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URUCUMACUÃ BY H.H.ENTRINGER P. - LIVRO 3 - CAP. 84
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PRÍNCIPE URUCUMACUÃ EM CASA Desde quando o Príncipe Urucumacuã chegara em companhia da extraordinária Corte do Grande Rei em três de suas portentosas embarcações — Patientia, Sapientia e Humilitas —, a vida no Palácio Fortaleza e no reinado do Elo Dourado, em geral, ganhou novos significados. A alegria pelo retorno do amoroso filho, a visita do Grande Rei, sua alegre comitiva e a proximidade da data do casamento do “Príncipe da Beira do Rio” com a “Virgem de Avilhanas” pontuavam entre as mais alvissareiras efemérides das últimas décadas. Príncipe Urucumacuã havia mudado bastante de fisionomia naqueles três anos de ausência. Sua farta cabeleira ruiva e lustrosa emoldurava um rosto de traços bem angulados, seus olhos verdes adquiriram brilho magnetizante e seu porte físico chegara à plenitude da anatomia masculina. Irradiava uma beleza forte e apaziguadora e sua voz ganhara o timbre de firmeza temperada de gentileza e cortesia em suas palavras. Alguns de seus gestos lembravam os mesmos movimentos do Grande Rei, sem parecer frívola imitação. Dos mais humildes serviçais aos altos dignitários da corte do Elo Dourado, todos queriam ouvi-lo, abraçá-lo e ficar o maior tempo possível perto do jovem príncipe. Muitas perguntas lhe faziam e, a cada resposta, mais se maravilhavam do conhecimento e sabedoria adquirida por Urucumacuã, além de sua humildade e simplicidade. — Parece um deus, dizia a criada que o viu nascer. — Acaso conheceis algum deus para compará-lo? – debochavam as outras. — Claro que não, mas continuo achando que ele é um deus, e o irmão gêmeo também. — Deuses não são de carne e osso... — Mas podem se fazer humanos para ensinar o amor e a bondade! — Neste caso, temos alguns deuses aqui, conosco. — Temos mesmo! A voz macia e solícita da Professora Plínia ecoou no corredor do Palácio. Estava às voltas com a preparação da Câmara do GRAU para a solenidade de consagração do Príncipe Urucumacuã à Ordem Misteriosa do Pássaro de Fogo. No dia seguinte, começariam os cerimoniais de apresentação oficial de “Urucum” à nobreza da Casa Real do Elo Dourado. Mago Natu recomendara alguns cuidados especiais quanto à arrumação da Câmara do GRAU e solicitara à irmã selecionar as criadas para adentrar com elas naquele sacrário, especialmente reservado. Entre as servas que conversavam no corredor próximo dos aposentos do príncipe, requisitou duas, particularmente, incumbindo-as de limpar com água perfumada de flores de laranjeira todas as peças do mobiliário, varrer o piso com vassouras de tomilho e ornamentar com lírios do campo, colhidos antes do sol nascer, na manhã seguinte, em jarras solitárias de cristal e de ouro. Ninguém mais deveria pisar o chão da Câmara do GRAU, após a limpeza até o dia seguinte, quando se colocariam as flores nos vasos. Tudo deveria estar providencialmente arrumado para que a seleta plateia que ali viesse fosse honrada com as celebrações pela chegada do príncipe herdeiro. Sua consagração nos antigos e H. H. Entringer Pereira secretos rituais dos Mistérios do Fogo e unção pelo Grande Rei e pelo Mago Natu, testificariam o glorioso final daquele longo círculo de preparações às quais se submetera, seguindo as tradições ancestrais para a formação de sucessores, verdadeiros xamãs, tempos antes de se casarem. Seriam entregues naquela solenidade as honras, galardões e lauréis, símbolos das mais altas comendas do reinado, como salvo-condutos à herança do trono, coroa e cetro reais, legados do pai e legítimo antecessor. Em troca das honrarias, o futuro legatário ganharia também um sem número de tarefas de alta complexidade a executar, subordinando-se ao seu talento invulgar e prestigioso desempenho o sucesso e a vitória em todas elas. Algo diferente aconteceria naquele dia... Os rituais de consagração do Príncipe Urucumacuã começaram bem cedo. Penetrando, pela primeira vez, a Câmara do GRAU, trajando uma comprida túnica preta, de olhos vendados e descalço, entrou no santificado tabernáculo conduzido pelo Mago Natu, postando-se em frente ao altar principal de cedro e olíbano, onde ajoelhou-se para depois se deitar de bruços, apoiando a testa no dorso das mãos espalmadas, a esquerda sobre a direita. O suave perfume dos lírios colhidos na madrugada e os incensos de mirra e nardo combinavam aromas propícios aos arrebatamentos celestiais. Atenta aos acenos do Mago Natu, Professora Plínia iniciou a execução de harmoniosos acordes no saltério acompanhados pela brandura de um harpista da comitiva do Grande Rei. Em formação lado a lado, respeitosa e reverentemente, postaram-se junto ao Grande Rei, o pai e a mãe do príncipe e sete conselheiros reais. Do lado oposto, Mago Natu, Professora Plínia, outros sete conselheiros e o irmão gêmeo, Príncipe Kurokuru. O Grande Rei iniciou a cerimônia salmodiando numa linguagem compreensível apenas aos iniciados. Aspergindo água de essência de rosas sobre o príncipe, entoou o juramento em forma de responsório, com voz afinada e forte: — Crês que somos todos irmãos, gerados à imagem e semelhança da Força Máxima Incalculável, partículas e átomos dessa mesma energia? Usando da mesma entonação e força na voz, Príncipe Urucumacuã respondeu: — Creio! — Juras que dedicarás tua vida a amenizar os sofrimentos de teus próximos? — Juro! — Juras manter-te fiel a esta ordenação por toda tua vida? — Juro! — Juras que não te corromperás nem diante de todo o ouro e toda prata, nem diante da mais valiosa pedra preciosa, nem terá mais valor para ti nenhum objeto do que os dons que recebeis agora? — Juro! — Juras que jamais revelarás o oculto que somente a ti foi revelado? — Juro! — E, assim, comprometido estais consigo mesmo porque jurastes o amor. Por mim, por teus pais, por teus vassalos e servos, eu vos consagro, Urucumacuã, Príncipe da Beira do Rio, neto de Pay e Olinda, Ofin e Tarope, primogênito de Médium e Gônia, Grão-Sacerdote da Eterna e Milenar Ordem dos Mistérios do Pássaro de Fogo, sagrado 343 H. H. Entringer Pereira pela manhã, ao Sol; pela noite, à Lua; e por todo o sempre ao Fogo Original, para sujeitar ao teu domínio, a dor, a mentira, a luxúria e a cobiça, enquanto tua mão direita fizer o que tua mão esquerda não souber. Pedindo que os presentes se ajoelhassem, o Grande Rei pegou um grande círio branco de cera virgem, aceso, enquanto o Mago Natu tirava a venda