kurokuru e a Princesa Hévea, futura noiva do Príncipe Gesu Aldo.
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URUCUMACUÃ BY H.H.Entringer Pereira - Livro 3 - Cap. 77
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NA CASA DAS MOÇAS QUE PINTAM E BORDAM Conforme haviam combinado, as rainhas Alzira, Araci, Alimpa e a Princesa Irina saíram pela manhã, num cabriolé guiado por Mulato para visitar a Casa das moças que pintam e bordam. Rainha Alzira explicou para a amiga visitante que mandara edificar aquela casa grande para abrigar as moças ingênuas que Conde Rasku seduziu e por infelicidade engravidavam, sendo expulsas do convívio familiar quando descobertas. Para não as deixar desamparadas, pois dificilmente encontrariam homens honestos para desposá-las, e pela impossibilidade do filho assumi-las em matrimônio, naquela casa encontravam proteção e condições suficientes para criarem os filhos. À época, a casa contava com dezessete delas e dezessete crianças em idades que variavam de meses a sete anos — conhecidos e apelidados pelos moradores da cidade de Avilhanas como os filhos do lobisomem. Para sobreviver, as mães faziam trabalhos manuais, costuravam, pintavam e bordavam. Sempre que alguma donzela ficava noiva ou alguma senhora naquele reinado esperava bebê, encomendavam a costura e o bordado das peças do enxoval às moças que pintam e bordam. Rainha Alimpa ficou comovida com a harmonia e a sobriedade com que viviam. A casa era muito limpa, bem cuidada, e as moças se dedicavam a bordados e pinturas, cujos materiais a própria Rainha Alzira cuidava de providenciar. Mas existia um clima de tristeza disfarçada de nostalgia nos olhos das mães e dos filhos, facilmente identificados pelas canções que solfejavam, enquanto seus dedos hábeis compunham bordados delicados em variados matizes. Rainha Alimpa perguntou à Rainha Alzira: — São proibidas de amar novamente? — Em absoluto. Vez em quando uma ou outra encontra um bom homem que lhe propõe casamento. Já tivemos ao todo vinte e quatro moradoras nesta casa. — E as que não encontrarem um novo amor? — Poderão morar aqui pelo tempo que precisarem. Só temos uma lei: não devem engravidar uma segunda vez, seja de quem for, enquanto estiverem aqui, pois perderão o direito não só de morar na casa como o filho será deserdado e quando crescer será escravo, no palácio das Esmeraldas. — Isso já aconteceu? — Sim, uma única vez. E o pai adivinha quem era? O mau caráter do Rasku, novamente. Todavia, algo muito esquisito sucedeu à mãe: morreu nas dores do parto e a criança também nasceu morta. Deixou sozinho um menino de três anos, chamado Órfão. Os outros avós quiseram criá-lo. Mora com eles atualmente. Já está um rapazote e auxilia os avós nas lidas domésticas. As outras moças ficaram tão apavoradas que nunca mais tivemos casos semelhantes! — Justiça divina? — Prefiro acreditar que Conde Rasku andou procurando o Bruxo Neno para alguma feitiçaria. Na época os dois ainda eram amigos... — E hoje, não são mais? — Não. Se odeiam mutuamente e ambos sabem o porquê. Sinto que um dia ainda irão se topar num grande acerto de contas. Não me surpreenderá se um matar o outro. 314 H. H. Entringer Pereira As duas rainhas continuavam a conversa, enquanto Rainha Araci e Princesa Irina detalhavam às cosedeiras como queriam as peças do enxoval. Uma entregou um grande rol de roupinhas de bebê; enquanto a outra, uma lista inumerável de peças para forro de cama e guarnição de mesa e banho. Resolvidas as encomendas de cada uma, as quatro amigas despediram-se das moças. A visita da Rainha Alzira sempre lhes alegrava, e a notícia da gravidez tardia de Araci surpreendeu e as emocionou. Rainha Alimpa também fora muito festejada e algumas delas se prontificaram a bordar peças para seu enxoval, antevendo que não demoraria muito e ela também haveria de se casar. Alimpa achou graça da pilhéria, agradeceu com simpatia os préstimos e garantiu que tão logo ficasse noiva, também viria encomendar a costura e o bordado de suas roupas de cama, mesa e banho. Ao cair da tarde, Rainha Alimpa desceu ao pátio interno do palácio, onde havia uma fonte com um chafariz muito romântico. Sentada num banco de pedra, pôs-se a relembrar a