O que apreendemos de mais importante do 13º CBA!
Entre os dias 15 e 18 de outubro de 2025 ocorreu o 13º Congresso Brasileiro de Agroecologia, a Rede Consumo Consciente ABC participou do evento que ocorreu na cidade de Juazeiro na Bahia. Participamos com dois trabalhos intitulados “Impactos econômicos na produção agroecológica em áreas periurbanas” e “A gestão de resíduos orgânicos da Rede Consumo Consciente ABC”. Foi um evento muito bem organizado e em nossa visão este congresso representa o que há de mais popular na agricultura de base familiar.
A diversidade do evento foi impressionante, haviam pessoas do Brasil todo, no congresso havia diversidade de temas e assuntos, sendo impossível acompanhar tudo o que estava sendo apresentado. Focamos em entender a agroecologia sob a visão do trabalhador rural, então escolhemos dentro de toda aquela diversidade os paineis e palestras que trouxessem conteúdos dentro de uma perspectiva da viabilidade da agroecologia de forma planificada tentando entender os métodos da economia política em discussão e o papel do público e privado no avanço da agroecologia.
A agroecologia brasileira é avançada e ressignifica o conhecimento ancestral, é cultural e possui uma base tecnológica descentralizada e rica em metodologias. Apesar dessa riqueza, há um anseio pela consolidação econômica da agroecologia frente a intensidade do agronegócio. Constatamos a necessidade da discussão sobre economia política para uma produção verdadeiramente agroecológica, discutimos isso na apresentação de nossos dois trabalhos, sendo que a manutenção das florestas e ambiente natural é uma condição para a consolidação da agroecologia como método produtivo. Existem políticas públicas para a proteção do meio ambiente, porém, o desmatamento ainda continua, o avanço urbano descontrolado também continua e o serviço público que executa essas leis não possui o investimento necessário para a proteção e fiscalização.
Acreditamos que as vertentes de pensamento agroecológico sobre o assunto seguem caminhos contraditórios com relação à organização do território via políticas públicas, existindo o interesse privado sobre processos públicos decisivos para popularização da agroecologia. No Brasil a agroecologia e a defesa do meio ambiente são feitas no campo dando prioridade ao interesse privado, mesmo quando o território é de uso comum ou público. As lutas ambientais são difíceis e burocráticas, esbarram no interesse de construtoras e agronegócio e as movimentações e mobilizações que seguem as políticas públicas precisam de revisão pois não estão proporcionando controle social o que afasta a natureza da economia humana, mostrando a degeneração e descontrole do estado frente várias questões principalmente quanto a educação e saúde.
Do jeito como estão as políticas públicas, questionamos a visão de que a agroecologia é a salvação para o meio ambiente, isso porque as políticas públicas colocam o produtor agroecológico ou orgânico como resilientes e protetores do meio ambiente, porém, enquanto o agroecológico tem responsabilidade ambiental pelo conjunto da paisagem que forma o agroecossistema e baixo aporte financeiro, já o convencional ou agronegócio tem políticas de aporte financeiro e apoio técnico superiores e responsabilidade ambiental limitada a área de sua propriedade, o que dificulta a manutenção de áreas adicionais necessárias a propriedade do produtor agroecológico para manter estáveis as populações naturais que dão suporte a esse tipo de produção, ou seja, as externalidades do avanço urbano e do agronegócio acaba recaindo sobre o trabalhador da produção agroecológica.
No congresso o professor Romier Sousa, do Instituto Federal do Pará cunhou o termo “Perspectiva Territorial para a Transição Agroecológica”, e colocou um conjunto de ideias que muda a visão sobre a transição agroecológica como conhecemos, de que devemos executar esse processo com base na propriedade rural, em verdade, a política pública para a transição agroecológica deve ter apoio institucional ou estatal maior, atuando sobre o conjunto da paisagem, atualmente tanto o produtor convencional como o agroecológico precisa ser responsável apenas pela fatia de terra do qual é proprietário, sem precisar prestar contas pela sua ação no território onde todos estão inseridos, porém, é o produtor agroecológico que mais depende do ambiente salvo devido aos diversos processos de regeneração natural que precisam ser realizados, já o produtor convencional aplica o pacote agronômico específico, sem se incluir na manutenção do meio ambiente do entorno.
Esses problemas econômicos que as políticas públicas causam para a produção agroecológica são questões complexas que precisam de amplo debate, a transição agroecológica não se trata de fornecer pareceres de boas práticas, mas na adequação de todo agroecossistema para a implantação de sistemas alimentares que se insiram dentro da ecologia e se adapte.
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