dos olhos do príncipe, colocando-o em decúbito frontal. Encostando a simbólica vela na cabeça de Urucumacuã, disse: — Abram-se as janelas e descerrem-se de ti os véus para que recebas pelo Portal da Luz a claridade universal do Poder Infinito da Visão Onipotente, que sempre iluminará tua senda e far-te-á invencível, no Norte, no Sul, no Leste, no Oeste, debaixo do Sol e da Lua, em cima da Terra e dentro da Água. Em seguida, impôs as duas mãos sobre a cabeça de Urucumacuã, sem tocá-la, dizendo: — Sejas tu, Pássaro de Fogo, UM com teu corpo e espírito. De posse de um sudário de linho branco encobriu todo o corpo de Urucumacuã, deixando-lhe apenas a cabeça descoberta: — Das trevas saíste, à luz tornarás. Descobre a tua cabeça, para que se complete tua orientação. Em seguida imantou uma taça de água, derramando-lhe parte no chacra coronário, concluindo: — O Fogo morre na água, mas dela é nascente. Purifica-te pela água e pela provação do fogo. Igne natura Renovatur Integra. Pede que todos se levantem. Abraça-os, um por um e na vibração da corrente de energia que começa a circular pela Câmara do GRAU, canta um salmo na mesma língua em que iniciou a celebração. Erguendo o príncipe do chão, Mago Natu revestiu-o, encobrindo a túnica preta, com um longo manto de pura seda, vermelho brilhante, adornado às costas, por um grande pássaro cor de fogo, bordado com fios de ouro no interior do hexágono formado no espaço interno da estrela de seis pontas, desenhada a partir da superposição de dois triângulos com as bases e vértices opostos. Após, rompendo o mais completo silêncio, ouviu-se um estalido forte, agudo como o tinir de objeto metálico, ecoando pelo ambiente até desaparecer. Em seguida, um raio de luz formatou-se numa flama vermelho cintilante, qual chama acesa, vinda da direção do Portal Sul, entrando pela janela e posicionando-se sobre a fronte lívida do Príncipe Urucumacuã. Seus cabelos ruivos ficaram como minúsculos raios brilhantes, e todo o seu semblante resplandecia. No mesmo momento em que ergueu as mãos postas para fazer a saudação de gratidão ao Grande Rei, saíram, de seus dedos longos, faíscas de pequenas chamas de fogo azul fluorescente que, num movimento oscilante, circundaram o corpo do príncipe, ritmados numa dança suave, percorrendo-o em espiral de baixo a cima, para logo então unir-se numa única flama, igual ao olho poderoso que tudo vê, pairando no topo de sua cabeça, por alguns segundos. Enquanto os olhares da plateia, atenciosos e reverentes, observavam a revelação sobrenatural de poder e força cominados ao neófito, aquela chama azul cintilante estilhaçou-se em seu núcleo, fragmentando-se em inúmeras centelhas de luz dourada, semelhantes a partículas de 344 H. H. Entringer Pereira ouro, inundando o ambiente com uma chuva de luz, orbitando em torno do príncipe numa espiral que passou a refletir o espectro das sete cores do arco-íris. O Grande Rei entoou uma sequência de mantras litúrgicos, com portentosa voz de barítono, e à medida que pronunciava monossílabos sagrados, apontava com os dois dedos, indicador e médio esticados, para o espectro radiante da espiral colorida, direcionando-a aos quatro cantos da Câmara do GRAU. Obedecendo ao comando da divina voz e à direção apontada pelo divino maestro, a espiral dividida em quatro segmentos foi aos poucos desaparecendo, como que sugada pelos vasos solitários de ouro com os lírios do campo. O semblante do Príncipe Urucumacuã iluminou-se, e uma aura de luz azul-claro brilhante circundou todo seu corpo. Mago Natu então pegou a coroa de folhas de Loureiro sobre o aparador de marfim e, erguendo-a, ajeitou-a sobre sua cabeça, extinguindo assim, a misteriosa chama de energia vermelho coruscante que se apresentava sobre a fronte de Urucumacuã. A luz que irradiava do corpo do príncipe iluminava todo o recinto. Entregando-lhe também o anel da Ordem e o Colar da Obediência, repassou-lhe a Espada Real com o Pássaro de Fogo, burilado na empunhadura, e as cinco letras de seu enigma pessoal insculpidas sob o símbolo: T.U.V.X.Z., num ritual repetido em outros eventos de sagração real. O Grande Rei o abraçou e concluiu a liturgia, pronunciando em voz alta: Tu, Urucumacuã, vencerás xamãs zombeteiros! Lembre-se sempre de teu juramento. Ao que ele respondeu: — Teu único vassalo, xamã zelador. T.U.V.X.Z. O Grande Rei entoou ainda a liturgia de fechamento, salmodiando em sua língua ancestral. Rei Médium olhou para a esposa e viu quando lágrimas lhe vieram às faces. Dirigindo-se ao iluminado filho, Rainha Gônia entregou-lhe nas mãos o cabochão de diamante, a pedra de filosofar, a mesma que ganhara no dia do seu casamento, obedecendo ao ritual proposto pelo Grande Rei. Em seguida, colocou-lhe no dedo mínimo o anel de pérola negra, que também ganhara do marido quando noivaram, para que pudesse presentear sua noiva, a futura esposa, assim que ela chegasse ao Elo Dourado, dois meses antes do dia do casamento. Apesar de felizes, fruindo as vibrações positivas e benfazejas daquele momento celestial, pai, mãe e filhos, ao cruzarem seus olhares, abraçaram-se os cinco, e compreenderam que nem tudo, dali por diante, haveria de ser só felicidades, mas viveram intensamente a alegria da oportunidade. Aquela parte do ritual estava concluída. A cerimônia da Provação do Fogo Sagrado ocorreria mais tarde, à noite, sob a luz da lua, na Praia da Lua Clara, conduzida pelo Mago Natu. Ao entardecer do mesmo dia, na Praia da Lua Clara, soprava uma brisa agradável, depois de um cálido tempo de céu azul. Alguns serviçais concluíam a instalação de um cenário diferente dos que já haviam sido arrumados naquele local para os casamentos e outras festas de estação. A derradeira vez que aquela extensão de areia branca fora tão cuidadosamente limpa e rastelada remontava ao casamento do Rei Médium com a Rainha Gônia, há vinte e quatro anos passados. 