visita que fizera à casa das moças que pintam e bordam. Não podia revelar que também estivera apaixonada pelo mesmo homem que a todas fizera as mesmas promessas e depois as ignorou, como se jamais as tivesse conhecido. Pensando também nos relatos que ouvira sobre o mau-caratismo e a impiedade do sedutor Conde Rasku, aliados à história de que nas noites de lua cheia, na sexta-feira, ele se transformava no monstro meio lobo, meio homem, ainda que aquilo lhe parecesse lenda, Alimpa reunia elementos, que somados, auxiliavam-na a desfazer o sentimento que até então não tivera oportunidade de externar, mas que ainda lhe acendia por dentro. Um jovem lacaio, vindo do Condado de Rasku, caminhou em direção à Rainha Alimpa. Muito discretamente, entregou-lhe um pequeno pacote enfeitado com fitas de seda e pediu que abrisse, respondendo a correspondência que o acompanhava para que ele mesmo a levasse ao remetente daquela encomenda. Admirada, pediu licença ao jovem, solicitando que aguardasse seu retorno. Logo, logo ela lhe traria a resposta. Subindo as escadarias com o coração palpitando, Alimpa foi direto aos seus aposentos. Com as mãos trêmulas, entre excitada e temerosa, desembrulhou carinhosamente o belo pacote, e ao abrir a caixa surpreendeu-se com um belo anel e uma gargantilha de rubis e brilhantes, junto de uma carta escrita com boa caligrafia, em fino pergaminho: “Adorável Rainha Alimpa, Receba este singelo presente como pedido de vossa mão em noivado. Terás muito mais de mim do que rubis e brilhantes. Terás meu coração que hoje clama por alguém que o conforte e aqueça nas horas de solidão e tédio. Aceite meu pedido e seremos felizes sempre. Aguardo tua resposta e já me coloco aos teus pés, para fazê-la a dona deste meu incompreendido coração. Com profunda admiração, ao vosso dispor. Amo-te. Sinceramente, Conde Rasku.” Uma crise convulsiva deixou-a comovida. Era tudo o que desejava naquele momento e era tudo o que precisava renunciar, pois não desejava para si a inveja e o ódio que as moças enganadas pelo conde haveriam de alimentar por ela. Também não tinha coragem suficiente para se casar com um homem, cujas histórias aterrorizantes de maldade e lascívia eram do conhecimento de todos. Era belo, sedutor, atraente, irresistível, mas não cultivava virtudes nem práticas exemplares de homem de bem, tais 315 H. H. Entringer Pereira como as identificava em seu irmão, o sóbrio, equilibrado e bem centrado Rei Naldo, o Calico. Se por um lado estava difícil dizer não ao pedido, por outro, mais complicado ainda, seria sujeitar-se a um casamento que, antes de acontecer, prenunciava desgraça. Resoluta, mas titubeante, reuniu forças que nem sabia conhecer, recolocou as joias na caixa, refez o pacote e escreveu no verso do mesmo pergaminho: “Adorável Conde Rasku, Receba de volta os teus rubis e brilhantes. O anel não me entrou nos dedos e a gargantilha quase me enforca. Terás meu coração se os oferecer a qualquer daquelas moças que nos delicados dedos couber o anel e colar ao pescoço a gargantilha. Ficarei aos teus pés, se cuidares de chamar de filhos e amar todos os nascidos de vossa semente. Com gratidão e respeito pelo vosso sentimento, sinceramente, Rainha Alimpa.” O lacaio do Conde Rasku recebeu, surpreso, o mesmo pacote que trouxera para levá-lo de volta ao seu amo. Despediu-se da rainha respeitosamente e deu três passos para trás sem voltar-lhe as costas. Alimpa sentiu um nó na garganta. Tudo o que desejava, na verdade, era ir ela mesma se entregar ao sedutor, tamanho fascínio e desejo ele lhe despertara. Nem quando estivera apaixonada pelo seu falecido marido ficara tão vulnerável em seus sentimentos. Mas conteve-se, pois sabia que tudo não passava de algo parecido com um vento impetuoso: muito forte, mas destruidor. Reunindo o que pôde do que lhe restava de autocontrole, saiu em direção ao ateliê da Rainha Alzira. Precisava conversar com a amiga, pois seu coração estava em rebuliço. Controlando a respiração, entrou no ateliê como se nada tivesse acontecido e relatou com tranquilidade o que acontecera e como reagira. Alzira, admirada, exclamou: — Muito bem, amiga! É bem isso que Rasku precisa! Alguém que não se deixe seduzir pelos