RELATÓRIO DO 1º ENCONTRO DOS POLOS AGROECOLÓGICOS DE MINAS GERAIS
Entre os dias 29 e 31 de maio de 2026, foi realizado em Viçosa o 1º Encontro dos Polos Agroecológicos de Minas Gerais, reunindo representantes de organizações da sociedade civil, agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais, instituições de ensino e pesquisa, movimentos sociais e gestores públicos de diversas regiões do estado. O evento teve como objetivo fortalecer a articulação entre os territórios agroecológicos mineiros, promover a troca de experiências e construir estratégias conjuntas para o desenvolvimento da agroecologia em Minas Gerais.
A programação incluiu valiosas visitas técnicas em algumas experiencias agroecológicas da Zona da Mata, debates, rodas de conversa, feira feminista, intercâmbios de experiências e a solenidade de inauguração dos projetos Ecoforte Redes. Iniciativas que visa fortalecer as redes territoriais de agroecologia por meio de ações de formação, articulação, intercâmbio e fortalecimento organizativo. O encontro evidenciou a diversidade e a riqueza das experiências agroecológicas existentes no estado, reafirmando a importância da cooperação entre organizações e territórios para enfrentar os desafios relacionados à produção sustentável de alimentos, à conservação ambiental, à adaptação às mudanças climáticas e à promoção da soberania alimentar.
Um dos temas centrais discutidos durante o encontro foi o processo de consolidação dos Polos Agroecológicos e de Produção Orgânica de Minas Gerais. Atualmente, o estado conta com cinco polos oficialmente instituídos: o Polo Agroecológico da Zona da Mata, criado pela Lei nº 23.207/2018, primeiro do estado; o Polo Agroecológico do Sul e Sudoeste de Minas, instituído pela Lei nº 23.939/2021; o Polo Agroecológico do Norte de Minas, instituído pela Lei nº 24.321/2023; o Polo Agroecológico e de Produção Orgânica da Região Metropolitana de Belo Horizonte e Colar Metropolitano, criado pela Lei nº 25.036/2024; e o Polo Agroecológico dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, instituído pela Lei nº 25.478/2025. O vale do Aço, também está em vias de ser reconhecido como o mais novo polo de agroecologia de MG. A criação desses polos representa um importante avanço para a agroecologia mineira, conferindo maior visibilidade às iniciativas territoriais, fortalecendo o acesso às políticas públicas, à assistência técnica e à captação de recursos destinados à agricultura familiar e à produção orgânica.
Nesse contexto, foi amplamente debatida a importância da articulação entre os diferentes polos, visando construir estratégias comuns para o fortalecimento da agroecologia em Minas Gerais. Os participantes destacaram que, embora cada território possua características próprias, os desafios relacionados à comercialização, à assistência técnica, à certificação orgânica, às mudanças climáticas e ao acesso a políticas públicas são compartilhados, exigindo ações coordenadas e processos permanentes de cooperação capazes de garantir uma maior incidência do movimento nos orçamentos públicos.
Outro aspecto relevante destacado durante as atividades foi a contribuição do Sistema Participativo de Garantia (SPGs). Essas experiências demonstram a capacidade dos agricultores de construir processos coletivos de certificação orgânica baseados na participação, na transparência, na confiança e no controle social. Além de garantir a qualidade orgânica da produção, esses instrumentos fortalecem a organização comunitária, promovem a troca de conhecimentos e ampliam as oportunidades de acesso a mercados para os agricultores familiares.
O encontro contou ainda com a participação de representantes do legislativo, municipais, estaduais e federais, que ressaltaram a importância histórica dos Polos Agroecológicos para o desenvolvimento agroecológico em Minas Gerais. Reafirmaram a necessidade de fortalecer ações que valorizem a agricultura familiar, a produção sustentável de alimentos e a preservação ambiental, reconhecendo o papel estratégico dos polos agroecológicos na construção de um modelo de desenvolvimento mais justo e sustentável. Ao final das atividades, os participantes avaliaram que o 1º Encontro dos Polos Agroecológicos de Minas Gerais representou um marco na construção de uma agenda comum para a agroecologia mineira.
A inauguração dos projetos Ecoforte Redes fortalece esse processo ao ampliar as condições para a articulação entre territórios, o intercâmbio de experiências, a formação de agricultores e o fortalecimento das organizações locais. O encontro reafirmou o compromisso das redes agroecológicas, dos movimentos sociais e das instituições parceiras com a promoção da agroecologia como estratégia de desenvolvimento territorial, geração de renda, conservação ambiental, soberania alimentar e enfrentamento das mudanças climáticas, consolidando os Polos Agroecológicos como importantes instrumentos de transformação social e fortalecimento da agroecologia em Minas Gerais.
Outro tema que emergiu com força durante os debates foi a necessidade de ampliar os investimentos públicos destinados à agroecologia e à agricultura familiar. Os participantes destacaram a insuficiência dos recursos atualmente disponibilizados pelos Poderes Executivos para atender às demandas dos Polos Agroecológicos e das organizações que atuam nos territórios sobretudo pela falta de regulamentação da legislação existente. As leis até existem, mas não são retiradas do papel. Embora os avanços legislativos representem importantes conquistas para o reconhecimento institucional da agroecologia em Minas Gerais, a efetiva implementação das ações previstas depende da existência de recursos financeiros compatíveis com os desafios enfrentados pelos agricultores e agricultoras. Nesse contexto, foi amplamente reconhecida a importância atual das emendas parlamentares como instrumento fundamental para viabilizar, no curto e médio prazo, projetos de formação, assistência técnica, estruturação produtiva, certificação participativa, comercialização, intercâmbios, aquisição de equipamentos e fortalecimento das organizações sociais.
Durante o encontro, foi reconhecido que a experiência acumulada pela AMAU poderá desempenhar papel fundamental na implementação e consolidação do Polo Agroecológico da RMBH. Sua trajetória de mobilização social, formação de agricultores e incidência política a credencia como importante articuladora dos diversos movimentos, organizações e coletivos que atuam na região metropolitana. Além disso, sua capacidade de promover o diálogo entre campo e cidade constitui um elemento estratégico para o fortalecimento do novo polo, contribuindo para a construção de uma governança participativa e para a integração entre os municípios que compõem a Região Metropolitana de Belo Horizonte e seu Colar Metropolitano. Ficou evidenciado que precisamos reforçar a interação entres os diversos coletivos que compõem a AMAU. Outra estratégia levantada, especialmente para o segundo semestre de 2026, foi o fortalecimento da ação “A agroecologia nas Eleições” O movimento promove campanhas para que candidatos e candidatas assumam compromissos com a agroecologia. A iniciativa busca inserir temas agroecológicos nos debates do Poder Executivo e Legislativo
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