345 H. H. Entringer Pereira À sexta hora da tarde, a praia das areias brancas e macias lembrava um reduto mágico, prestes a experimentar um grande acontecimento. Arquibancadas escavadas na areia e forradas de alcatifa púrpura emprestavam não só beleza, mas também sobriedade àquela simplicidade. No espaço central do grande semicírculo de bancadas na areia, um quadrado de vinte e quatro por vinte e quatro metros, meio metro mais alto que o nível dos assentos, isolado por fitas brancas, azuis e douradas – as cores oficiais do Império do Elo Dourado –, permitia a visão de uma armação em formato de pirâmide, estruturada com roliços de madeira aromática, mais grossos na base, afinando-se à medida que ganhavam altura. No cimo da pirâmide, um reluzente cristal em formato piramidal finalizava e rematava o imponente monumento de madeira. Com os quatro vértices na direção dos pontos cardeais, a face norte e a face sul da pirâmide estavam em parte abertos, formando um portal, para permitir que fossem atravessados de uma direção a outra. Concluído o trabalho, os serviçais entregaram algumas ferramentas especiais ao Mago Natu, que as dispôs em ordem sobre um pequeno tablado à entrada do portal norte da pirâmide de madeira. Professora Plínia veio em seguida, ornamentando de fitas e flores os arcos de palmas verdes, erguidos nas entradas de cada fileira das bancadas na areia. Rei Médium, com antecedência necessária, anunciou aos súditos e amigos dos reinados vizinhos que todos estavam convidados a assistir àquela cerimônia, ao contrário do ritual de consagração na Câmara do GRAU, dirigido pelo Grande Rei, ao amanhecer, cuja plateia resumiu-se à família real e alguns poucos convidados especiais. Não tardou e uma grande plateia já se posicionara nas bancadas de areia, iluminadas nos espaços entre uma e outra por archotes e lanternas feitas de ouro, fincadas na areia, abastecidas de óleos vegetais e resinas naturais de breu, alecrim e sândalo. O aroma que se propagava, o vento conduzia até as residências e a fragrância inebriante convidava a população, ainda que pouco entusiasmada, a chegar até o local da cerimônia. À hora vigésima, surge o Príncipe Urucumacuã, montando um corcel de pelagem láctea reluzente, de par com seu irmão gêmeo, Príncipe Kurokuru, também montando um corcel de pelagem branca, à frente de um séquito, cujo derradeiro elemento era o Mago Natu. Em formação ritual, os dois irmãos apearam das montarias e entraram na pirâmide de madeira, cada um por um portal, enquanto quatro vestais, cavalgando corcéis de cores diferentes – amarelo, vermelho, preto e branco – postaram-se nos quatro vértices indicadores dos pontos cardeais, trazendo às mãos bandejas de prata: A do Leste trouxe o sal; a do Oeste, azeite; a do Norte, enxofre; e a do Sul, o azougue. Mago Natu, o último a tomar posição, numa atitude de humildade e reverência, saudou com um aceno de cabeça toda a plateia, ajoelhando-se diante do Grande Rei, cujo assento estava entre o do Imperador do Elo Dourado, Rei Médium, e da Rainha Gônia. Ainda de joelhos, o Mago pronunciou: — M.N.O.P.Q.R.S.! O Grande Rei também o cumprimentou e respondeu à saudação: — M.N.O.P.Q.R.S.! 346 H. H. Entringer Pereira Desfolhando um antigo alfarrábio nas mãos, Mago Natu iniciou a celebração. Os espectadores, muito atentos, observavam os movimentos dos protagonistas daquele ritual, semelhantes a uma liturgia de teatro sagrado. A partir do momento em que Mago Natu convidou o Príncipe Kurokuru a deixar o interior da pirâmide de madeira pela abertura do Norte, entregando-lhe, além de algumas das ferramentas que estavam colocadas sobre um pequeno tablado ao lado do monumento, um calhamaço no formato de um caderno, aramado de fios de ouro, com toda a sua coleção de folhas curativas, apanhadas nos cata-logo para compor o livro das doenças, o ritual se transformou. O príncipe gêmeo, coroado com uma guirlanda de folhas de oliveira recebeu também vestes cerimoniais, uma túnica verde-esmeralda, forrada de seda amarela, bordada com pedras preciosas em desenhos de flores e folhas, ouviu uma longa profissão de fé, jurando seus credos e comprometendo-se, sob pena de anátema, a trabalhar pela saúde e bem-estar de todos os desafortunados daquele reinado, sem lhes exigir quaisquer formas de pagamento ou retribuição material. Concluindo os juramentos e recebendo a ordenação de Sacerdote da Cura, Príncipe Kurokuru retomou sua montaria, circulando quatro vezes pelos quatro lados no cenário isolado de fitas, saindo pelo portal do sul, em suave marcha. Enquanto isso, Mago Natu solicitou que todos permanecessem em silêncio, enquanto ele cantava hinos de louvor, aguardando o Príncipe Kurokuru retornar. Momentos após, o príncipe regressou andando, vestido com um avental verde sobre uma túnica branca resplandecente, empunhando uma palma verde e uma coroa de ouro branco e esmeraldas na cabeça. Havia entregado as oferendas no oculto altar da Honra Onipresente dos Ancestrais Superiores Consagrados ao Altíssimo. Príncipe Kurokuru sentou-se ao lado esquerdo do Grande Rei, permanecendo em profundo estado de contemplação, sem pronunciar uma palavra. Mago Natu prosseguiu a liturgia, entregando uma taça de bebida sagrada ao Príncipe Urucumacuã, dizendo-lhe: — Oh, Sagrado Pássaro de Fogo, Senhor da Morte e da Vida, resplandecei sobre teu vassalo Urucumacuã, transmutando o sofrimento em gozo e a morte em vida. Fazei-o penetrar nos vossos sacrossantos mistérios e abri-lhe as portas insondáveis da percepção e dos encantos. Que ao seu toque, o metal se dobre e a pedra se quebre e tudo se transforme segundo sua vontade. No Sol se faça a chuva e na Chuva se faça o sol, tudo em conformidade com Vosso imperscrutável domínio e vontade. Tudo em conformidade com a Honra Onipresente dos Ancestrais Superiores Consagrados ao Altíssimo. Mago Natu prosseguiu sua santificada homilia, ao tempo em que as quatro vestais que levavam as oferendas dos elementos sal, azeite, enxofre e azougue, em suas salvas de prata, caminharam à frente, lentamente, até os pontos onde se erguiam os quatro vértices da pirâmide de madeira. Mago Natu continuou sua oratória recebendo-lhes as oferendas e depositando-as, uma a uma, na frente, atrás, à esquerda e à direita de Urucumacuã, que se encontrava dentro da pirâmide, sob o prisma de cristal. Com o cabochão diamante que recebera de sua mãe na cerimônia de consagração ao amanhecer, o príncipe elevou aos céus o precioso presente nas conchas das mãos e viu quando uma chama de fogo azul e vermelha, no formato de um olho, 347 H. H. Entringer Pereira saiu do diamante e veio até a direção dos seus pés. Quase tocando o chão, a chama se dividiu em duas, uma azul e outra vermelha, entrando cada uma por um dos dedões dos pés e percorrendo-lhe vagarosamente as pernas em direção à cabeça. Na altura de seus órgãos sexuais, as duas chamas entrelaçaram-se e seguiram pela sua coluna vertebral, cruzando-se em outros seis pontos distintos coluna acima, até voltar a se unir numa só chama que se colocou no topo de sua cabeça. Por onde se cruzavam aquelas