seus encantos, nem fique refém de sua sensualidade! — Posso vos contar um segredo? Redarguiu a amiga. — Claro, confie em mim! — Quase fraquejei... Ele é belo demais para ser rejeitado e atraente demais para não ser desejado... — Mas é o demônio quem mora dentro daquele corpo maravilhoso! – advertiu-a Rainha Alzira. — Já sei. Por isso mesmo me fechei, para não cair em tentação... – Ele vai odiá-la de agora em diante. Cuide-se porque é natural de Rasku projetar vinganças cruéis. Jamais saia pelos arredores sozinha nem desprotegida. Ele é mais perigoso do que imaginas. — Acredito! Passaram-se três dias e a Rainha Araci não comparecera ao Salão de Jantar para as refeições diárias. Rei Naldo, com semblante triste e preocupado, anunciara que a esposa estava debilitada, precisando de repouso absoluto devido às crises contínuas de vômito e muita sonolência. Já providenciara algumas visitas do curador para consultá-la, mas os chás de ervas que lhe ministrara não foram eficazes. Todos os cortesãos permaneceram silentes, pairando no recinto pressentimento comum. Temiam pela vida da rainha. 316 H. H. Entringer Pereira Terminada a refeição matinal, Rainha Alimpa quis saber do Rei Naldo se haveria algum inconveniente em visitar a rainha em seus aposentos. Educada e gentilmente, o rei agradeceu a disposição de Alimpa, solicitando que lhe fizesse companhia pelo tempo que ela desejasse e a atendesse em seus desejos. Princesa Irina, com os olhos lacrimosos, também se prontificou a fazer companhia à mãe que, certamente estava necessitada de carinho e atenção. Entrando silenciosamente no quarto da rainha, Alimpa e Irina cuidaram para não a acordar. Muito pálida, visivelmente magra, sua energia vital parecia tê-la abandonado. Sem comentar o que sentiam ao vê-la tão abatida, as duas apenas se olharam entristecidas, sentando-se cada uma de um lado da cama. Meia hora depois, como não despertasse do sono, Princesa Irina tocou-a levemente no rosto, acariciando-a. Araci abriu os olhos, esboçou um sorriso de gratidão e carinho pela presença da filha e da amiga e com um gesto solicitou às duas que se aproximassem. Desejava lhes fazer um pedido: — Irina, Alimpa, sinto que estou perdendo minhas forças vitais. Não vou resistir a esta gravidez. Por favor, Alimpa, se eu morrer, case-se com Calico e dê a ele um outro filho! Cuide também de Irina e Gesu Aldo até os dois se casarem... — Mãe, não pense nisso! Haverás de melhorar. — Araci, Calico te ama muito. Logo te sentirás bem e dareis a todos a alegria de outro herdeiro nesta casa! Força, amiga. Vagarosamente, a porta do quarto se abriu. Rei Naldo entrou com o Doutor Sararraiva, que chegara naquele momento. Ao vê-lo, Rainha Araci, falando um pouco mais baixo, com a voz muito débil, suando frio, trêmula de febre, balbuciou entre gemidos: — Doutor Sararraiva, estou morrendo... junto com meu bebê... Calico, case-se com Alimpa... seja feliz... Irina, minha... filha querida... eu te a...mo... Esforçando-se para dizer mais algumas coisas, a voz foi sumindo, a respiração ofegante. Doutor Sararraiva aplicou-lhe um cataplasma de ervas na fronte, ordenou que somente o marido permanecesse no quarto. Esfregando-lhe os pulsos e massageando seu coração, repetia uma sequência de manobras na tentativa de reanimá-la. Tudo embalde. Rainha Araci fechou os olhos, suspirou exalando o ar pela última vez e serenamente desligou-se da matéria, penetrando o insondável mundo misterioso dos imortais. Na tentativa de animá-la, o marido agarrou-a, puxou-a para junto de si, segurando-a por debaixo dos braços, dizendo incrédulo: — Araci, isso não é hora de brincadeira... por favor, pare com isso... acorda! No dia seguinte, ao raiar do sol, todos os estandartes do Reino de Avilhanas foram hasteados junto de flâmulas pretas. O corpo inerte da rainha grávida de seis meses recebeu tratamento de bálsamo e óleo de mirra para aguardar o decurso dos sete dias até a cerimônia de cremação. Mensageiros do rei saíram em seus velozes cavalos para levar a notícia do falecimento aos reinados vizinhos. Rei Naldo vestiu-se todo de preto igualmente aos filhos, fechando-se em pesaroso silêncio, profundamente condoído, disfarçando sob um elmo de metal seus olhos inchados e, sob a pesada vestimenta, a dor que lhe dilacerava o coração. Rainha Alzira recorreu aos calmantes de 317 H. H. Entringer Pereira camomila, erva-doce e capim santo, secando copiosas lágrimas em panos bordados pela saudosa amiga, Rainha Ália. Súbito, as trombetas e os sinos do Palácio das Esmeraldas anunciaram visitantes. Uma grande comitiva adentrava o pátio principal. Rei Naldo e o Príncipe Gesu Aldo, da janela do aposento onde velavam o corpo da esposa e mãe, reconheceram os estandartes do Elo Dourado. Depois que os cavaleiros da guarda real abriram passagem, saíram da primeira carruagem: Mago Natu, Rei Médium e Rainha Gônia, seguidos do Príncipe Kurokuru, Princesa Hévea e Professora Plínia. Não haveria visitantes mais desejados naquele trágico momento, nem hora mais funesta para recebê-los. Saudados e recepcionados pelos guardiães do palácio, não por coincidência, nem por acaso, estavam todos vestidos de cor cinza, a cor das condolências no Elo Dourado. Rei Naldo e o filho vieram pessoalmente abraçá-los, tirando os capacetes, quase sem palavras para recebê-los. Rei Médium quebrou o protocolo: — Julgamos que encontraríamos Araci viva, ainda que sem o bebê... – disse Rei Médium. — Vestimos de cinza quando encontramos vosso mensageiro – acrescentou Mago Natu. — Ela não resistiu. O bebê já havia morrido bem antes – informou Rei Naldo. — Mago Natu nos avisou de uns pressentimentos. Por isso viemos. — E como adivinharam, chegando de roupas cinzas? — Encontramos vosso mensageiro lá na Estaca Zero. Entregou-nos a mensagem e pegou o rumo de Trindade. Rainha Gônia, Rainha Alzira, Rainha Alimpa, Professora Plínia e Princesa Hévea começaram a arrumar o salão onde o corpo ficaria exposto até o dia da cremação. Observando toda a ritualística própria à celebração das cerimônias mortuárias, encheram o ataúde de flores brancas, e Rainha Alimpa empenhou-se na fabricação de varetas e pelotas de incenso para deixar o ambiente discretamente perfumado. Procuraram pela Princesa Irina e foram avisadas também de que estava muito abatida e desde que soube que a mãe não mais voltaria à vida, saíra às pressas com suas aias em direção à casa das moças que pintam e bordam. Queria buscar as peças que por acaso já estivessem prontas, tanto do enxoval do bebê quanto dela mesma. Profundamente consternadas, as moças a receberam e entregaram-lhe uma manta, duas camisinhas de pagão, três cueiros e quatro fraldas. Sem entender o que faria com as peças, uma das moças interpelou-a: — Por que desejais estas peças, jovem princesa? — Quero vesti-las numa bebê que farei de pano. Vou denominá-la Boneca, que era o nome que minha mãe daria ao bebê que estava esperando, se fosse menina! — Não desejais guardá-las para usar no bebê que um dia, certamente, terás? — Ah, pobre de mim... acho que nem me casar desejo mais, depois disso... — E vosso noivo, o Príncipe Urucumacuã? — Que se case com qualquer outra... Não quero mais me casar... nem com ele, nem com ninguém... Minha vida perdeu o sentido. Preferia ter morrido no lugar da minha mãe! 318 H. H. Entringer Pereira — Não digas assim, formosa princesa. És bela, tens um bom pai, um irmão de verdade, uma avó maravilhosa e uma grande fortuna... além de um belo noivo que muito te ama... O tempo devolverá tua alegria! Princesa Irina parecia não atinar para a realidade, tão abalada ficara com a morte da mãe, falando palavras soltas, desconectadas de sentido, completamente atribulada. Enquanto as moças preparavam a cesta contendo as peças do enxoval de bebê já prontas, ordenou: — Por favor, se já coseram também minhas peças de enxoval, me deem. Se ainda não fizeram, nem precisa... Não quero mais me casar e... pronto! Assim que deixou a casa das moças, uma delas comentou: — Pobre princesa, parece que a infelicidade a escolheu. — Pior – acrescentou uma outra – parece também que não ama o suficiente o Príncipe Urucumacuã para se casar! — Pior – disseram as outras. E voltaram às suas tarefas.
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Vigoroso VETIVER! Resiliênia que ensina.
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Um espetáculo de exuberância, não planejei ver ele dessa forma. Um ano em junho.