duas chamas de energia, uma área de luz se projetava do corpo, proporcionando ao príncipe uma visão radiográfica que suas roupas brancas não o impediam de perceber. Ele mesmo podia enxergar o funcionamento harmônico de seus órgãos internos, músculos, ossos, nervos, veias azuis e vermelhas, numa maravilhosa radiografia tridimensional de si. Entrou em sublime êxtase e, ao olhar o cabochão diamante em suas mãos, percebeu que ele ganhara uma abertura no centro que correspondia à medida de seu dedo médio. Intuitivamente, colocou-o no dedo, sentindo uma corrente eletrizante percorrer seu corpo, pleno de força. Poucas pessoas na plateia se davam conta do que estava acontecendo, reparando somente nas palavras e na movimentação que o Mago Natu promovia em redor do príncipe, no centro da pirâmide. Concluída a ritualística de entrega dos quatro elementos, nas salvas com as recomendações quanto ao modo de usá-las e das transformações alquímicas possíveis por intermédio das substâncias, o dirigente da cerimônia derramou sobre a cabeça do Príncipe Urucumacuã uma pequena ânfora de nardo, espalhando-o sobre seus cabelos ruivos. O perfume daquela essência propagou-se pelo ambiente, exalando tão agradável fragrância que todos se inebriaram com o aroma suave e penetrante. Ouviam-se, das quatro direções, sons harmoniosos de harpas e saltérios e, à medida que aumentavam o volume da música, quatro tocadores de tambor, em ritmada cadência, se aproximaram da pirâmide, postando-se diante dos vértices do emblemático monumento de costas para o príncipe. Urucumacuã deitou-se no chão sobre um tapete azul ao comando do Mago Natu que, à aproximação dos batedores de tambor, iniciou a leitura das doze tarefas que o Príncipe da Beira do Rio teria de cumprir num curto prazo, até o dia de se casar, para se tornar digno e capaz de receber o trono, a coroa e o cetro do Imperador do Elo Dourado, Rei Médium, para sucedê-lo no poder. Explicando com detalhes cada um dos doze trabalhos, rememorando acontecimentos miraculosos passados naquele reinado e em alguns outros vizinhos, antes, durante e depois de seu nascimento, enumerou-os: — “Em primeiro lugar, construirás para ti a Torre do Tesouro, sete medidas abaixo do chão, onde guardarás, nas entranhas da Terra, em local secretíssimo, todo o ouro e pedras preciosas que amealharás em tua existência. — Tarefa segunda: Destruirás para sempre a fantasmagórica Mula Sem Cabeça. — Tarefa terceira: Desencantarás a Cobra Grande, transformando-a novamente no Rei Negro Norato, para que as más águas que descem do rio Negro para o Grande Rio, sendo recebidas, se desfaçam. 348 H. H. Entringer Pereira — Tarefa quatro: Desencantarás, se assim desejar, a Pirarara e sua filha Kaxara; os príncipes Pintado e Surubim, se quiseres, poderão voltar a ser humanos; Rainha Trapa não deixará de ser enguia, porque sua ambição não permite. — Tarefa cinco: Expulse para as águas salgadas o irmão que botou na irmã, e que seu filho, Pirarucu, não o acompanhe. — Tarefa seis: Não permitirás que a Senhora Pan Thera, a Sonça Pintada, continue carregando em seu pescoço o colar de esmeraldas que pertence à Rainha Alzira, nem mantenha sobre a cabeça o diadema de brilhantes que era da Rainha Araci; retirai-os, e a mulher-fera voltará ao seu formato natural.” Ao pronunciar essa ordem, ouviu-se um grande esturro, abafando o rufar dos tambores. A plateia, assustada, olhou ao mesmo tempo para a direção norte e viu se aproximar, pela ala entre as bancadas de areia que se ligava ao vértice norte da pirâmide, um corpo semelhante ao de mulher, trajado de véus transparentes e rendas brancas, muito ornamentada e reluzente. Sua cabeça, porém, era de felino e portava um diadema de muitos brilhantes. A visão despertava medo e fascínio ao mesmo tempo. Uma fera num corpo de mulher. Alheia a toda a ritualística que se desenrolava naquele cenário, aquele ser encantado caminhou até o portal norte, parou diante do príncipe, que continuava deitado sobre o tapete azul-turquesa e, colocando-se sobre as quatro patas, abaixou a cabeça, encostando o nariz na cabeça do príncipe. Erguendo-se, Urucumacuã impôs as duas mãos sobre os olhos da fera, hipnotizando-a. Em total submissão, a fera aquietou-se, permitindo que lhe despojasse do diadema de brilhantes e do colar de esmeraldas. Ao comando de um gesto, na mesma hora, a fera transformou-se num portentoso animal de pelagem dourada brilhante com manchas negras, retornando na direção Sul, desparecendo no florestal de onde viera. O diadema de brilhantes nas mãos do Príncipe Urucumacuã resplandeceu, irradiando faíscas luminosas que preenchiam todo o espaço interno da pirâmide. Mago Natu, sereno e circunspecto, prosseguiu a ritualística, pedindo que o iniciado se conservasse de pé para ouvir as outras seis tarefas: — Sétima tarefa: Quebrarás a maldição do Conde Rasku, para que a parte do lobo que ora vive nele não mais se manifeste e que toda sua maldade se desfaça na sexta-feira de lua minguante. Os tambores aumentaram a cadência das batidas, elevando o som, quando essa tarefa foi anunciada. Alguém lá no fundo da plateia se levantou, subiu na plataforma de areia, atrás da bancada, e gritou: — Essa tarefa é minha. Não deixarei ninguém meter o bedelho. Essa eu mesmo executo. Tenho um acerto de contas com o maldito do Conde Rasku. Se Bruxo Neno o amaldiçoou. Só Bruxo Neno pode tirar a maldição! Assim o Bruxo Neno se mostrou. Ninguém, no entanto, prestou atenção àquele elemento alheio ao ritual, nem houve manifestações de apoio ou desagrado a sua indesejável interferência. Até aquele momento, a presença do Bruxo Neno passara despercebida e indiferente aos súditos, embora não se pudesse compará-lo a nenhum deles. Diferia fisicamente dos demais, é verdade, não só pela cabeça raspada, mas também pela longa barba negra que deixara crescer fazia algum tempo. Desde que Rei Mor resolvera adotar um novo figurino, deixando a barba crescer, Bruxo Neno também 349 H. H. Entringer Pereira adotara o mesmo estilo. Mago Natu prosseguiu, então, como se ninguém o houvesse interrompido: — “Oitava tarefa: Trarás do mundo das fantasias o menino Sacipe Ererê e seu corcel negro, o Tição, invisíveis e imortalizados desde o quarto dia do teu nascimento — Nona tarefa: Recuperarás o bridão de ouro encantado que pertenceu ao teu tio Albe, o Rico, esteja ele com quem estiver e onde estiver.” Bruxo Neno se levantou de novo. Mesmo sem solicitações, manifestou-se aos brados: — Isso também é