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Não é necessário ter o título de, para fazer. É preciso fazer para ser o que se é. Se planta para ter, ou para ser agraciado pelo resultado do esforço, do empenho, do engenho... OCA OCUPAÇAO CoCRIATIVA ARTFLORESTA TERRAVILA GLOCAL Sítio Bom Jesus, rua Quilombo, lt 56, pa Quilombo, Lago do Manso, Bairro Rural, Chapada dos Guimarães MT Brasil - [email protected]
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAP. 76
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RAINHA ALIMPA EM AVILHANAS Assim que chegou ao Reinado de Avilhanas, Rainha Alimpa ficou maravilhada com as pinturas toscas da Rainha Alzira e a beleza do conjunto de edifícios que compunham o Palácio das Esmeraldas. Uma robusta construção em pedra canga, com revestimento interno de blocos especialmente entalhados e incrustados de esmeraldas, em longas faixas que circundavam salões e corredores. Todo o edifício era bem solarizado, muito ventilado, harmonizado com jardins internos e externos, exuberantemente floridos e coloridos. O espaço construído não era maior nem mais imponente que o Palácio Fortaleza, mas apresentava uma simplicidade primorosa no mobiliário e na ornamentação que expressavam bom gosto e requinte de seus moradores. Rainha Alimpa já conhecia Rei Naldo e sua discreta esposa, Rainha Araci. Estivera com eles, pela primeira vez, no Elo Dourado, quando Rainha Araci, grávida do primeiro filho, durante as comemorações do casamento do Rei Médium com Rainha Gônia, contara-lhe as primeiras histórias de como a Mula Tá se transformara na Mula Sem Cabeça, como essa assombração deixava todos aterrorizados quando aparecia; como nasceu o menino Mulato e como sua mãe, Alba Esmeralda, encantara-se numa ave. Passados pouco mais de vinte anos, Rei Naldo de Avilhanas conservara-se ainda garboso, gentil e educado. Não era tão belo quanto seu único irmão, Conde Rasku, mas tinha um olhar penetrante e sincero, barba e cabelos pretos bem-arrumados, com alguns fios grisalhos e uma expressão bondosa e altaneira herdada certamente de sua mãe, Rainha Alzira. Rainha Araci também não lhe parecera envelhecida. Conservara-se muito bem ao longo do tempo, engordara alguns quilos, mas possuía um belo porte, harmonizado pela altura e pela simpatia bem-humorada. O Príncipe Gesu Aldo e a Princesa Irina, com três anos de diferença entre eles, adestrados nas diversidades das lições e ensinamentos do mestre-sala Kari Jó, além de formosos e graciosos, reuniam no físico e no intelecto todas as boas virtudes cultivadas em Avilhanas. Eram belos e educados. Uma encantadora família real, foi essa a primeira impressão que Rainha Alimpa recebeu em Avilhanas. Quando a família real se reuniu para a primeira refeição do dia, Rainha Alimpa não viu o Conde Rasku sentado com os familiares. Observadora, mas discreta, perguntou à Princesa Irina, ao seu lado: — Onde está seu tio? Ele não mora aqui? Princesa Irina fez ares de surpresa com a pergunta. Jurava que todos os visitantes de Avilhanas sabiam que seu belo e formoso tio vivia no Solar da Marquesa de Sonça, a ex-mulher, aquela que havia se encantado numa fera pintada, agora chamada de Sonça Pintada, numa propriedade muito aprazível a uma légua e meia a cavalo distante do Palácio das Esmeraldas: — Meu tio Rasku? Então não sabes que ele mora no Solar da Marquesa de Sonça? — Sim, conheço alguma coisa que tua avó me contou a respeito dele, mas imaginava que morasse aqui com todos vós. 312 H. H. Entringer Pereira — Posso acreditar que achastes ele muito belo? — Ah, minha querida, não me obrigue a dizer a verdade! — Cuidado, que ele é um homem muito cruel! Não quero que te deixe apaixonada e depois te maltrate. — Querida, sou madura o suficiente para não me render a paixões perigosas! — Ainda bem! Temos algumas moças que não resistiram à sedução dele. Hoje choram o desprezo criando filhos sozinhas. Minha avó até criou e mantém um abrigo onde vivem as mães e os filhos do tio Rasku, que ele renegou. — São muitas? Posso conhecer? — Sim. Iremos lá quando tu quiseres. É bom que veja de perto o tipo de homem que ele é... Afaste-se dele. Mereces um homem com maiores virtudes. Rainha Alimpa e Princesa Irina ficaram muito amigas. Trocavam confidências, falavam de assuntos secretos e Alimpa contou-lhe desventuras amorosas, vividas e sofridas, quando se casou com um rico mercador de tapetes e especiarias do Oriente, enviuvando logo depois. Em pouco tempo, as duas tinham tanta cumplicidade que Rainha Araci sentia às vezes que a filha manifestava mais afeição por Alimpa do que por ela mesma. Rainha Alzira também se comprazia com a amizade das duas e incentivava a princesa a aprender a ciência dos produtos que ela fabricava, com muito esmero e qualidade. Um dia, durante a refeição matinal, quando toda a família costumava se reunir para desfrutar a alegria das conversas acompanhadas de bons bocados e frutas da estação, Rainha Araci não veio ao salão de refeições. Rei Naldo imediatamente pediu desculpas pela ausência da esposa, que amanhecera indisposta e com enjoos. Duas semanas depois, o mal-estar matinal da rainha foi diagnosticado. Ela estava grávida, apesar da idade mais avançada. Todos ficaram felizes, principalmente o jovem Mulato. A alegria de Mulato foi percebida pela Rainha Alimpa. Ela demonstrou interesse em conhecer a história daquele belo jovem mestiço, mudo de nascença e aleijado dos pés, porém de belos olhos verdes, pele morena e cabelos levemente crespos. Era ele quem zelava pela tropa de carga do “pai”. Era também pajem e cocheiro favorito do Príncipe Gesu Aldo e da Princesa Irina, seus meios-irmãos. Quando Rainha Araci se casou com Rei Naldo, sabia que o menino Mulato, então com sete anos de idade, era registrado como filho bastardo de Calico, embora pairassem dúvidas acerca de sua verdadeira paternidade. Calic assumiu a paternidade do garoto porque fora flagrado na cama com Alba Esmeralda, a filha de criação da Rainha Alzira. Desconfiava-se, no entanto, que Mulato fosse, na verdade, filho do intrépido e ardiloso Conde Rasku, que deflorou a irmã de criação, armando uma cilada para incriminar Calico, aproveitando-se também da mudez da moça e da sua preferência amorosa por ele.
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Quando em 2020 tive a oportunidade de experimentar uma imersão que provavelmente não e repitirá, não imaginava que não teria volta, essa proximidade com a mãe terra. Não se trata de um romantismo. Talvez essa agroFLORESTA, seja mais que tudo isso e permita que a ARTfloresta, reinvente tudo novamente.
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O plantio das cítricas está garantido. gora aproveitar o periodo das águas para fazer a captação de água do lago, para garantir o cultivo de outras espécies. Tereno arenoso, mas mesmo assim estou buscando meios de restaurar a vegetação.
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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER PEREIRA LIVRO 3 CAP. 75
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A SERVENTIA DAS CAIXAS Embora não se falassem amigavelmente há tempos, desde quando a Feiticeira Zureta fora ao Reino do Elo Dourado e não mais retornara a Trindade, Rei Mor aborrecera-se porque Bruxo Neno parecia esconder a verdade a respeito da morte da amiga, em particular sua protegida, pairando inequívocas suspeitas de que o filho, por ambição, tivesse eliminado a própria mãe. O rei firmava suas desconfianças no sentimento de que Bruxo Neno não disfarçava ciúmes da Feiticeira Zuzu, cujos préstimos eram sempre mais bem aquinhoados que os dele. Ao bruxo talvez desagradasse dividir créditos sobre os mirabolantes resultados de suas proezas. Conversavam amiúde, quando o rei precisava de favores específicos. O motivo mais antigo, porém, do estremecimento das relações entre ambos, residia na tentativa indisfarçável do bruxo imitar jeitos e trejeitos do rei, favorecido pela absurda semelhança física entre ambos. Em mais de uma oportunidade, Rei Mor pensara mandar o bruxo embora de Trindade, por não suportar que alguém desprovido de refinamento e desfavorecido de linhagem real ousasse imitar seus gestos e palavras. Todavia dois outros motivos garantiam a permanência do Bruxo Neno em Trindade: a Princesa Anaconda tinha verdadeira afeição pelo bruxo e a bela criada Angelin, ainda que aparentemente tratada com frieza, despertava no íntimo do rei sentimento de admiração, algo filial. Custava ao Rei Mor deixar de lado o exacerbado orgulho para admitir que precisava dos préstimos do Bruxo Neno. Confidenciaria a contragosto seu plano sórdido de invadir secretamente as terras do Barão de Corumbi, para forçar alianças visionárias que culminassem no casamento da feiosa Princesa Anaconda com o admirável, desejado e belo Príncipe da Beira do Rio, herdeiro do encantador Império do Elo Dourado. Mesmo sabendo que, antes de nascer, o Príncipe Urucumacuã já estivesse prometido à Princesa Irina, filha do sortudo rival, Rei Naldo de Avilhanas, ao Rei Mor bastavam os fins para justificar os meios. Ciente também de que o Bruxo Neno mantinha em sua guarda sete misteriosas caixas de metal, guardadas com sete chaves dentro de um caixão de madeira preta, adquiridas não se sabia como, junto ao prestigioso Mago Natu, desde a última vez que fora ao Elo Dourado, vencido pela curiosidade e premido pela necessidade, Rei Mor determinou que seu emissário de confiança, Senhor Uru, trouxesse o Bruxo Neno para uma audiência de caráter estritamente sigiloso. Comentava-se na corte que o Bruxo Neno aumentara ainda mais seu poder porque as caixas mágicas serviam para realizar quaisquer objetivos, desde eliminar desafetos até trazer fortuna e amores impossíveis. De outra parte, Bruxo Neno também andava desejoso de reconquistar espaços há muito interditados no Palácio de Trindade. Desde que se casara com a bela serva Murmur e lhe nascera a menina Angelin, Rainha Sissu igualmente dera à luz a Princesa Anaconda, e o Rei Mor não mais lhe solicitara nenhuma feitiçaria de alta complexidade, nem se interessara por seus gratuitos favores divinatórios. O aparente desprezo do rei pelo bruxo transformara a corte num vasto celeiro de intrigas, inveja e ciúmes, sempre abastecido pelos comentários maliciosos a despeito da beleza humilde da serva Angelin contrapostos à feiura exagerada da maliciosa e pérfida Princesa Anaconda. Ser visto 309 H. H. Entringer Pereira novamente circulando entre nobres cortesãos e ter