comigo, Mago Natu. O bridão encantado está comigo e ninguém tasca! Mas podemos negociar. Eu o entrego mediante uma condição: se Príncipe Urucumacuã se casar com minha filha Angelin, a moça mais Bela de Trindade! Do contrário, nem bridão encantado, nem casamento com filha de rei. — Acalme-se, Bruxo Neno. O bridão encantado não é vosso e vós o sabeis. Príncipe Urucumacuã já tem compromisso de casamento, desde que nasceu. Sabeis que ele está noivo. Portanto, não poderá se casar nem com vossa filha nem com a filha de outro rei. — Isso é o que veremos, Mago Natu... É o que veremos! Mago Natu solicitou que as pessoas permanecessem em silêncio, devido ao tumulto ocasionado pelas intervenções do Bruxo Neno. Voltando à enumeração das três últimas tarefas, prosseguiu: — Tarefa de número dez: Descobrirás quem furtou os pedaços do Espelho Universal que estavam nas sete caixas de metal, para recolocá-los no local de onde não deveriam ter saído. Esperava-se que Bruxo Neno se manifestasse novamente. Mago Natu estava certo de que fora ele quem furtara os estilhaços do espelho mágico que o Rei Médium quebrou e depois condicionou no fundo das sete caixas de metal, na manhã do sexto dia das festividades comemorativas ao nascimento dos príncipes gêmeos. Dado o silêncio do bruxo, Mago Natu resolveu instigá-lo, provocando-o para que ele confessasse, confirmando publicamente estar de posse dos fragmentos do espelho e das sete caixas de metal: — Um dentre vós permaneceis com os sete estilhaços do Espelho Universal, colocados no fundo das sete caixas furtadas no sexto dia das festas de nascimento dos príncipes Urucumacuã e Kurokuru. Devereis devolvê-los ao Príncipe Urucumacuã. Do contrário, tereis aflições e embaraços por sete anos seguidos. Houve um silêncio prolongado. A maioria da plateia olhou na direção do Bruxo Neno, esperando que ele se entregasse. Devido ao comportamento indiferente do bruxo, Mago Natu prosseguiu: — Vamos à tarefa de número onze: submeterás o Mapinguari a tua vontade, mas não o aniquilarás. É preciso que ele cumpra sua sina. À menção daquele nome até então desconhecido dos espectadores, Bruxo Neno se levantou e novamente interpelou Mago Natu: — Podeis nos explicar quem é este tal de mapinguari que dissestes agora mesmo? — Este é um segredo que não chegareis a conhecer, Bruxo Neno. 350 H. H. Entringer Pereira — Por acaso estais troçando comigo? Quereis mangar de mim? Existe alguma coisa que Bruxo Neno não conheça? — Sim, Bruxo Neno. Não conheceis, nem conhecerás a ti mesmo. Este é o segredo do Mapinguari! A plateia toda vaiou Bruxo Neno. Contrariado e raivoso, ele se retirou. Indiferente à atitude do bruxo, Mago Natu concluiu a lista das tarefas: — E por fim, a última tarefa: Contarás a verdade ao Rei Mor, para que sua geração seja conhecida. Bruxo Neno já se ausentara, mas não estava distante o suficiente para não ter ouvido a décima segunda tarefa que o Príncipe Urucumacuã teria de cumprir. Ouvindo o nome do Rei Mor, volveu rapidamente, e de frente ao Mago, perguntou: — Que verdade é essa que Rei Mor não conhece? Pensais que não tenho feito previsões e contado ao meu rei segredos que ele não conhecia? — Também não conheceis a verdade, Bruxo Neno. Tampouco tereis tempo de conhecê-la! Melhor até que não a conheças. O bruxo, aparentemente contrariado, tentou interromper outra vez o interlocutório, interferindo no ritual da Sagração do Príncipe, mas Mago Natu preveniu a inconveniência e não permitiu que a celebração mudasse de rumo. Volvendo ao cumprimento normal da ritualística, o Mago adentrou o interior da pirâmide onde o Príncipe Urucumacuã se mantinha em estado de concentração e meditação, prosseguindo uma cantilena incompreensível à plateia, porém mais audível à medida que aumentava a tonalidade da voz. Invocando forças da natureza e seus elementais, o rito chegou ao ápice quando se ouviu um forte estrondo na direção do horizonte, acompanhado de um clarão originado de um raio precipitado de uma única nuvem azulada que pairava sobre o monumento de madeira, energizando de uma luz vermelha o cristal que pulsava no cume da pirâmide. Na base inferior do cristal, fagulhas luminosas no formato de salamandras se desprendiam, saltando e preenchendo todo o espaço interno do monumento, circulando em órbitas nucleares ao redor do corpo iluminado do príncipe, num espetáculo mágico, nunca apreciado até então. A plateia, fascinada, admirada e reverente, aguardava o desfecho da cerimônia para se dirigir ao Palácio Fortaleza, onde um grande banquete esperava pelos convidados. Na oportunidade, o Imperador anunciaria a data do casamento do Príncipe Urucumacuã com a Princesa Irina, de Avilhanas. Concluindo o protocolo cerimonial, Mago Natu relembrou ao príncipe as doze tarefas que teria de cumprir, classificando-as pela ordem temporal de execução. Antes de se casar, apenas uma das doze teria de estar totalmente concluída: a edificação da Torre do Tesouro ou a Grande Obra. A misteriosa Grande Obra, a Torre do Tesouro, contrariamente ao imaginado, não seria construída do chão para cima, mas do solo para dentro. Tal edificação tanto serviria de laboratório alquímico, onde o príncipe trabalharia, como também seria o cofre seguro, onde guardaria seu grande tesouro: todo o conhecimento que adquirira, materializado sob a forma de cristais e gemas preciosas, metais raros e puríssimo ouro alquímico. No pavimento mais profundo, onde depositaria a grande pirâmide de cristal, a flama do Fogo Frio, juntamente à Pedra de Filosofar, ocultaria ainda seu repositório de 351 H. H. Entringer Pereira rubis, esmeraldas e diamantes. Naquele sagrado lugar, nenhum outro mortal conseguiria chegar, sem antes ter se submetido à construção de seu segundo corpo. Mago Natu resumiu sucintamente os detalhes da construção, enumerando os nove pavimentos que deveriam ser edificados em formato de espiral, com degraus de cima para baixo, correspondendo cada um deles às virtudes que o Príncipe Urucumacuã alcançara, depois das provações que vencera durante o longo período de tempo em que se ausentara, submetendo-se aos rituais exaustivos da secretíssima Iniciação nos Mistérios do Fogo: no primeiro estágio, no primeiro piso, ficaria o compartimento da Coragem; no segundo, a Disciplina; no terceiro, a Laboriosidade; no quarto, a Independência; no quinto, a Perseverança; no sexto, a Generosidade; no sétimo, a Fidelidade; no oitavo, a Honra; e no nono e mais profundo de todos, o pavimento da Verdade. Para finalizar a cerimônia, Mago Natu entregou-lhe uma chave de ouro cravejada de brilhantes e a espada que o Rei Médium mandara o ferreiro Kalibur fundir, enquanto aguardava seu nascimento. Solenemente, reverenciou o príncipe, tocou a base da pirâmide de cristal com a ponta da espada, desenhando um símbolo no formato de uma ave de asas abertas, cuja marca ficou insculpida no cristal como se uma lâmina de fogo sulcasse o material sem nenhuma resistência. Por fim, disse: — É possível que tua marca seja ocultada pelas cinzas do tempo. Por milhares de anos, a pedra do fogo frio e teu valioso tesouro serão insistentemente procurados, mas somente o Homem que não cede aos desejos inferiores, aquele cuja capacidade de criar em si mesmo o fogo que transforma seu mundo interior e todos os outros mundos numa integridade única, poderá encontrar a pedra da felicidade eterna. Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem. (Vá às profundezas da terra e reforma-te, para que encontres a pedra oculta da felicidade). A maioria dos espectadores, não compreendendo o significado hermético do que Mago Natu proclamava, aos poucos se ausentara do local. Permanecia, ao final, um grupo restrito de sábios e intercessores, cortesãos do Grande Rei, do Rei Médium e da Rainha Gônia. Concluindo a celebração, diante da ausência da maioria dos súditos, após o juramento de compromisso do Príncipe Urucumacuã em observar todos os princípios da Antiga e Misteriosa Ordem do Pássaro de Fogo para vencer a obscuridade, recebida a benção, Mago Natu proclamou: — A ninguém será dado o direito de tocar fisicamente no Príncipe Urucumacuã, até que conclua sua Grande Obra. Muitos virão em seu auxílio, outros o tentarão, mas seu corpo não poderá ser profanado, nem mesmo derramado ao solo o conteúdo de seu vaso sagrado, para que seu despertar consciente permita que se transforme num dominador ou em potência visível e invisível. Esse domínio, verdadeira salvação, será possível somente aos que assim buscarem e desejarem; aos que desafiarem a coragem; aos que se dispuserem lutar para vencer a si mesmos; laborar perseverantemente, a fim de conseguir esse despertar. É necessário destruir os próprios limites e encontrar-se com os sofrimentos interiores, fragmentados pelos embates da sobrevivência. A destruição desses limites requer prolongado esforço, até que não haja mais fronteiras entre morrer e viver. Decorre deste estado interior de arrebatamento, a criação do único fogo que não queima, mas que funde num só, o conhecimento de todas 352 H. H. Entringer Pereira as experiências vividas até então. Igne Natura Renovatur Integra. Ite missa est. (Só o fogo renova toda a Natureza. Ide, a cerimônia acabou).
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URUCUMACUÃ BY H.H.Entringer P. Livro 3 Cap. 83
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LEMBRANÇAS DE ALBA ESMERALDA Em Avilhanas, Rainha Alzira e Rainha Alimpa, sogra e nora, tomavam o chá da tarde. Debaixo de uma frondosa samaúma, completamente cor-de-rosa pela exuberante florada, as duas conversavam demoradamente. A mulher de Calico ouvia atentamente as narrativas da sogra a respeito das memórias de sua filha de criação, Alba Esmeralda, mãe precoce do menino Mulato, cujo destino trágico permanecia encoberto aos súditos e velado à maioria dos palacianos. Sobre a vida de Alba Esmeralda pouco se comentava, pois sua origem misteriosa jamais fora revelada. Como testemunha única de sua aparição, Rainha Alzira confidenciou o episódio com pormenores apenas à nora Araci que, sob juramento, prometeu levar o segredo ao túmulo, e cumpriu. Depois de rememorar as histórias do Rei Albe, o Rico, e de sua fabulosa Mula “Tá”, Alzira também contou à nova nora como foi o nascimento misterioso de Alba Esmeralda, assegurando-lhe que depois da Rainha Araci, ela era a única pessoa, além do Mago Natu, a saber da história completa. A falecida nora também ouvira sob juramento de que jamais contaria a qualquer outra pessoa, incluindo o próprio marido. A parte final da história de Alba Esmeralda deixou a Rainha Alimpa deveras impressionada. — Por favor, Alzira, conte-me mais detalhes do envolvimento de Calico e Rasku com Alba Esmeralda. — Ah, sim, coisas de rapazotes! Calico tinha 17 anos e Rasku 14. Mas Rasku parecia mais velho, porque era mais encorpado e muito, mas muito mais malicioso do que o irmão. Até hoje não temos certeza nem podemos assegurar que Mulato seja filho de um ou de outro. Na época, os dois se aproveitaram igualmente da inocência e da ingenuidade de Alba Esmeralda. Ela tinha uma formosura diferente. Era aleijada dos pés, desde o nascimento. Quando a tive em minhas mãos, reparei que seus pés eram meio redondos, à semelhança de uma pata equina, sem dedos. Fora esse defeito físico que a fazia andar meio trotando, tinha um rosto de extraordinária beleza. Sua longa cabeleira parecia um véu negro a lhe escorrer pelos ombros e seus olhos eram fascinantemente verdes. Foi o rosto feminino mais belo que já vi, porque o masculino, continua sendo o de Rasku, concordas? — Sim, evidentemente! Até hoje não vi homem de rosto mais belo! — Então, fiz alguns interrogatórios com Calico, jurou-me sempre e nunca se contradisse, que não foi o primeiro a seduzi-la. Rasku jamais admitiu ter sido ele, acusando sempre o irmão... Enfim, Alba Esmeralda era surda-muda de nascença. Nunca se manifestou contra um ou a favor de outro. Certo é que Mulato nasceu e se parece mais com Rasku do que com Calico. Pela responsabilidade que Calico sentia de também ter se abrasado pelos encantos e enlevos amorosos de Alba Esmeralda, assumiu a paternidade do menino. — Explique-me, Alzira, como foi o encantamento de Alba Esmeralda num pássaro? — Ah, este episódio apenas a Senhora Natividade da Luz presenciou. Ela, somente ela, estava nos aposentos junto de Alba Esmeralda no momento em que dava à luz. A moça sofreu muito, ficou sete dias inteiros em doloroso trabalho de parto. 