audiência direta em palácio com o Rei Mor era tudo que Bruxo Neno esperava para alavancar fama e prestígio, trazendo-lhe de volta os áureos tempos de notoriedade e boa fortuna. Não deixaria escapar aquela oportunidade preciosa de atender o que o rei solicitasse fosse o que fosse nas artes da feitiçaria, por mais difícil que parecesse ou o preço que custasse. Antes da hora combinada, Bruxo Neno se apresentou na antessala do Salão do Trono. Vestido com sua melhor túnica, meio desgastada pelo tempo de uso, barba e cabelos crescidos e desalinhados, aparência completamente modificada, ao entrar na presença do Rei Mor, foi alvo de comentário irônico: — Dispenso-o de zumbaias e rapapés, porque estamos sós e qualquer pessoa que nos visse saberia sem dificuldades quem é o rei. Bruxo Neno, disfarçando a contrariedade, sem perder a pose, jogou-se aos pés do rei ao estilo de antes, tocando-lhe levemente nas partes íntimas, bajulando-o: — T.U.V.X.Z., meu senhor e soberano! – recitou, sem lembrar exatamente o que significava a enigmática saudação. Para não demonstrar igualmente seu esquecimento, Rei Mor repetiu: — T.U.V.X.Z., Bruxo Neno! Vou diretamente ao que me interessa, porque não tenho muito tempo a perder com este assunto. — Sou todo ouvidos, amado rei! — Bruxo Neno, quem vos parece ter direito às terras que Corumbi ara? Rei Médium ou eu? — Certamente que vós, ora pois. Rei Médium tem terras em demasia. O Império do Elo Dourado é rico o suficiente para ser dividido entre os três filhos do Imperador e continuar maior do que os vizinhos. Com as terras de Corumbi vossa realeza ficará em pé de igualdade com Rei Naldo de Avilhanas. — Muito bem. Era o que precisava saber de vós. Que vos parece casar a filha do Rei Mor com o filho do Rei Médium? — Hum, o Príncipe Kurokuru com a Princesa Anaconda? — Não, Bruxo Neno! Vejo que nada entendeis de casamentos reais... Segundos filhos não precisam se casar com princesas. Quem se casa com filha de rei são os primogênitos dos reis. Quero que o bonitão da Beira do Rio, o tal do cabelo vermelho, Príncipe Urucumacuã, se case com a minha filha. — Bem sabeis, meu soberano, que o Príncipe da Beira do Rio, o tal Pássaro de Fogo, já está comprometido, entende? De casamento marcado com Princesa Irina, filha de Rei Naldo de Avilhanas, vosso segundo maior rival. — Chegastes ao ponto que me interessa. Quanto queres e do que precisas para fazer que a tal noiva de Urucumacuã morra ou seja misteriosamente assassinada? Passado um tempo, logo depois, o tal venha a Trindade negociar as terras de Corumbi e se apaixone pela filha do Rei Mor a ponto de pedi-la em casamento? Bruxo Neno abaixou a cabeça para que o Rei Mor não percebesse sua vontade de rir. Nem o mais feio dos mortais seria capaz de se apaixonar pela Princesa Anaconda, a depender somente de sua beleza, quanto mais o Príncipe Urucumacuã! Só mesmo pelo poder das mais terríveis feitiçarias... Recompondo-se, argumentou, ainda meio sarcástico: 310 H. H. Entringer Pereira — Meu afável soberano. Faço esse trabalho, mas por alto preço. Sei que se falhar, vou pagar com a minha própria vida, entendes? Mas para o vosso prazer e pelo juramento de lealdade que vos prestei, vou usar sete chaves, sete caixas de metal e um caixão de madeira preta enguiço. Tereis também que providenciar um bode velho, uma cabrita nova, uma cadela no cio, um filhote de gato preto e um casal de pombos brancos. Um pedaço de fita preta e dois pedaços de fita roxa. Uma peça de roupa íntima da vossa filha, uma mecha de cabelo da princesa noiva ou um pedaço de seu vestido... E alguma coisa do príncipe do cabelo vermelho... — Podeis parar... Como conseguirei algo do príncipe do cabelo vermelho se está tão distante? E de sua noiva ... Como conseguirei? Terei de mandar alguém ao reinado de Avilhanas para conseguir. Como sabeis, demoraria muito tempo até ter as coisas nas mãos. — Verdade... Bom, tenho as caixas de metal mágicas. As tais que Mago Natu usou pra fazer umas proezinhas quando os gêmeos nasceram. Mas nas minhas mãos elas valem muito mais. Consigo o que eu quiser. Então, acho que é o bastante. Mechas do cabelo da noiva... Hum... eu mesmo posso dar um jeito. Vou fazer uns bonecos de pano com roupas do último defunto sepultado em Trindade, entendes? É só botar nos bonecos os nomes da menina e do noivo dela. Como é mesmo que ela se chama? — Princesa Irina! Quando e onde faremos o despacho? — Assim que tiver com todos os materiais na mão e a fase da lua minguante passando do sexto para o sétimo dia e ... não sei... se vossa realeza concorda, mas pra conseguir o efeito cem por cento, preciso despachar no cemitério... É o único lugar que ninguém vai lembrar de procurar pela gente, caso sintam nossa falta. — N-o-s-s-a falta? — Claro! Preciso da vossa soberana companhia. Sem vós, amado rei, o despacho não fica completo. — Neste caso, darei meu jeito...Quanto me custará tudo isto? — O caixão preto de madeira cheio de moedas de ouro. — E as sete caixas de metal? — Serão vossas depois disso. Podereis usar como talismãs, pra fazer o que bem quiseres, entendes? — Feito isso! — Feit’isso! Saindo do Salão do Trono, andando para trás passo a passo, todavia mantendo-se de frente para Rei Mor, porque ninguém que tivesse polimento ficaria de costas para o soberano, Bruxo Neno exagerou nas mesuras e reverências, disfarçando no semblante a afetação e o contentamento de novamente circular entre os cortesãos, recebendo tratamento, distinção e honras privativas da nobreza. Melhor do que esperava, Rei Mor esteve de bom gênio, cordato e submisso. O trabalho desta empreitada exigia concentração, rituais de canalização e magnetismo, com invocações apropriadas no uso das palavras e nas entidades diabólicas chamadas. Coisas corriqueiras para um bruxo sedento de prestígio e dinheiro. Dali em diante, era uma questão de tempo para que as coisas acontecessem.
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Festa de Nossa Senhora de Santana
12/07/202512/07/2025
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Comunidade do PA Quilombo no Lago do Manso em Chapada dos Guimarães MT Brasil. Uma iniciativa que soma .
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Oficina de Sistema de Informação Geográfica (SIG) –
27/03/202527/03/2025
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A OCA Terravila Glocal tem a honra de informar, que vem aí a primeira Oficina de Sistema de Informação Geográfica (SIG) – Brigada Voluntária PA Quilombo 📅 Data: 01 e 02 de abril de 2025 📍 Local: Residência do Amorim - Comunidade PA Quilombo, Chapada dos Guimarães/MT 📌 Endereço: Rua Quilombo, Lote 36 - Zona Rural, Sítio Real Verde – CEP 78195-000 🛰 A comunidade está convidada a participar da Oficina de Sistema de Informações Geográficas (SIG), um componente do projeto Rede Floresta. Por meio do mapeamento participativo, monitoramento comunitário e vigilância remota, a oficina oferecerá treinamento teórico-prático para capacitar os participantes no uso de imagens de satélite e ferramentas SIG. 🌱 Junte-se a nós e aprenda como utilizar tecnologias para proteger nossas florestas, prevenir incêndios e promover o uso sustentável do solo e dos recursos naturais! 📌 Evento gratuito. Inscrições através do link: https://www.sympla.com.br/evento/oficina-de-sistema-de-informacao-georreferenciada-sig-brigada-voluntaria-gleba-quilombo/2879319?referrer=statics.teams.cdn.office.net&share_id=whatsapp
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ReRe conVERSA inLOCO c/ OCA TERRAVILA GLOCAL
30/11/202430/11/2024
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O Projeto OCA Terravila Glocal está recebendo a visita de Vinicius Braz e Vania Trindade, para falar da web3 e suas vantagens para a Agricultura Familiar. Os visitantes estarão dando uma prévia do que vem ser a CARAVANA 2025, pelos interiores mais distintos do Brasil
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OCA::ReRe CONversa IN LOCO no LAGO DO MANSO - MT
15/11/202415/11/2024
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OCA::ReRe CONversa IN LOCO no LAGO DO MANSO - Chapada dos Guimarães-MT No dia 06 de dezembro de 2024, o Projeto OCA TERRAVILA GLOCAL recebe a presença de Vinicius Braz e Vânia Trindade (Rio de Janeiro-RJ) em sua sede (PA Quilombo/Lago do Manso), para dialogar com a comunidade, sobre a importância da web3 nas comunidades mais remotas e que utilizam os métodos tradicionais em seus cultivos na agricultura familiar.
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