338 H. H. Entringer Pereira Pensávamos que fosse morrer junto com a criança. A parteira nos lembrou de que, no meio das dores atrozes, na última vez em que ela emitiu um grande gemido e forçou a criança a nascer, deu um suspiro profundo e um gemido prolongado. Na mesma hora, a criança saiu. Quando a Senhora Natividade olhou o recém-nascido para cortar o cordão umbilical, o menino chorou e o corpo de Alba Esmeralda encantou-se, ficando sobre os lençóis apenas sua placenta. Bem, naquele momento, ela presenciou uma ave branca saindo de cima da cama e voando pela janela, ganhando o espaço azul do céu, naquela tarde quente de verão. Sentindo que a jovem mãe se libertara daquele tormento e pela dor atroz que a torturou durante sete dias contínuos, denominou aquele pássaro surgido misteriosamente de Alba Atroz. — Incrível! Calico soube disso? — Soube. Mas nunca tocou nesse assunto comigo. É melhor que fiques calada também. — E Rasku? Admite que pode ser ele e não Calico o pai de Mulato? — Esse assunto já foi encerrado. Calico assumiu a paternidade de Mulato e ponto. Por isso chamam o menino de Calico Filho, o Mulato. Conde Rasku nunca se interessou pelo menino, desde que nasceu. Sempre o desprezou. Parece até que o odeia. Talvez seja porque Mulato tenha o mesmo defeito nos pés que Alba Esmeralda, e seja surdo-mudo de nascença tal qual a mãe. Incomoda a Rasku admitir que além de bastardo, um aleijado seja tratado em nossa corte como fidalgo. Mais de uma vez, tentou imputar a Mulato a autoria de alguns de seus deslizes. Só não conseguiu o intento graças à boa sorte de Mulato. Mais de uma vez, pode contar com o testemunho favorável do Senhor Álibi, que estivera com Mulato nos dias e horários em que Rasku o acusara de furtar alguns de seus animais. Além de premeditado, Rasku é de uma frieza sem precedentes. Não acreditamos na possibilidade de qualquer gesto de amor verdadeiro que possa vir de sua parte. — Referi-vos ao episódio das “lhe enguiças” em nosso casamento? — Certamente. Todas as pessoas que comeram daquelas carnes adoeceram seriamente, e estão como crianças a choramingar. Ainda bem que o Mago Natu nos preveniu a deixá-las no prato, pois que estavam “contaminadas”. — Acaso Mago Natu revelou depois que tipo de contaminação? — Contou-nos sob juramento algo mais terrível do que qualquer um de nós poderia imaginar... — Que horror! Podeis me dizer? — Que jamais saia de sua boca o que ouvireis agora: aqueles embutidos de carne de caça foram preparados com a carne picadinha de alguns dos inocentes, seus próprios filhos, que ele assassinou para depois queimar a casa com as mães e os outros filhos. Rainha Alimpa ficou lívida. O sangue lhe gelou nas veias e uma sensação de nojo e náuseas quase a fizeram desmaiar. Sem fala, por alguns instantes, passou pela lembrança a figura esdrúxula e aterrorizante do enorme animal com a cabeça humana e o rosto do Conde Rasku que ela vira de sua janela na noite anterior ao seu casamento, quando a Casa das Moças que Pintam e Bordam foi incendiada com as mulheres e seus filhos. Ela não queria mais tocar naquele assunto. Era forte ao extremo para sua 339 H. H. Entringer Pereira natureza sensível e humanizada. Rainha Alzira percebendo o choque que a revelação provocara na nora, mudou de assunto, indagando-lhe: — Tens notado alguma melhora no comportamento de Irina? — Causa-me preocupação no momento. Calico também percebeu que desde a morte da mãe, ela não sorri, passa a maior parte do tempo brincando com “Boneca”... — Pois então, aproxima-se o tempo em que o noivo voltará. Tanto mais o dia se avizinha, mais ela demonstra desinteresse pelo casamento. Tenho comigo que o futuro de Irina será uma tragédia... Pressinto que não será feliz. — Como assim? O Príncipe Urucumacuã é o mais cobiçado entre todos os casadoiros destes reinados. Além de belo, é educado, gentil e herdeiro de um império fabuloso. — O problema não é com o noivo, Alimpa. O coração de Irina parece que morreu para os prazeres do mundo. Sua ligação com a mãe era mais forte do que imaginávamos. Dói saber que a tristeza e o sofrimento se apoderaram de tão jovem e angelical criatura. Ao referir-se aos dons e talentos de Urucumacuã, o noivo e futuro esposo da Princesa Irina, enumerando suas incontáveis virtudes, Rainha Alzira foi interrompida pelo toque dos dois sinos de bronze e o soar das trombetas anunciando visitantes. Ao toque dos sinos, as duas amigas se levantaram e atravessando o imenso pátio gramado, com seus magníficos jardins cuidadosamente tratados, foram ao portão principal do Palácio desejar as boas-vindas aos forasteiros. Os estandartes dourados empunhados pelos cavaleiros dos corcéis brancos, eram conhecidos e foram imediatamente identificados naquela Casa Real. Tratava-se dos mensageiros do Imperador do Elo Dourado, Rei Médium. Logo os portões internos do Palácio das Esmeraldas se abriram e a nobre comitiva, agraciada com as civilidades palacianas, era conduzida até o Salão do Trono, onde Rei Naldo despachava com seus tribunos assuntos diversificados, todos do interesse do reinado e de sua população. Rainha Alzira e Rainha Alimpa gentilmente convidadas pelo Mestre-Sala, Senhor Kari Jó, adentraram o Salão do Trono, juntamente com a comitiva do Rei Médium. Reverente e solene, o Mensageiro Real entregou ao Rei Naldo um rolo de pergaminho, lacrado com a efígie do Império do Elo Dourado. De posse do documento, Rei Naldo quebrou o lacre, cortando-o com seu pequeno punhal de prata. Abriu o documento, leu-o primeiro silenciosamente, dando ciência à atenciosa plateia, em alta voz, apenas da conclusão da minuciosa e extensa missiva: “Com prazer e honra, faço-vos ciente de que a volta do Príncipe Urucumacuã à casa paterna, neste Império do Elo Dourado, será soberanamente festejada com pompa e galhardia, quando Vossa Real Família aqui se encontrar para celebrarmos o casamento dos nossos filhos, Urucumacuã-Irina e Gesu Aldo-Hévea. Aguardaremos Vossa vinda aqui, no tempo em que Vos aprouver, conforme acordo já firmado consoante nossas vontades, quando, então, uniremos nossos filhos e reais herdeiros em sagrado matrimônio, selando destarte o pacto que propusemos desde o tempo de seus nascimentos, para perpetuarmos nossas descendências, em honra e glória de nossos ancestrais. No aguardo da resposta confirmando a data de Vossa vinda já na próxima estação, quando a conjunção da Lua em Gêmeos estiver na Casa Astral de Vênus, 340 H. H. Entringer Pereira saúdo-vos em nome desta Casa Real em Fortuna e Paz. Assina, Rei Médium – Elo Dourado Imperator”. Uma longa sessão de aplausos se ouviu. No rosto da Rainha Alzira, emocionada, copiosas lágrimas rolaram de seus verdes olhos. Disfarçando a comoção, secou-os com toques suaves, exibindo um belo e delicado lenço que usava, lembrança da amiga, Rainha Ália, justificando-se com a nora: — Não consigo identificar se estou mais alegre ou mais triste! — Compreendo. Lágrimas de tristeza e de alegria possuem a mesma cor. Rei Naldo, em seguida, sentou-se numa escrivaninha de ébano, incrustada de florões de ouro, cravejada de esmeraldas, e iniciou a missiva em resposta à longa epístola do Rei Médium. Confirmou sua ida em companhia dos mais proeminentes membros de sua Corte na data que já haviam combinado previamente, marcando também a viagem da Princesa Irina e do Príncipe Gesu Aldo ao Elo Dourado, com antecipação de sessenta dias da data das núpcias, a fim de que se cumprissem os rituais estabelecidos para adaptação dos futuros cônjuges às transformações e mudanças de hábitos e costumes das novas Cortes às quais pertenceriam. Concluindo a escrita, lacrou com o selo do Reinado de Avilhanas o rolo que cuidadosamente colocou num canudo de madeira, e ordenou aos seus arautos que a partir do dia seguinte percorressem todo o reinado para anunciar as núpcias de seus filhos, convidando todos os súditos para a festa do casamento no Elo Dourado e depois no próprio reinado de Avilhanas. Selados os compromissos, dirigiram-se todos ao salão de jantar, onde um lauto banquete já estava à mesa. Na oportunidade, Rei Naldo, sentado à cabeceira da extensa mesa ao lado da mulher, anunciou e apresentou os visitantes, convidando os comensais que ainda não sabiam o motivo de suas visitas a se programarem para a viagem ao Elo Dourado em função das festividades do casamento da Princesa Irina e do Príncipe Gesu Aldo. Naquela noite, Conde Rasku, de passagem pelo Palácio das Esmeraldas, resolveu esperar o jantar. Conversou com poucas pessoas e à mesa dos familiares comportou-se com mais discrição do que de costume. Retirou-se com seus lacaios tão logo serviram a sobremesa e o chá digestivo, sem se despedir formalmente da mãe, nem do irmão e sua esposa. Chegou em casa quase de madrugada. Não conseguia dormir. Passou o restante daquela noite sem repouso. Todos os seus perversos pensamentos voltavam-se agora ao planejamento para impedir que o casamento dos seus detestados sobrinhos se concretizasse.
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Hoje então fui ao encontro Daquilo que me esquivo Como quem assusta o medo Como se o medo existisse. Dor que de hora em hora Invento, para acalmar por dentro Por medo da solidão, que Não volta a me deixar só, novamente. Tudo que morreu no presente No passado viveu um dia Na memória existente O Sagrado do Firmamento A vida dada-me um dia Pela mãe que ama a cria. Brazz Dy Vinnuh 1418(04)
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Vamos de notícia boa?🤎
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Inspo Ekonavi✨
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Urucumacuã By H.H.Entringer Pereira Livro 3 Cap. 82
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A VOLTA DO PRÍNCIPE URUCUMACUÃ Um ano depois... Embora aguardasse a volta do filho no início daquele verão, Rei Médium sonhara com sua festiva chegada naquela semana. Ainda ao amanhecer, assim que a Rainha Gônia despertara, abraçou-a afavelmente e contou-lhe o segredo: — Sonhei com nosso filho chegando ainda esta semana. O que vos parece? — Bendito seja, então! Também sonhei festejando sua presença. Estou muito saudosa de Urucum. Afinal, já se passaram quase três anos. Como estará depois de tanto tempo? Mais magro, mais forte, mais ruivo, com barba crescida ou aparada? Ah, como anseio por vê-lo e abraçá-lo ... — Amada minha, vós mulheres é que vos preocupais com isso. Nós, homens, para nós é o bastante que ele esteja saudável, mais forte e devidamente preparado para os deveres e funções que deverá desempenhar como meu sucessor. — Pretendeis abdicar do trono assim tão cedo? — Sim, já conversei demoradamente com Mago Natu a esse respeito. Ouvi alguns conselhos, mas fiquei em dúvida quanto a algumas previsões que ele não deixou bem claras. — O que vos aconselhou? — Primeiro, que Urucum deve se casar; depois, receber o trono e a coroa do Elo Dourado. Preocupei-me porque Mago Natu pronunciou algumas frases na linguagem que só ele conhece. Não tive coragem de perguntar o que significavam suas palavras, mas senti que soavam como maus presságios, prenúncios agourentos... — Acalmai-vos, amado! Vivamos o que temos para hoje. Esperemos nosso bem-aventurado Príncipe Urucumacuã! — Sim, minha rainha. Vivamos o que temos aqui e agora. Ah, sabe o que mais sonhei? Que o Grande Rei chegará com ele. — Preparemos, então, uma grande festa. — Mandarei mensageiros agora a Avilhanas. Assim que a Princesa Irina vier, organizaremos a maior festa de casamento jamais vista. Ninguém verá algo mais bonito do que as núpcias de Urucum! Quem sabe o Grande Rei também fique conosco tempo suficiente para oficiar as cerimônias... — Este é o meu maior desejo — concluiu Rainha Gônia. Deixou seus aposentos, indo até a ala oposta do Palácio Fortaleza para supervisionar pessoalmente a limpeza das acomodações do amado filho e as casas de hóspedes. Para ornamentar os aposentos destinados a alojar o Grande Rei, Rainha Gônia encomendou ao seu ourives particular uma escultura plana, toda em ouro, no formato de coroa, cravejada de pérolas, brilhantes e esmeraldas e uma estrela de cinco pontas também em ouro maciço, com o monograma “G.R.” no pentágono interno, para afixar uma sobre a outra na porta de entrada do quarto principal, em homenagem simbólica ao magnífico rei. Todos os cômodos das outras doze casas de hóspedes estavam limpos e arrumados, prontos para receber dezenas de visitantes.
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Talvez eu deixe para depois, deixar aqui um espaco mais ludico.
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Ações que regeneram a Terra (e pra gente também)✨
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Pensou aí em alguma ação que cura?🤎 Conta pra gente aqui nos comentários?👀
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Lei de incentivo a reciclagem LIR
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Canteiros.
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Ótimo trabalha com que tem. Pedras, entulhos, tijolos, galhos. Saiu pequenos canteiros. Espécies plantadas. Mil folhas Folha da costa Abre camilho Citronela Guaco Babosa Tomilho Manjericão Capim cidreira Aruda Funcho Orégano 😁🌱🪴🌿🍃🍂
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Inspo Ekonavi✨
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Plantado com árvores; protegidos de sol, chuva, vento, geada e granizo. Solo sempre coberto e úmido.
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